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“Rasgar contos é algo irremediável, porque escrevê-los é como
despejar concreto. Em compensação, escrever um romance é
como colar ladrilhos. Isso quer dizer que se um conto não se
consolida na primeira tentativa é melhor não insistir. Um romance
é mais fácil: volta-se a começar.” GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ

08/05/2006 - 12:27

Esportes coletivos não dão liga?

Impossível levar essa discussão sobre futebol x ficção a sério sem ampliar o quadro e tentar entender as relações entre os mundos esportivo e literário de forma mais geral. Não fiz nenhum estudo aprofundado – isso aqui é um blog, os estudos aprofundados ficam do outro lado da rua –, mas os dois universos parecem, com as exceções óbvias da crônica esportiva e de alguma poesia, manter relações frias. E não ficarei surpreso se, dos poucos exemplos de casamento feliz, a maioria envolver esportes individuais e não coletivos.

Pense no que representa o halterofilismo para um conto extraordinário como “A força humana”, de Rubem Fonseca; a natação para o alter ego de Fernando Sabino em “O encontro marcado”; a tourada para o Ernest Hemingway de “O sol também se levanta”. O esporte como microcosmo da luta do homem – frágil, só, patético, magnífico – contra o mundo hostil. (Só depois de citar de memória esses três exemplos me dou conta de que dois deles falam de atividades que nem são consideradas propriamente esportivas.)

Talvez seja difícil dar conta, literariamente, de trivialidades como o 4-3-3 e a disputa de pênaltis. Isto é, sem quebrar o encanto.

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Posts Tags:

6 comentários para “Esportes coletivos não dão liga?”

  1. Malu disse:

    Sérgio, e o novo livro do André Sant’Anna, “O paraíso é bem bacana”? Você acha que o futebol não chega a representar muita coisa na vida de Mané? (É dúvida mesmo, porque ainda não li). Bjs.

  2. Sérgio Rodrigues disse:

    Nem eu, Malu. Está aqui, olhando para mim. Pode aguardar porque, com a Copa do Mundo chegando, acho inevitável voltar a esse assunto algumas vezes.

  3. Patife disse:

    o futebol como “maior esporte do mundo” deveria já ter seu “clássico” na literatura e não tem…deve ser chato escrever sobre ou ñão há escritores a altura do tema ? deve ser porque todo mundo “entende” do assunto…

  4. Peter Blke disse:

    Sérgio, você já leu o “Pitch Fever” do Nick Hornby? É o melhor livro com temática futebolística que eu já li. O problema (ou explicação) é que ele não trata do futebol-esporte coletivo, mas de sua relação individual de torcedor com o Arsenal. Se literatura-esporte coletivo é o que procuras, então esquece.

  5. Sérgio Rodrigues disse:

    Hã, Peter, eu li e falo do Pitch Fever na nota acima. Simpaticíssimo, sem dúvida. Mas se aquilo é o melhor que o futebol pode produzir na literatura, aí sim, acho melhor esquecer.

  6. Peter Blake disse:

    Tem razão, eu não havia lido a nota anterior. Acho que você está sendo deveras rigoroso com o rapaz, mas deixa pra lá.

    O interessante que no cinema, por exemplo, não é diferente. O que eu consigo me lembrar (fora decumentários) é “Fuga para Vitória”! Já na música a coisa anda (ou já andou) melhor.

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