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27/03/2009 - 21:57

Free Eliana! É o instinto de autopreservação da elite

Belém - Um amigo jornalista que está acompanhando a prisão/soltura da dona da Daslu, Eliane Tranchesi, (condenada em primeira instância a 94 anos de cadeia por sonegação e outros crimes financeiros) me encaminhou o e-mail abaixo (em itálico). Ele – o e-mail, não meu amigo – está circulando entre a alta classe paulistana.

Queridos amigos ,

Gostaria de convidá-los a se juntarem à corrente FREE ELIANA, um movimento que criei a favor da libertação e contra a condenação da nossa amiga Eliana Tranchesi. Podemos contribuir com força e energia positiva . Usem FREE ELIANA no status de vocês em redes sociais e coloquem o laço da esperança em seus blogs, perfis pessoais do MSN, Twitter, Facebook, Orkut, Hi5,  e outras redes sociais em que estiverem presentes.
Passem essa corrente para os amigos de vocês também.

Agradeço muito o apoio de TODOS vocês.

Beijos.

Free Eliana? Laço da esperança? Fala sério! Olha, façamos o seguinte: eu vou roubar dinheiro de um escola ou de um hospital públicos (na prática, sonegação de milhões em impostos é isso) e, quando (e se) for preso, também quero uma campanha ”Sakamoto Esperança”, pela minha soltura imediata.

Por muito menos, tem gente (doente ou não) que vai preso por roubar xampu e só consegue ser solto anos depois. Alguém pergunte para o Dr. Dráuzio Varella quantos pacientes HIV positivo à beira da morte ele tinha no Carandiru. Não quero parecer insensível, entendo as circunstâncias, mas esse “dois pesos, duas medidas” me mata.

Servidores públicos, cumprindo as suas obrigações previstas em lei, fazem uma diligência surpresa e constatam que as denúncias que haviam recebido sobre as irregularidades eram procedentes. Ou condenam os acusados. Estes, proprietários – ricos e respeitados, bem relacionados nas cúpulas do poder – reclamam do tratamento “violento” que teriam recebido da Polícia Federal ou da Justiça.

Logo em seguida, surgem reclamações de políticos, pessoas influentes, juristas, corneteiros de luxo em geral: “Os investimentos estrangeiros vão secar com esse tipo de fiscalização/condenação”, dizem uns. “É um ultraje contra o setor que gera empregos”, bradam outros. Surge pressão para que o governo federal afrouxe as decisões (afinal de contas, é impossível ser um fiel cumpridor da lei nesse país, não é?).

Federações patronais reclamam no Congresso contra os desmandos do poder público, manifestam apoio aos proprietários da empresa e tentam até realizar uma passeata em prol da “legalidade”. Alguns jornalistas e veículos de comunicação defendem que a violência perpetrada tem cunho político para desviar o foco da crise. 

Lembro que o finado senador Antônio Carlos Magalhães (DEM-BA) e o então prefeito José Serra (PSDB-SP), entre outros, saíram em defesa de Eliane Tranchesi durante a Operação Narciso. Pressionaram o governo federal, reclamando de que a ação viria da revanche do governo petista. Políticos encheram o ouvido do então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos (que, agora, está defendendo a Camargo Corrêa contra a Polícia Federal – irônico o que o “profissionalismo” não faz, não?)

Em São Paulo, a toda-poderosa Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) saiu em defesa da Daslu através do seu dirigente Paulo Skaf e ensaiou uma manifestação de protesto. Ressaltou-se que a empresa gera empregos e contribui para o desenvolvimento da região. Empresários lembraram que fiscalizações como essa afugentariam possíveis investidores. Os defensores da Daslu disseram que é impossível pagar todos os impostos.

A elite assume um papelzinho mais ridículo do que de costume quando se sente acuada. E o instinto de autopreservação, desenvolvido ao longo de séculos de Casa-grande e Senzala, surge de forma semelhante em ambientes tão diferentes como os cabides da Vila Olímpia, as usinas de cana de Pernambuco, as minas do Pará. 

Exposta a uma situação que considera de risco à sua posição hegemônica na sociedade, essa elite esquece que tanto a utilização de mão-de-obra escrava, em vez da assalariada, quanto a sonegação de impostos representa concorrência desleal. Acha normal que Tranchesi passava a perna no empresário ao lado e lucra cometendo um crime. Afinal, ela é hype. É uma das nossas.

Ao cobrar que a lei seja totalmente aplicada, os bons empresários estão apenas tomando conta de seus investimentos. Quem não faz isso atua em um corporativismo burro achando que é sua “classe social” que está sendo ameaçada (e, como empresário, perde dinheiro com isso).

Ou faz isso como medida preventiva. Até para evitar devassas na contabilidade ou a verificação da condição social de seus empregados no futuro…

Autor: sakamoto - Categoria(s): Sem categoria Tags:

65 comentários para “Free Eliana! É o instinto de autopreservação da elite”

  1. João Paulo Rodrigues disse:

    Free Law Kin Chon!!!

  2. coiote disse:

    Quando os pTRALAS como dalubio,josé dirceu,silvinho landrover etc etc.já tinham em posse uma liminar da justiça lhe dando o direito de mentir ou ficar calado que ninguem lhes podia dar voz de prisao., quando foram ao congresso depor sobre o mensalao.Em contrapartida para prender a dona da daslu foram 250 egentes federais, como se um grande grupo de terroristas estivessem intrincheirados e resistindo á policia.Que é isso?e com a rede globo acompanhando,para desviar a atençao.das maracutaias do governo.Nunca se viu a policia federal ao serviço de um partido como está acontecendo atualmente.

  3. Schweinjäger disse:

    A Suzanne poderia estar em pé de igualdade com a Eliana. Bastaria matar também os avós, o irmão, a mãe e o pai do namorado e após condenação de mais de 100 anos pela multiplicidade de homicídios, reincidir nos homicídios matando mais uns 50. Somadas as penas dariam uns mil anos. FREE SUZANNE! Die gedanken sind frei!

  4. Anônimo disse:

    DURA LEX, SED LEX…A lei é dura, mas que se CUMPRA… pelo menos TEORICAMENTE, pois essas penas longuissimas são meramente matemáticas, pela soma das penalidades de acordo com os delitos praticados… porém no Brasil, na PRÁTICA, o máximo que se pode cumprir são 30 anos, e mais em casos de homicídio doloso multiplamente qualificado, e que podem ainda ser atenuados no decorrer do cumprimento da pena. Para mim, soa a HIPOCRISIA no proferimento de sentenças de tais casos, como o de sonegadores e contrabandistas. Mas vale destacar que esses crimes de sonegação também não deixam de ser cruéis por deixarem de direcionar verbas em benefício da sociedade e da população carente(se bem que os DESVIOS dessas verbas para bolsos ALHEIOS sejam MUITO MAIS cruéis), Mas ainda hordas de bandidos cruéis e desumanos que utilizam a VIOLENCIA contra a PESSOA, infelizmente agem muito mais à vontade contra a nossa sociedade, continuando IMPUNES pelas ruas de nossas cidades, ARRASANDO com a vida de muitas famílias…

  5. patricia disse:

    A ganância pelo dinheiro fez deste país o maior antro de bandidos e quadrilhas de luxo. Infelizmente , hoje em dia, se vc paga impostos e anda de acordo com a lei, é taxado de BABACA e BURRO!!!!
    O problema maior esta quando as pessoas acreditam que um crime justifica o outro…não é pq fulano de tal matou, estuprou ou o governo roubou, que contrabando não é crime tb!!!
    A Eliane sabia muuuuuuito bem o que estava fazendo e quais seriam as consequências, mas de fato, nunca acreditou que com tanto bandido solto fossem começar a captura logo por ela!!!

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