Ação entre (muitos) amigos
Minha filha sempre ouve o pai dizer que amigos são uma das coisas mais importantes da vida. E que fazer e manter amizades é algo que a gente deve ter como um de nossos objetivos principais. Gosto que ele diga isso a ela, ainda que isso tenha meio que se voltado contra nós agora que estamos mudando de cidade e obrigando-a a deixar amiguinhos que tem desde que nasceu e com quem mantém convivência diária e intensa. Estamos tentando virar o jogo e convencê-la de que será justamente essa facilidade para criar novos amigos que ela tem, graças à idade e ao jeito extrovertido, que fará a mudança ser mais fácil do que imagina.
Eu cultivo menos meus amigos do que gostaria. Sou do tipo que quase não liga e acabo deixando para mostrar quanto alguns são importantes apenas em encontros esporádicos. Mas de uns anos para cá ganhei um novo tipo de amizade e com esses amigos aprendi a conviver de um jeito muito especial. São amigos que não vejo, mas participam da minha vida com mais intensidade às vezes do que aqueles presentes. São amigos com quem quase não falo diretamente, mas que se juntam em torno de alguma coisa, qualquer coisa, que eu fale para todos eles ao mesmo tempo. São amigos valiosos que, sem saber, têm feito uma diferença danada ao longo desse tempo.
Não sei por que tive esse privilégio e agradeço muito por tê-lo. Há quem diga que é apenas retorno do meu trabalho, mas não sei. Se for isso mesmo, se ter transformado leitores em amigos tão valiosos, se ter pessoas incríveis que me acompanham com tanto carinho há tantos anos for consequência do caminho profissional que escolhi traçar, então, não importa mais o que faça, onde faça e os louros que ainda venha a colher: sou, de fato, uma pessoa realizada. E só me resta agradecer a vocês.
Espero todos, em breve, em uma nova empreitada. Até já.
Cláudia Cecília
ccecilia.salto@gmail.com






