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18/11/2008 - 14:25

O século 21 de James Bond e Evo Morales

Se você pretende assistir ao filme “007 – Quantum of Solace”, não termine de ler este post. Ele conta partes do filme. Um spoiler, por assim dizer.

Um sujeitinho ruim, dono de uma ONG picareta de ecologia, está mancomunado com líderes mundiais, como os dos EUA, para apoiar um golpe militar contra o governo eleito da Bolívia (não falam no nome de Evo Morales, mas dão indícios, ao chamá-lo de líder “marxista”). Com isso, tentam ter acesso facilitado ao petróleo do país, uma vez que a atual administração estaria dificultando o diálogo. Na verdade o sujeitinho ruim quer ficar com a água, o recurso natural mais importante deste século, do nosso vizinho e cobrar horrores pelo seu acesso. O agente criado por Ian Fleming descumpre as ordens do governo britânico, que é um dos mancomunados, e é caçado pela CIA quando tenta vingar-se de quem matou sua namorada no filme anterior. Com isso, acaba impedindo que o sujeitinho ruim tenha sucesso na empreitada. É claro que, no final, o candidato a ditador é morto, o sujeitinho ruim também e o acesso à água para as populações andinas é liberado.

OK, o filme é um blockbuster e como tal tem um objetivo muito bem delimitado: fazer dinheiro. E, em boa medida, alienante, violento, estereotipado e sexista – quem já assistiu a algum 007 sabe do que estou falando.

Contudo os temas do enredo são realistas e atuais – a guerra pela água na Bolívia e as pressões externas por petróleo na América do Sul. Não tenho pretensão de que esse seja o padrão dos próximos filmes do agente. Mas, terminada a Guerra Fria, é interessante que um filme de 007 coloque governos nacionais do Ocidente e grandes corporações como inimigos e indígenas do Altiplano como vítimas. Ainda que seja apenas no campo do faz-de-conta.

Autor: sakamoto - Categoria(s): Sem categoria Tags:

9 comentários para “O século 21 de James Bond e Evo Morales”

  1. Vostoli disse:

    Detestei o filme por causa disso. Ridículo! Defendendo aquele índio. Os caras roubam o gás natural que é nosso por direito, pois pagamos por ele, e ainda viram mocinhos em filme. Foda-se!

  2. Ricupero disse:

    Boa Sakamoto! Pena que, como você falou, é só ficção.

  3. Gisele Moura disse:

    Verdade Sakamoto, mesmo sendo num caça níquel como um Bondmovie, já é algo. Por outro lado acho triste por que não vai levar a nenhuma discussão mais profunda sobre o tema. E quanto ao gás ser nosso por ser pago ou não é uma outra questão. Problemas indígenas o continente americano tem do sul ao norte.

  4. Eduardo d'Albergaria disse:

    O Gás é nosso por direito???

    hahahah

    É nessas horas que se entende como o Nazismo chegou onde chegou! O Nacionalismo, quando a serviço de interesses imperialistas (ou sub-imperialistas) é uma DESGRAÇA!!!

  5. Jorge Pereira disse:

    Vostoli, vc. precisa estudar mais história, principalmente da América do Sul. Povos indigenas das Américas, foram explorados durante séculos por europeus. Finalmente apareceu um líder, que negocia preço justo por um recurso natural que pertence ao povo boliviano. Chega de exploração. Não cabe ao Brasil fazer o papel dos europeus e posteriormente dos americanos.

  6. LUIS PINHEIRO disse:

    CONCERTESA TODOS ESTÃO DE PARABÊNS NOS SEUS COMENTÁRIOS, MAIS DIGO MAIS CHEGA DOS EUA ENTERVIR NA POLITICA DE QUALQUER PAIS

  7. Carlos Muñoz disse:

    Sou boliviano e me sentí muito feliz com a maioria dos comentários pois se vê que se tratam de pessoas concientes e que estão a par da real situação do meu país e que não enxergam tudo apenas por um prisma.

  8. Cacá disse:

    Os americanos costumam dar a tônica de suas perspectivas e investidas através de Hollywood. Além de ser menos panfletário, carrega uma sutileza de embarcar qualquer incauto ou reacionário. Viva o povo boliviano, com sua independência, autonomia e soberania.

  9. Luís Henrique disse:

    Jamais pensaria que haveria um filme do 007 que teve parte do enredo baseado na luta do povo de Cochabamba pelo direito ao acesso à água.

    Lembram-se desse já histórico acontecimento?

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