A “Ditabranda” Militar (1964-1985)
No editorial de 17 de fevereiro, o jornal Folha de S. Paulo deu uma mancada sem tamanho ao chamar a última ditadura brasileira (1964-1985) de “ditabranda”. O objetivo era criticar o presidente Hugo Chávez e sua recente vitória política obtida através de plebiscito que lhe deu a possibilidade de disputar mais um mandato em 2012. A idéia era fazer um contraponto com os regimes da década de 70 e 80 na América Latina para afirmar que a situação na Venezuela de hoje é muito pior. Segue o trecho em questão:
Outra diferença em relação ao referendo de 2007 é que Chávez, agora vitorioso, não está disposto a reapresentar a consulta popular. Agiria desse modo apenas em caso de nova derrota. Tamanha margem de arbítrio para manipular as regras do jogo é típica de regimes autoritários compelidos a satisfazer o público doméstico, e o externo, com certo nível de competição eleitoral. Mas, se as chamadas “ditabrandas” -caso do Brasil entre 1964 e 1985- partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça-, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso. O líder eleito mina as instituições e os controles democráticos por dentro, paulatinamente.
Para ler a íntegra do editorial (para assinantes) clique aqui.
É claro que muitos leitores criticaram o termo usado, uma afronta à história e à memória das centenas que foram mortos e acabaram desaparecidos pelas mãos da Gloriosa. Entre os que se indignaram com a “ditabranda”, algumas personalidades, como os professores Fábio Konder Comparato e Maria Victoria Benevides, cuja carta publicada pelo jornal eu posto abaixo:
Mas o que é isso? Que infâmia é essa de chamar os anos terríveis da repressão de “ditabranda”? Quando se trata de violação de direitos humanos, a medida é uma só: a dignidade de cada um e de todos, sem comparar “importâncias” e estatísticas. Pelo mesmo critério do editorial da Folha, poderíamos dizer que a escravidão no Brasil foi “doce” se comparada com a de outros países, porque aqui a casa-grande estabelecia laços íntimos com a senzala -que horror!
No dia 20 de fevereiro, ao comentar as cartas, o jornal trouxe esta pérola:
Nota da Redação – A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações acima. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua “indignação” é obviamente cínica e mentirosa.
Isso me lembra aquele velho ditado o futebol: a melhor defesa é o ataque… Hoje, o ombudsman criticou a resposta do jornal, ainda que de forma tímida:
Já me referi aqui ao escopo do trabalho do ombudsman, que não abarca as opiniões publicadas pelo jornal, em editoriais, colunas ou artigos. (…) Um editorial com referência ao regime militar brasileiro provocou cartas publicadas no “Painel do Leitor”. Resposta da Redação a duas delas na sexta foge do padrão de cordialidade que julgo essencial o jornal manter com seus leitores.
Isso tudo originou um abaixo-assinado de repúdio ao editorial da Folha e de solidariedade a Comparato e Benevides, cuja adesão pode ser feita por este link. Entre os que assinam estão Antonio Candido, Goffredo da Silva Telles Júnior e Margarida Genevois. Segue o texto:
Ante a viva lembrança da dura e permanente violência desencadeada pelo regime militar de 1964, os abaixo-assinados manifestam seu mais firme e veemente repúdio a arbitrária e inverídica revisão histórica contida no editorial da Folha de S.Paulo do dia 17 de fevereiro de 2009. Ao denominar ditabranda o regime político vigente no Brasil de 1964 a 1985, a direção editorial do jornal insulta e avilta a memória dos muitos brasileiros e brasileiras que lutaram pela redemocratização do pais. Perseguições, prisões iníquas, torturas, assassinatos, suicídios forjados e execuções sumárias foram crimes corriqueiramente praticados pela ditadura militar no período mais longo e sombrio da história política brasileira. O estelionato semântico manifesto pelo neologismo ditabranda e, a rigor, uma fraudulenta revisão histórica forjada por uma minoria que se beneficiou da suspensão das liberdades e direitos democráticos no pos-1964.
Repudiamos, de forma igualmente firme e contundente, a Nota de redação, publicada pelo jornal em 20 de fevereiro (p. 3) em resposta as cartas enviadas a Painel do Leitor pelos professores Maria Victória de Mesquita Benevides e Fabio Konder Comparato. Sem razões ou argumentos, a Folha de S.Paulo perpetrou ataques ignominiosos, arbitrários e irresponsáveis a atuação desses dois combativos acadêmicos e intelectuais brasileiros. Assim, vimos manifestar-lhes nosso irrestrito apoio e solidariedade ante as insólitas críticas pessoais e políticas contidas na infamante nota da direção editorial do jornal. Pela luta pertinaz e consequente em defesa dos direitos humanos, Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato merecem o reconhecimento e o respeito de todo o povo brasileiro.
É interessante como o maior jornal do país, com uma besteira dessas, acaba menosprezando a própria campanha pelas eleições diretas e contra a ditadura que ele abraçou e lhe trouxe prestígio em meados dos anos 80. A Folha pode ter opinião e deve deixá-la claro para os seus leitores. Mas, por favor, sem atentar contra nossa inteligência e mantendo um mínimo de educação.
Autor: sakamoto - Categoria(s): Sem categoria Tags:
grande Fernandão! continue descendo a lenha nesse monte de petistas que usam a teoria da turma do DIDI -ditadura de direita é do mal mas ditadura de esquerda e sua montanha de cadáveres é do BEM -bando de patrulheiros.
ditadura brasileira- 434 mortos
ditadura cubana-10000 mortos
China-60000000 mortos
sacanear esquedista matador de aula , de boina e barbichinha -não tem preço!
Pelo menos deta vez a Folha está sendo coerente.Arranca a máscara de “progressista de tendencia centro esquerdista” e defende o periodo em que mais cresceu e mais praticou o sabujismo.Em suma, pelo menos desta vez, não “gospe no prato que comeu”, pelo contrário declara nostalgicamente apreço pela DITABRANDA!!!
Na verdade Sakamoto,para voce e a “companheirada” petista,ditadura quando é de esquerda passa a ser “legitima”(cubana,russa,venezuelana,etc…).Quantas pessoas a ditadura castrista já matou em 50 anos!) e a russa? voce acha que quem defende essa corja tem moral pra tecer alguma critica? um lembrete para o senhor: O goveno de HITLER era extremamente plebiscitário.Lula e o PT também são chegados a um plebiscito.
este pais está perigoso.
A UNE é curral do PT
As ONGs não sobreviveriam a uma auditoria
O governo deporta os cubanos que fogem da ditadura
O ministro indigente dá refúgio para terrorista
o filho do cachaceiro passeia em avião oficial com os amigos
a ministra “betty a feia reloaded” quer a presidência
O “nunca na istória dece paiz” paga pau para o MST
uns blogs operando para o governo no campinho de várzea da internet
estamos perto da ditadura bananeira
e pensar que minha mãe nasceu analfabeta
O que mais me alegra é que essa direitada toda deve estar morrendo de raiva com o Lula em 84% de popularidade. Mesmo que caia um pouco é bem maior que o FHC Boca de Sovaco já almejou.
Morram e raiva. Hahahahahahahahahaha. Chupa direitada suja!
A ‘Folha’ é hipócrita. Condena a ‘Ditadura’ cubana, enquanto defende a Ditadura Militar brasileiral.
E a ‘Folha’ também esconde que o fechamento do regime cubano ocorreu em função dos ataques, agressões e violências cometidas pelo criminoso Império norte-americano contra a pequena e pobre Cuba.
Parece que a ‘Folha’ e os que a defendem nunca ouviram falar da invasão da Baía dos Porcos, organizada e financiada pela CIA, do Bloqueio Econômico, da ‘Operação Moongoose’ (através da qual a CIA realizava inúmeros atentados terroristas contra instalações importantes de Cuba, tentava matar os governantes do país, sabotava a economia cubana, etc).
Se não fosse pelas agressões norte-americanas, Cuba teria se mantido como um regime aberto e democrático.
As potências européias mataram 100 milhões de nativos americanos apenas nos primeiros 100 anos de colonização da América.
Na África, calcula-se entre 400 e 600 milhões de mortos depois que as potências européias iniciaram a conquista e colonização do continente, a partir do século XV e até os dias atuais.
Em termos de crimes e atrocidades, o Capitalismo é insuperável.
É verdade, qualquer maltrato a um ser é horrível. Mas quando se trata de comparar, existe o mais HORRÍVEL. Estes mesmos que acham que o que acontece em CUBA nem é “horrível” são aqueles que viviam fazendo greves, roubando, matando, sequestrando e ainda hoje continuam enganando o povo com esmolas. O marolinha e sua cambada de larápios da nação que são os verdadeiros DITADORES. “DITAM” uma nova ordem de protecionismo em que os maiores beneficiados são eles mesmos. Chega de falso moralismo. Morreu quem tinha que morrer, pena que outros nãop foram juntos.
Nossa!!!
Que festival de ignorância!
Na falta de argumentos inteligentes, o jeito é tergiversar.
Quem aqui defendeu ditaduras “de esquerda”?
Desde quando dois errados fazem um certo?
Esses lambe-botas são muito piores do que eu imaginava!
Ditadura é ditadura de direita ou esquerda.Engraçado todos falam dochaves.Por qye não falam do rei da Arabia Saudita, dos Emirados Arabes , de Dubai etc…etc…etc..
Vim no blog desse Sakamoto Petralha apenas para dar a boa nova: todos os pseudo intelectuais petistas vão cancelar suas assinaturas da folha de São Paulo e não vão mais opinar no periódico ,teremos um Jornal mais limpo , mais decente .é a glória!
É pau
é pedra,
é Folha,
é o fim do mundo ou do caminho?
por causa desta “ditabranda”, o brasil amarga uns cinquenta anos de atraso.
a “ditabranda”´é uma página negra na nossa história,e , se o brasil fosse sério, muitos daqueles que a comandaram deveriam estar atras das grades por crime de alta traição à pátria.
SAKAMOTO TÁ MAIS PRA KAGAMOTO, SÓ FALA MERDA HEIN??? FUCK COMMIES!!
Não vou entrar em polemica. Tenho 47 anos, vivi os anos Medici,
Geisel e Figueiredo. Ditadura com alternancia de pessoas, elei-
ções, poder judiciario civil funcionando é no minimo estranho.
Ou o que vi não era ditadura ou os regimes de Fidel, Stalin etc. o
sao. Mas papel aceita tudo.
Caramba! Tantos brasileiros (200 ou mais!) morreram, tantos foram torturados, aquele mundo de exceção que vivemos de nada valeu, principalmente para os familiares das vítimas. Agora sou obrigado, como cidadão brasileiro, a babar pelas estatísticas que vem do não sei onde, e comparar com outros países e ditaduras… a NOSSA ditadura NUNCA FOI BRANDA COISA NENHUMA. Foi um atraso de vida e gerou uma desigualdade social que não tem tamanho. O exagero de babaquices aqui escritas prá dizer que nossa porcança é bem menor que a do vizinho é um absurdo. Vamos manter esse espaço para debates mais racionais. Lá nos blogs da veja, da época, do estadão há espaço sobrando prá xingar o Lula, o PT, o FHC, o PSDB (bem menos).
[...] e açougueiro de opositores, defende o termo “ditabranda” – o mesmo usado em editorial da Folha recentemente para caracterizar a última ditadura brasileira. Ele vem sendo reproduzido na [...]
Eu acho que essa confusão toda, Sakamoto, foi devido a um texto que tentou, de forma meio lúdica e extremamente errada, passar ao leitor que a ditadura no Brasil, quando comparada com outros países, não foi tão grave assim. Infelizmente, eles erram. Toda ditadura é igualmente grave, seja de esquerda ou de direita.
Para mim, o que o jornal fez até agora não foi tentar solucionar o erro, foi tentar desviar o foco da discussão.
[...] que os censores foram retirados de dentro de sua redação, o jornalão vem se atrapalhando com as coisas que publica e as medidas que adota. A última do jornal mais vendido do país foi a censura aos seus [...]