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05/01/2009 - 13:38

Ataques a Gaza: como se faz um genocídio

Concordo com os governos de Israel e dos Estados Unidos quando dizem que não há crise humanitária na faixa de Gaza. Uma situação de insuportável desrespeito aos direitos humanos já existia antes dos recentes bombardeios contra Gaza por causa do bloqueio decretado por Israel devido à eleição democrática do Hamas e o lançamento de foguetes contra seu território… e por aí vai. Voltando na história, esses tomaladacás vão até a partilha da Palestina há seis décadas.

Eu já havia escrito aqui que iríamos presenciar um massacre unilateral e não uma guerra – centenas de civis, inclusive mulheres e crianças, morreram nos últimos dias. Mas tendo em vista a intensidade e a forma dos ataques, o que estamos presenciando soa mais como (mais uma etapa do) genocídio do que crise humanitária.

Se de um lado, extremistas palestinos não aceitam a existência de Israel, do outro extremistas israelenses reivindicam Gaza e Cisjordânia como parte de seu território histórico. Para estes, árabes em geral são bem aceitos no seu território, desde que sirvam para mão-de-obra barata. A diferença entre esses dois grupos é que Israel tem poder de fogo para levar esse intento adiante, enquanto o outro lado não.

Porém, como um dos intentos do massacre é eleitoreiro, em alguma hora o governo israelense vai se dar por satisfeito. Para a tristeza da extrema direita, que gostaria de entregar aquelas terras a assentamentos judeus. O Kadima, partido de centro no poder em Israel, que corre o risco de ser vencido nas eleições gerais pelos conservadores, está usando o conflito para reverter as pesquisas. Se isso vai servir como o Iraque serviu para a administração Bush, ainda é uma incógnita.

O certo é que o islamismo radical sai mais forte do conflito do que entrou. Mesmo que a maioria dos seus líderes morram, surgirão outros, lembrando que as condições de vida em Gaza são uma mistura de uma favela com um campo de concentração, com crianças revoltadas diante de tanta violência social e física, prontas para serem cooptadas por grupos fundamentalistas. Quais as chances de jovens que viram seus pais, irmãs, namoradas serem mortos nos ataques de hoje não tentarem vingar suas mortes amanhã?

E a paz vai ficando mais distante.

PS: Em tempo: o pior dos extremismos religiosos, todos eles imbecis, é um terceiro, o cristão. A Idade Média, a Contra-Reforma e a Era Bush estão aí para provar. Prometo retomar isso em outro texto.

Autor: sakamoto - Categoria(s): Sem categoria Tags:

187 comentários para “Ataques a Gaza: como se faz um genocídio”

  1. Antonio Carlos disse:

    Sakamoto, gostaria de conhecer seu ponto de vista quando abordar o fundamentalismo cristão, a idade média, a contra-reforma e Bush. Acredito que não mencionou a Reforma por algum motivo.

  2. Wellington Trotta disse:

    Quanta falta de conhecimento histórico. Aliás, há uma confusão entre história e historiografia. História pode ser uma narrativa, enquanto historiografia é uma ciência que estuda o que chamamos de fato histórico. O Sr. Antônio Carlos está fazendo uma ligeira confusão quando analisa os fatos. Nos anos setenta o Estado de Israel foi liderado pelo primeiro-ministro Menahem Beguin, que por ironia foi terrorista nos anos trinta e quarenta do século XX, explodindo bombas em hotéis, matando mulheres, velhos e crianças: grande paladino da paz.
    Os sionistas não sabem trabalhar historicamente porque procuram confundir os dados para um melhor efeito junto ao público de boa fé, inclusive chamando todos os seus opositores de anti-semitas. Então sou anti-semita quando afirmo que o Estado de Israel tem postura nazista? Sou anti-semita quando digo que a ofensiva do Estado de Israel foi desproporcional a ofensiva do Hamas, que joga buscapé no seu território de origem? Sou anti-semita quando afirmo que a democracia israelense é uma ditadura sionista, pois pune os que não querem ir para a guerra e impede alguns deputados de origem árabe de participarem de algumas decisões políticas? Os sionistas usam óculos escuros quando discutem o real, invertem seus fundamentos e dizem o que querem.
    Meu caro Sr. Antônio Carlos. Se o exército estadunidense invadisse o território brasileiro e eu jogasse bomba em seus soldados ou nos cidadãos americanos que apóiam tal ofensiva, eu seria um terrorista ou um resistente? Vejam os sionistas. São intolerantes com todos os judeus que lhes são contrários, inclusive os perseguindo, fechando portas: democratas.
    Como já disse, na minha vida acadêmica conheci e conheço judeus que pensam muito diferente dos sionistas, muitos se posiciovam contrário as minhas ideias (normal), mas nunca com rancor e deseducadamente.
    Digo uma coisa: os sionistas são covardes. Caso não existissem os EUA e seu poderio bélico, creio que usariam mais o diálogo que a força bruta.
    Aliás, não sei o que faz um sionista no Brasil, deveria morar no Estado de Israel e apoiar sua política nazista de limpeza étnica.
    Viva Sakamoto.

  3. Elisabete disse:

    Acredito que o homem tem muito a aprender sobre si mesmo mas o dificil e entender o seu semelhante. Enquanto assistimos pela tv pessoas inocentes sendo mortas em nome da paz contra terroristas o capital especulador para todo o mundo deixando milhares de desempregados no mundo e aumentando a desigualdade social. com certeza surgiram outros grupos que iram perseguilos em suas casas e quando menos esperarem outras torres cairam e mais inocentes teram que morrer para medir a força de quem manda mais. O mal so existe para que o bem prevaleça e acridito que a palestina saira mais forte e capaz de reverter sua situação. Sou cristã então que Deus os proteja e continue dando coragem e dignidade aqueles que la sobrevivem a este massacre. E vc meu rapaz teoria é bonita quando se sabe o que diz ou ja vivenciou algo proximo quando não apenas respeite este povo digno e heroi para mim.

  4. João Silva disse:

    O caro Maurício, é pessoa muito inteligente…sabe muito de “estória”, bom mesmo era que se interessasse por descObrir um pouco mais da realidade contenporanêa…e como aqueles “tipos” da ONU, não serão todos antisionistas, é só ler as resoluções internacionais aprovadas e não respeitadas pela “Democracia” de Israel sobre o assunto…nomeadamente sobre o respeito das fronteiras defenidas internacionalmente.
    E quanto á História…parece que uma tribo terá vivido naquele local há 2000 anos, o que dá agora o direito aos seus herdeiros de reclamar essa terra…imagenemos que os romanos, sim os habitantes de Roma, decidiam reclamar toda a Europa, a qual ocuparam 1500 anos atráz…
    Ou até os “Portugas” reclamarem o Brasil que ocuparam há 500 anos…
    Seguindo a mesma lógica, né?…

  5. maurício disse:

    Para não ser desprorporcional , como propõe Wellington , Israel poderia lançar contra a população civil de Gaza 3200 foguetes -buscapés(correspondente ao que recebeu de presente a população judaica ) é um fanfarrão.Você deveria trabalhar com o patético Amorim no Itamaraty.
    Viva Sakapouco

  6. Adriano disse:

    Caro Sakamoto;

    A intensidade das manifestações aqui registradas só dão mais valor às suas considerações e ao peso de seu blog. Em breve registrarei aqui meu posicionamento sobre o tema.
    Grande abraço

  7. tchê disse:

    Acho que a analogia com foguetes busca-pés feita pelo Wellington é bem apropriada e se fôssemos a fundo na análise do resultado deste “bombardeio” sôbre Israel ele seria risível basta olhar o número de vítimas que resultaram desta “chuva” de mísseis como a imprensa costuma dizer.
    Diria mais, antigamente quando eu comprava bombinhas para estourá-las nas festas juninas, tinha uma que se chamava “peidinho de velha” é exatamente o que são os foguetes do hamas em comparação com as armas Israelenses (bombas de fósforo, bombas com fragmentos de tungstênio, bombas de fragmentação, etc..Todas proibidas por diversas convenções internacionais….).
    Os foguetes do Hamas não são direcionados, caem livremente quando acaba seu combustível.
    A maioria deles atinge o deserto.
    Ao contrário dos verdadeiros mísseis Israelenses e bombas de 1000 kg direcionadas por televisão ou préviamente programadas para atingir um ponto exato. As vítimas sáo certas e seu número é enorme, basta ver o resultado desta ofensiva contra o povo palestino que já fez mais de 1000 vítimas inocentes.
    Alguns chamam de covardia a atitude do Hamas, também acho.
    Mas como lutar contra um inimigo superior em tudo que seja instrumento de morte, armamentos e tecnologia para matar ?
    Satélites observando todos os movimentos dos palestinos, 24 horas por dia !?
    Como lutar contra um inimigo que tem como seu padrinho, financiador e incentivador a maior potência militar, tecnológica e econômica do planeta ?
    Se a luta fôsse justa os Israelenses lutariam-na ?
    Claro que não, voltariam a ser terroristas como nunca deixaram de ser, agora com outro nome: Sionistas Yankes.

  8. Ricardo disse:

    Tche. Gostei muito do seu primeiro comentario, onde diz que ambos sao culpados, tanto Israel quanto o Hamas, e que as unicas vitimas dessa guerra estao sendo os civis palestinos. Concordo plenamente.

    Porem nao concordo com seu ultimo comentario quando diz que os foguetes lancados pelo Hamas sao inofensivos… Realmente os estragos que eles causam sao pequenos, mas a intencao de quem os lanca sao de causar o maior estrago possivel, felizmente como eles dispoe apenas de armas rudimentares os estragos sao minimos.

    Ja pelo lado de Israel, nao acho que estejam certos de maneira alguma, mas me parece que aguentar constantes ataques contra seu pais e ter diversas tentativas de acordos frustradas acabam com a paciencia de qualquer um. Uma hora eles tinham que revidar. Segundo li, me parece que o objetivo é realmente exterminar os extremistas do Hamas e os tuneis que abastecem o pais de armas. O custo de disso, para horror de todos nos esta sendo as vidas de varios civis.

    Mas que eu saiba toda guerra causa perdas civis, principalmente as dentro de cidades, que a Africa conhece varias, ja que esta sempre involucrada em alguma guerra civil. Pelo mesmo nao acho que Israel seja mais ou menos culpado que qualquer outro pais envolvido em guerras, afinal quando dois nao querem, nao existe guerra…

    Comparar o sofrimento dos Palestinos com o de Israel no momento é impossivel, (apesar de que o povo Palestino mesmo quando nao em guerra ja sofre pelas mas condicoes de seu pais), mas ja era esperado, ja que de uma Guerra o unico que se pode obter é sofrimento, destruicao e geracoes traumatizadas pelo horror.

    No meu ponto de vista, o jeito mais facil de resolver esse conflito seria abrir as fronteiras e que os dois povos vivessem em harmonia e dividissem as terras em questao, ja que a tendencia mundial e que finalmente nos tornemos um so povo, globalizados, e nao varios povos como somos hoje. nao quero que a diversidade acabe, apenasque por nao pensarmos todos igual seja motivos de conflitos, precisamos apenas ser tolerantes com o diferente, na essencia somos todos a mesma raca, o mesmo tipo de ser….

    Espero que um dia aceitemos isso e que todos vivamos em paz.

    ALL WE NEED IS LOVE… ja dizia um grande poeta dos nossos tempos.

    Abraco para todos.

  9. tchê disse:

    Caro Ricardo,
    Tú estás coberto de razão.
    Os foguetes são um pavor para quem está em baixo deles.
    Os Israelenses tem tecnologia para identificar exatamente de onde os mesmos são lançados e eliminar os praticantes do ato contra o seu território quase que imediatamente.
    Chegam a filmar via satélite os seus inimigos metendo fogo na cangalha…..
    A desproporcionalidade da resposta e o alvo delas é o que está pegando.
    Os isralenses tem o melhor sistema de espionagem do mundo e sabem perfeitamente onde se localizam seus agressores.
    Não será usando armamentos proibidos em meio a centros urbanos densamente povoados que eles agregaram para sí a simpatia de seus atos.
    Hoje, para matar um guerreiro do Hamas, eles plantam a semente que irá fazer germinar 10 outros inimigos.
    Lutam uma guerra que eles próprios sabem que não irão ganhar, suas vitórias nunca serão definitivas.
    O campo onde eles inevitávelmente terão de lutar para ganhar é no campo diplomático, tentando compreender e aceitando os pontos de vista dos seus adverários, ao menos aqueles que são apenas os razoáveis, o que eles nunca fizeram.
    E assim o barco navega, discutimos o sexo dos anjos enquanto eles matam milhares de civis inocentes.
    Será que o foco dos palestinos não está errado ?
    Será que terão de praticar atos criminosos no resto do mundo como fizeram os próprios israelenses, para alcançar seus objetivos de terem uma pátria para chamar de Palestina ?

  10. Ricardo disse:

    Nao concordo que a tecnologia israelense seja tao perfeita a ponto de nao causar estragos fora do alvo pretendido, e nem que a inteligencia israelense consegue identificar quem é, e quem nao é integrante do Hamas. O que esta acontecendo me parece, é que eles realmente decidiram que o preco para acabar com o Hamas é a imensa perda de vidas inocentes que estamos vendo, e investiram nisso. teram fama de genocidas a partir de agora? So o tempo dira…

    Tenho minhas duvidas tambem sobre o comentario que a morte de cada integrante do Hamas faca surgir novos simpatizantes. Acredito que existam pessoas sensatas na Palestina, que realmente queiram resolver o problema no meio diplomatico, porem sao violentamente inibidas pelo Hamas. Ou seja na remota hipotese que o mesmo deixe de existir estas pessoas possam emergir.

    Nao quero que entenda que estou defendendo este ou aquele, apenas gosto de discutir sobre o assunto, para minha sorte, apesar de estar trabalhando relativamente perto da area de conflito (Tripoli – Libia), onde ja ocorreram alguns protestos a favor dos Palestinos, o conflito AINDA nao me afetou diretamente.

    E tentando responder sua pergunta, acho que o foco e ambos os lados esta errado, ao inves de dois estados independentes, deveriam tentar criar apenas um, afinal no proprio Brasil sabemos que religioes deiferentes podem viver em armonia. Nosso problema nao é religiao, sao outros… mas isso seria uma outra discussao para outro topico.

  11. Ricardo disse:

    Harmonia…

  12. tchê disse:

    Ricardo,
    Se a tecnologia Israelense não é tão perfeita é infinitamente maior que a do seu adversário.
    Já vimos vídeos de Palestinos soltando foguetes e em seguida um míssel lhes atingindo.
    Vímos fotos de automóveis que tinham em seu interior membros do hamas, atingido por míssel israelense.
    Ninguém poderia saber que alí dentro, disfarçadamente, encontravam-se partidários do hamas, não fosse pela inteligência da espionagem Israelense.
    Já vímos casas onde líderes de facções julgadas terroristas explodirem por obra dos Israelenses e de sua inteligência em espionagem.
    Não faz muito um líder importante do Hamas foi morto a tiros por espiões israelenses infiltrados no território palestino.
    Não subestime a espionagem Israelense.
    Vimos também o que fizeram com o quartel general de Yasser Arafat com ele dentro e com a saúde combalida do geito que estava….
    Não defendo nenhum lado, acho que os dois estão errados.
    Pesa contra Israel o que ele faz contra a população de gaza.
    Qto a um país com ambos convivendo juntos é um sonho que poderia ter sido realizado a 60 anos atrás, agora não mais.
    Agora, a saída infelizmente é Israel aceitar os palestinos com sua terra integra, a desocupação total de gaza e dos assentamentos e a liberalização total das fronteiras da palestinas para que possa haver a livre circulação de pessoas entre os países vizinhos, como sempre fizeram a milhares de anos.
    Fora isso não vejo saída senão o conflito.
    Gente disposta a morrer pela causa palestina já vímos que nascem como moscas…Esse é o Problema.
    Zun Tsu e Clausevitz ensinam que uma guerra só pode começar se há a disposição de se acabar com o inimigo.
    Acabar com ele literalmente.
    Sem isso os dentes do dragão serão lançados ao chão e deles germinarão novos guerreiros dispostos a lutar indefinidamente.
    Israel está disposto a liquidar a Palestina ? Inteiramente ?
    Prendemos um Leão por muito tempo em uma jaula, quando o soltamos ele morre por não saber mais caçar.
    Prendemos um homem por muito tempo em uma jaula, quando ele sai….

  13. Antonio Carlos disse:

    Tchê
    o que posso acrescentar no assunto da desproporcionalidade que vc apresenta, é que a ninguem passa despercebida a assimetria de recursoc bélicos, localizada quando nos referimos apenas a Gaza.
    Se considerarmos a retaguarda, em recursos de toda ordem que os árabes palestinos tem atrás de si , com toda a nação muçulmana e seus simpatizantes, não existe desproporcionalidade.

    Mas não é desta desproporcionalidade que quero falar. A desproporcionalidade mais relevante que de fato existe na região, é na forma de como o Hamás fez suas avaliações e tomou suas decisões.

    Ou seja:
    1-Foram e são desproporcionalmente frustrantes as perspectivas que Hamás apresenta para os sues eleitores com base no seu programa de ação estratégica contra Israel.

    - Foi desproporcionalmente incorreta a espectativa da resposta israelense que o Hamás apresentou para seus eleitores.

    - Foi desproporcional o vislumbre caótico de sucesso vendido aos seus eleitores pelo Hamás, ao empreender ação que para qualquer cidadão de boa fé, não passaria do ato de se escavar rocha com alfinete.

    -Foi desproporcionalmente funesta a idéia do Hamás em atrair os israelenses para sua sala de jantar, (dos palestinos), como forma de abatê-los em território que eles supostamente desconheceriam.

    -Foi despropocional o desastre que Hamás submeteeu a seus eleitores, pela inconsequente escolha do terreno da batalha, de sua única e exclusiva escolha e responsabilidade.

    É desproporcional o uso que o Hamás faz das suas vítimas para repassar para os outros, ( o mundo, Israel a ONU), o terrível rsultado de sua imprudência ao sacrifício de civís, premeditadamente. (Crime lesa-humanidade)

    -É desproporcional a idéia que o Hamás pretende passar para seus eleitores e para o mundo, de que os palestinos gostam de se imolar, se dispõem a ser mártires, e oferecer a sua juventude à Morte, como atalho mais rápido para alcançar o paraíso e a imortalidade.. Para todos os normais a vida é biologicamente instintiva.

    -E por fim , mas não por último, é desproporcional o grau de omissão das facções armadas do Hamás, naquele ponto que a proporcionalidade supostamente apareceria e alegremente esperavam: o temível “corpo a corpo”. Não se apresentaram para o cumprimento do dever. Tantos mortos. Quantos combatentes?
    Tudo indica que o “corpo” que lhes correspondia nesta batalha foi oferecido, tristemente, pelos seus eleitores palestinos, miseravelmente e desproporcionalmente enganados. Mais uma vez, desproporcionalmente.

  14. Hadrienoir disse:

    Quando quiseram silenciar as atrocidades cometidas no Iraque, bombardearam o escritório das Nações Unidas, matando, entre outros, Sérgio Vieira de Melo, em um atentado até hoje mal explicado quanto a seus executores, já que nenhum grupo atuante assumiu o atentado.
    Agora, em 2009, vemos Israel, nascido sob o benemérito das Nações Unidas, bombardear sistematicamente instalações da ONU em Gaza. Foram 48 (isso mesmo: 48!) instalações da ONU bombardeadas “acidentalmente” por Israel em 3 semanas, incluindo depósito de alimentos, escolas e hospitais. Todos “alvos legítimos” para se defenderem? Qualquer nação do mundo que fizesse uma coisa dessas já teria deflagrado uma intervenção por parte dos países membros da ONU, já que cada representante atacado representa todos os países-membros.
    Trágica ironia, ao ser acusado de usar armas proibidas (Fósforo Branco), Israel negou veementemente que estava usando as mesmas. Todavia, as istalações da ONU estão sendo atacadas por elas. E o governo Israelense não negou ter sido o autor dos disparos e se “desculpou” pela falta de mira…. Confirmado o uso de armas proibidas, caracterizado o “crime de guerra”, segundo protocolo para definição da mesma, que é atacar um povo sem exército para o defender, apenas militantes, com armamento claramente desproporcionais, em área desamente povoada, com impressionante número de baixas civis, notadamente crianças, resta uma pergunta: O QUE O MUNDO FARÁ FRENTE A MAIS ESTA VIOLAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS POR PARTE DO ESTADO DE ISRAEL? Um país que, até o dia 20/01 pelo menos, tem o poder de ligar para o presidente dos EUA, para que o mesmo obrigue a Secretaria de Estado a mudar seu voto, em um documento que ela própria ajudou a elaborar?
    Não creio que muita coisa mudará após estes tristes eventos. O mundo vive um momento de infeliz egoísmo, onde nossos interesses individuais são priorizados, e só mostramos algum esboço de reação quando a dor atinge nosso pequeno “círculo familiar”, lembro-me das palavras de Martin Niemöller, símbolo da resistência nazista, referindo-se as perseguições dos mesmos:
    “Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
    Como não sou judeu, não me incomodei.
    No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista.
    Como não sou comunista, não me incomodei .
    No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
    Como não sou católico, não me incomodei.
    No quarto dia, vieram e me levaram;
    já não havia mais ninguém para reclamar”

  15. Antonio Carlos disse:

    Hadrienoir,
    1- é verdade, colega de blogr, Israel agiu tal qual a sua espectativa, com relação às instalações da ONU. Fez o que qualquer nação faria se suas escolas fossem atacadas. Uma intervenção. Ou contra ataque às escolas da ONU temos que intervir e contra ataque às escolas de Israel não devemos intervir? Percebes que se trata de conceito, princípios, onde a ordem dos fatos é irrelevante.

    2-Perde credibilidade sua argumentação quando vc oferece esta visão inusitada sobre a implosão do escritório da ONU em Bagda e o decorrente assassinato do brasileiro Sergio Melo .

    3- São 48 os alvos da ONU, Hadry ? Ocorre para qualquer cristão, que os israelenses podem errar 3, 4, 5 10 vezes . Afinal no calor do combate acabaram atingindo mais dos seus soldados do que o Hamás. Mas 48? 48? Aí tem algo mal explicado. Desconfie Hadry, desconfie. Não incorra no pecado de acreditar incondicionalmente…

  16. Tchê disse:

    Israel acertou mais um alvo importante: Uma escola da ONU !
    O cinismo de quem compara uma escola das Nações Unidas a outras quais quer que seja é descomunal.
    A ONU se estabelece em um local onde haja a circustância para isso ou seja, conflito, guerra, miséria absoluta, locais que passaram por destruiçao por causas naturais ou conflitos quaisquer que sejam, etc.
    Quando a ONU se estabelece em algum lugar é que alí a coisa está muito feia…
    Bom, parece que os já considerados criminosos de guerra Israelenses decretaram um cessar fogo unilateral, vamos ver se cumprem isso.
    Qto ao Hamas, nunca em nenhum momento me referi a eles como se fossem os bonzinhos da história, ao contrário, sempre lhes achei um bando de malucos covardes.
    Independente disto existe o lado político que eles defendem e tirando a eliminação de Israel da face da terra, concordo em genero, número e grau com o resto de suas exigências.
    As mesmas tem cabimento e são de direito de um todo da população Palestina.
    Qto a desproporcionalidade da reação Israelense não restou dúvida haja vista a quantidade de civis mortos do lado Palestino e a destruição causada em toda a infra-estrutura de Gaza.
    O Corpo a Corpo proposto pelo Hamas foi aceito por Israel, mandaram seus tanques para limpar o terreno, depois a infantaria com a tarefa de eliminar o que restasse.
    Servi ao exército e posso dizer dando risadas que foi triste o equilíbrio de forças deste embate.
    Se ao menos os combatentes do Hamas tivessem um número suficiente de RPGs a sua disposição… Israel teria se atolado em um lamaçal que só sairia deixando para trás um monte de escombros e a terra toda de Gaza arrazada.
    Israel praticamente destruiu Gaza, sua Infra-estrutura sócio econômica e não ganhou esta guerra.
    Abateu uma grande quantidade guerrilheiros mas ficou longe de selar a vitória.
    Repito que a semente dos novos guerrilheiros do Hamas estão lançadas a terra e o tempo lhes fará crescer novos guerreiros loucos para irem aos céus cercados de centenas de “virgens….”

  17. Hadrienoir disse:

    Antonio Carlos; Saudações.

    1) Analisemos sob a ótica da “intervenção” os ataques de Israel às instalações da ONU. Um bom exemplo de justificativa foi um vídeo postado por eles mostrando um militante disparando foguetes do pátio de uma instalação da ONU. Todavia, o vídeo postado é de 2007. Suponhamos que, em um país sob ataque, aconteçam estes fatos. É proporcional a resposta de Israel, bombardear locais onde supostamente teriam sido feitos disparos de foguetes reconhecidamente limitados quanto a seu poder de fogo (vejamos os números: 3 civis Israelenses mortos pelos ataques do Hamas – injustificável ato, devo ressaltar), mesmo sabendo que as instalações bombardeadas certamente estarão repletas de civis e representam um órgão internacional de ajuda humanitária? Ou seria mais coerente que fossem exigidas providências para impedir tais práticas a partir destes locais (supondo-se que houvessem provas das mesmas).

    2) Quanto a credibilidade por minha visão do ocorrido com o ataque de Bagdá, que resultou da morte do Sérgio, faço com meu comentário justamente o que você me sugere em seu texto, não acredito incodicionalmente em tudo o que se diz ou escreve.

    3) Quanto aos números, devo acreditar que não correspondem à verdade? Em quais números devo então acreditar, uma vez que são estes os apresentados? Sejam 5, 10 ou 50. A questão é que não se pode mais alegar erro, como foi feito. É intencional. Com esta justificativa, qualquer alvo torna-se legítimo. Seja ele escola, abrigo, hospital, igreja. A questão é, que se Israel revida no “olho-por-olho”….ou melhor, “olho-por-cabeças”, em quê são diferentes os militantes do Hamas, com seus alvos civis e o governo Israelense? Além, é claro, do poder de fogo de ambos….

    Por fim, e não menos importante, difícil dar credibilidade as justificativas de Israel, quando deliberadamente mentem, como foi o caso das bombas com fósforo branco…ou não?

    Por não acreditar em tudo o que ouço e leio, meu caro, é que me manifesto. Não sou e nunca fui extremista. Sofro com a morte de inocentes, sejam eles palestinos, israelenses, iraquianos ou americanos. A cada ato de barbárie, afastamo-nos de nossa humanidade, aquilo que nos distingue dos animais. E cada assassinato, não é apenas uma morte. É a morte de nossas esperanças pela harmonia e paz duradoura. Não acredito em uma solução duradoura conquistada à força…

  18. paul disse:

    Judeu não só é genocida e racista, mas também MUITO BURRO. Agora, estão acabados. MESMO

  19. Antonio Carlos disse:

    Tchê ,
    Israel e todo mundo concordaríamos com os criminosos e homicidas do Hamás se ele não declarasse o seu intuito de eliminar Israel. Este é o grande erro estratégico do Hamás até hoje, e do Fatah ate 1992, (por aí), e de todos os árabes-muçulmanos desde novembro de 1947.

    Se vc serviu ao exército, qual a tua opinião sobre o comandante que da retaguarda e bem atrás , de Damasco, manda seus soldados para o sacrífício numa luta desigual? Se a muitos de fora pareceu desproporcional, o que tem na cabeça de um coronel ou general que manda seus homens ser dizimados, sem o mínimo de planejamento no campo de batalha?
    Que opinião tem os soldados de seu comandante, quando os manda trocar tiros com os parentes espalhados pela área.

    RPG entra em Gaza da mesma forma que mísseis. Só que enviar um RPG envolve o risco da resposta quase que imediata. Os covardes evitam. Porem o envio traiçoeiro de mísseis é menos arriscado.
    Se for verdade que o Hamás perdeu só 48 homens em três semanas, é ridiculo para quem pretendia ser martir. Esconderam-se miseravelmente. Evitaram o combate, salvaram sua pele, deixando a população civil à sua sorte. Estes são os mártires.
    Espero que Israel recolha todos os infelizes necessitados nos seus hospitais, por que se depender do Hamás ele vai deixá-los morrer à mingua para engrossar as estatísticas de mortos civís. Quanto pior, melhor.
    Israel não precisa ganhar esta guerra. Israel precisa sobreviver.
    Se conseguir o que conseguiu no Líbano é o suficiente nesta etapa. Imobilizar tecnicamente o adversário. Isto significa na prática mostrar que fazer terrorismo a partir de casa é mau negócio. Terrorista não pode ter casa, prédios , ministérios,família, parentes. Deste jeito, terrorismo, militãncia resistência armada, seja lã o nome que quiser dar, vira brincadeira de mau gosto.
    A única coisa que resultou do terrorismo árabe é cada vez mais ” guerreiros loucos”, e Israel militarmente mais forte, vibrante e importante na sociedade das nações. Vamos inverter e convenhamos, quem se deu melhor com esta política de “guerreiros loucos” nos últimos 60 anos? Por que isto não entra na cabeça palestina?

  20. Antonio Carlos disse:

    Hadry,
    por que que vc lança sobre Israel esta responsabilidade e não a atribues ao Hamás? que é o agente provocador, no caso?
    É area populosa? é. Tem civis incautos na área? tem . Eu sei o que vem do outro lado como resposta, mas mesmo assim lanço o missil. Quem é o vilão da história?

    Vc gosta de futebol Hadry?. Já de algum tempo a Federação Brasileira de FB tem tomado medidas drástica para coibir desordens nos estádios. Chegou à conclusão que bárbaros devem ser afastados do futebol. Quando, antigamente, um idiota mandava seu rádio no juiz, muitos aplaudiam, outros achavam graça. Adotaram-se medidas drásticas. Mudança de mando de jogo. Punição coletiva ! reclamaram os baderneiros. Uma duas, três vezes, até que se começa a aprender e o baderneiro passa a ser agredidos pelos próprios co-torcedores, entregue à polícia, além de ser premiado com o adjetivo de burro, burro!! É isto o atual Hamás.

    Se vc tem outra versão sobre o incidente de Bagdá deixo-o com as tuas convicções. Realmente nunca soube que a explosão do escritório da ONU tenha sido promovida por outros que não terroristas. Sobre a morte do engenheiro brasileiro da construtora Andrade Gutirerrez, ou da implosão das torres gêmeas de N. York, imagino que vc tb tenha a tua versão alternativa, a qual respeito.

    Com relação aos números, o que quero dizer é que se forem 48 erram-se em dez. Mais do que isto é tiro intencional atrás de atiradores. Vc. pode morrer pelo teu filho. Mas não podes exigir nem pretender que ao atirar no inimigo, ele morra para salvar o teu filho!
    Israel não tem salvação aos olhos de seus críticos. Será acusado se oferecer a outra face; será acusado se agir no olho por olho dente por dente e será acusado, mais modernamente, de reação desproporcional. Não importa se estiver rio acima ou rio abaixo . Sempre estará sujando a água do lobo.

    Quanto ao fósforo branco e demais acusações, Israel não esperará os outros se manifestarem. Nem vai fazer o que os outros mandarem, porque todos têm culpa no cartório. Israel tem Instituições á altura, para averiguar e punir os culpados, se os houver.
    Concordo plenamente com vc com relação ao seu último parágrafo. Sou da mesma opinião.
    Quanto á sua última frase é o que todos nós gostaríamos de acreditar. Porém, infelizmente, ela corresponde ao que os americanos chamam de wishful thinking, acreditar em nossos desejos apesar dos fatos. Os homens são crianças difíceis.

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