Julia Roberts e seu sorriso e as belas imagens de Roma, Nova Délhi e Bali salvam ‘Comer, Rezar, Amar’ da chatice absoluta. Isso numa visão crítica distanciada, porque pra mim o que salva mesmo é James Franco e Javier Bardem, nessa ordem de entrada em cena. O resto é o maior festival de clichês já visto na história do cinema mundial. Nem nas estradas brasileiras se vê tanta frase de parachoque de caminhão. E não sei a figura da vida real, mas a personagem Elizabeth Gilbert, me desculpem as fãs, é chata. E se as roupas que ela usa em cena são fiéis à história da vida real, a moça tem que dar graças aos céus de ter encontrado um novo amor, mesmo com aquele figurinozinho.
Entendi perfeitamente porque os italianos ficaram irritados com a caricatura que fizeram deles, assim como nós deveríamos torcer o nariz para o brasileiro Javier Bardem, que chora à toa e beija o filho adolescente na boca ‘porque no Brasil é assim’.
Bom, se eu deveria sair do cinema com algum aprendizado, posso dizer que:
a) Se tiver um James Franco com 28 anos me esperando dias após minha separação, posso até reconsiderar esse negócio de divórcio
b) E se eu tiver que comer, rezar e falar frases feitas para ter um final feliz com Javier Bardem, tô dentro. Mas só aceito o legítimo, sem imitações
No mais, se é para falar de vida pós-separação, nosso ‘Divã’ é muito mais divertido. E, por favor, não deixem ninguém chamar ‘Comer, Rezar, Amar’ de filme mulherzinha que é ofensa.
E a pergunta final é: por que, meu Deus, por que as pessoas gostam tanto de um clichê?

Tem que ter paciência para tanto autoconhecimento