Publicidade

Posts com a Tag preços

quinta-feira, 11 de novembro de 2010 serviço | 18:59

Chá de sumiço

Compartilhe: Twitter

Ella Fitzgerald e Count Basie -Tea For Two
(Ella Fitzgerald e Count Basie, Tea for Two)

Roman Holiday - Audrey Hepburn

O espanto de Audrey Hepburn com o preço do chá (brincadeirinha) no filme A Princesa e o Plebeu, rodado em Roma

Parece que foi isso, chá de sumiço, que a autora deste blog tomou nos últimos dias. Na verdade foi camomila e hortelã. Infusões, como são chamados tecnicamente os saquinhos que NÃO são feitos de Camellia Sinensis (esta sim que dá origem aos verdadeiros chás) que mergulhamos em água quente.

Mas não foi por causa de chás ou infusões que sumi. Estive fora a trabalho por três semanas. Teve o passeio gastronômico em Turim, a caça às trufas na Toscana, uma semana em Roma (fazendo o que se faz em Roma). Quando voltei, fui obrigada a ficar em repouso por recomendação médica. Agora (piano, piano, como dizia o Salvatore, motorista italiano bravo e de olhos azuis que nos ajudava a saltar aqui e ali em Nápoles e Pompeia), retomo.

Muito já foi dito sobre o preço do cafezinho, com ou sem petit fours, a criar músculos no valor final da conta em um restaurante. O custo da garrafa de água também costuma fazer erguer sobrancelhas. E é assim em qualquer lugar do mundo. Como se essas coisas que parecem detalhes tão pequenos de nossas refeições, dos quais não conseguimos nos descolar, fossem a fonte de lucro das casas que frequentamos. Pagam a louça, a prataria, a roupa de mesa? Talvez. Não sei.

Mas e o chá? Aconteceu comigo em um café, numa dessas piazzas romanas. Terminei a refeição e pedi um digestivo de hortelã. Era um saquinho de menta quase suspeito. Há quanto tempo estaria ali, onde todo mundo prefere café puro, com grappa, lemoncelo etc? Nada de folha de hortelã orgânica, fresca e perfumada.

Estava bom. Bebi puro, exceto pela rodela de limão siciliano. Pensei na vida, observei a gente passar, paguei a conta e fui arrastar os sapatos em mais uma caminhada. Mais tarde, dei uma olhada na ricevuta, o valor específico do dito cujo (que eu ingenuamente não perguntei nem consultei no cardápio antes de pedir): 5 euros.

CINCO EUROS por uma xícara de infusão de hortelã. Quase quinze reais. Meu queixo, que já anda a estalar por aí, quase caiu. Estou vendo errado, pensei. Nunca fui boa na matemática. Mas era isso mesmo.

E veja só… depois da infusãozinha mais cara da minha vida, ontem o supermercado entregou aqui em casa algumas compras que fiz pela internet. Entre elas, caixinhas de infusão de camomila e hortelã com quinze saquinhos cada, 3,28 reais por embalagem. Não chega a 22 centavos de real cada saquinho.

Não tem explicação. Pelo custo do produto, seria gracioso se o restaurante oferecesse o chá como cortesia.

Se no preço do café está a qualidade do grão, o trabalho do barista e o lucro, ok, ainda que com um certo desconfiômetro. Sabemos que a mão às vezes é pesada, mas muitas vezes os brigadeiros, bolinhos e chocolatinhos acabam adoçando o amargor da conta.

Mas… e no chá comum? Veja: não estamos falando de coisa gourmet ou exótica, como gostam de dizer por aí. Nada de flores orientais que fazem balé na água e falam depois de desabrochar. Infusões ordinárias.

E obviamente a gente não precisa ir longe para fazer as contas. Hoje em um francês aqui em São Paulo o chá de hortelã, uma folha verde e aromática, custava quatro reais. Não são aqueles cinco euros, mas é muito também.

Acho que vou começar a levar saquinhos na bolsa e pedir água quente no restaurante. É como um remedinho… “Me dá um copo de água para tomar, por favor?” Claro que, por via das dúvidas, é melhor perguntar antes quanto custa a água quente. No caso, sem gás. Será que vão cobrar?

Notas relacionadas:

  1. A vida à mesa e seus acompanhamentos
  2. “Serviço bom pode consertar a comida”. Pode mesmo?
  3. Vale o valet?
Autor: Viviane Zandonadi Tags: , ,