O homem serve à terra ou a terra serve ao homem?
“Convencido de que a floresta existe para ‘servir ao homem’, o paulista Eucleber Vessoni ocupa 190 quilômetros quadrados de terras da União na Amazônia – 7,6 vezes o limite máximo de venda de terras pública permitido pela Constituição. Eucleber cria gado, como a maioria dos candidatos ao programa de regularização fundiária do governo na região de Marabá, com altos índices de desmatamento e recordista em conflitos fundiários no país.”
Retirei o trecho acima de uma matéria de Marta Salomon, do jornal Folha de S. Paulo de hoje. Ela trata das brechas no programa Terra Legal do governo federal que podem ajudar grandes invasores de terra a legalizar sua posse. Uma das formas de fugir das restrições, por exemplo, é dividir a propriedade entre familiares até o limite permitido por lei. Na prática, a terra fica com a mesma pessoa, mas com pedaços em nome de outros.
Além de evitar esse tipo de possibilidade, o governo deveria criar outras formas de restrição que levem em conta o que o invasor fez com a terra no período em que esteve em posse dela – o que hoje não existe. Expulsão de comunidades tradicionais, envolvimento em mortes e conflitos agrários, trabalho escravo, seriam alguns itens que deveriam ser checados antes de bater o martelo.
Vale lembrar que terras da União são patrimônio público. Ou seja, 190 quilômetros quadrados equivalem a 19 mil hectares pertencentes a todos e não a apenas um. Somado a isso, há um outro detalhe: de acordo com a Constituição, a propriedade deve ter função social. Caso contrário, deveria ser repassada a outras pessoas que fariam um melhor uso dela.
Em 2003, participei de uma libertação de 28 escravos na fazenda Ponta de Pedra, de Euclebe Vessoni, em Marabá. A ação realizada por uma equipe do grupo móvel de fiscalização, formado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério Público do Trabalho e Polícia Federal, foi motivada por denúncias de maus-tratos e cerceamento da liberdade. Algumas pessoas não eram pagas há muito tempo, recebendo apenas arroz, feijão e alojamento – pequenas barracas de lona nas quais se amontoavam redes. A água que utilizavam era imprópria e servia ao mesmo tempo para consumo, banho e lavagem de roupa. O veneno usado no tratamento do pasto ficava na pele por falta de equipamentos adequados de proteção e misturava-se a essa mesma água.
Dos 28 libertados, dois tinham menos de 18 anos. Um deles com apenas 13 anos.
Pedro (troquei o nome para preservar a identidade do garoto) perdeu a conta das vezes que passou frio, ensopado pelas trovoadas amazônicas, debaixo da tenda de lona amarela que servia como casa durante os dias de semana. Nem bem amanhecia, ele engolia café preto engrossado com farinha de mandioca, abraçava a motosserra de 14 quilos e começava a transformar a floresta amazônica em cerca para o gado do patrão. Analfabeto, permaneceu apenas dez dias em uma sala de aula por causa da ação de pistoleiros no povoado onde ficava a escola. Depois, nunca mais. Trabalhava com motosserra há dois anos, fazendo 30 estacas por dia a partir de sapucaias, taúbas e canelas tão grossas que dois homens feitos não conseguiam abraçá-las. Passou fome, experimentou dengue e nesses dois anos não recebeu um centavo pelo serviço, só comida. “Trabalhar com serra é o jeito. Senão, a gente morre de fome.” Não sabia a data do seu aniversário e nem o que se comemorava no dia 1º de maio de 2003, dia em que foi encontrado pela equipe do Ministério do Trabalho e Emprego durante fiscalização na fazenda.
A lei permite ao jovem apenas a condição de aprendiz a partir dos 14 anos, em uma escola destinada a esse fim. Segundo Marinalva Cardoso Dantas, que coordenou a operação na época, o trabalho que ele realizava só seria permitido a partir de 18 anos e, ainda assim, sem as condições insalubres a que estavam expostos os cerqueiros.
O proprietário da fazenda foi obrigado a pagar mais multas e direitos aos trabalhadores. Pedro recebeu R$ 7,2 mil, a maior quantia entre todos. Contando toda a sua família, inclusive um irmão com deficiência, o total foi mais de R$ 20 mil.
No ano seguinte, o fazendeiro teve que fazer um acordo com o Ministério Público do Trabalho por conta da libertação ocorrida em sua fazenda. Segundo o acordo, homologado na 2ª Vara do Trabalho de Marabá, ele pagaria R$ 384 mil ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
Vessoni também passou pelo cadastro de empregadores flagrados com mão-de-obra escrava do Ministério do Trabalho e Emprego, conhecida como a “lista suja”. Ela é usada desde 2003 como referência para corte de crédito em bancos públicos e privados e para restringir negócios por critérios sócio-ambientais.
A terra existe para servir ao homem segundo o pecuarista. Só não explicou que o “homem” em questão é ele próprio. Até porque, no caso de sua fazenda, ocorria o inverso: 28 escravos serviam à terra.
Autor: sakamoto - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Os leitores são todos espertos.
As opiniões são todas inteligentes.
Porém, e há sempre um porém, quem ganhou d’argent com o assunto foi o Sakamoto. Olhem lá em cima e vejam os patrocinadores do homem!
Resumindo: Somos todos um bando de idiotas do Sakamoto
Att
Justamente o que não se pode é viver a Paranóia da intocabilidade ou da anarquia fundiária. O que falta ao País é bom senso , equilibrando as ações e iniciativas de forma inteligente e compatíveis com o momento atual. Não se pode conceber manter as florestas numa redoma de vidro , assim como é inconcebível destruir tudo sem critério. Hoje a região Amazônica tem 27 milhões de Brasileiros e muito do que alimenta essas populações viaja de 1000KM a mais para abastecer o mercado, O projeto inicial da Colonização Amazônica jamais incluiu Latifundios , e sim nucleos ocupados com critério e levando em conta a Preservação , dentro da Lei vigente à época. O pior é a interferência de nações que destruiram de forma implacável suas riquezas naturais , agora determinarem o que e como se faz no Brasil. Temos capacidade e competência para criar um modelo Brasileiro de sustentabilidade e desenvolvimento ou Duvidam disso?
Vou além…”…será que por detrás não tem juizes e autoridades ganhando?…” será que não são eles mesmos quem invade as terras, ocupando ilegalmente e anonimamente? cercam de assassinos pra ‘guardar’ o que irão devastar e usam escravos pra o trabalho sujo…terra invadida não tem dono, mas certamente o desinteresse da justiça aponta pra ela o maior interesse então? não será? depois eles ‘legalizam’ aquilo com uma cara besta de ‘não sei quem foram os invasores mas agora vamos usar aquilo pra criação de gado’? tente algum cidadão comum invadir e fazer aquilo lá pra ver se a justiça não o pega rapidinho…tenho sérias dúvidas com relação a todo circo que eles fazem lá em Brasília, e que além de tudo isso ainda parasita os impostos das pessoas que trabalham nos centros urbanos.
Não digo ‘todos’, mas certamente os influentes que são responsáveis pela guarda daquilo lá, o patrimônio da nação sendo usurpado, a Segurança Nacional sendo largada assim como a soberania do patrimônio do povo…nada disso é sério? as drogas e a violência livres na cidade, a frouxidão e conivência? meu, é o mesmo que chamar uma puta de puta, um viado de viado, um ladrão de ladrão…eles podem lhe atacar, ferir, prejudicar, mas nunca e jamais vão deixar de ser o que são, vc pensa estar xingando, mas vc so ofende os que são colegas deles e não fazem isso, mas os que realmente fazem, PODEM.
São milhões por dia sendo usurpados, o gado lá vai ser vendido e portanto não é nosso…em outras palavras, o espaço pode ser do Sakamoto, e eu sou um idiota, mas aproveito o espaço pra deixar meus protestos de desdém e odio, espero que aproveitem bem e depois vão pro inferno.
Ok, desculpe se me excedi, espero que não tenha medo pois eu não ataquei x ou y porém fiz também um protesto, não adianta culpar cidadãos que lutam pra pagar contas e ter uma vida modesta de não caçarem monstros, bandidos e assassinos, quem faz tudo aquilo lá não é ‘brasileiro’, mas sim ‘mercenário’ e realmente não tá nem aí pra escravidão ou fome, vida ou morte, pudores ou escrúpulos, isso eu tentei deixar claro, eles tem poder e usam isso, ou não seriam tão bem sucedidos.
Abraços.
Pode excluir tudo na moderação amigo.
Att: Sakamoto
Parabens Sakamoto. Para mim não interessa o que você ganha com estes artigos. Vale mesmo é colocar a verdade dos fatos, e contra fatos…… Parabéns por você não ser como a maioria de nossa imprensa vendida, e certamente isto incomoda muito, principalmente a uma burguesia acostumada a não encarar a verdade, mas sempre mascarar os fatos e se aproveitar da oportunidade.
Na abertura do Frutal/2008, assistí uma palestra de um pesquisador mineiro que relatou de uma pesquisa da FAO que concluiu o seguinte: entre 2005 e 2006 a produção mundial de alimentos foi 30% superior à necesidade mundial. Esta história de que precisamos produzir mais, ou que a produção mundial é insuficiente para a demanda de alimentos é tudo balela, conversa de um capitalismo selvagem, que usa este tipo de argumento para manter o lucro fácil sempre mais fácil. Pois é muito mais barato e fácil desmatar, produzir e esgotar a terra do que produzir de forma sustentável, pois exige mais tecnologia e conhecimento. E imagine o que a busca pelo lucro fácil e rápido vai preferir?
Este é o ser humano esperto de hoje.
Que certamente gosta de ironias.
Atenciosamente.
NÃO ADIANTA BRIGAR POR UMA LEGISLAÇÃO QUE VENHA A PROTEGER A AMAZONIA.
POIS SABEMOS QUE 80 % DA AMAZONIA PERTENCE A SENADORES E DEPUTADOS QUE ESTÃO EM BRASILIA E JAMAIS VÃO CRIAR LEIS QUE VENHAM A BATER DE FRENTE COM OS PRÓPRIOS INTERESSES.
OS ACMS , SARNEYS , COLLORS E RENANS DA VIDA CRIARAM UM SISTEMA FEUDAL NO NORTE E NORDESTE DO BRASIL ONDE QUEM DA AS CARTAS SÃO ELES.
MARCELO BATISTA, NÃO ADIANTA QUERER CONVERSAR COM ESTE JAPONÊS BRASILEIRO, É PERDA DE TEMPO!!! A TERRA SERVE AO HOMEM; SERVE PARA NÓS DESMATARMOS, APROVEITARMOS A MADEIRA PARA CURRAL E EXPORTAÇÃO E DEPOIS COLOCARMOS OS BOIS BRANCOS PARA PASTAR!!! FOI ASSIM QUE TRANSFORMAMOS ESTE PAÍS NO MAIOR PRODUTOR DE CARNE DO MUNDO. O JAPONÊS É UM GRANDE COMEDOR DE CHURRASCO AÍ EM SÃO PAULO E NÃO ENTENDE NADA DE PASTO E DE BOI. NÃO SABE DIFERENCIAR ALFACE DE BRACHIÁRIA OU AGRIÃO DE SORGO.
A questão é, infelizmente, que estamos aqui perdendo nosso tempo. Talvez desabafando, ou qualquer outra pretenção ligada somente ao eu. O que há é que palavras são palavras em vão; enquanto houver essa gente conduzindo o país nada mudará pois existe sim um coronealismo neste país e muitos coronéis dentro do governo. Essa história de que o voto pode mudar tudo é apenas uma ladainha para nos conformarmos. O que fazer? bem, assistir essa triste cena trágica dessa novela de mal gosto chamada Brasil político e social.
Quem vê os carinhas da cidade emitirem suas “sábias” conclusões, alguns emitindo opinião sobre algo que ouviram falar vagamente. Falar em lucro fácil na Amazônia só se o cara achar ouro no meio da rua, porque mais sofrida que a vida na Amazonia só se for no Carandiru. O cara desmata a custos muitos pesados e põe fogo porque não tem outra maneira de limpar a terra, exatamente como foi feito nos estados do sul há muitos anos. Além do mais a constituição prevê a documentação de 3.000 hectares de terra e a toque de portarias,instruções normativas e outras legislações que os órgãos públicos se arvoram diminuiram para zero e agora para 1500 hectares cheio de exigencias , o que vai deixar muito nego rico graças às famosas propinas para alguem dar jeito, ou seja criar dificuldades para vender facilidades.
Cuidem das reservas biológicas, das reservas indigenas e da lei dos 80% o que faz com que cerca de 87% da Amazonia fique em pé “in eternum” e nada de mais acontecerá na Amazonia para desespero dos catastrofistas e dos “libertadores” de escravos.
Sakamoto, sabe o que é pior? Tem um monte de idiota que se cansa de escrever com seu nome babaca e passa a assinar com pseudônimo.Falta de coragem, sabe? E ainda se consideram moradores da Amazônia… Na verdade, é um bando de maluco, sem coragem, que se encondem atrás de nomes falsos depois de ninguém ouvi-los.
No meu tempo de Mackenzie, chamavamos estes vermelhinhos de burguesia festiva. Tinham horror ao capital, ao mercado e à livre iniciativa, mas desfilavam nos carrões do papai na Rua Augusta. Hoje a coisa mudou um pouco mas a retórica é a mesma, agregados às famigeradas Ong’s, ao clero ou mamando nas tetas do governo, comem carne de nelore precoce criado a pasto, formado na amazônia e pensam que estão comendo Limosin ecológico criado no sudeste. A maioria nunca colocou os pés na amazônia e se nunca cortaram uma árvore, também nunca plantaram nenhuma. O mercado é dinâmico e da mesma forma que desmatamos e colocamos fogo na terra, também reflorestamos e implantamos projetos de silvicultura consorciada com a pastagens de brachiaria decumbens. Em resumo, quem corta e coloca fogo também é quem planta e obtém crédito de carbono, o dinheiro europeu circula em duas mãos. A dos terroristas ecológicos e a dos que trabalham. É a lei do mercado que nem Stálin conseguiu revogar e a burguesia festiva de agora, financiada oelas Ong’s, também não chega a lugar algum. Falam,falam e tudo cai no vazio. Vou dormir porque aqui no mato a gente também bebe whisky de rico e as vezes passa dos limites.
Pra Francisco Cavalcante…
1- Não quero dizer que vc não tenha conhecimento, mas acho que vc também ampliar sua visão.Vc diz que todos os pecuaristas devem , em outras palavras, confinar bois. Neste ponto eu acho um contra senso , ja que dia a dia se procura uma alimentação mais saudável, eu te pergunto vc acha que um boi confinado é tão puro quanto um criado a pasto?se vc acha que sim, é a mesma coisa de achar que um frango de granja é a mesma coisa do caipira, um demora 20 dis outro demora 6 meses.
2-pegue como exemplo uma familia com um casal e 4 filhos pequenos, que vivem em 20 alqueires de terra, quando esses filhos crescerem e casarem terão todos que ir inchar mais as cidades? ou vc acha que vc morar 6 familias e 20 alqueires de terra , levando-se em conta que so pode ser usufruido 20% dessa área, ou seja 4 alqueires?se vc disser que sim, eu que vou lhe dizer que te falta conhecimento.
Para Francisco Cavalcante…
1-Em relação a sua ideia de ecologia , vou descordar novamente.
Se vc acha que produzirmos mais no Brasil, iremos destruir o planeta em 200 anos, vc deveria estudar historia e ver que EUA e Europa ja o fizeram a mais tempo e o mundo não acabou. E se o risco fosse tanto, eles ja estariam reflorestando sua s areas de produção , porque não o fazem?
També sugiro que vc veja o que ocorreu nas eras glaciais, se o homem interfeisse tanto assim , foi ele o responsável pela era do gelo?e se o homem fosse tão fragil assim , não teria desaparecido ali?
RESUMINDO. alem de me mandar estudar , sugiro que se matricule numa escola e sugiro que saia de sua cidade e va conhecer o mundo real.
Para André …
100%.
Para Zé da motoserra…
Concordo com tigo que a maioria desses ecoterroristas não sabe diferenciar boi de vaca, mas em parte eles tem razão, devemos sim criar os bois , mas também é dever nosso a preservação. E podemos sim criar bois e preservar ao mesmo tempo, não pecisamos ser 8 ou 800, existe sim um meio termo, e para o Pará esse meio termo seria 50% como sempre foi antes do nefasto FHC se render aos ecoterroristas extrangeiros.
ERRO . com tigo = contigo
Para Amazonida…
Vc disse tudo, se os ecoterroristas se preocupassem em cuidar das reservas ja existentes no norte do país, póderiamos ter 50 % da area para trabalho, que ainda assim eles não dariam conta em uma vida de andar em todo territoio de mata em pé.
Oi Sakamoto,
Quando eu li a reportagem da Folha fiquei me perguntando quantas dessas “fontes” que davam declarações eram grileiros ou utilizavam trabalho escravo. E você me deu uma resposta. Realmente, a reportagem da Folha era até boa, mas faltou dar ao leitor dados como este, de que o tal do fazendeiro na verdade já foi empregador de trabalho escravo, o que muda todo o entendimento do leitor a respeito do que está sendo dito, certo?
A verdade é que, na Amazônia, a questão fundiária é muito mais complexa do que é possível relatar em uma reportagem. Dos que chegaram na década de 70 muitos se tornaram verdadeiros amazônidas, aprendendo a viver de acordo com a vida da população local, mas muitos outros se tornaram grandes agentes do desmatamento e essa separação entre esses dois tipos não é tão simples. A gente sabe como os madeireiros se vestem de amazonidas para clamar pelo direito do povo e assim conseguir privilégios. E também que muitas vezes essa simbiose se torna tão forte que os próprios moradores protestam quando há alguma punição aos madeireiros, porque são eles os empregadores.
Enfim, o que me pareceria muito interessante seria uma reportagem sobre a continuação da vida desse menino libertado. Segundo seu texto, ele recebeu cerca de 7 mil reais, mas o que será que aconteceu? Será que ele comprou uma fazenda e está reproduzindo o sistema de desmatamento? Acho que seria interessante, como uma reportagem que fala de histórias de vida mesmo.
RSRSRS