Como expulsar drogados, mendigos e outros estorvos
Um edifício em obras na região central de São Paulo instalou gotejadores de água em sua marquise para gerar uma chuva artificial e espantar usuários de drogas que frequentavam a fachada.
A administração municipal, consultada em reportagem do Jornal Nacional, da TV Globo, disse que molhar os “pedestres” era inaceitável e que medidas seriam tomadas. Vizinhos do prédio pinga-pinga afirmaram terem gostado da idéia e pensam em copiá-la para garantir mais “higiene e segurança”.
Já escrevi aqui que São Paulo está se aprimorando na arquitetura da exclusão. Retomo o que havia dito antes.
O tema não é exatamente novo e ocupou espaço na mídia quando o então prefeito José Serra resolveu implantar no complexo viário da avenida Paulista, a mais conhecida e importante da cidade, as chamadas rampas antimendigo – grandes blocos de concreto que impedem o povo de rua de montar sua casinha imaginária para se proteger do tempo e do mundo. E proteger, dessa forma, a “gente de bem” que estaria sendo assaltada durante as longas pausas dos congestionamentos.
Há muitos anos, o vão formado pela rua Teodoro Sampaio sobre a rua Mateus Grou, no bairro de Pinheiros, era residência de sem-teto. A associação de amigos da rua construiu rampas para enxotá-los de lá. Tempos atrás, vi que o mesmo aconteceu na rua João Moura, no trecho sob a avenida Paulo VI/Sumaré. Implantaram canteiros de flores para mandar as pessoas para longe de lá. Se as flores plantadas lá soubessem o que custou sua chegada murchariam de vergonha. O interessante é que alguém, que provavelmente morava ali ou se indignou com isso, pixou o muro em frente com um lembrete incômodo: “Aqui morava gente”.
Reformas já foram feitas no Centro de São Paulo para tirar ou vazar a marquise de prédios. Ganha um doce se alguém advinhar para quê…
Já que não se encontra solução para um problema, encobre-se. É mais fácil que implantar políticas de moradia eficazes – como uma reforma urbana que pegue as centenas de milhares de imóveis fechados para especulação e destine a quem não tem nada. Ou repensar a política pública para usuários de drogas, hoje baseada em um tripé de punição, preconceito e exclusão e, portanto, ineficaz. Muitos vêem os dependentes químicos como lixo da sociedade e estorvo ao invés de entender que lá há um problema de saúde pública.
As obras que estão revitalizando (sic) a região chamada de Cracolândia, têm expulsado os moradores da região. Para onde vão? E isso importa?! Contanto que fiquem longe dos concertos da Sala São Paulo, do acervo do Museu da Língua Portuguesa e das exposições Estação Pinacoteca ótimo. No caso do prédio-que-chove os usuários de drogas não foram muito longe: mudaram-se para o outro lado da rua.
Melhor tirar da vista do que aceitar que, se há pessoas que querem viver no espaço público por algum motivo, elas têm direito a isso. A cidade também é deles, por mais que doa ao senso estético ou moral de alguém. Ou crie pânico para quem acha que isso é uma afronta à segurança pública e aos bons costumes. Em vez disso, são enxotados ou mortos a pauladas para limpar a urbe para os cidadãos de bem.
Logo após a fundação da vila de São Paulo de Piratininga, José de Anchieta, com a ajuda de índios catequizados, ergueu um muro de taipa e estacas para ajudar a mantê-la “segura de todo o embate”, como descreveu o próprio jesuíta. Os indesejados eram índios carijós e tupis, entre outros, que não haviam se convertido à fé cristã e, por diversas vezes, tentaram tomar o arraial, como na fracassada invasão de 10 de julho de 1562. Ao longo dos anos, a vila se expandiu para além da cerca de barro, que caiu de velha. Vieram os bandeirantes – hoje considerados heróis paulistas -, que caçaram, mataram e escravizaram milhares de índios sertão adentro. Da África foram trazidos negros, que tiveram de suportar árduos trabalhos nas fazendas do interior ou o açoite de comerciantes e artesãos na capital. No início do século 19, a cidade tornou-se reduto de estudantes de direito, que fizeram poemas sobre a morte e discursos pela liberdade. Depois cheirou a café torrado e a fumaça de chaminé, odores misturados ao suor de imigrantes, camponeses e operários. Mas, apesar da frenética transformação do pequeno burgo quinhentista em uma das maiores e mais populosas metrópoles do mundo, centro financeiro e comercial da América do Sul, o muro ainda existe, agora invisível. E, 455 anos após a fundação de São Paulo, esse muro impede o acesso dos excluídos à cidadania.
Ou, às vezes, nem tão invisível assim.
Na última vez que tratei deste assunto, alguns leitores destilaram a mais fina filosofia com pérolas como “tá com dó leva para casa”. É incrível a incapacidade de algumas pessoas de olhar além dos seus próprios narizes e discutir soluções reais para ampliar o acesso à cidadania. Esquecem que a cidade será para todos. Ou não será para ninguém.
Autor: sakamoto - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Vejam que depois de levar páu de quase todo mundo no blog, o IrGh colocou uma matéria na página inicial sobre a “assistência” aos moradores de rua e similares.
Querem aliviar o lado do SAKA ou do governo?
Mas qualquer menos burro percebe que a matéria se volta contra o PiTí, pois declara que o governo dá um milhão para ser dividido por 94 cidades… para a assistência aos mencionados acima.
Um milhão por mês para dividir com 94 cidades… Palhaçada.
Se fosse só para SP já seria pouco.
Palhaçada……………………………………………………………
Quiseram consertar, se deram mal: quem é o dono do IrGh mesmo? HA ha ha… vão enganar ignorante, a nós não.
achei a fachada o maximo assim vai acabar com esses usuario de droga nas mediaçoes do centro ja que a prefeitura nao tem como acabar com isso
diga nao as droga isso acaba com a mente das pessoas temos que acaba com isso sei que e difiçil mas se todos fizer a sua paret pelo menos vai diminuir tudo depende da poliçia federal
Sobre o “controle de natalidade”: tem certeza que vocês não quiseram dizer “planejamento familiar”?
Parabéns! Analises assim devem ser repetidas ao infinito até surtirem algum efeito realmente inteligente,eficaz e eficiente que seja o melhor para todos.
Vc é um utopista. Digo isso, não necessariamente como crítica, mas de forma objetiva. Primeiro por achar que algum dia, haverá esta política social, capaz de resolver os problemas, etc. etc. de que tanto fala, no Brasil dos senadores e dos atos secretos, no Brasil campeão planetário da desigualdade de distribuição de renda, isso é sonho e sempre será. Segundo por achar que os moradores de rua, são apenas pessoas que só precisam de um pouquinho de apoio e pronto, já se integrarão a sociedade como pessoas normais e trabalhadoras, ignorando que a maioria são drogados e alcoólatras crônicos. E terceiro, porque ainda que ocorressem dois milagres que resolvessem os dois primeiros pontos, sabe o que aconteceria? Assim que tivessem energia e conforto mínimos, essas pessoas – naturalmente – iriam ter uma “penca” de filhos, o que só recriaria o problema….não, amigo, a ÚNICA saída como disseram alguns, é planejamento familiar, controle de natalidade, e enquanto ISSO não surte efeito, sim, afastar esses infelizes, pois não é por ter consciência e até querer ajudar, que eu vou ter que acordar com a frente da minha casa cheirando a urina, ou passar a noite em claro ouvindo briga de bêbado, em nome da “fraternidade”…sua denúncia é boa, criar consciência na sociedade, ok, ajudar os outros, ótimo, mas ter que aturar encrenca e sair prejudicado, aturar pinguço e drogado, nada a ver, eu também tenho direito de ser normal e querer sossego. P mim, tinha que ser OBRIGATÓRIO esses caras tomarem banho, trocar de roupa etc, essa estória de dar a eles a “opção” de continuarem sujos, bêbados e maltrapilhos, em nome da “liberdade” é ridícula, e a MINHA liberdade de morar em um lugar limpo e decente? Outra noite, saí com minha mulher e filha p passear na avenida central, as 9 da noite, e num ponto da avenida o que havia? 3 travestis se exibindo para os motoristas, prostituição explícita…e 3 ou 4 drogados, mais uns 2 bêbados, mas CLARO, eles tem DIREITOS….eu que não posso abrir a boca, nem agir, para preservar a educação de minha filha, a paz de minha família…tenho que esperar o governo criar uma política habitacional adequada…hahahahaha….até lá, até NUNCA, minha filha tem que achar normal tudo isso, viva a democracia e igualdade….mas se eu falar alguma coisa, eu que só queria passear com minha família num ambiente familiar, ah, sou reacionário, fascista, elitista, insensível, e por aí vai….
O Bom Senso do Bom Senso é de muito Bom Senso.
O problema de sem teto não é só de SP. O problema é mundial.
O problema é ,de fato, o capitalismo.
Otacílio Ribeiro:
Pô, mais um esquerdista chato (comedor de Mc Donald’s e bebedor de Coca-cola) metendo o pau no capitalismo não! Porque isso? Porque se fosse socialismo TODO mundo seria mendigo?
Ah, putz grila, essa gente é que nem gremlin… se reproduz sem a gente ver!
Tá insatisfeito com o capitalismo? Vai morar em Cuba!!!!!!! Huahaúahá!!!!! Pronto Falei.
E vá pro inferno, antes que eu me esqueça…..
Os esquerdistas definitivamente precisam virar o disco…
Capitalismo e EUA já estão por demais passados! Arrumem outro argumento!
Encher o saco vocês já enchem de qualquer jeito, só muda o discurso, vai!
Três medidas para acabar com os mendigos, drogados, ambientalistas sanguessugas, comunistas, e outras pragas que altamente se reproduzem no mundo, e, em especial, no Brasil:
1. Preparar;
2. Apontar;
3. FOGO!
A maioria fala como se usuario de droga fosse pobre e desocupado….A maioria que usa cocaina e maconha é a classe alta…filhinhos de papai, turma de brasilia….médicos…pra essa cambada de hipocrita, na qual o Brasil é a capital mundial, só existem 4 medidas para combate-los:
1. Preparar
2. Apontar
3. Fogo
4. Jogar no lixo organico
A maioria fala como se usuario de droga fosse pobre e desocupado….A maioria que usa cocaina e maconha é a classe alta…filhinhos de papai, turma de brasilia….médicos…pra essa cambada de hipocrita, na qual o Brasil é a capital mundial, só existem 4 medidas para combate-los:
Preparar
Apontar
Fogo
Jogar no lixo organico
Sakamoto, concordo com a sua visão, exposta no texto acima.
Sempre haverá pessoas que se posicionarão de forma preconceituosa e intolerante com relação àqueles que se encontram nessas situações. Isso acontece devido à incapacidade dessas pessoas de se sensibilizarem com o próximo. De saírem um pouco de suas confortáveis posições e se colocarem no lugar do outro. São incapazes de compreender.
Sobre o comentário de MArtim PESCADOR
“Preparar, Apontar, Fogo” – Camarada, você tem alguma, qualquer noção do que está falando? Pensamentos como o seu revelam o quanto algumas pessoas são desprovidas de qualquer civilidade e acabam por defender a “barbárie”. Um verdadeiro movimento de regressão, contrário à toda evolução humana em termos de convívio social e conquista de direitos.
Se alguma pessoa próxima a você (um filho, um irmão) se envolver com drogas, defender o meio ambiente ou simpatizar com o comunismo a sua brilhante resolução é meter bala, metralhar, matar? É isso? Se eu entregasse uma arma em tuas mãos você a mataria?
Se não mataria, o que você escreve aqui é da boca pra fora e você não tem a menor consciência do quão absurdo é o que você defende. Se sim, você mataria, então o criminoso é você, e suas estúpidas medidas seriam (e são) dignas de condenação. moral.
Comentários intolerantes e de caráter fascista como os de cima, provam o quanto o ser humano está longe de ser totalmente capaz de conviver com as diferenças, e o quanto contribui/ é conivente com um sistema que promove a desigualdade e intolerância.
Palavras me faltam para expressar a revolta que sinto quando vejo ‘opiniões’ como as de cima. Talvez por isso não tenha sido suficientemente claro no que escrevi, e por essa razão peço desculpas.
Mas, o mais importante é que não nos deixemos desanimar pelo teor de algumas visões expostas, pelo contrário, que sirva como mais um motivo para que continuemos lutando contra a desigualdade e por uma sociedade justa, construída por todos e para todos.
“Urbs”, do latin “Cidade murada”. Os muros, meu caro, estão para dentro, se protegendo da própria cidade… Aqui em Recife, já chamamos condomínios fechados e conjuntos habitacionais de “Cidades dentro da Cidade”. E aja novos prédios que oferecem tudo do lado de dentro…
Ótimo texto! Um abraço.
Céus, o que podemos fazer? Acho q exigir dos governantes, já q arrecadam tanto com nosso dinheiro de impostos.
tudo sobre a ditabranda “ditadura”:
http://www.bolsonaro.com.br/jair/
Achei que ia dar dicas de como se livrar desse pessoal, estou enfrentando o problema e sendo ameaçado por estas pessoas pelo mesmo motivo do prédio que instalou gotejador, não consigo dar continuidade as obras e nem arrumar inquilinos para o empreendimento.Infelizmente neste pais tem mais gente defendendo vagabundo do que pessoas de bem, por isto estamos nesta mer……
à beira do fascismo… ele já está aí… o poder só precisa aprimorar mais seu discurso para que ele se revele completamente
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