Se…
Se o Todoprosa falasse de poesia, seria o caso de me declarar surpreso e decepcionado com o dogmatismo exposto pelo escritor e agitador cultural paulistano Nelson de Oliveira em artigo para o jornal curitibano “Rascunho”. Oliveira não deixa escolha aos poetas aspirantes: exige que eles…
…inventem sua própria métrica, evitem o verso de medida fixa, fujam da rima. O poema regularmente metrificado e rimado pertence ao passado glorioso. Hoje seu ritmo mecânico e engessado (cafona até à medula) só faz sentido na música popular e no canto lírico de baixa qualidade. Pensando bem, nem mesmo aí. A literatura não deve ser tratada como passatempo de burocratas afetados e pedantes.
Se o Todoprosa falasse de poesia – mas não fala, não fala –, eu diria que, obviamente, metro fixo e rima são apenas recursos, não têm valor intrínseco para o bem ou para o mal. Vetá-los é tão absurdo quanto declará-los obrigatórios. Principalmente num momento em que, tendo sido tratados com um certo desprezo pelos bem-pensantes por décadas, eles oferecem enorme potencial para o drible na expectativa do leitor, para a obtenção do efeito que não se espera – função básica de qualquer boa literatura, pois não?
O artigo é desalentador porque, pelo menos nesse terreno, pensei que já estivesse estabelecido de uma vez por todas o valor de princípio constitucional do “é proibido proibir” que o jovem Caetano Veloso foi buscar no Maio de 68 parisiense. E que lhe valeu uma vaia consagradora no III Festival Internacional da Canção, em setembro daquele ano, rebatida com um discurso inflamado e genial contra a “juventude que vai sempre, sempre, matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem”.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Posts Tags:
nelson de oliveira é o imbecil mais bem disfarçado da literatura brasileira. algum dia alguém vai pegar a obra desse infeliz e se dar conta: é tudo água, água, água. esse texto dele sobre poesia parece trabalho de aluno de primeiro ano de faculdade. tem os mesmos vícios, preconceitos e obviedades. que horror!
Polêmica boa e inegostável, na qual fico com o ponto de vista de Sérgio Rodrigues.
A forma em poesia, assim como na literatura, não é uma fôrma ditada pelas prerrogativas dos seus praticantes.
Não existe essa predominância de escolas, grupos, grupelhos ou igrejinhas. Há, sim, boa poesia ou boa literatura. Que fica ou que é banida pelo juízo do tempo.
Mas nessa confusão toda eu prefiro mesmo é assinar embaixo a fina ironia de Mario Quintana: os poetas de verdade não lêem os outros poetas. Lêem as pequenas notícias.
Bravos, Sergio. Mais uma vez concordo com você em gênero,número e grau. Nada de xiitismo, não é?
NOSSA disse tudo ….
O VERDADEIRO POeTa,
NÃO LÊEM O OuTrO!!!!!!!
kArAcA…mArIo qUinTana AHuahAUhau
ainda creio ser mais saudável existir a proibição, que leve a uma resposta necessariamente forte da resistência a ela (essa proibição), que por sua vez defenda com dureza sua posição – talvez expondo assim suas entranhas, e com elas a chave do seu argumento: e a possibilidade de enxergar aí seu “calcanhar de Aquiles” – que por fim devolva (a ‘Resistência’) com sua melhor e mais apurada argumentação, criatividade e tal.
nestes relativamente ingênuos anos (around 68), talvez se tenha produzido, ao invés, boa parte do melhor da arte no século (como, de forma similar, em outros períodos de guerra) – visto que as circunstâncias exigiam essa aplicação, essa entrega apaixonada, esse tomar de posição.
hoje é fácil “proibir o proibir”. qual tem sido o nosso grande testamento, nossa grande herança para o futuro?
Concordo com o Sérgio:
“É Proibido proibir”
Oficinas são para quem trabalha:
Mecânicos,
operários
marceneiros
escultores
estetas
escritores
e até poetas
oficina é onde se exerce um ofício
A forma
reta ou torta
depende do contexto
o conteúdo importa.
o trabalho
o texto.
Renato
que disse que poeta trabalha. Hahaha!
Lamento dizer, mas este é um ledo engano.
Cara, poeta nao trabalha. Sonha. poetizar é um sacerdocio. ocio sagrado, conforme dizia Oswald de Andrade.
Oswald trabalhava
e muito!
Assim como antes dele Bilac
e Cruz e Souza
Assim como Mário
e Drummond
e Quintana
São escassos os poetas que não trabalharam sue texto
Maiakowsky trabalhava muito
Poe também
(por mais que fosse taxado de bêbado e vagabundo)
sacerdotes, todos foram.
o ócio era ironia
resposta àqueles
que mascaram a semsaborice de suas existências
taxando de loucos
de vagabundos
aqueles que ousam viver seus sonhos.
Fujo destes arroubos altamente prescritivos como do Diabo. Sempre desconfiei daqueles que perdem o tempo deles, e o dos outros, advogando receituários num domínio onde por definição a única receita é criar. Rimas ou verso livre são apenas veículos…
Grande blogue. Abraços do outro lado do charco.
a ironia é que o conceito de trabalho é polissemico e ao mesmo tempo encarado como único. a ironia é que quem trabalha por prazer acaba tendo mais prazer (e convertido, a medida que o tempo passa, em lazer) transpõe os gilhões que a humanidade colocou sobre os trabalhadores da terra. Ao divinizar o trabalho e profanar/rebaixar o trabalhador- sacerdote que oficia o rito diario de labutar em prol de outros (pessoas ou coisas, industrias, comercio, servicos, etc.) afim de obter o sustento e manutencao de sua vida. Uma troca cada vez mais injusta pelos próceres da economia global. …ou exploracao global em massa e larga escala. Assim, Renato ao dizer que poeta nao trabalha nao estou dizendo que eles sao vagabundos. Mas que sao livres em seu mundo. Sao pessoas que encontraram prazer na vida apesar de tudo e dos horarios fixos das jornadas de trabalho, das férias pre-determinadas, das festas pagãs e cristãs previamentente (e, quiçá, milenarmente estabelecidas). enfim, são os verdadeiros herdeiros de Prometeus.