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“Rasgar contos é algo irremediável, porque escrevê-los é como
despejar concreto. Em compensação, escrever um romance é
como colar ladrilhos. Isso quer dizer que se um conto não se
consolida na primeira tentativa é melhor não insistir. Um romance
é mais fácil: volta-se a começar.” GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ

27/09/2006 - 11:50

Pau no Capote

“Travessia de verão” é assustadoramente supertrabalhado, cheio daquelas metáforas improváveis que mais tarde Capote diria detestar.

É impiedosa a crítica (em francês) que Josyane Savigneau assina no “Le Monde” sobre a tradução francesa do primeiro romance de Truman Capote – sim, tudo indica que se trata realmente do primeiro, embora o crítico brasileiro Silviano Santiago tenha tentado mudar essa cronologia em resenha no “Mais!” (só para assinantes). O rigor francês não surpreende. Curioso mesmo é descobrir que o lançamento do livro por lá, mercado voraz, coincidiu com o brasileiro – veja nota do dia 22, aqui embaixo.

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Posts Tags:

9 comentários para “Pau no Capote”

  1. Cote Basque disse:

    Santiago tá falando bobagem.

  2. Leitor disse:

    Alguém aí conhece algum crítico literário desses que ’se acham’ que, alguma vez na vida, se propuseram a colocar o traseiro numa cadeira e “malhar” a massa cinzenta e também “os sentimentos” para construir algo que valha a pena ler?

  3. Paulo disse:

    Ótimo o título da nota. O Capote adoraria.

  4. Fabio Negro disse:

    Gay Talese, o outro incensado do jornalismo novo, também merece uma leve piaba por alguns de seus textos.

  5. Josyane Savigneau é aquela que escreveu a monumental e maravilhosa biografia de Marguerite Yourcenar. Ela tem um jeito ímpar de fazer crítica. De vez em quando aparece na TV francesa, em algum programa literário que trate de jovens autores. Eu morro de rir quando ela vira pro Jovem Autor e diz assim, na lata: “Olha, eu não gostei do seu romance”. Hahahaha. Ela é a única que consegue dizer isso. Assim, sem vaselina mesmo. Mooooorro de rir!

  6. Voltei. O texto da Savigneau é uma delícia. Não sabia que o romance inacabado “Preces atendidas” (não sei se é esse o título em português, estou chutando) tem como modelo o À la recherche du temps perdu. Como disse Savigneau: “Dessa vez, Capote botou sua barra bem no alto”, isto é, deu-se um desafio muito difícil de ser vencido… Mas Capote é Capote. Pena que o livro não foi terminado.

    Agora, gostaria que me respondessem o seguinte: por que atualmente os escritores parecem pessoazinhas tão comuns? Não tem ninguém com uma vida assim tão interessante quanto a do Capote. Ou então os escritores estão cometendo suas transgressõezinhas muito discretamente…

    Outra boa lembrança da Savigneau foi o Gore Vidal. Que sempre meteu o pau no Capote. Hilário!

  7. hack disse:

    Concordo com o Saint-clair
    Queremos videos de escritores fazendo sexo na praia!

    (queremos?)

  8. Ah, Hack… acho que hoje em dia os escritores não fazem mais sexo…

  9. Clarice disse:

    Silviano Santiago?
    Piada esta criatura. No “Mais”? Pensei que o “Mais” fosse mais criterioso.
    Eu vou fazer uma resenha de um livrinho de contos que ele escreveu (ossos do ofício fizeram este livro aparecer aqui em casa.) Nunca li mas vou ler só para resenhar para vocês.
    Acho até que já sei como começar:
    “Triste e pobre a coletânea de contos de Silviano Santiago (1936- ) que a editora Ática reuniu. …..
    o livro é de 1977.
    Acho que depois ele parou com isto.

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