Desmatamento: um “eu te disse” não é suficiente
Uma das expressões mais irritantes é a arrogante “Eu te avisei…” Funciona como uma bigorna lançada sobre quem já está no fundo do poço, esperando uma corda ou uma palavra de consolo. Igualmente chatas são as suas variações como “Eu te disse? Não te disse?”, “Tentei de avisar, mas você não quis me ouvir”, “Não disse?…” e, a cereja do bolo: “Eu já sabia!”.
Ou seja, não pega bem falar que um monte de gente avisa, há anos, empresas e fazendas que agridem o meio ambiente, superexploram trabalhadores e afetam comunidades tradicionais que elas seriam e serão, mais cedo ou mais tarde, julgadas pelo mercado, por consumidores e pela sociedade civil por sua danosa ação – passiva ou ativa, direta ou indireta. De usinas de cana a frigoríficos, há grupos econômicos que começam a se sentir incomodados pela (ainda tímida, diga-se de passagem) reação social a quem progresso a qualquer custo.
Também não pega bem dar exemplos, não. Falar que o Grupo Bertin foi largamente avisado dos problemas que teria ao comprar unidades frigoríficas no Pará, que possuem entre os fornecedores fazendeiros cobertos até o pescoço de passivos ambientais, sociais e trabalhistas – isso sem contar os que ocuparam terras públicas ilegalmente. Foi para lá mesmo assim.
Muito menos é aconselhável falar “Eu te disse” para grupos com capital internacional que começaram a investir em etanol no Brasil e foram alertados para o fato de que seguir a legislação trabalhista era fundamental para não ter dores de cabeça. Alguns deles, como a Brenco, ignoraram os alertas, não se preocupando com a observância aos direitos fundamentais, e acabaram nas páginas de jornais do país e do exterior, acusados de usar mão-de-obra escrava.
Por isso, acho que também não é o caso de avisar ao JBS/Friboi, a maior indústria de carnes do mundo, que ele pode ter mais problemas futuros por arrendar unidades do frigorífico Quatro Marcos, empresa com longo histórico de desrespeito ao meio ambiente e aos trabalhadores. A aquisição aumentará em 5,5 mil cabeças de gado/dia a capacidade de abate do Friboi, levando-a impressionantes 26 mil/dia.
Além do Quatro Marcos ter sistematicamente comprado gado de empregadores que figuravam na “lista suja” do trabalho escravo e que haviam cometido crime ambiental, unidades de abate da empresa apresentaram graves problemas ambientais e trabalhistas – houve até morte no chão de fábrica por falta de equipamento de proteção individual. A unidade localizada em Juara, no bioma amazônico, por exemplo, teve suas atividades embargadas pelo Ibama no ano passado por operar sem licença ambiental. O frigorífico foi acionado pelo Ministério Público por descartar os resíduos orgânicos de forma irregular e sem tratamento em áreas de preservação. É um passivo e tanto para se corrigir.
Vale lembrar que o Friboi já tem seus próprios problemas para resolver, uma vez que possui forte presença no Mato Grosso, porta de entrada da Amazônia, e que pesquisas mostraram que sua cadeia de fornecedores conta com fazendeiros que desmataram ilegalmente a floresta. Ou alguém acha que o Pará é o único Estado em que há péssimos índices sociais e ambientais relacionados à atividade da pecuária bovina? E que é o único estado com Ministério Público Federal?
Grandes empresas do setor agropecuário deveriam, neste momento, estar analisando mudanças profundas em seus negócios, criando instrumentos de controle, rastreamento e transparência mais eficazes, caminhando no sentido da sustentabilidade. Às vezes, é melhor parar e refletir, mesmo que isso signifique queda dos lucros em um primeiro momento ou não cumprimento de metas de crescimento, para avançar de uma forma mais segura.
Falar tudo isso pode parecer arrogante, eu sei. Mas é melhor falar agora do que usar um insuficiente “eu te disse” no futuro.
Autor: sakamoto - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Vamos fazer as contas: um boi de 15 arrobas tem 225 kilos. Uma pessoa deve ingerir pelo menos 200g de carne por dia, segundo recomendação da FAO; 225 mil gramas,dividido por 200g, um boi alimenta 1.125 pessoas por dia, serão necessários 365 bois por ano para limentar essa mesma quantidade,de pessoas e boi não dá em árvore não.
Caro Sakamoto.
Sendo doutor em ciência política, formador de opínião, reporter…
Sua omissão na questão atual do Congresso, na lama que já fede até no estrangeiro, no acobertamento criminoso de falcatruas e desvios ditado pelo “spiritus de corpus” dos parlamentares das duas casas, no silêncio do Supremo Tribunal Federal, na bindagem oferecida por seu amigo Lula a esse tipo de coisa,…
CADÊ VOCÊ? CADÊ?
Todos os articulistas sérios até agora, já deram sua contribuição para o debate desse cancro do Congresso! Cadê você?
Até mesmo o RICARDO KOTSCHO, amigo fiel e militante do PT, já colocou no seu blog “Balaio do Kotscho” um artigo muito bom condenando toda a safadeza. Foi a delícia dos opinadores.
CADÊ VOCÊ? CADÊ VOCÊ…CADÊ?….
Meister imbecil,
Contei oito textos do Sakamoto descendo o cacete no Senado nas últimas semanas. Você não viu porque a) não sabe ler; b) fica procurando textos que fazem sempre as mesmas críticas e o Saka teve a competência de lugar essas denúncias com outras da área que ele trabalha; c) você é mais um moleque de 17 anos, com cara cheia de espinhas, que pelo computador arrota moral mas na frente deve ser um sujeito que não abre a boca de vergonha.
Faça-me um favor!
Senhor Jorge Capadócia,
Desculpe-me se a minha opinião “provocando a ação” do ilustre Sakamoto, o ofendeu “por tabela”!
Nem seque sabia que Vossa Senhoria existia, até que vi o seu comentário. Respondendo educadamente aos quesitos por você colocados: a) – sou engenheiro agrônomo formado pela UNICAMP, b) – sou engenheiro civil formado pela UNERJ, c) – sou dirigente de uma associação regional de defesa da cidadania, d) – tenho 38 anos de atuação comunitária GRATUITA.
NÃO PRETENDIA OFENDÊ-LO com o meu comentário anterior, e não o farei agora em repto às suas colocações e o conceito com que me qualificou de “imbecil”, “moleque”…Fosse eu um moleque!
Creio que o Sakamoto está habituado ao debate DE IDÉIAS como deve ser feito, não ao debate de INJÚRIAS e OFENSAS.
Mais uma vez, ME PERDÔE no que possa tê-lo atingido com meu anterior comentário. Sou muito pequeno para ter a presunção de ofendê-lo ou a quem quer que seja.
Abração.
MEISTER.
A quem agradeceremos pela chuva no nordeste e a bela chuva aqui na minha cidade em plena estiagem, ao Bush?
Jorge da Capadócia!!! Deixa de ser mal educado,filho de uma égua! Quem você pensa que é para escrever estas asneiras? Sacana de merda. Tu é que deve ser um velho decrépito e fica falando besteira seu bosta . O cara não falou nada de mais,vagabundo frustrado!!!
Para quem não sabe CIRO LAUSCHNER é um extrator de madeira e minério, seus comentários são completamente parciais tendenciosos para sua atividade ecologicamente incorreta e totalmente desinformados, cada pérola aí de cima que meu Deus, daria para fazer um documentário sobre o quanto o brasileiro é idiota e manipulado.
Embora há cinco anos fora da atividade, voce esqueceu de dizer que eu trabalhava com manejo auto sustentado e absolutamente dentro das leis desse pais , aliás dentro das portarias, instruções normativas e resoluções que só os órgãos chamam de leis, e meus comentários são baseados em experiencias e vivencias de 30 anos de Amazonia, coisa que pouquissimos dos “sábios” comentaristas sequer conhecem. Caso queira uma aula prática sobre madeira, exploração florestal sustentada e alternativas para uso sustentado da Amazonia, me procure que tenho certeza que terei prazer em clarear sua mente que com certeza está obnubilada pela falta de conhecimento. Em tempo eu não uso pseudonimo, que não é seu caso.
EUA anunciaram que este ano vão produzir 312 milhões de toneladas de milho e 88 milhões de toneladas de soja.
Os americanos estão aumentando sua produção de soja e as ONGs oriundas de lá atrapalhando a produçao brasileira. Somente nesses dois produtos os EUA produzem 400 milhões de toneladas e o Brasil com todos os grão de variadas espécies somente 145 milhões. Os americanos criaram uma técnica moderna de produzir soja nas nuvens e no éter.
ciro lauschner, não é por usar pseudoônimo ou só a sigla que qualquer coisa do que falei tenha mais ou menos relevância, a questão é que não basta estar de acordo com as leis para necessariamente de acordo com a ética, como é o caso dos senadores que agiam dentro de leis (criadas por eles inclusive) mas totalmente fora de padrões éticos ou de coerência. A questão é que tem brasileiro passando fome e brasileiro insiste em exportar todo o alimento (principalmente carne) para o exterior. O mundo parou de produzir carne pois acredita que não compensa em custos benefícios o desmatamento pela produção, entretanto, não calcula, é imediatista e não dá valor ao que mais deveria, produz sem por em conta os prejuízos do desmatamento.
Como fica barato na conta dos brasileiros, eles preferem comprar nossa carne a produzir lá (vide o exemplo da exportação ilegal de lixo inglês, mande o lixo para os brasileiros). O principal creio seja o fato de que a produção leiteira seja incentivada aqui (e o leite seja falsamente conhecido por suas propriedades benéficas ao ossos, quando pesquisas já comprovaram que ele contribui para osteoporose e não o contrário), que os grãos dado aos bois alimentariam 8 bilhões de pessoas, ou seja há a perda de alimento não nenhum ganho, sem falar na saúde, e que agora o brasil vai aumentar mais a produção aviaria por que os chineses com mais dinheiro agora, descobriu que carne de frango é gostoso.