Ricos pagam menos e pobres ficam com o prejuízo
No debate sobre a construção de usinas hidrelétricas, as populações atingidas pela construção e inundação do lago são sempre tratadas como efeitos colaterais menores do progresso e, portanto, contornáveis.
Por isso, informações como as que foram trazidas pelo jornal Folha de S. Paulo deste domingo tornam os argumentos dos defensores do desenvolvimento a qualquer custo mais interessantes ainda. Na matéria Regiões ricas pagam tarifa menor de energia (para assinantes), ficamos sabendo que distribuidoras de Rondônia, interior de Minas Gerais, Piauí e Tocantins, locais com renda per capita entre as piores da nação, cobram as mais altas taxas. E, em primeiro lugar, está o Maranhão, o segundo pior Índice de Desenvolvimento Humano do país. Sua população, que também conta com a segunda pior renda, paga a maior tarifa de energia dentre as 64 distribuidoras instaladas no país: 72% maior do que a de Brasília, maior PIB per capita e onde a energia é a mais barata.
A justificativa é a escala, ou seja, em São Paulo, Brasília, entres outras regiões urbanizadas, a concentração de consumidores é maior que no Maranhão. Com custos menores de distribuição, a tarifa é mais baixa, segundo os especialistas. Ou seja, não importa que você tenha uma hidrelétrica logo ali. O que importa é oferta e demanda e ponto final.
Rondônia está sendo palco da polêmica construção de duas grandes hidrelétricas (Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira) que vão causar graves impactos sociais e ambientais na região. Ao mesmo tempo, populações tradicionais lutam contra a implantação da Hidrelétrica de Estreito, no Maranhão, pois ela despejará milhares de famílias e não trará melhora de vida ao restante da população pobre.
Vamos tomar essa última como exemplo. O consórcio que está construindo a UHE de Estreito conta com a participação das empresas Suez Energy International, Vale, Alcoa e Camargo Corrêa Energia. A Vale, por exemplo, detentora de 30% do empreendimento, confirmou a construção de uma nova usina siderúrgica no Pará, com capacidade para produzir até 5 milhões de toneladas de ferro-gusa, matéria-prima para a produção do aço. E vai precisar de eletricidade para isso. A produção de alumínio, atividade da Alcoa, é uma das que mais consomem energia elétrica de todo o processo siderúrgico.
Grande parte das hidrelétricas construídas no Brasil funcionam no sistema de autoprodução, ou seja, a empresa que constrói a barragem produz energia para consumo próprio. No caso da Estreito, o modelo é de “autoprodução transportada”: a energia gerada, em vez de ser consumida exclusivamente pelo consórcio de empresas que constrói e administra a obra, pode entrar no sistema elétrico geral e será depois descontada – conforme o consumo das empresas e considerando sua porcentagem de participação relativa no consórcio. Dessa forma, muitos mascaram a necessidade de produção da energia como “interesse nacional”, quando na verdade são eles próprios que vão consumir boa parte dela.
A dona de casa que está esperando a iluminação chegar no meio da roça vai apoiar uma obra como essa, sem imaginar que a energia não irá para ela necessariamente. Ou que, se for, custará os olhos da cara.
A energia elétrica tem tratamento de commodity, exportada para fora das bacias da região Norte. Mantém-se o padrão de exploração que deixa um passivo grande para a população local enquanto o restante do país é beneficiado. Qual a diferença entre isso e a retirada de minérios irregular, a criação de gado ilegal, a produção de carvão feita de forma socialmente irresponsável? Por isso a matéria da Folha é a cereja do bolo: além de ficar com os impactos, o povo dessas regiões ainda paga mais pela energia elétrica que consome.
Isso não é uma falha do sistema, mas faz parte dele. Podemos ver ao vivo e a cores um processo de pilhagem, com a expulsão de comunidades tradicionais para a implantação de hidrelétricas, fazendas, indústrias e mineradoras e a apropriação de suas terras e recursos naturais na Amazônia, no Cerrado, no Pantanal, aliadas à exploração intensiva do trabalho, arrancando ao máximo o que o povão pode dar. Com isso, ganha-se competitividade. E lucro.
Dessa forma, me pergunto: crescer para quê? Ou melhor, para quem?
Autor: sakamoto - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Minha sugestão para melhorarmos esse Brasil doente moralmente: 1) Retorno dos militares ao poder; os civis já mostraram sua incompetência. 2) Pena de morte a todos os comprovadamente culpados para crimes graves e reiterados, com dever de restituir o produto do roubo. Sem excessão: ricos e pobres, políticos ou não, colarinho branco ou ‘encardido’. 3) Controle da natalidade: estamos criando uma classe pobre e miserável que poderia ser evitado. 4) Dividir melhor a riqueza do país, através de melhores salários. 5) Controlar a Imprensa que advoga a causa dos ricos e poderosos. Em suma: PELO AMOR DE DEUS AUTORIDADES MILITARES, MUDEM O RUMO DO NOSSO PAÍS PARA MELHOR! NÃO DÁ MAIS PARA AGUENTAR!
- Meu amigo José Roberto a solução não seria a volta dos milicos no poder de forma alguma, educação e justiça que se faça.