A moral da polícia se enforcou em um cadarço de sapato
Durante a ditadura, os militares armaram uma farsa para encobrir o assassinato do jornalista Vladimir Herzog. A explicação trazida à público, de suicídio na cela, não convenceu e a morte de Vlado tornou-se símbolo na luta contra o regime.
“Nos quartéis lhes ensinam antigas lições”, cantavam nos anos de chumbo. Mas bem que a música podia ser assobiada hoje na Vila Jacuí, Zona Leste de são Paulo, uma vez que o modus operandi da polícia no Brasil parece não ter mudado desde que os verde-oliva sentavam-se no Planalto.
Em São Paulo, um homem de 39 anos foi encontrado enforcado pouco mais de duas horas depois de ter sido preso. Supostamente, era traficante e transportava cocaína. Supostamente, teria se enforcado usando um cadarço de sapato. Questionado por jornalistas se não é praxe da polícia retirar os cadarços de sapatos de presos, um policial afirmou que o acusado usou um pedaço de papelão para arrastar um cadarço que estava fora da cela.
PELAMORDEDEUS! Nem os milicos que mataram Herzog foram tão caras-de-pau! Qual seria a próxima desculpa esfarrapada se essa não colasse? a) O rapaz recebeu um cadarço através de um pombo-correio? b) Ele levava um cadarço no estômago para ocasiões como essa? c) Como era um exímio tecelão, ele criou um cadarço a partir de restos de fios disponíveis no chão da cela?
Informados do ocorrido, familiares da vítima e moradores da Vila Jacuí realizaram um protesto na madrugada de hoje, armando barricadas, depredando dois ônibus e incendiando um terceiro. A manifestação foi dispersa pela tropa de choque da polícia militar. Pelo o que vi, a maioria das notícias veiculadas sobre o assunto chamavam os moradores de vândalos, mas não questionavam a polícia.
Não quero legitimar uma violência por outra, mas entendo muito bem a revolta desses moradores. Pelo histórico de parte de nossa polícia (tortura, mortes, desaparecimentos, corrupção, enfim), há uma grande chance desse jovem ter sido executado. Isso sem um julgamento, sem que as supostas provas do suposto crime tenham sido analisadas por um juiz.
(Os ignorantes vão dizer que bandido tem que morrer mesmo e vão citar um comovente caso familiar como justificativa técnico-científica para isso, pedindo olho por olho, dente por dente. Para esses, nem vou gastar o dedo digitando que nossa lei não prevê pena de morte, nem execução sumária e que o Estado é o responsável pela vida e saúde das pessoas sob sua custódia – apenas não levar essa tarefa muito a sério.)
Indo nessa toada de direitos para uns, deveres para outros vai chegar o dia em que as “hordas” (como ouvi serem chamados os excluídos em uma rodinha de conversa da elite paulistana) vão se rebelar. E não vai ficar apenas nos três ônibus e uma barricada. Com toda a razão.
Autor: sakamoto - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Ouví dizer que todo mundo é inocente até que se prove o contrário. No caso, vc está julgando a polícia, mesmo sem provas. É completamente absurdo, mas ainda assim possível, que o vagabundo tenha feito o que disseram que ele fez. Você, que cita tanto a lei, deveria se ater mais a ela no todo, e não somente nas partes que lhe interessa. Não decaia, sensacionalismo barato faz dinheiro, mas envergonha a qualquer um que tenha ética. Você não sente isso?
Siboba,
Só mais algumas perguntas: quem é que sabe se o rapaz enforcado é traficante? O crime foi julgado? Transitou em julgado? Existe alguma lei brasileira, promulgada de forma democrática, que permita pena de morte em celas?
Acho que uma pessoa de bom senso daria o benefício da dúvida ao acusado de se enforcar com um cordão de sapato.
Sair apontando o dedo para as pessoas é que me parece um comportamento típico de criança mimada.
Bandido bom é bandido morto,nao importa quem matou!
Amanda, seu comentário:
“quem é que sabe se o rapaz enforcado é traficante? O crime foi julgado?”
O CARA FOI PRESO EM FLAGRANTE. PORTANDO DROGAS E DINHEIRO.
Isso responde sua pergunta? Pronto. Falei.
Profecia: Você continuará defendendo traficantes somente até o dia em que um deles (ou um comprador) enfie uma arma na sua cabeça ou na cabeça de alguém da sua família e puxe o gatilho. ele vai pra casa fumar mais um e dormir. E você? Dói mais quando acontece com a gente.
Isso responde sua pergunta? Pronto. Falei.
Vejo aqui uma sucessão de erros, pré-julgamentos e discussão que não leva a lugar algum. As Leis existem para serem cumpridas, certo? Se a lei está errada, que mudem a lei. Portanto:
- Policiais não podem matar, a não ser em casos extremos de legítima defesa etc. Infelizmente (para alguns) as pessoas de bem tem que se comportar um pouquinho melhor do que os marginais/traficantes e não ficar se justificando em cima do erro deles para também cometerem delitos.
- Temos certeza de que foram os policiais que mataram? Não, sem um laudo pericial. Pré julgá-los TAMBÉM é um erro.
- Temos certeza de que o cara preso era um marginal? Também não. Infelizmente, a perda de credibilidade na polícia é tamanha, casos e mais casos em que se “plantam” flagrantes, casos de truculência explícita, já nos fazem desconfiar de tudo que é dito.
- Vai se chegar a algum lugar enquanto as pessoas se dividirem em dois “times”: um sempre a favor do mais fraco (seja ele marginal ou não) e outro sempre a favor das pessoas de bem, que pagam seus impostos e ignoram solenemente a pobreza das comunidades????
esse pessoal q defende esses marginais(policia) nao devem saber o risco q e` entrar numa delegacia ou ser abordados por essa gente de salario miseravel ate o dia q acontecer com eles
valter
Valter:
Isso mesmo! Assim quando te assaltarem, sequestrarem ou estuprarem você ou alguém da sua família, você vai lá e chama o traficante chefe da favela mais próxima, ok? Pronto. Falei.
Quem estiver com muita dó do bandido que se enforcou ou foi enforcado, não importa, na cadeia, nós conseguimos um outro traficante para viciar o filho dele e leva-lo para o inferno. Quem defende terrorista, terrorista é.
Só para filosofar…como estaria a segurança da população sem a ROTA pegando firme nas ruas contra a bandidagem?
Criticar a polícia é fácil, mas segurar esse crime organizado, violento, covarde e desumano não pode ser feito com a delicadeza que estes esquerdopatas defensores de direitos humanos de bandidos querem! É uma guerra diária!
De que lado está o dono desse blog ?
Somente nos casos onde houve abuso da polícia contra inocentes, de forma clara e com provas deveria haver comoção!
huk:
Ele nunca vai comentar sobre os bandidos que flagelam a sociedade. Ele só vai comentar quando acontecer o contrário. E como disse o Claudio-Curto e Grosso: Quem defende terrorista, terrorista é. Alguém tire nossos generais do coma, por favor? Pronto. Falei.
Sakamoto
Antes de vc nascer já se conta uma historia de um jornalista que disse ao governador da época que sempre falaria bem de seu governo, mas reservaria o direito de sempre falar mal da policia.
Eu não gostaria de opinar, mesmo porque pelo número de comentarístas, trinta e poucos, o assunto é de segurança pessoal, mas como tenho filho moço que gosta de sair à noite, eu sempre lhe digo;
Lembre-se filho que hoje em dia, todos nós temos dois toques de recolher que são:
1- Dos bandidos que querem assaltar à noite e a vida das pessoal pouco ou nada vale prá eles.
2-Da polícia porque na sua testa não está escrito que você é um cidadão de bem, que respeita e cumpre as leis e é trabalhador e como um policial pode advinhar quem és tu?
Depois do erro cometido, os prejuizos já são concretos e quem vai pagar por eles?
Até aí, sua vida e seus direitos de cidadão já eram, pois nem vivo talvez voce esteja.
Quem está na rua, fóra de casa portanto, está com a expectativa de vida bastante reduzida e do mesmo modo, seus direitos constitucionais de IR E VIR.
Só depois que o fato se consumou é que vão se lembrar que seus direitos de cidadão garantidos pela constituição foram ultrajados, mas aí já é tarde.
Na verdade poucos sabem direito onde termina e onde começam os direitos do cidadão, nem mesmo as autoridades, muito menos os bandidos.
Seu texto e comentário são pertinentes com a situação da sociedade atual, seja de indivíduos ricos ou pobres.
O ENCOBRIMENTO DO CRIME
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Heitor De Paola
Deparei-me na página de “Opinião” do O Globo do dia 02/06 com o artigo de Cláudio Beato e Felipe Zilli, pesquisadores do Centro de Estudos em Criminalidade e Segurança Pública da UFMG com o título “A estrutura do crime”.
Os autores perguntam se é possível identificar padrões e dinâmicas comuns ao processo de evolução das atividades criminosas, e logo respondem que, partindo do estudo de casos do Rio e outras metrópoles, podem ser identificadas algumas regularidades e detectados quatro estágios: num primeiro haveria uma lógica mais societária do que econômica, determinando uma forma anárquica, ainda não organizada no segundo, descreveram intensa competição entre grupos com utilização em massa de armas de fogo e entrada em cena do “policial violento e corrupto”. Também seriam refeitas antigas alianças para “proteção dentro das prisões”. No terceiro estágio há o predomínio de alguns grupos sobre outros, expansão das atividades comerciais em direção a outros tipos de atividades ilegais é o momento do ingresso das milícias no cenário. No último estágio reinaria o crime organizado globalizado e de inserção internacional, nos moldes da Máfia. Até aí, tudo bem, parece que estamos frente a um sério estudo acadêmico com o qual podemos divergir, mas reconhecer que é válido.
No entanto, esperava mais de um texto de dois acadêmicos, no mínimo o de apontar as mudanças ocorridas na estrutura política, e nas atividades criminosas que seriam responsáveis pela evolução entre as fases. Os autores apontam a década de 80 como o momento em que se iniciou a transição da fase 1 para a 2 no Rio de Janeiro, a fase de “estruturação das atividades e dos grupos criminosos”, da entrada em cena do “policial violento e corrupto” e do “upgrade no sistema prisional” (sic). Uma das características foi a formação de estruturas criminosas mais hierarquizadas como o Comando Vermelho, o Terceiro Comando Puro e o Primeiro Comando da Capital, denominados “estruturas de proteção dentro das prisões”.
Dito desta forma parece que a violência começou gratuitamente por parte dos policiais “violentos e corruptos” e autoridades carcerárias, contra as quais os bandidos, pobres vítimas indefesas, tiveram que formar quadrilhas para se defender. Mas, o que ocorreu na década anterior e no início daquela década, especificamente no Rio?
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Na década de 70 a co-habitação de presos políticos com presos comuns resultou num conluio explosivo: os primeiros ensinaram aos segundos as táticas de guerrilha aprendidas em Cuba e outros paraísos comunistas, preparando-os, portanto, como seus legítimos sucessores, o que incluía aulas de organização revolucionária para a formação de quadrilhas mais eficientes. Isto explica a transição de “uma forma anárquica” para uma estrutura organizada nos moldes das organizações revolucionárias. Certamente, como conseqüência, ocorreu o aumento da violência dentro das prisões, o que motivou o necessário “upgrade do sistema prisional”.
Na década de oitenta em todo país fervilhavam as campanhas para a anistia ampla, geral e irrestrita – como veríamos mais tarde, só para um dos lados – e das “Diretas Já”. Além disto, especificamente no Rio, assumia o Governo do Estado Leonel Brizola com seu “socialismo moreno”, os policiais viraram marginais e os bandidos viraram pobres vítimas. Os primeiros tiveram seu salário achatado, proporcionando o aumento da corrupção que, retrospectivamente, foi acusada de causa das medidas contra a polícia, precisavam complementar o combustível e pagar o conserto de viaturas decrépitas, e portavam armas enferrujadas. Estavam impedidos de subir os morros e qualquer atitude mais agressiva em relação aos bandidos dava inquérito na Comissão de Direitos Humanos e geralmente demissão. Face ao total descalabro um policial me disse em 1983, profeticamente: “moço, em pouco tempo eles (os bandidos) vão dominar toda a cidade”.
Não é natural que tenha havido a transição para o segundo estágio?
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Sem pretender esmiuçar o texto todo mencionarei apenas alguns outros pontos. Para os autores o Rio estaria hoje na transição para o terceiro. A descrição deste estágio é, mais uma vez, irrefutável: expansão das atividades comerciais para além do narcotráfico, para itens como “gatos” (ligações clandestinas de luz e água), venda informal de serviços públicos, provisão de bens e serviços, ingresso das milícias no cenário buscando a reorganização das atividades em outro patamar. E aí vem mais uma pérola: “No caso colombiano, foram os paramilitares que cumpriram este papel!”. Ou a ocultação da verdadeira pérola, as FARC? Para estes “especialistas” em criminalidade e segurança pública uma guerrilha de narcotraficantes de importância, magnitude e abrangência continental não existe! Nem lá na Colômbia, que dirá de sua influência direta no Brasil, apesar de Fernandinho Beira-Mar tê-la mencionado publicamente. Um bandido denuncia uma organização responsável pelo tráfico de drogas e de armas para o Brasil e os “especialistas” nem tomam conhecimento? Seria, no mínimo, espantoso, tamanha incompetência, se não soubéssemos claramente que sua função não é pesquisar, mas encobrir os verdadeiros criminosos!
Mais uma vez os autores dizem corretamente que “cada fase merece um tipo específico de intervenção”. O que recomendam para impedir a progressão para o último estágio (crime organizado globalizado e de inserção internacional, nos moldes da máfia ou dos cartéis internacionais)? A “adoção de estratégias visando ao restabelecimento da ordem, com a total erradicação das armas de fogo e retomada de territórios”. Claro, o desarmamento da população de bem!
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Existem textos que parecem ter vida própria e se recusam a permanecer no baú. Porém, quê fazer se a inversão da história continua a mesma? Refiro-me a um artigo já antigo de quase 8 anos, Um Dia de Chumbo, que re-apresentei em abril de 2006 e que sugiro aos leitores novamente. Nele faço algumas observações ainda atualíssimas.
A máquina de produção de mentiras históricas precisa permanentemente falsificá-la – como no Ministério da Verdade, de Orwell – e um dos métodos mais eficientes é a inversão de causa e efeito: conta-se a história sem ocultar nenhum fato, mas ao ser invertida a origem, toda a série posterior será contada ao revés. A causa primeira para o reconto revolucionário da história brasileira, no caso em apreço, anterior a tudo isto, está em 1964.
Ensine-se a um adolescente que naquele ano, militares furibundos, sem provocação nenhuma, acabaram pelas armas a maravilhosa democracia em que vivia o país e que, por esta razão, começaram os protestos pela volta à democracia que estes foram violentamente reprimidos em 68 e, por esta razão, começou a reação armada contra o regime que os protestos populares contra uma ditadura cruel aumentaram de intensidade e, por esta razão, ocorreu a democratização à revelia dos militares. Dadas estas premissas, delas decorre automaticamente que a população carcerária era constituída de vítimas de policiais “violentos e corruptos” oriundos dos “porões da ditadura”.
Não conheço os autores e, portanto, duas hipóteses me ocorrem: ou são jovens que desde os primeiros cursos, passando pelo segundo grau aprenderam esta história invertida e, obviamente, é natural que ao realizarem suas pesquisas completem a série ao revés automaticamente, pois é tudo o que conhecem ou então, sabem bem que estão mentindo e funcionam plenamente dentro do duplipensar revolucionário e, por via de dissonância cognitiva, acreditam nas duas versões e utilizam a que melhor preenche as diretivas revolucionárias explícitas ou implícitas na universidade e na mídia. Sabem que se não repetirem a versão oficial falsa serão relegados ao ostracismo acadêmico e midiático e perderão seus empregos, prestígio e arruinarão suas vidas. É claro que isto não os exime de culpa pelo que deveria ser o verdadeiro título de seu artigo: O Encobrimento do Crime!
tudo sobre a ditabranda “ditadura”:
http://www.bolsonaro.com.br/jair/
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk q burro rs