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26/11/2008 - 20:30

Dendê: herói ou vilão?

Alguns empresários do biodiesel apontam que a próxima geração de agrocombustíveis irá incluir o querosene (com grande uso na aviação) a partir do dendê, o que geraria mais demanda de áreas para essa cultura no país. Realizamos, aqui na Repórter Brasil, um estudo sobre essa palmácea e suas possibilidades para a produção de combustíveis e o que encontramos são prognósticos preocupantes.

Produzido principalmente na Malásia e na Indonésia, o óleo de dendê tem espaço consolidado no abastecimento das indústrias alimentícia e cosmética da Europa, do Japão e dos EUA, e sua utilização para produção de biodiesel, destinado sobretudo ao consumo interno dos países de origem, tem crescido à medida que é usado como mecanismo regulador dos preços internacionais do óleo bruto. Porém, a valorização ascendente do óleo de dendê no mercado mundial desde a década de 1990, acabou causando uma catástrofe ambiental e social na Indonésia, na Malásia e em outros países asiáticos, onde extensas áreas de floresta foram substituídas pela palma e milhares de pequenos agricultores, expulsos de suas terras.

Tratado como “herói da economia” pelo mercado (se os usineiros da cana são “heróis” para o nosso presidente, o dendê tinha que ser herói para alguém…), a palmácea tem a maior produtividade de óleo por hectare dentre todas as oleaginosas comerciais e é vista por ambientalistas e defensores dos direitos humanos como um dos grandes vilões socioambientais do mundo.

No Brasil, onde, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ocupa pouco mais de 96 mil hectares, o dendê ainda não teve seu papel definido. Do ponto de vista biológico, o dendezeiro tem características que o tornam uma espécie apropriada em processos de recuperação de áreas degradadas na Amazônia e, do ponto de vista social, a cultura tem revelado grande potencial de geração de empregos, já que todo o seu manejo é manual.

Na Bahia, onde ocorre em cerca de 45 mil hectares, também acabou tornando-se um importante esteio da agricultura familiar, que o explora de forma extrativista e em pequena escala. Cultivado mais extensivamente no Pará e no Sul da Bahia, o dendê brasileiro ainda não está na lista dos grandes vetores do desmatamento ou dos conflitos socioambientais. Mesmo porque, se comparado à soja – com seus 21 milhões de hectares plantados, é um dos grandes vilões do Cerrado e da Amazônia Legal, onde, até 2004, 1,2 milhão de hectares da floresta foram convertidos em lavouras do grão – sua importância é pequena.

Esta situação pode mudar com a aprovação de uma alteração no Código Florestal, que permitirá, entre outros, a recuperação obrigatória das reservas florestais na Amazônia – 80% das propriedades rurais, segundo a lei vigente – com espécies exóticas. A medida é vista com simpatia pelo governo federal e ferrenhamente defendida pela bancada ruralista do Congresso Nacional, que estimam em cerca de 70 milhões de hectares as áreas degradadas da região, passíveis de serem utilizadas para o cultivo de dendê. Já ambientalistas e movimentos sociais, por sua vez, opõem-se ao projeto, apelidado de “Floresta Zero”, por considerarem que sua aprovação efetivamente diminui a reserva legal e fortalece o modelo de exploração predatória do bioma.

À revelia de posicionamentos técnicos e políticos, devem ser consideradas as seguintes questões sobre as possibilidades do projeto de expansão do dendê na Amazônia, pelo menos no curto prazo: primeiro, se liberado para o plantio de exóticas, grande parte das áreas degradadas não será utilizada no cultivo do dendê, mas convertidas em reflorestamentos de eucaliptos ou outras espécies para produção de carvão (para a indústria siderúrgica), papel e celulose, atendendo a demandas de mercado mais imediatas. Segundo, de acordo com especialistas do setor, o país simplesmente não possui sementes suficientes para aumentar vertiginosamente sua dendeicultura, como também não tem mercado ou estruturas para o processamento do dendê.

Por outro lado, as áreas degradadas não são contínuas, e a implantação de grandes projetos de plantio obrigatoriamente levaria a desmatamentos das faixas intermediárias de floresta. Os impactos de uma dendeicultura massiva sobre um bioma tão megadiverso como a Amazônia também são imensuráveis, assim como são imprevisíveis os efeitos sobre as comunidades tradicionais e sobre a agricultura familiar da região.

Quanto à participação do dendê na produção de biodiesel, a porcentagem do óleo convertido em agrocombustível é muito pequena. O dendê no Norte, assim como a mamona no Nordeste do país, goza de incentivos especiais se vinculado ao Selo Combustível Social do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), mas o baixo preço pago pelo combustível, se comparado ao do óleo cru, não tem se mostrado economicamente compensador.

As características positivas poderiam fazer do dendê uma alternativa econômica bem-vinda para a agricultura familiar, se cultivado em sistemas agroflorestais, em pequena escala e de forma autônoma. Mas esta não parece ser a opção prioritária das políticas públicas. Não obstante sua alta rentabilidade, o cultivo de dendê em larga escala tem um alto custo de implantação e manutenção, modelo que tende a transformá-lo em exclusividade do grande agronegócio, com eventuais projetos de integração da agricultura familiar.

Autor: sakamoto - Categoria(s): Sem categoria Tags:

2 comentários para “Dendê: herói ou vilão?”

  1. Biquei disse:

    Eu proponho.

    Tu Concordas!

    Nos beneficiamos?

    Um terço para camuflar á unanimidde.

    TJ de Goiás aprova recesso forense requerido pela OAB Por maioria de votos (12 a 4), a Corte Especial do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) aprovou pedido formulado pela Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Goiás para suspender todas as atividades forenses na Justiça Estadual no período de 20 de dezembro a 6 de janeiro de 2009. A sustentação oral foi feita pelo presidente da entidade, Miguel Ângelo Cançado, que enfatizou a necessidade de um tempo de descanso para os advogados e servidores, além de afirmar que existe uma redução natural da produção jurisdicional no referido período.

    Sabemos todos que não se trata de direito de propriedade, a questão nuclear não é a criação, pois criação é posse, portanto, é material, isto é INDISCUTÍVEL, o que almejam, é o que está implícito, acompanhar, modular, legislar e cobrar, sejamos concisos, eles querem é C E N S U R A R. Eles esqueceram que o livre-arbítrio é a primeira das leis é bíblico.

    http://www.Elapais.com.

    “Sin libertad ni propiedad no se puede avanzar en Internet” Miguel Sebastián asegura en el FICOD que las nuevas tecnologías son un “sector clave para la recuperación económica” El Ministro de Industria, Turismo y Comercio, Miguel Sebastián, ha asegurado durante la entrega de los Premios FICOD 2008 que las nuevas tecnologías serán uno de los motores clave de la recuperación económica, pero que el sector de los contenidos digitales no puede avanzar si no se respeta la propiedad intelectual: “Disfrutamos de libertad en Internet, pero tiene que ser compatible con el derecho y el respeto a la propiedad intelectual”.

  2. Ricardo disse:

    Na Malásia, dendê fodeu tudo.

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