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24/06/2009 - 22:56

Como expulsar drogados, mendigos e outros estorvos

Um edifício em obras na região central de São Paulo instalou gotejadores de água em sua marquise para gerar uma chuva artificial e espantar usuários de drogas que frequentavam a fachada.

A administração municipal, consultada em reportagem do Jornal Nacional, da TV Globo, disse que molhar os “pedestres” era inaceitável e que medidas seriam tomadas. Vizinhos do prédio pinga-pinga afirmaram terem gostado da idéia e pensam em copiá-la para garantir mais “higiene e segurança”.

Já escrevi aqui que São Paulo está se aprimorando na arquitetura da exclusão. Retomo o que havia dito antes.

O tema não é exatamente novo e ocupou espaço na mídia quando o então prefeito José Serra resolveu implantar no complexo viário da avenida Paulista, a mais conhecida e importante da cidade, as chamadas rampas antimendigo – grandes blocos de concreto que impedem o povo de rua de montar sua casinha imaginária para se proteger do tempo e do mundo. E proteger, dessa forma, a “gente de bem” que estaria sendo assaltada durante as longas pausas dos congestionamentos.

Há muitos anos, o vão formado pela rua Teodoro Sampaio sobre a rua Mateus Grou, no bairro de Pinheiros, era residência de sem-teto. A associação de amigos da rua construiu rampas para enxotá-los de lá. Tempos atrás, vi que o mesmo aconteceu na rua João Moura, no trecho sob a avenida Paulo VI/Sumaré. Implantaram canteiros de flores para mandar as pessoas para longe de lá. Se as flores plantadas lá soubessem o que custou sua chegada murchariam de vergonha. O interessante é que alguém, que provavelmente morava ali ou se indignou com isso, pixou o muro em frente com um lembrete incômodo: “Aqui morava gente”.

Reformas já foram feitas no Centro de São Paulo para tirar ou vazar a marquise de prédios. Ganha um doce se alguém advinhar para quê…

Já que não se encontra solução para um problema, encobre-se. É mais fácil que implantar políticas de moradia eficazes – como uma reforma urbana que pegue as centenas de milhares de imóveis fechados para especulação e destine a quem não tem nada. Ou repensar a política pública para usuários de drogas, hoje baseada em um tripé de punição, preconceito e exclusão e, portanto, ineficaz. Muitos vêem os dependentes químicos como lixo da sociedade e estorvo ao invés de entender que lá há um problema de saúde pública.

As obras que estão revitalizando (sic) a região chamada de Cracolândia, têm expulsado os moradores da região. Para onde vão? E isso importa?! Contanto que fiquem longe dos concertos da Sala São Paulo, do acervo do Museu da Língua Portuguesa e das exposições Estação Pinacoteca ótimo. No caso do prédio-que-chove os usuários de drogas não foram muito longe: mudaram-se para o outro lado da rua.

Melhor tirar da vista do que aceitar que, se há pessoas que querem viver no espaço público por algum motivo, elas têm direito a isso. A cidade também é deles, por mais que doa ao senso estético ou moral de alguém. Ou crie pânico para quem acha que isso é uma afronta à segurança pública e aos bons costumes. Em vez disso, são enxotados ou mortos a pauladas para limpar a urbe para os cidadãos de bem.

Logo após a fundação da vila de São Paulo de Piratininga, José de Anchieta, com a ajuda de índios catequizados, ergueu um muro de taipa e estacas para ajudar a mantê-la “segura de todo o embate”, como descreveu o próprio jesuíta. Os indesejados eram índios carijós e tupis, entre outros, que não haviam se convertido à fé cristã e, por diversas vezes, tentaram tomar o arraial, como na fracassada invasão de 10 de julho de 1562. Ao longo dos anos, a vila se expandiu para além da cerca de barro, que caiu de velha. Vieram os bandeirantes – hoje considerados heróis paulistas -, que caçaram, mataram e escravizaram milhares de índios sertão adentro. Da África foram trazidos negros, que tiveram de suportar árduos trabalhos nas fazendas do interior ou o açoite de comerciantes e artesãos na capital. No início do século 19, a cidade tornou-se reduto de estudantes de direito, que fizeram poemas sobre a morte e discursos pela liberdade. Depois cheirou a café torrado e a fumaça de chaminé, odores misturados ao suor de imigrantes, camponeses e operários. Mas, apesar da frenética transformação do pequeno burgo quinhentista em uma das maiores e mais populosas metrópoles do mundo, centro financeiro e comercial da América do Sul, o muro ainda existe, agora invisível. E, 455 anos após a fundação de São Paulo, esse muro impede o acesso dos excluídos à cidadania.

Ou, às vezes, nem tão invisível assim.

Na última vez que tratei deste assunto, alguns leitores destilaram a mais fina filosofia com pérolas como “tá com dó leva para casa”. É incrível a incapacidade de algumas pessoas de olhar além dos seus próprios narizes e discutir soluções reais para ampliar o acesso à cidadania. Esquecem que a cidade será para todos. Ou não será para ninguém.

Autor: sakamoto - Categoria(s): Sem categoria Tags:

320 comentários para “Como expulsar drogados, mendigos e outros estorvos”

  1. Jaime disse:

    Pergunta:

    Como um viciado q não trabalha e vive na rua paga a sua droga?

    a) Pedindo esmola
    b) Roubando e assaltando
    c) As duas alternativas

    DROGA ESTIMULA A VIOLÊNCIA E O GOVERNO SABE DISSO.

  2. Max disse:

    O primeiro comentário diz tudo. Ponto final.

  3. Paulão disse:

    É mano Jaime, mas o Saka não sabe.

  4. Paulo (Não me encha o saco!!) disse:

    O Saka “viaja”, mas não é doido. E aí, Saka, tá comendo muita desavisada com esse teu papo “cabeça”?

  5. JB disse:

    É japa Saka, agora vai ter que passear com tua namorada pelo centrão a noite, nas bocada e nas quebrada. E aí? Nun é mole não, a coisa ao vivo é feia meu irmão.

  6. Jorge disse:

    Ótimo ver que alguns se comovem tanto com essa horda de vagabundos que infestam as ruas. E já que gostam desse monte de lixo, deveriam ter na frente de suas casas uma demarcação de “zona livre” para viciados, marginais e assemelhados.
    Estamos de fartos dessa conversa fiada de demagogos, covardes e hipócritas. Invariavelmente veem com esse discurso em tom ‘professoral’, moderninho e politicamente correto, para parecerem especialistas do tema. Mas, já estamos acostumados pois, sempre acaba em mais um joguinho medíocre de palavras para tentar coagir a todos empurrando alguma culpa.
    Nos resta dizer é: tomem vergonha na cara!

  7. Tarso disse:

    Japamoto, aqui entre nós, vc pensa essas coisas mesmo ou quer dar Ibope? C tá normal, c tá na nóia?
    O problema é o chip, o chip…

  8. Paulo (Não me encha o saco!!) disse:

    Saka para presidente… do Paraguai. Desculpem, paraguaios, o bispo já basta.

    Saka para presidente… da Venezuela.

  9. MARCOS NEGRÃO disse:

    Me lembro que a 27 anos atras eu estive em Poços de Caldas e por toda a cidade existiam placas com dizeres “Não dê esmolas”, “Encaminhe o pedinte para…” e não se via um cidadão sequer morando na rua. Se em Poços de Caldas era possivel, então é possivel em qualquer lugar do Brasil ou do mundo, basta ter vontade politica.

  10. TheTruth disse:

    Ato falho, isso de achar que as pessoas “não enxergam além de seus próprios narizes”, só mesmo quem cheira pó branco considera nariz referencia de campo visual. E comparar tolerância com drogados e traficantes com “ampliação do acesso à cidadania”, tenha dó. O fato de escrever bem não te dá o direito de ser tão irresponsável. Desafio o autor do blog a apresentar uma única “solução real” para o problema criado pelos que optam voluntariamente por abrir a boca, o nariz ou as veias, para as drogas. Ou acha que foram todos viciados à força? Ora, vai traficar em Singapura, vai, onde rola pena de morte para essa atividade – lá, sim, acharam solução para esse problema – a sociedade decidiu que NÃO QUER ESSA ATIVIDADE NO SEU MEIO! Aqui, apesar de ser essa também a vontade da MAIORIA DA POPULAÇÃO TRABALHADORA E HONESTA, tolera-se, faz-se apologia, etc. E mais – a Cidade nunca será para todos, Cidade é para os cidadãos! Queria levantar polêmica, dar audiência, conseguiu, de tão revoltante e alienado foi seu post dessa vez! Parabéns!

  11. FÁBIO LIMA FREIRE disse:

    SE O DINHEIRO GASTO PELA CORRUPÇÃO, FOSSE GASTO COM PROGRAMAS SOCIAIS ,QUE REALMENTE FUNCIONASSEM , TERÍAMOS MENOS EXCLUÍDOS EM NOSSA CIDADE.MAS NÃO SE FAZ NADA E A CIDADE SE AGIGANTA E SE DESUMANIZA CADA VEZ MAIS.DE UM LADO PESSOAS “DE BEM” ACUADAS E COM MEDO DE SEREM ROUBADAS NOS FARÓIS, DE OUTRO OS ” DO MAL” VICIADOS E CRIMINOSOS.SEM UM PROGRAMA SOCIAL SÉRIO, O PROBLEMA NÃO VAI SE RESOLVER, E A MURALHA CONSTRUÍDA PELO PADRE ANCHIETA SE MATERIALIZARÁ, CORTANDO A CIDADE EM MILHARES DE PEDAÇOS.

  12. NoDrugs disse:

    outro tema pro Japa e seu Blorgh

    “Vamos levar os nóia e os sem teto para a porta do prefeito”.

    Acorda japa o mundo não é a CUSP, há muita vida lá fora do campus. Vamos ser menos parcias nas matérias.

  13. Fernanda disse:

    Eu concordo com tudo que vc escreveu sobre a necessidade de politicas publicas efetivas para a população de rua e drogados, porém isso depende da boa vontade dos politicos e leva tempo, tempo este que a população assustada não aguenta mais esperar.
    Entendo que essas pessoas moradoras de rua são excluidas e jogadas por nossa sociedade na marginalidade,mas o medo nos leva a cometer atos como este destes moradores.
    Eu sou uma que tenho minha rotina afetada por drogados e moradores de rua, pois se saio de casa na hora que estão na rua, sofro intimidações para ajuda-los, sei que não tiveram educação que são excluidos, mas não gosto de me sentir ameaçada e confesso gostaria que sumissem da minha rua.

  14. nO CracK disse:

    OLHA O MATARAZZO FALANDO ERDA NA TV, DE NOVO.
    Amanhã vai ter mais erda do Saka, aposto.
    Fala sério, SP está na mão de gente muito incompetente, ou…

  15. Hermanos disse:

    Gostei, Saka futuro assessor del presidente Huguito Maluquito.
    Boa.

  16. Leca disse:

    ALGUÉM JÁ SE PERGUNTOU QUEM INVENTOU O CRACK, O ECSTASY E ESSA MER… TODA? Garanto que não foi nenhum Brasileiro.
    Há muitos interesses atrás da droga, desde a guerra do ópio.
    Gozado que blogs e sites não tomam posição contra as drogas, claro podem perder público…
    Tô sabendo.

  17. andrea disse:

    Perdi a paciencia a algum tempo de ler os comentarios, muitas vezes sem fundamento nem consideração, mas esse caso me lembrou a politica anti-favela que aconteceu no rio na época da higienização, se possivel deem uma pesquisada nisso, é a mesma historia, mas com personagens diferentes!! espero que essas pessoas percebam que se não deu certo a desfavelização no Rio de Janeiro, tambem não vai dar certo arrancar os moradores de rua de são paulo!!!! desejo sorte e ajuda para essas pessoas,e a todos que ainda sonham com um mundo justo e igualitario!!!

  18. Paulo "Sakapoko" (antes, Não me encha o saco!!) disse:

    Calma, pessoal. O mundo ainda tem jeito. Não é porque Deus foi capitalista e não deu discernimento a todos é que tudo vai descambar para o caos.

    Basta que as pessoas iguais ao Saka não passem de um em mil na população.

  19. sergio disse:

    pelo seu perfil vc é jovem demais,utopico demais,envelheça um pouco, tenha filhos,viva dignamente e reze ,para nunca ser assaltado por esses filhos da porca,porque se for morto sua mãe vai amaldiçoar quem inventou direitos humanos a animais,ali ninguem rasga dinheiro

  20. japa tá doido disse:

    Lamento mas as últimas vinte linhas do seu texto são delirantes, falando de índios, negros, açoite, burgo, muro. Vc tá doido, tá fora de si, qual é a sua Japa?
    Totalmente fora de contexto, voltar a tempos de um, dois, quatro séculos atrás, vc tá descontrolado e sem noção.
    Olha que eu dou aula em Faculdade, e se vc é professor deveria ter mais responsabilidade e ser menos tendencioso.
    Minha tatara tatara vó era índia, mas e daí? Aqui no Brasil é assim, todo mundo transa com todo mundo, isso fez o país o que é hoje, certo?
    Vc, como o governo de dementes que nos assola, deseja criar conflitos e separação social.
    Como disse um dos meus alunos: Vá para a Africa, aumente seu currículo, enquanto nós não radicais, nem fantoches da política, tentamos recuperar o país.

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