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“É muito difícil pensar em ’ser escritor’ quando se nasce num país em
que ninguém lê: os pobres porque não sabem ou porque não possuem
meios para adquirir conhecimentos, e os ricos porque não sentem
vontade. Numa sociedade assim, querer ser escritor não é optar por
uma profissão, mas por um ato de loucura.” MARIO VARGAS LLOSA

29/08/2006 - 15:51

O poeta, a amante, o biógrafo e o cafajeste

Os personagens são quase inteiramente desconhecidos por aqui, mas a história é tão boa que vale assim mesmo.

Uma recente biografia do poeta inglês Sir John Betjeman – poeta “oficial” do Reino Unido de 1972 até morrer, em 1984 – trouxe como uma de suas maiores curiosidades uma derramadíssima carta de amor até então inédita endereçada por Betjeman a uma amante.

O biógrafo, AN Wilson, acaba de reconhecer que o texto é falso e que alguém lhe armou uma cilada. A prova é incontestável: um jornalista descobriu que as iniciais maiúsculas de cada frase da suposta carta de amor formam a sentença “AN Wilson is a shit” (AN Wilson é um merda).

Esse ambiente literário sabe ser inóspito às vezes.

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Posts Tags:

6 comentários para “O poeta, a amante, o biógrafo e o cafajeste”

  1. Sérgio Rodrigues disse:

    Pois é, Marcelo. Relendo, eu também me surpreendi com esse “às vezes”. Acho que escrevi num momento de generosidade.

  2. João Paulo disse:

    Acho mais inédito ainda eleger um poeta, poeta oficial. Isto deve acabar com a poesia do cara. Até vejo o candidato sentado na Câmara dos Lordes, chega um cara com um carimbão e PAM! Mete-lhe uma carimbada nas costas. -Agora vc é o Poeta Oficial. Então ande daí e vá reconhecer a firma no cartório da esquina. Estes ingleses são meio neuróticos.

  3. Martina disse:

    Eu acho engraçada a história toda. Coitado do biógrafo, que poderia ter checado melhor a origem da tal carta, mas a invenção é genial. Adoro esse tipo de criatividade literária enganadora, como aquele caso dos dois estudantes que escreveram teses e livros sobre um poeta que não existiu, foi inventado por eles. Não me lembro direito da história, fica como sugestão para o Sérgio comentar aqui.

  4. Antônio disse:

    Que tal exportarmos Paulo Betti para a Inglaterra? Ele poderia levar na bagagem Wagner Tiso.

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