A nova (des)educação
Ok, há quem diga que a gente reclama de barriga cheia, nossas mães dizem que difícil era no tempo delas, mas vamos combinar que criar filho não é nada fácil e isso vale para uma infinidade de situações e setores da vida. Desde o coitado que tem três filhos pequenos e que está tendo que comprar uma van para acomodar três cadeirinhas (a lei está certa, a culpa foi dele que procriou feito coelho), até a pobre mãe de filha única em busca de uma boa escola para dar prosseguimento aos estudos de sua criança.
Se vocês repararam algum tom autobiográfico no segundo caso, não é mera coincidência. E vou expor minha irritação: já perceberam que as escolas não vendem mais ensino? Tipo estudo mesmo, português, matemática, história, geografia? Entra nos sites dos colégios e vê se tem alguém se vangloriando de ter os melhores professores de álgebra, ou de dar as aulas mais puxadas de ciências? Vê se alguma diz que no primeiro ano seu filho vai ficar fera em tabuada? Não, isso agora é o que mesmo importa.
Toda escola hoje tem como filosofia formar seres humanos, como se isso não tivesse sido eu quem fiz, durante nove meses, com uma pequena colaboração do pai. E preparar física e espiritualmente para a vida? É escola ou seita? E aquelas que se esmeram em explicar como os possíveis conflitos aluno-professor são resolvidos na base do diálogo e da democracia? Como assim não tem castigo, nota zero, expulsão de sala, suspensão e anotação na caderneta? Não é simplesmente o professor manda e o aluno obedece?
Estava toda empolgada num site de uma escola bacana, apenas para conhecer, considerando a remotíssima possibilidade de matricular Maria Clara lá, quando me deparei com o seguinte tópico: por que a escola desestimula seus alunos assistirem TV, seguido de um texto sobre os malefícios deste sórdido meio de comunicação na – aí vão eles de novo – formação do ser humano. Aí é demais para mim.
Quando não fazem essa linha alternativa – em que você quase imagina seu filho fazendo faculdade em Visconde de Mauá -, partem para o outro extremo: você quer matricular seu filho no jardim e a escola te mostra os excelentes resultados nos vestibulares. Aí aparece uma figura com o a que vi em reportagem outro dia que, ainda grávida, fez reserva para o filho no primeiro ano (antigo CA) do colégio de São Paulo que é o melhor colocado no Enem. A pobre criancinha nem nasceu e já tem vaga garantida para 2016, fora a expectativa de que se saia muito bem no vestibular de 2027.
Onde foram parar o bom senso e o meio termo?
21 comentários | Comentar
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1 Angela 02/09/2010 11:09
Estou em um situação complicada com essa estória de cadeirinha. Minhas netas residem em outro estado e , “eventualmente”, vem me visitar. Lógico que saímos de carro para passear. Como vou proceder?? Comprar duas cadeirinhas para que elas, “eventualmente”, utilizem??
Nã se se rio ou se choro.