A insolucionável ‘Passione’
Pois bem, como algumas de vocês já comentaram por aqui, Totó não morreu e parece que ganhará um novo amor até o fim de ‘Passione’ – dizem que na pele de Patrícia Pillar. E assim Silvio de Abreu soluciona o insolúvel: a total falta de coerência de seus personagens e de sua história.
Não vou questionar índices de audiência, hoje nivelados por baixo, porque a mim não importa quantas pessoas param na frente da TV para assistir à novela das oito que chega, enfim, a seus últimos capítulos: ‘Passione’ é ruim, muito ruim, e ponto. O que acontece ali não pode ser justificado pura e simplesmente como ficção. Por mais longe da realidade que uma ficção possa ser, ela deve ser minimamente coerente com ela mesma, ter um fio condutor, uma linha e nada disso aconteceu com essa trama.
‘Passione’ chega ao fim sem que o público tenha um mocinho ou mocinha para torcer, sem que haja um desfecho de história de amor que emocione, sem que qualquer dos vilões mereça o ódio do público. E a relação de Clara e Danilo? E qual é a da Melina, afinal? E como o Fred, que era bronco no início da novela, virou executivo de sucesso? Quem é a heroína da trama, já que a Diana morreu? O que quer aconteça até o último capítulo não vai fazer qualquer diferença: Sílvio de Abreu pode ressuscitar quem quiser, pode transformar bons em maus e vice-versa que não há mais salvação para o samba do crioulo doido que criou.
Sem contar a absoluta falta de valores da maioria dos personagens. Se a ideia era levantar polêmica, nem isso deu certo. O autor pegou pesado em situações que só provocaram repulsa, como a da avó que cafetinava as netas e que agora, vejam só, vai contar que abusava sexualmente de Gérson – numa tentativa de voltar à história do desvio de comportamento sexual do personagem de Marcello Antony que, como todas as outras, estava muito mal resolvida.
É uma pena que tanto espaço em horário nobre tenha sido assim desperdiçado. E é lamentável perceber que, mesmo diante de tantas críticas, mesmo sem decolar, ninguém se mexe para mudar nada, ninguém parece chegar e falar ‘pessoal, o público não está gostando, vamos fazer alguma coisa?’. Acho quase desrespeitoso.
A única novela de sucesso hoje é ‘Ti-ti-ti’, um remake. A fórmula está desgastada? Que se mude a fórmula, então. Por que não?
Ah, e alguém sabe dizer por que raios a novela se chama ‘Passione’? Paixão foi o que menos se viu ali.
