Publicidade

Posts com a Tag doces

terça-feira, 5 de abril de 2011 comida | 12:55

Para o bebezinho, um primeiro brigadeiro de colher

Compartilhe: Twitter
Brigadeiros de colher da Brigaderia

Em potinhos de vidro, brigadeiros de colher da Brigaderia

Post formiga, porque a ocasião pede. Na verdade, obviamente o brigadeiro não é para o bebê. Só um dia, quem sabe, quando ele puder fazer certas escolhas…

Não sei como começou. Será que veio primeiro o bem-casado (à base de farinha, ovos, açúcar e recheio de doce de leite) ou o bem-nascido (com receita básica parecida, embalagem diferente e recheio variado, tem até de chocolate)? Um pra casamento, outro pra nascimento. Em tese, a pessoa casa primeiro e depois tem o bebê. Mas não é regra. Mesmo.

Pessoalmente, não gosto de nenhum dos dois doces. Nem sou de açúcar, embora tenha uma ou outra coisa que derrube essa minha cara de sal. Divagava por essas e outras enquanto fazia compras do enxoval do bebê e dei conta que uma das sete mil e dezenove “tarefas” da mãe que está na espera é escolher a chamada “lembrancinha da maternidade”. Para quem tem fobias sociais diversas, isso representa um frio na barriga no nível da descida da montanha russa. O que fazer? Quero a coisa mais legal do mundo. Fácil.

Quando alguém visita, no hospital ou em casa, para conhecer aquela joinha que acaba de nascer e mudar completamente a vida de outros alguéns, é simpático oferecer um mimo. Beleza. Vamos resolver.

Brigadeiro de colher da Maria Brigadeiro

A vida é curta, comece pela sobremesa, recomenda a Maria Brigadeiro

Entre enfeites bonitinhos, como florzinhas e joaninhas que, depois de circular pela casa ou mesa de escritório, um dia fatalmente vão parar você sabe aonde, e alguma coisa, digamos, mais “útil”, decidi que a minha Catarina vai receber os reis e rainhas magos com lápis e bloquinho de anotações (!). Caderninhos para anotar a vida, como definiria a Clara, personagem de Isabel Allende na Casa dos Espíritos. Mas vai ter também uma comidinha: brigadeiro de colher.

Se puxar à mãe, serão os primeiros de muitos (lápis e brigadeiros – o ponto fraco). Tudo bem que nada disso ela vai aproveitar agora, mas terá tempo.

Entre as possibilidades, há dois bons fornecedores paulistanos: o ateliê Maria Brigadeiro e a Brigaderia. É morder aqui e ali e decidir – a Brigaderia leva alguma vantagem pela possibilidade de estampas e cores. Mas ambos mandam muito bem na qualidade e na apresentação. Nada impede, claro, que quem tem tempo e disposição faça os próprios doces… Não é o caso desta missivista.

Funciona assim: a gente escolhe quem fará os doces, que serão oferecidos em vidros com tampas bem vedadas para garantir a qualidade e a durabilidade, coisa de dois dias porque não entram conservantes na jogada. São como aqueles potinhos de geleia. Pode gravar o nome do bebê e, no caso da Brigaderia, escolher estampas e acabamentos diferentes. No grande dia, “alguém” vai ligar para a loja e avisar que a criaturinha tá chegando. Os brigadeiros serão entregues fresquinhos na maternidade e dá até para combinar outras remessas para adoçar as visitas que preferirem ir em casa, depois. Assim não gasta toda a munição de uma vez e tem sempre doce fresquinho ao alcance da boca.

Leia no iG Comida cor de caramelo essas boas reportagens sobre brigadeiros, com receitas.Versam sobre a história, como são feitos, a moda dos docinhos finos e das confeiteiras superespecializadas no assunto, caso da Juliana Motter, da Maria Brigadeiro.

Difícil, depois, é NÃO fazer um prato cheio e se jogar no sofá para devorar o doce de chocolate antes mesmo de enrolar. De colher.

***

Nota: dizem que faz bem a gente escolher uma música para o bebê ouvir desde a barriga e, depois, quando nasce. Demorei, não conseguia decidir. Só recentemente e com algum sacrifício cheguei em Chovendo na Roseira, porque afinal a chuva boa e prazenteira é isso mesmo. Essa composição o Tom Jobim disse que nunca ia conseguir gravar – de fato, até onde sei, não gravou mesmo. Tem um vídeo de estúdio em que ele brinca de cantar, mas só engana. Diz que é difícil demais. Esta versão é com a Elis Regina, do álbum Elis & Tom, de 1974. Mas há por aí outra muito boa, instrumental, com o virtuoso do violão Yamandu Costa.

chovendo-na-roseira-trecho

Notas relacionadas:

  1. A doce intimidade de compartilhar a sobremesa
Autor: Viviane Zandonadi Tags: , ,

quinta-feira, 25 de novembro de 2010 comida | 00:37

A doce intimidade de compartilhar a sobremesa

Compartilhe: Twitter

Spoonful
Spoonful (Etta James e Harvey Fuqua)
Could be a spoonful of diamonds
Could be a spoonful of gold
Just a little spoon of your precious love
Satisfied my soul

tiramisu

mais uma colher e pronto: cumplicidade

Quer maior intimidade do que compartilhar a sobremesa? Acho lindo quando, mesmo sem ninguém pedir, o garçom traz o pratinho com duas colheres. Sugere a partilha. É doce, com o perdão do trocadilho. E nem estou dizendo isso para que você feche os olhos e imagine alguém da sua fantasia, na sua frente, lambendo a colher de um jeito lascivo. Estou falando de intimidade de verdade: simplesmente duas colheres, uma sobremesa e a cumplicidade na gula.

Resolvi, por isso, fazer uma lista dos meus doces preferidos. Aqueles que, mesmo com muito apego, tenho prazer em compartilhar. São poucos, só cinco. Mas são bons para mim, que nem sou mulher de açúcar.

Vou contar como pensei nisso. Primeiro, pingou no meu twitter uma citação do poeta Manoel de Barros. “Ando em vias de ser compartilhado.” Gosto do que ele escreve, porque me faz sorrir por dentro. Sempre. Pensei que, no meu caso, grávida, não estou bem em vias de ser compartilhada. Já sou. Mas não sou doce.

Daí comecei a imaginar que quando compartilho uma sobremesa, por exemplo, só um terço é meu. A outra parte é do bebezinho, que lá dentro talvez se surpreenda… ‘o que será que ela vai mandar para mim hoje?’. Devaneios bem reais.

Depois, no mesmo dia, enquanto bebia uma divertida vitamina de banana com aveia (duas bananas prata, lógico, porque é compartilhada: um copo de leite, quatro colheres de aveia, mel ou um pouquinho de açúcar), fui ler os jornais. Sempre começo a virar as páginas pelo colunista de cultura do dia. Tenho meus preferidos, outros menos me interessam, mas sempre procuro alguma inspiração. O resto do jornal dificilmente fará esse papel. Gosto de ver como eles mudam de assunto como quem muda de canal. Fico imaginando que às vezes estão sem ideias e daí isso rende à beça. Em outras, com a pauta bem encaminhada, travam. Acontece com quem escreve.

Enfim, faço como faço com o Manoel. Tento ver se eles me fazem rir ou chorar por dentro, ficar brava ou me achar mais (ou menos) inteligente. Gosto se, de alguma forma, me provocam ou simplesmente me contam algo que não sei. Se me fazem ver alguma coisa – que parecia tão certa e resolvida – de um jeito completamente diferente, melhor ainda. Acontece, às vezes.

Pois hoje/ontem o Marcelo Coelho, na Folha de S. Paulo, escreveu sobre os bolinhos individuais e de cobertura colorida e confeitada, os cupcakes. São, para ele, uma descoberta.

“O cupcake, mínimo e caro, é mais um passo na individualização da nossa vida gastronômica.” (…) “O cupcake introduz, nessas muralhas de resistência afetiva, o espírito do cada um por si. (…) deixa aos poucos de fazer parte da esfera coletiva para entrar no campo da intimidade, do inconfessável.”

***

Oquei, nada contra o cupcake. Acho fofo e lindo e adoro a ideia de que devorá-lo sozinha e escondido é um pecado inconfessável. Mas esse discurso de individualização – outra coisa a qual não me oponho, para ser franca -, me incitou a encontrar doces para compartilhar. Aqui vai minha seleção, com algumas indicações de onde encontrar (em São Paulo). A primeira seria a sobremesa preferida, o manjar branco feito pela minha mãe. Mas, como ela “não faz para fora”, desclassifiquei.

Pastiera di grano, porque é séria, madura e italiana. A do Buttina é perfeita. Fina. Escuto o Emilo Pericoli cantar Al Di La, como no filme Candelabro Italiano. Ah, que cafona, o leitor pode pensar. Mas é ótimo.

Creme de mascarpone com chocolate. Ah… mascarpone! O do Gero é ótimo. Mas se derreter o chocolate amargo em casa também funciona. Do seu jeito.

Tiramisu, porque é tiramisu. E porque tem mascarpone. No Tappo Tratoria, vem no copo, o que além de ter uma pegada caseira ainda me dá a sensação – ilusória, provavelmente – de concentrar mais sabor.

Panna cotta com molho de frutas vermelhas, porque nem é tão doce assim. Mas ainda não encontrei, aqui em São Paulo, a que eu mais gosto. Vou seguir as pistas da Roberta Malta.

Torta de maçã, a do Ráscal tem jeitão de torta da vovó Donalda. Massa fina e muita (muita) fruta.

(Ah, sim, contrariando o estereótipo do cupcake, eu deixaria alguém muito querido dar uma dentada no meu bolinho. E não precisa ser escondido)

Autor: Viviane Zandonadi Tags: , ,