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26/02/2009 - 00:43

Gilmar Mendes, o MST e o uso do dinheiro público

Eu deixei de me espantar quando o presidente do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes faz declarações públicas que não condizem com a discrição que exige seu cargo. Dessa vez, por conta de um confronto que resultou na morte de seguranças de uma fazenda em Pernambuco (os sem-terra alegam legítima defesa), ele criticou o repasse de recursos públicos a entidades que atuam na luta pela terra.

“Financiamento público de movimentos que cometem ilícito é ilegal, é ilegítimo. Que o Ministério Publico tome providencias para verificar se não há financiamento ilícito a estas instituições”, disse Mendes.

Interessante a indignação do magistrado só ter surgido agora. Por que ele não veio a público dizer o mesmo nas centenas de vezes em que ocorreu o contrário, quando grandes empresas e fazendeiros, que receberam recursos públicos do BNDES, Banco da Amazônia, Banco do Nordeste, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, entre outros, estiveram envolvidos direta ou indiretamente com a morte de centenas de trabalhadores rurais, sindicalistas e missionários, com a contaminação e destruição do meio ambiente, o trabalho escravo e o infantil, a expulsão de comunidades tradicionais de suas terras, a grilagem de terras, a corrupção de políticos e de funcionários públicos? Será que é pelo fato de que, no Brasil, boa parte do Poder Judiciário age com dois pesos e duas medidas, para ricos e pobres?

Qualquer assassinato tem que ser desvendado, seja quem for o autor ou a vítima. Portanto, espero que os crimes em Pernambuco sejam resolvidos e condenados os culpados ou absolvidos os inocentes. A sacanagem é usar o caso como chantagem ou justificativa para recomeçar uma caça às bruxas, semelhante ao que se tentou fazer na CPI da Terra anos atrás. Fazem parecer que os recursos repassados a entidades sociais no campo são usados para fazer ocupações e orgias, ignorando o desenvolvimento em educação e tecnologia rurais obtidos em pequenas comunidades com esses investimentos nos últimos anos. E ignorando que sem a pressão dos movimentos sociais, o pouco de reforma agrária que ocorreu nem teria sido realizada.

Ah, mas pelo menos, uma coisa boa surge disso tudo. Se Gilmar Mendes for um homem coerente – e acredito que seja – a sua indignação pública contra os sem-terra indica que o ministro também será favorável a qualquer mecanismo de bloqueio de crédito e financiamento públicos a empresas e fazendeiros que cometam crimes como o desmatamento ilegal ou qualquer outro que enumerei acima. O que ele disse nesta quarta – “Que o Ministério Publico tome providencias para verificar se não há financiamento ilícito a estas instituições” – serve também para isso.

E urgente, pois qualquer passarinho sabe que, desde a fundação da nação, dinheiro público é entregue às mãos de expoentes do poder econômico privado (de latifundiários, passando por industriais ao setor de serviços), que cometem sérias delinquências, impunemente.

PS: Apenas para informar: alguns leitores publicaram comentários como se fossem este autor. É engraçado ver vários Sakamotos participando do debate, com diferentes personalidades. Mas quem acompanha este blog sabe que prefiro responder aos leitores nos próprios posts, dando destaque à sua participação.

Autor: sakamoto - Categoria(s): Sem categoria Tags:

245 comentários para “Gilmar Mendes, o MST e o uso do dinheiro público”

  1. Marcio disse:

    Sakamoto
    O problema é que o repasse de verbas públicas ao pessoal do MST, não significa simplesmente uma luta racial, ou melhor como vc mesmo colocou, uma luta entre ricos e pobres. Essa separação, ou essa luta racial, é POLÍTICA, é IDEOLÓGICA e portanto deve ser combatida sim. Vivemos numa democracia, e lutas raciais, em última instância significa opressão, e por vivermos num país capitalista (supôe-se) temos liberdade para conquistar nosso espaço, ou seja: Quem quer ser rico, deve empreender, deve trabalhar e estudar. Você poderia me perguntar: Mas quem consegue isso? Se não consegue, é culpa estritamente do governo. O Estado deve promover EDUCAÇÃO e EMPREGO para todos. Isso aqui ainda não é um país totalitário como Venezuela, Cuba ou Russia.

  2. Anderson Flores disse:

    Realmente temos liberdade para aproveitarmos as oportunidades que o MARAVILHOSO capitalismo nos oferece…
    por exemplo: a liberdade de poder acreditar em um aparato midiático sustentado pelos grandes aglomerados empresariais e capitalistas, por um governo ocupado basicamente por pessoas oriundas dos grandes proprietários… bom o governo é ocupado por pessoas estritamente ligadas ao poder econômico e alguns dizem que o que acontece é culpa do governo, então…
    viva a liberdade do capital!!!!kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  3. eu disse:

    vai toma nos seus cuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu bando de filas das putas

  4. rodrigo disse:

    pq vc nao calça umas botinas e experienta fazer um pouco de calos nas maos lidando em uma propriedade produtiva por aí… aí vc volta e vê se consegue disparar impropriedades contra a classe ruralista depois de ver como as coisas sao dificeis no campo… tem gente que esta quase pagando pra produzir rapaz…. e se vc esta com o mst é pq vc é mais um zé mané que nao sabe de onde vem a comida que enche sua barriga todo dia.

  5. rodrigo disse:

    e desculpe pela grosseria

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