“Second Life é uma máquina dos sonhos”, diz Peter Greenaway
Na edição de outubro da revista Bravo, há uma entrevista intrigante de Peter Greenaway, cineasta conhecido por filmes de estranha beleza, como “Afogando em Números” ou “O Cozinheiro, o Ladrão, Sua Mulher e o Amante”. A conversa entre ele e o cineasta Philippe Barcinski aconteceu por ocasião do 16º Festival de Arte Eletrônica do SESC Videobrasil que o trouxe para apresentar uma performance como VJ.
Isso mesmo, uma performance. Em sua entrevista Peter esclarece porque há 10 anos vem falando que o cinema morreu. Ou melhor, Greenaway precisa sua tese dizendo que na verdade o cinema ainda nem nasceu, vive apenas uma espécie de pré-história.
São dois os principais problemas apontados por ele: primeiro praticamente todo o cinema, desde sua invenção até o que se faz hoje, é dependente do texto, tem caráter ilustrativo, transpõe idéias literárias para a linguagem cinematográfica. Para Greenaway a autonomia da linguagem cinematográfica ainda não foi encontrada.
E isso se atribui ao fato do cinema ser uma invenção com apenas pouco mais de um século. Pouco tempo porque Peter Greenway faz questão de compará-lo ao universo da pintura, no qual foi educado, que tem uma tradição de mais de 8 mil anos. “Precisamos apagar isso e iniciar tudo de novo. Os 112 anos de cinema não passam de um mero prólogo. Com as novas tecnologias poderemos começar a fazer cinema para valer”, diz Greenaway.

O segundo grande problema apontado por Greenaway é a inadequação do cinema ao nosso corpo. “Você senta num lugar escuro, mas o homem não é um animal noturno. Você olha em uma só direção, mas o mundo todo está à sua volta. Se você assiste a um longa numa sala de projeção, fica parado por duas horas, algo que não fazemos nem dormindo. Que coisa mais estúpida”, exclama o ex-cineasta.
Por isso hoje Greenway é um performer que trabalha ao vivo espalhando em 360 graus 2 mil imagens e encorajando as pessoas que ali estão a dançar. É por isso também que dá para entender porque ele acha o Second Life fantástico:
“O Second Life é uma máquina dos sonhos, em que você pode não apenas ver seu filme preferido como interagir com ele. Quando ficar mais sofisticado, vai eliminar Hollywood do mapa.”.
Vale a pena comprar a revista para ler a entrevista completa. Alguns dos melhores momentos estão no vídeo da revista Bravo no Youtube:
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Autor: secondlife - Categoria(s): Sem categoria Tags:

