500 viagens gastronômicas (sem sair do lugar)

surreal: auto-retrato de rené magritte. de quantos braços você precisa para saborear todos os seus desejos?
Afundada em livros e quase sem poder sair de casa, escapei para a livraria atrás de um presente para meu irmão mais novo. Viro algumas páginas de Dr. House – Um Guia para a Vida (Toni de La Torre, Ed. Leya Brasil) e me convenço: fininho e divertido “ensina” a levar a vida na filosofia do dr. House, aquele docinho do seriado.
Já que estou aqui, aproveito para comprar um presente para mim. A matemática costuma ser uma mistura de autoindulgência com crime e castigo. Ou seja: primeiro, eu mereço. Depois, me entendo com o cartão de crédito. Opto pela biografia de Paul Newman: ator, lindo, fã de uísque e empresário do mundo dos alimentos orgânicos (Paul Newman, Uma Vida, de Shawn Levy, é do selo Agir).
Então, quando tudo parecia resolvido e eu já planejava o cardápio para me jogar no sofá com o Paul (o livro), ganho um presente de verdade. E fico muito dividida.
Viagens Gastronômicas: 500 Lugares Extraordinários para Comer no Mundo Todo, livro produzido pela National Geographic, acaba de ganhar a segunda edição brasileira. Penso que já devia ter isso sobre a minha mesa de trabalho há algum tempo. Tsc, tsc. Não ia caber naquela bagunça. Além disso, seria tão distrativo que iria atrapalhar a produtividade – tento me consolar, de um jeito meio torto, e em vão.
Com prefácio de Nina Horta e fotos escandalosas, Viagens… é uma dessas listas de referência para brincar de marcar tudo o que você já comeu (ou quer comer), consultar, questionar, concordar, se espantar, programar a próxima viagem e saber quando e onde buscar o ingrediente perfeito.
Qual é a época do caranguejo-peludo em Xangai, na costa da China? Está lá, na página 79 do capítulo Delícias Sazonais: é o outono.
“Se você planeja viajar em setembro ou outubro e quer comer nos melhores restaurantes de Xangai, é preciso reservar com antecedência, principalmente para um banquete completo. Tenha cuidado com caranguejos com o selo de Yangcheng Lake, a melhor fonte, pois os selos costumam ser falsos. Se você se concentrar nos restaurantes mais respeitados (…), de frente para o mar ou em hotéis cinco estrelas, desfrutará o prazer da escolha certa. Evite os caranguejos ditos selvagens: por causa da poluição, a maioria é cultivada e caranguejos genuinamente selvagens são tão raros que podem custar cinco vezes o preço do cultivados.”
Aliás, outono, minha estação preferida em qualquer hemisfério, é também a campeã da sazonalidade gastronômica. Abóboras, maçãs, cogumelos, festival vegetariano na Tailândia, slow food em Turim, colheita de uva na borgonha, caça às trufas… Mas também a primavera e o verão guardam suas particularidades. Morangos, por exemplo, são os “reis do verão pelas estradas de Kent, na ponta sudeste da Inglaterra”.
As melhores comidas de rua no Brasil, na Jamaica, em Bangcoc? Veja as fotos, as descrições e as dicas para ficar longe de indisposições estomacais.
Todos os capítulos são pontuados por listas chamadas de “Os dez mais”. Em Comidas de Rua, por exemplo, foram eleitos os festivais de comidas e bebidas raras mais legais do mundo. Entre eles, a porcalhada, a chocolatada e a festa dos queijos. Todos na França.
Sabia que no segundo fim de semana de março, e durante quatro dias, ocorre em Sweetwater, no Texas, o Rodeio de Cascavéis? Pois sim. Inclui demonstrações de manuseio, um concurso com pratos à base de cascavel e outro para ver quem consegue comer mais (!). “As barraquinhas vendem carne de cobra frita, que lembra frango no sabor e jacaré na textura, além de derivados de serpente.”
Taí, bom livro para você se dar de presente no Natal, para distrair seu cunhado ou cunhada mais querido. Essas coisas. E se, como eu, deixou passar a primeira edição, não fique triste. Se jogue na segunda, revisada e atualizada, e vá viajar de verdade, na cabeça ou no sofá.
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Autor: Viviane Zandonadi Tags: livros

