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31/10/2009 - 10:27

O caso Uniban e a volta triunfante da Inquisição

Muitos leitores me pediram para escrever algo sobre o caso de imbecilidade coletiva ocorrido na Uniban. Outros fizeram comentários que não parecem saídos das mãos de um ser humano – tive, inclusive que deletar alguns porque praticamente incitavam mais violência contra as pessoas que adotam um estilo de vida diferente do deles. O pior não é encontrar comentários com um grau de preconceito, estupidez, machismo e ignorância como esses. Se eles fossem apenas distorções, vá lá. O problema é saber que, infelizmente, essas análises rasas (de homens e mulheres) refletem um naco da sociedade brasileira formado por ricos e pobres, letrados ou não. Que não entendem o que é alteridade, que não conseguem suportar as diferenças, que estão em um degrau abaixo na escala da evolução social humana.

Pesquisas apontam que a violência contra a mulher não é monopólio de determinada classe social e nível de escolaridade. Homofobia e machismo são problemas que ocorrem em toda a sociedade, da norte-americana à brasileira. OK, coloquemos a culpa no processo de formação do Brasil, na herança do patriarcalismo português, nas imposições religiosas, no Jardim do Éden e por aí vai. É mais fácil atestar que somos frutos de algo, determinados pelo passado, do que tentar romper com uma inércia que mantém homens como cidadãos de primeira classe e mulheres como meros objetos a serem defenestrados quando necessário for. Tem sido uma luta inglória, mas necessária, tentar abrir a cabeça da sociedade para o respeito às diferenças.

Isso inclui uma profunda reflexão com a exposição daqueles que, em funções públicas, rasgam os preceitos básicos dos direitos fundamentais e falam abobrinhas, como também foi o caso na universidade paulista.

Posto, abaixo, o texto extraído do blog Viva Mulher, da jornalista Maíra Kubik Mano, sobre o assunto. Faço das delas as minhas palavras sobre o assunto:

A caça às bruxas na Uniban

Até onde vai o discernimento moral que nos impede de cometer atos denominados como “bárbaros”? Comecei a me questionar sobre isso ao assistir alguns vídeos feitos por estudantes da Uniban, uma das maiores instituições privadas de ensino superior do país. Nas imagens, o quase linchamento sofrido por uma aluna que trajava roupas consideradas “indecentes”.  “Puta” é o grito mais ouvido nessas gravações, feitas de forma precária em aparelhos celulares.

O caso ganhou notoriedade na mídia e já foi amplamente comentado, portanto não vou me estender. Para resumir, a jovem, assustada com a fúria dos colegas, se escondeu em uma sala de aula e só conseguiu sair escoltada pela polícia. Aparentemente consternada, a universidade divulgou a seguinte nota: “A posição da UNIBAN é de total repúdio a qualquer manifestação de preconceito de gênero e qualquer forma de difamação ou violência. Cumpre esclarecer que algumas matérias veiculadas estão equivocadas quando se refere ao crime de tentativa de estupro, uma vez que não houve qualquer contato físico nem perseguição à aluna. O que houve foram manifestações verbais de caráter ofensivo”.

Pois bem. Em um episódio que considero muito mais grave e que veio à tona também essa semana, uma garota de 15 anos foi de fato violentada em Richmond, Estados Unidos, por cerca de 20 pessoas durante uma festinha em sua escola. A agressão durou mais de duas horas e durante todo esse tempo nenhum dos envolvidos se comoveu com os gritos de socorro da menina, que além de ser estuprada apanhou bastante.

O policial responsável pelas investigações Mark Gagan classificou o ato como “bárbaro” em entrevista à BBC: “Eu ainda não consigo entender que várias pessoas viram, abandonaram o local ou participaram da agressão. É um dos casos mais perturbadores em meus 15 anos como policial.” A reação se assemelha a comentários que circularam pela internet sobre o acontecimento na Uniban, descrito por muitos como algo dos “talibãs”, em referência ao grupo que comanda a resistência contra as tropas estadunidenses e européias no Afeganistão.

Se remontarmos à história, “barbárie” foi o termo utilizado pelos romanos para denominar os povos não “civilizados” que a cada ano forçavam mais as fronteiras do Império, ameaçando a pax, o saber e, claro, a manutenção do poder. Um pouco antes, os gregos já apontavam os troianos como os “estrangeiros”, numa conotação para lá de negativa, e associavam os persas ao “obscurantismo”. Agora, reproduzindo a história, os afegãos – e paquistaneses e iranianos e árabes – são a própria falta da “luz”. Poucos sabem, porém, que seus combates hoje são direcionados por textos do estrategista prussiano Carl von Clausewitz e que sua propaganda traz vídeos de cantores locais de rap – cá entre nós, nada poderia ser mais Ocidental e estadunidense do que rap.

Sem mais delongas, o ponto é que estamos discutindo aqui a natureza humana, e justificar que ela não é “típica” deste lado do mundo não poderia estar mais fora da realidade. Vivemos em tempos cruéis, em que apesar de o Brasil não estar envolvido em nenhuma guerra pro forma, a violência salta aos nossos olhos diariamente, seja pela mídia ou por nosso cotidiano. Ouvimos e vemos acontecimentos terríveis, que dilaceram corpos e conceitos. Como esquecer o “microondas” nas favelas cariocas, em que uma pessoa é assassinada presa a vários pneus queimando?

Não se trata, portanto, de algo inédito. Muito menos quando há uma multidão urrando. Basta lembrar das brigas de torcidas organizadas que ocorrem todos os finais de semana no Campeonato Brasileiro de futebol. E tampouco é assombroso que envolva preconceito de gênero, pois a sociedade continua machista, homofóbica e repleta de preconceitos. Sim, pelo menos ainda ficamos chocados com casos como o da Uniban. Mas há quem diga que a garota mereceu, provocou, “pediu”.

Tudo isso me leva à conclusão de que estejamos nos pautando por valores deturpados desde sempre: que a mulher deve se vestir de forma determinada, se comportar de maneira específica e, em especial, que ainda é possível violentá-la, seja oral, física ou psicologicamente. Somados à permissividade adquirida pela sensação de estar protegido pelo coletivo, que eu nem ouso tentar discutir, aí está uma combinação explosiva.

Repito, nada é novidade: não podemos nos esquecer de uma só mulher queimada pelas fogueiras da Inquisição na Idade Média.

Autor: sakamoto - Categoria(s): Sem categoria Tags:

137 comentários para “O caso Uniban e a volta triunfante da Inquisição”

  1. marcia disse:

    Nossa to mais envergonhada pelos comentários chulos de algumas pessoas. dizendo que PUC, MACKENZI, ANHEMBI . etc… não fariam isso. ( outro preconceito). pois sei que nessas famosas universidades, alunos do PRO UNI, são redicularizados abertamente por alunos filhinhos de papai, e até por famosos professores, são até excluidos, deixados a merce da propria sorte. ( sem amigos). e outros comentariso tipos :
    “ ELA TEM QUE CRIAR VERGONHA”, “ELA QUER SE APARECER”, “QUER SUBIR NA VIDA…” pra mim essas pessoas são estudantes dessa famigerada faculdade, e estavam La no meio do povão avacalhando com a Geysa.
    Concordo que ela tenha exagerado na roupa, mas isso não da o direito do povão fazer dela uma Maria Madalena, pois só faltaram as pedras, se a polícia demorasse, tenho certeza que essa moça estaria hj no cemitério. Se a tal faculdade é uma instituição de ensino, o que faziam mais de 700 alunos atrás de uma aluna, se aglomerando na porta da sala dela? não tinham aula, onde estavam seus mestres?vcs alunos professores e funcionarios que fizeram parte deste show de horrores deveriam ser expulsos Tb, afinal vcs estavam fazendo ok, (estudando)?
    tem tantas mocinhas que se vestem adequadamente e vivem clandestinamente pelos corredores… , e os nóias cheirando um baseado nos banheiros? chegam de hipocrisia.

    • Fernando disse:

      Redículo! Cheirar baseado, e olhos vermelhos são justamente o que procuramos evitar! Fodasse a moral! Anarquia já! Legalizem o nudismo!

    • Katia disse:

      O riídiculo nesta história é o sr. Fernando

  2. cris disse:

    INACREDITÁVEL: UNIBAN EXPULSA ALUNA
    Realmente não dá pra acreditar que a Uniban, após abrir sindicância interna e avaliar aquela histeria coletiva que tomou os corredores da universidade particular de São Bernardo do Campo no final de outubro, decidiu punir a aluna. A Uniban publicou anúncios em jornais paulistas de domingo (que já circulam no sábado) com o título “A educação se faz com atitude e não com complacência”. Insistiu que Geisy já havia ido com roupas inadequadas em outras ocasiões e advertida. Decidiu suspender alguns alunos envolvidos, mas o tom é definitivamente de indignação moral contra a vítima, que teve que ser escoltada pela polícia após quase ser linchada. A Uniban justifica que “a atitude provocativa da aluna resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar”. Ah, era isso que a turba enraivecida gritando “Puta! Puta!” estava fazendo? Defendendo o ambiente escolar? Obrigada por avisar, porque senão ninguém saberia.
    O episódio inicial, captado por várias câmeras de celular, já pegou mal pacas pra Uniban e seus alunos. Depois, houve o vexame adicional de alguns estudantes colocarem nariz de palhaço para protestar contra o retorno de Geisy à faculdade (marcada para o início de novembro; ela, orientada por advogados, acabou não indo). Sério, nem precisava de nariz postiço, precisava? Que vexame!! Fiquei com vergonha por vocês…
    Ao invés de fazer um mea culpa geral, uma reflexão sobre seu comportamento, os alunos estavam preparados para um novo linchamento, caso Geisy aparecesse. E agora essa da faculdade expulsá-la. Pior ainda: a Uniban critica a mídia (imagino que inclua os blogs, que desta vez pautaram os grandes jornais), que deveria ter usado a oportunidade para fazer um debate “sério e equilibrado” sobre “ética, juventude e universidade” (segundo o Estadão.). Pois é, a Uniban e seus alunos certamente entendem de coisas sérias e equilibradas.
    A julgar pelo que li nos comentários de blogs, a maior parte do que a gente pode chamar de opinião pública achou a história
    inaceitável.

    • Rosi disse:

      Adorei o comentario Cris, tudo que eu tinha vontade de falar e não encontrava as palavras certas.

  3. Os alunos da UNIBAN sao todos biolas , bichonas mesmo , e as garotas devem ser invejosas ou sapatonas , faserem uma encrencas dessas por causa de um vestidinho curto ,hoje em dia que temos ate praia de naturismo , que faculdade atrasada , se estes alunos vierem aqui para o sul , vao dar um ataque cardiaco de minuto a minuto aqui as gatinhas desfilam com suas sainhas e ate de biquine ,cambada de boiolas.

  4. Tiago disse:

    A UNIBAMBI não gosta de mulher?

  5. R. Jorge disse:

    Boa Tarde a todos!
    Posso ser carne nova aos leões e hienas, ou, como deve ser normal, lido e esquecido se não trago nada que mereça reflexão. Contudo…
    Há um curso novo aqui em SSA, na Universidade Federal da Bahia – Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades, entre no portal http://www.ufba.br pois é provável que você queira, ou precise, viver as experiências que uma Universidade pública (salva pelo atual governo) mult/inter/transdiciplinar oferece. É apenas um toque em contraponto às experiências que escolas de terceiro grau, tipo Uniban, travestidas de Universidade, profícuamente estimuladas a se proliferarem pelo governo anterior oferecem. Assusta, não só as defesas ou acusações apaixonadas da aluna expulsa mas, também, o (mal) trato que dão a língua portuguêsa neste evento. As pessoas não articulam idéias, não possuem um vocabulário minimamente necessário à exposição lógica de seus pontos de vista. Até um ‘professor’ da escola de terceiro grau, na TV exprimia-se toscamente.
    Vamos olhar o que há de positivo em tudo isso: agora todos conhecem a Uniban!
    E ninguém ou nada é tão ruim que não sirva, pelo menos, como mal exemplo.
    Quem vai começar a urrar contra a Bahia?
    Lamentaria precisar defender o lugar em que moro e no qual você gostaria de passar suas férias.
    PS: Assistimos aulas de shorts, bermudas e camisetas, mas normalmente nos preocupamos menos com os trajes dos colegas que com o que temos a aprender com nossos professores doutores que nos apaixona com Focault, Newton, Bordier, Jurguem Habermas, Nestor Cancline, Marilena Chauí, Claude Levi-Strauss, Merlot Conty, Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Sigmundo Freud, Lavoisier, Mc Luham, Renée Descartes, Gabriel Cohn, Milton Santos, Ruth Cardoso, João Ubaldo Ribeiro, Maria da Conceição Tavares, Herbert de Souza, Heráclito, Camile Paglia, Jorge Amado, Drummond, Domenico de Masi, Platão, Umberto Eco, Verlaine, Fukoyama, Shakespeare, Rumbaud, Tommie Otake, Mozart, Luis Mott, Antônio do Rosário, Fernanda Motenegro, Ruy Barbosa, Nina Rodrigues, Gregório de Matos, Pierre Verger, Florestan Fernandes, Vladimir Herzog, Bibi Ferreira, Frida Khalo, Stella de Oxóssi, Orson Wells, Jean Paul Sartre, Karl Marx, Glauber Rocha, Max Weber, Tom Jobim, Chiquinha Gonzaga, Hagel, Fernando Henrique Cardoso e Luis Inácio Lula da Silva entre muitos grandes homens e mulheres, brasileiros, europeus, negros, asiáticos, homossexuais, judeus, católicos, cientistas, artistas, operários, intelectuais, gente enfim que busca tirar o máximo de brasileiros das cavernas obscuras da ignorância, do atraso e do preconceito.

  6. nana disse:

    Ela foi com um vestido curto…sim era curto…e daí? Se liga tv só se vc nudez….ela estava com um vestido gente e Ñ nua…País do carnaval…pelo amor de Deus…voltamos no tempo msm…Geisa continue lutando p fazer a universidade a pagar por Ñ saber o q é direitos humanos e apoiar aquela selvageria…mas Ñ volte la p estudar,se msm sabendo da filmagem quase te lincharam…imagine o q podem fazer depois…e alem do mais ali Ñ é um ambiente bem visto desde então…Boa sorte…por mais q ache q o vestidop era curto…Ñ acho q ninguem tem nada c isso…gosto Ñ se discute…pq Ñ pediram p vc se retirar? E o bando de animais qrendo te matar? O q eles receberam como punicão? Nada! Isso ataquem as mulheres…matem os gays…coloquem fogo em mendigos…Parabéns Unibam…meus filhos jamais colocaram os pés aí!

  7. fonsell disse:

    Kro colega, só estou aqui para apenas corrigir um equívoco seu ao dizer que não houve tentativa de estupro.
    Na nossa nova ligislação, o simples fato de ofensas e assédio como ocorreu nessa faculdade UNIBAN é considerado estupro. Se hoje voce percegue, ofende e passa a mão numa garota e ela te denuncia, certamente voce responderá por estupro.

  8. Anton disse:

    Deveria ter uma capanha em prol da liberdade sexual… E o Brasil possui fama internacional de ser um pais sexualmente muito liberal. Me lembra do caso de 3 turistas alemaes que foram trocar de roupa no meio do aeroporto (por falta de tempo e por ser considerado algo normal em seu pais de origem). No fim, foram presos por ficarem de cueca.

    • Mara RJ disse:

      Anton, além do Português correto (fato raro hoje em dia), seu texto é objetivo, lúcido e bem-humorado.

  9. Leia disse:

    Nossa!!! Como a faculdade se queimou!!! A expulsão da garota foi um tiro no pé…. tiveram que voltar atras com o “rapinho entre as pernas” porque as coisas começaram a feder pro lado da Faculdade…..kkkkkkk…. acho bom!!!!

    Ainda nesta segunda-feira, a Fundação Procon-SP instaurou um procedimento administrativo para averiguar a conduta da Universidade Bandeirante (Uniban) ao expulsar a estudante. Em comunicado, o Procon-SP afirmou que, “na qualidade de órgão de defesa do consumidor, entende ser de fundamental importância verificar de que forma a Uniban, prestadora de serviços educacionais, pautou a sua decisão de quebrar o contrato com a aluna e consumidora de forma unilateral”.

    Antes de saber que a Uniban voltou atrás, o Procon-SP adiantou que a universidade seria chamada para prestar esclarecimentos e que o órgão irá analisar os fatos e, posteriormente, “adotar as medidas pertinentes de acordo com o que estabelece o Código de Defesa do Consumidor”. Se for constatada alguma irregularidade nesta quebra de contrato, a Uniban poderá ser multada. De acordo com o código, a multa mínima é de R$ 212,88 e pode passar dos R$ 3 milhões.

    OAB-SP

    A Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP) também divulgou nota nesta segunda-feira repudiando a decisão da Uniban em expulsar a estudante, qualificando a atitude como “forma de intolerância”.

    No documento, a OAB-SP diz esperar “um amplo debate sobre a questão com a participação das partes, apuração isenta dos fatos e a fixação de regras claras que não deixem, no futuro, margem para incentivar novos atos de violência ou qualquer preconceito”.

    Veja íntegra da nota da Uniban:

    “O Reitor da Universidade Bandeirante – UNIBAN BRASIL, de acordo com o
    artigo 17, incisos IX e XI, de seu Regimento Interno, revoga a decisão do
    Conselho Universitário (CONSU) proferida no último dia 6 sobre o episódio
    do dia 22 de outubro, em seu campus em São Bernardo do Campo. Com
    isso, o reitor dará melhor encaminhamento à decisão”.

    Universidade Bandeirante – UNIBAN BRASIL

    • Vitinho disse:

      Culpe a vítima. Essa foi a estratégia utilizada pela Uniban para, vá lá, “reduzir os danos” provocados pelo “affaire” Geisy. Acho que não chamaram ninguém do Departamento de Marketing para a reunião que definiu a expulsão. Nem da Pedagogia, nem o professor de Ética (se é que têm um).
      Chamaram apenas alguém do Jurídico, o qual concluiu que a agora ex-aluna violou o artigo 215 e seguintes do Regimento Interno da universidade, ao usar “trajes inadequados” e fazer “percursos maiores que o habitual”.
      Não é preciso pós-graduação em astrologia para perceber que o impacto da decisão não é dos mais auspiciosos para a universidade.
      Conseguiram transformar o que já era um pesadelo de relações públicas naquilo que o pessoal das Letras Clássicas chamaria de “defaecatio maxima” -e que o pudor que faltou aos dirigentes da instituição me impede de traduzir.
      A provável ação indenizatória que Geisy moverá contra a escola acaba de ter seu valor majorado. A Uniban também deve ter perdido potenciais candidatos a estudante. Eu, pelo menos, pensaria várias vezes antes de matricular meus filhos numa faculdade que busca proteger um bando de arruaceiros atacando o elo mais fraco.
      A estratégia de culpar a vítima é bem conhecida. Se uma garota foi estuprada, ela é pelo menos parcialmente responsável por seu destino: de alguma forma, provocou o estuprador, seja por utilizar roupas insinuantes, seja por meio de atitudes libidinosas. Afinal, nada acontece “de graça”.
      A psicologia explica tal atitude como um autoengano que visa a nos manter em posição de controle: se eu não me comportar “mal” como a “vítima”, não estou sujeito ao mesmo risco. Tal operação mental nos permite persistir na crença de que o mundo é um lugar justo. Não é, como a Uniban acaba de demonstrar exemplarmente

  10. vania disse:

    Que país é esse onde “estudantes” são tão caretas e truculentos com o contrário ao que pensam? Que país é esse onde os jovens preferem participar de uma barbárie contra um ser humano que nada fez de errado? Estamos em um país livre e democrático da América do Sul ou vivemos em algum país árabe onde as mulheres têm de usar burcas ao sair à rua? Por quê esses estudantes não filmam as sessões do Congresso ou da Câmara de Vereadores e colocam no Youtube? Que causas esses jovens defendem? Por acaso eles sabem o que é uma causa?

    Certamente os mesmos babacas que filmaram e humilharam a estudante do curso de turismo, são os mesmos que ficam ansiosos para assistir o “Cine Privê” no sábado, ou então o “Pânico na TV” com todas aquelas garotas seminuas no domingo ou ainda assistir a novela das oito com suas cenas de sexo quase explícito em pleno horário nobre.

    Vivemos tempos difíceis, o ser humano prega uma coisa e faz outra. Pratica o mau a esmo sem pensar no quão triste e humilhante pode ser para o outro.

    O Brasil viu que nem todos os brasileiros podem ser exemplos de tolerância. Ninguém é obrigado a gostar de ninguém. Porém, o mínimo que se espera é que respeitem a opinião e a individualidade do outro. Seria pedir demais? Para alguns “estudantes” da Uniban seria. Fizeram da Geyse Arruda da Uniban, a Geni de outrora.

  11. Vitinho disse:

    E a “turma” que agiu como inquisidores da Idade Média, e com extrema violência, obrigando a intervenção de seguranças e até da Polícia, não vai acontecer nada além de uma simples advertência e suspensão?

    Se a UNIBAN não punir os demais envolvidos no fato, a Instituição estará legitimando dentro de suas dependências, a ação de força e violência, e permitindo que alunos decidam o que pode e não pode, além de ao seu arbítrio que tipo de “punição” aplicar.

  12. Desconhecido disse:

    Não devemos esquecer que tivemos casos mais graves que este em outros Campus, onde estudantes foram mortos, ridicularizados por trotes, meninas estupradas e mortas, etc, e estamos falando de USP, aquela universidade de Londrina (UNOPAR), e na UDESC onde uma aluna foi encontrada morta.

    Julgar, condenar e aplicar pena sem direito a recurso em primeira instância vale também para o sentido debandado pela mídia contra os corpos discente e docente da Instituição e demais campus, como estão tentando vincular na mídia.

  13. Luan disse:

    RESP: TIAGO!
    Poderia ser sua irmã não?!
    manda ela pra mim pra você ver uq eu façoo

    (66666′)

    • ruan pablo disse:

      faz nada unibambi..manda sua mae pra ve oq eu faço kkkk
      seu xupetaoo..borroca

  14. aparecida nery disse:

    Infelizmente esse caso reflete o pensamento de grande parte dos jovens atualmente, preconceitos, desrespeito, valores distorcidos, imaturidade,medo, violencia… etc.. esses sao alguns exemplos do que vem predominando a mente de uma juventude abandonada, filhos criados sem limites, pais “modernos” cada vez mais envolvidos com suas vidas, seus empregos,suas conquistas…e esqueceram de “educar”ou no minimo, dar atencao ao filho.E a escola, que recebe esse jovem, nao ta preparada para educa-los.

  15. Stela disse:

    O Reitor da uniban, Heitor Pinto Filho aparece no site da instituição com gravata e detalhe na lapela rosas. Seguindo a linha de raciocínio dos machistas da uniban, com cabeça da época das trevas, rosa é cor de homem? Pq não ficaram incomodados com essa indumentária?
    Explosão de vagas, professores deficientes, mensalidades muito abaixo do mercado e cursos declarados como insatisfatórios, deficientes e a desejar, na avaliação do MEC, também esses fatos não parecem incomodar os pais/alunos da uniban. Mas a mini de uma estudante, sim. Há que se pensar nas aparências. É o lema da uniban e seus alunos, esquecendo-se do magnífico.

  16. Murilo disse:

    Pobre é uma desgraça! Ainda bem que sou previlegiado.

    • Humildade disse:

      Caro Murilo (17-11-09) não vou lhe Chingar por que não me convém, apesar de minha grande vontade…
      Mais por favor reflita sobre seu comentário e veja a sua extrema ignorância em julgar as pessoas…
      E tome cuidado por que o que Deus te deu Ele pode muito bm Tirar!!! Paz e Bem…

  17. amelia coelho disse:

    Como um dos melhores pesquisadores do mundo, conheço muito bem os truques a que os maus pesquisadores – geralmente os mais bem pagos, se no Brasil – recorrem.

    Janine (Renato Janine Ribeiro, ex-diretor da CAPES), você é um exagero nesses truques, no tamanho de seu escrito publicado hoje na Folha (só podia ser…), no machismo, na debilidade de seu arrazoado que pode enganar a muitos. Afinado com o estilo da Folha, você rotula sua pseudotese: “Tesão e direitos humanos”.

    Janine, de que outro órgão que não a CAPES eu obteria uma bolsa para investigar o que você propõe: a relação entre tesão e direitos humanos?

    Janine, você é pessimista quanto à realização de sua recomendação de discussão, porque, você alega, a generalidade dos direitos humanos não toca o âmago das pessoas e, portanto, é mais fácil se ater a tais direitos do que questionar o “monstro” – é assim que você se refere a sexo. Já imagino a tese maravilhosa que Marta Suplicy está elaborando (ou já elaborou) em resposta.

    Janine, é sexo o “monstro” ou são as centenas de homens e mulheres que protagonizaram o… a… não encontro o termo… Não seriam tais estudantes, de ambos os sexos, os monstros?

    Sim, Janine, você e seus truques. Para trazer o sexo para o centro, você teve de fazer de conta que Geisy não foi atacada também por mulheres – não estou informada a ponto de afirmar se as mulheres eram a maioria naquela turba ou não. Tenho forte intuição de que não seriam bem menos em quantidade do que os homens.

    Janine, você é de um machismo retardante ao ressaltar o que um homem sente diante de uma mulher bonita, como se as mulheres não sentissem desejo correlato. Sua tese bem paga precisou recorrer também a esse machismo.

    Janine, sei bem o que é ser mulher bonita e as “respostas” a isso. Conto com décadas de muita, muita experiência. Tanto sei que é de todo inconcebível incluir no rol de tais respostas xingamento e mais por centenas de pessoas. Para demolir sua pseudotese ante a várias pessoas sonolentas que devem ter tentado lê-la, repito que é isto o que você propõe: a reação irada de centenas de homens e mulheres estaria fortemente relacionada ao sexo-monstro, ao desejo suscitado por uma mulher bonita que “gosta de se exibir”.

    Diante disso, sua calculada alusão a nomes de peso – outro truque – como Kant, Norbert Elias, etc. perde a força que considero “monstruosa” em teses pobres mas enganosas como a sua.

    Ao falarmos sobre “id” estaríamos mesmo atingindo o âmago das pessoas? Ora, você mesmo afirma que Geisy não deve mais saber o que queria, tampouco os estudantes (os homens) agora expostos na mídia. E nem mesmo Freud saberia, você acrescenta.

    Você conta com pelo menos uma adepta, uma psicanalista que escreveu um texto muitíssimo menor do que o seu logo que o caso se deu. Prontamente rebati também tal análise estranha, que ora batizo de gênero “império dos sentidos”.

    Não, ninguém vai mesmo discutir a “id”. Especialmente na Folha, que totalmente amordaçou todos os que teriam se levantado a repudiar o artigo de Ferreira Gullar, colunista desse jornal, que, em tese tão perigosa quanto a sua, defende a pedofilia, propondo: “se o sujeito nasceu pedófilo, porque sua preferência sexual é considerada crime?” Pois. Foi publicado em 24 de fevereiro de 2008, outro dia portanto.

    Como Gullar, que pretende assim inocentar o pedófilo, sua ardilosa pseudotese sobre o “monstro” difícil de controlar não quer, de fato, trazer o âmago do sujeito para o foco, mas justamente o oposto. O sujeito é acobertado pelo “monstro” – tão fugidio que nem Freud explicaria.

    Vergonha. Um quase desespero exala de toda e qualquer mente lúcida, porque revolta já é muito pouco. Filosofias baratas, citações de filósofos distorcidas, defesas – “de leve” – da Uniban: você não deixa de declarar que os cursos por ela oferecidos de mestrado e doutorado estavam progredindo. Assim, fica claro o porquê da artimanha de trazer o “monstro” para o centro.

    Janine, não vou deixar de bater mais, porque Geisy não foi poupada nem um pouco. Isso deve lhe dar uma ideia do que é estar no centro e ser atacado – no seu caso sim é bem merecido, pelas características de seu escrito que aponto. No caso de Geisy, só um monstro-pseudohumano bate, bate e bate sem parar, sem razão alguma. Sem razão alguma. Sem razão alguma. Caiu a ficha?

    Por que desprezar a civilização, Janine? Para defender uma universidade? Defender sua débil personalidade masculina? Um homem que mistura desejo e violência tem que tipo de personalidade?

    O Estado de S.Paulo, na capa do caderno Aliás! traz algo bem mais inteligente, honesto e consistente: “Saudações universitárias”. A primeira foto é do caso Uniban, com esta legenda: Cerco a Geisy Arruda – explosão de histeria e intolerância.

    Este é o foco, Janine.

    Janine, vou arrematar o fim deste, que não precisa recorrer ao truque da extensão, ou a qualquer outro. Você não vai responder a isto, estou certa. E essa não-resposta já bastará.

    Sua pseudotese, acrescida de tudo, tudo que vem sendo comentado, feito, desfeito me leva a perseguir uma tese, em que eu sou vítima. Vou fazê-lo para, definitivamente, impedir que se torne a distorcer o caso dos monstros que compõem nossa sociedade – esse deve ser o foco, não o sexo, o vestido (que não é micro), a Geisy. Essa sociedade inclui os autores de teses como a sua.

    Quanto ela vale? Zero, Janine, zero.

    Amélia Regina Coelho
    15 de novembro de 2009

  18. Vitor Garcia disse:

    lendo seu artigo caro autor concordo plenamente com a posição em relação ao certo “vandalismo”,preconceito,bulling sofrido pela aluna.Porém discordo essa expressão “inquisção” já que não estamos fazendo jus a uma pessoa convenha-mos com seu carater moral lá dos bons,obviamente houve um dano moral intolerável por parte dos alunos para com a “vitima”,porém há diversos relatos sobre o comportamento inadequado da aluna tais como MOSTRAR A BUNDA NA RAMPA ou até ,es,o o uso inapropriado de vestimentas e comportamento de forma vulgar tal motivo que foi o “principio ativo” para que o ato de denegrimento começasse.Então concordo plenamente com a decisão da faculdade em expulsa-lá,pois provavelmente ela deve ter infringido todos os códigos de condulta moral dentro da faculdade que ai já da motivo de expulsão sem mais delongas,e também saliento o preconceito também recebido das outras alunas que com toda repercussão na midia não querem escutar por ai “vc estuda na uniban?faculdade das putas?” dando margem a um bulling muito maior com seu curriculum,integridade perante outras faculdades abaladas…

    Novamente concordo que tal ação dos alunos é inadimissivel,mas a menina aparecer na midia e ser concebida defendendo os direitos das mulheres é brincadeira ne?é injustificavel a forma a qual se comportaram os alunos mas também a vitima,e perante a lei ela tem os direitos dela pelo dano recebido,porem infringiu vários ao se portar de forma vulgar também agredindo os outros alunos,então não concordo com a posição de pregar a faculdade a cruz e posicionar a tal como maria madalena dos tempos modernos…

    abraços

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