Novidades para os bebês de proveta
Se não fosse a engenharia genética e a medicina eu não teria sido mãe, como a maioria de vocês sabe. Maria Clara nasceu por fertilização in vitro, numa experiência que considerei fantástica: não só a de ser mãe, mas a de poder me beneficiar de tecnologia tão incrível. A mesma que pode fazer minha filha deixar de ser filha única, mas isso é conversa para depois. O fato é que tudo o que envolva esse assunto me interessa e hoje acho que temos, as mulheres e a sociedade, motivos para comemorar, com as novas regras definidas pelo Conselho Federal de Medicina.
Buscando se adaptar cada vez melhor aos novos padrões e demandas da sociedade, a resolução do CFM permite agora que casais homossexuais e solteiros também se beneficiem das técnicas de reprodução assistida, assim como viúvas utilizem sêmen deixado pelo marido morto – o que soa bem legítimo. Outras regras impedem abusos e atitudes arriscadas, como escolha de sexo do bebê, que é proibida, e limite máximo de embriões implantados, que evita a perigosa gravidez múltipla.
Médicos sérios e éticos já seguiam essas normas e eu mesma bem que já quis implantar uns 15 embriões para ver se algum vingava logo, mas fui sabiamente impedida. Gravidez de gêmeos pode ser muito bonitinha, mas nem sempre é a mais segura, principalmente para mulheres mais velhas. Escolher sexo nunca passou pela minha cabeça, mas, antes mesmo que eu pudesse cogitar essa ideia, fui avisada pelo meu médico de que esse procedimento não era feito em sua clínica.
Estou contando isso para lembrar, a quem interessar possa, que o conselho de medicina faz a parte dele, mas nós também temos que fazer a nossa, não nos deixando levar por profissionais anti-éticos e irresponsáveis, daqueles cheios de promessas milagrosas. A vontade de ser mãe me parece ser um dos desejos mais inquietantes, mas isso não pode ultrapassar a barreira do bom senso e da responsabilidade. Fazer filho não é fazer tratamento estético, né?
Agora só falta realizarmos o sonho de ver a rede pública de Saúde oferecendo fertilização assistida a casais de baixa renda, sem a fila absurda que existe hoje. Laboratórios e clínicas particulares já se uniram no programa Acesso, que reduz em mais da metade os custos do tratamento, mas ainda há quem só possa fazer se for de graça. Taí um bom desafio para o novo governo.
E quanto aos homossexuais e solteiros, tanto um grupo quanto outro pode contar com o meu apoio. Gosto de imaginar os dois grupos como fortes colaboradores das campanhas de adoção, mas cada um sabe da sua necessidade de ter um filho legítimo (como eu soube da minha) e eu sempre fui defensora da ideia de que casais gays podem criar filhos tão bem quanto qualquer outro. Valor e caráter independem de orientação sexual.
Enfim, que venham mais bebês saudáveis e de famílias felizes ao mundo – estou fazendo a fofa hoje, não estou?

