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“É muito difícil pensar em ’ser escritor’ quando se nasce num país em
que ninguém lê: os pobres porque não sabem ou porque não possuem
meios para adquirir conhecimentos, e os ricos porque não sentem
vontade. Numa sociedade assim, querer ser escritor não é optar por
uma profissão, mas por um ato de loucura.” MARIO VARGAS LLOSA

28/06/2006 - 16:07

Assim comeu Zaratustra

As pinturas religiosas do século XIV foram as primeiras a retratar cenas de danação em que pessoas acima do peso vagavam pelo Inferno, condenadas a saladas e iogurte. Os espanhóis eram particularmente cruéis, e durante a Inquisição um homem podia ser condenado à morte por rechear um abacate com siri.

Nenhum filósofo chegou perto de resolver o problema da culpa e do peso até que Descartes dividiu mente e corpo em dois, para que o corpo pudesse se empanturrar enquanto a mente pensava: “Quem se importa, esse não sou eu”. A grande questão filosófica continua sendo: se a vida não tem sentido, o que fazer a respeito da sopa de letrinhas?

Deu para reconhecer o estilo? O trecho foi retirado de um livro inédito de um dos maiores filósofos da história, o “Livro de dieta de Friedrich Nietzsche”, cujo manuscrito foi descoberto recentemente em Heidelberg por Woody Allen – ou pelo menos é esse o ponto de partida da crônica de humor filosófico (em inglês) que ele publica no último número da “New Yorker”.

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Posts Tags:

5 comentários para “Assim comeu Zaratustra”

  1. Leticia Braun disse:

    Humm… entendi agora por que Bosch só pintava gente magérrima!

  2. Rogério disse:

    Até hoje me arrependo de não ter comprado um livro com a Prosa Completa do Woody Allen lá na Travessa (olha o merchandising aí, galera!). O cara é um monstro, escreve bem demais.

  3. o tipicamente nova-iorquino Allen consegue fazer rir a qualquer um, onde quer que esteja… rs – afinal, as dores e os amores da mesa acontecem também para todos. faz sentido: por que não pensar o que se come? muito engraçado.

  4. Luiz Mozzambani Neto disse:

    Deus estaria morto… de fome?

  5. Fantástico! Um homem que trata das questões mais graves da humanidade sem jamais – em qualquer obra, por uma página que seja – deixar o bom humor de lado.

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