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“É muito difícil pensar em ’ser escritor’ quando se nasce num país em
que ninguém lê: os pobres porque não sabem ou porque não possuem
meios para adquirir conhecimentos, e os ricos porque não sentem
vontade. Numa sociedade assim, querer ser escritor não é optar por
uma profissão, mas por um ato de loucura.” MARIO VARGAS LLOSA

27/10/2006 - 16:17

O fenômeno ‘Les bienveillantes’

O livro-sensação da Feira de Frankfurt, “Les bienveillantes” (“As benevolentes”), escrito em francês pelo americano Jonathan Littell, 38 anos, teve seus direitos de publicação nos Estados Unidos vendidos para a HarperCollins por US$ 1 milhão – notícia completa aqui, mediante cadastro gratuito.

O romance, um tijolo de quase mil páginas, tem um narrador peculiar: ex-oficial nazista da SS, sem um pingo de arrependimento, homossexual. Na França, vendeu 280 mil cópias em um mês e meio. O sucesso inesperado obrigou a editora Gallimard a remanejar parte do papel que estava reservado para as reedições de Harry Potter.

A obra está sendo disputada por quatro editoras brasileiras. O nome da vencedora deve sair na semana que vem. Em conversa com o Todoprosa, um dos editores que participam do leilão se referiu ao livro de Jonathan Littell – filho do escritor de espionagem Robert Littell – como “obra-prima”.

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Posts Tags:

3 comentários para “O fenômeno ‘Les bienveillantes’”

  1. Paulo disse:

    O detalhe é que aqui o livro só será publicado na primavera de 2008 – donde se espera uma tradução caprichada e uma edição ainda melhor. Quer apostar quanto como no Brasil o livro sai no comecinho do ano que vem? Se é que me entende…

    Aliás, grande o seu conselho de ler os russos em inglês. Tolstói flui muito melhor na edição baratinha que comprei do que na que tinha em casa, em português semi-castiço.

    Abs.

  2. Oi Sérgio,

    Estou para escrever sobre o livro de Jonathan Littell há tempos, foi realmente a grande sensação da “rentrée littéraire” aqui na França – ganhou o Grand Prix du roman de l’Académie française quinta e muitos dizem que deve ganhar mais prêmios, o que não é comum na França. Li as primeiras páginas e não achei muito bom, mas o hype é enorme – e primeiras páginas podem ser enganosas.

    Só uma correção: a tradução correta do título do livro é “As benevolentes”. O nome remete às Eumênides, três irmãs que personificam a vingança na mitologia grega e eram assim chamadas por medo de que pronunciar seu outro nome – Erínias, ou Fúrias – provocasse a sua ira. Segundo as primeiras reportagens, o título em inglês do livro seria “The Furies”, mas agora pelo visto decidiram ser mais fiéis ao título original e chamá-lo “The Kindly Ones”. Abraços.

  3. Sérgio Rodrigues disse:

    Caro Lucas, muito obrigado por esclarecer os meandros eufemísticos do título do Littell. Um abraço.

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