A presidente de branco
Hoje foi o momento de nos rendermos e reverenciar o dia em que, pela primeira vez na História, uma mulher tomou posse como presidente do Brasil. Se Dilma Roussef fosse um bocadinho mais carismática, ajudaria um pouco no momento emoção, mas isso não exatamente diminui a importância da data. E se posso destacar uma cena de que gostei muito foi das seguranças mulheres em volta do carro oficial – um jeito bem simpático de representar a mudança. E, agora, já que não somos aqui obrigadas a falar das coisas sérias, já que não vamos usar esse espaço para fazer uma reflexão sobre o que se pode esperar dos próximos 4 anos no Brasil, vamos logo ao que interessa: o visual da presidente. Vou me valer do fato de estarmos ainda no primeiro dia do ano e ser boazinha, ou o mais justa possível: Dilma não fez feio, acho até que se saiu melhor do que poderia, mas também não fez bonito. Ela bem que poderia ter surpreendido, mas isso talvez fosse esperar demais. Não dá para dizer que o vestido branco com casaco trabalhado estava errado, mas que carecia de um bom corte, ah, carecia. Claro que não dava para fazer nada justinho que o shape não favorece, mas o paletó poderia ter assentado melhor no corpo da presidente – estava tudo solto demais e a manga não tinha comprimento definido. A estilista gaúcha Luisa Stadtlander, que foi quem fez a roupa, não se preocupou com os detalhes do evento, o que me parece fundamental. Então o tal casaco tinha botões maiores do que deveria e um deles insistiu em passar por cima da faixa presidencial. Detalhe? Ah, não acho, não. Dilminha poderia ter ousado no sapato, que escarpin branco nem noivas usam mais, e meia calça branca costuma dar cadeia, mas como ela agora é presidente, escapou. E não sei se rolou um assessor de estilo, mas poderia ter tido pelo menos alguém em casa para dizer “Dilma, querida, troca essas jóias que esse colar apertado no pescoço não combina com o brinco que não combina com a pulseira de olho grego, que por sua vez não combina com o rigor do traje, ainda que a vontade de espantar o mau olhado seja legítima”. Por fim, o make, que achei bom, e o cabelo, que achei topetudo demais. Mas considerando que o que eu mais temia era ver um tailleur vermelho de secretária, o que vimos me fez suspirar aliviada.
Querem um consolo? Se Hillary Clinton um dia virar presidente dos EUA vai ser pior. Vocês viram a roupa dela?






