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Arquivo de setembro, 2008

30/09/2008 - 19:37

Este é um país que vai pra frente. Hô, hô, hô, hô hô…

Um amigo, jornalista e bastante ácido nos seus comentários, me mandou esta matéria do jornal Folha de S. Paulo, que publico abaixo de forma reduzida. Para ele, a história seria cômica se não fosse trágica. “Você pode votar em um sócio ou no outro da mesma madereira. O que se devia fazer com um município de gaúchos, paranaenses e catarinenses cortando madeira na Amazônia?”

A ditadura militar (que o capeta a tenha, embalada em sonho eterno) abriu os braços para a entrada de empreendimentos agropecuários na região nos anos 70. Hoje, os tempos são outros, as leis também. O estado de direito não aceita mais (pelo menos no papel) a farra de antes. Porém, tem muita gente que não percebeu isso e continua botando tudo abaixo em nome do progresso, vivendo sob a sombra da Gloriosa. Os sócios-madeireiros-prefeituráveis são um exemplo. Quem compra desses produtores sem se preocupar com a origem dos produtos também. O Estado que faz vistas grossas idem.

Defesa do desmatamento une candidatos madeireiros

Os dois candidatos a prefeito de União do Sul (MT) são madeireiros e defendem na campanha a ampliação do limite de desmatamento na Amazônia, onde o município está situado. Candidato pelo DEM, Antonio de Matia, 59, o Ico da MM, diz ser sócio de seu adversário Ildo Ribeiro de Medeiros (PMDB), 43, em uma madeireira em Moraes de Almeida (PA).

Os dois candidatos dizem que “só 14% das matas foram abertas” no município. Eles querem que o governo federal autorize desmatamento de até 50%. Atualmente, o limite é de 20% no território amazônico. O próprio prefeito admite ter praticado ato ilegal, ao desmatar ao menos metade da área de sua fazenda.

Medeiros e o prefeito dizem que a saída para o município é o desenvolvimento da agricultura nas áreas a serem abertas. União do Sul tem 4.581 km2, quase três vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Atualmente, o município ainda vive das indústrias da madeira. São 20 empresas instaladas. A cidade chegou a ter 60 madeireiras, mas, segundo o prefeito, as ações de fiscalização reduziram o número de empresas. O principal golpe foi a Operação Curupira da Polícia Federal, em 2005, contra madeireiras fantasmas.

Autor: sakamoto - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/09/2008 - 13:00

Trinta crianças são libertadas da escravidão no Pará

Uma ação de fiscalização de trabalhadores do governo federal libertou 150 pessoas em Placas (PA), dentre elas mais de 30 crianças. O município fica na “Terra do Meio”, no coração do estado, região que está sofrendo o impacto da expansão agrícola e da baixa presença do poder público para efetivar os direitos fundamentais. A operação, que começou no dia 17, contou com a participação do Ministério do Trabalho e Emprego, da Policia Federal, da Policia Rodoviária Federal e do Ministério Público do Trabalho.

Eles estavam sujeitos a condições degradantes de habitação, alimentação e higiene. De acordo com a Superintendência Regional do MTE no estado, a maior parte das crianças estava doente, com leishmaniose ou úlcera de Bauru. “As crianças eram levadas ao trabalho para aumentar a remuneração, se sujeitando a todo tipo de situação. Tanto é que uma delas perdeu a visão por conta de uma queda”, afirmou o chefe da fiscalização do Pará, José Ribamar Miranda da Cruz.

Os libertados, que atuavam na lavoura de cacau, já começacam o serviço devendo aos empregadores por terem que pagar equipamentos de trabalho e bens de necessidade básica. De acordo com as informações colhidas pelos fiscais, quem não cumpria as determinações dos patrões era ameaçado de morte.

Até agora, o montante estimado de direitos trabalhistas e salários a serem pagos aos trabalhadores está em torno de R$ 600 mil.

Autor: sakamoto - Categoria(s): Sem categoria Tags:
25/09/2008 - 21:16

Explicando a Crise Americana

Muito bom o texto publicado no portal administradores.com.br e que está circulando na internet para explicar a crise financeira nos Estados Unidos. Saem hipotecas de casas e entram dívidas de bar, mas a idéia é a mesma. Lembrando, é claro, que a contabilidade de um boteco é mais responsável e transparente do que a de muitos bancos e instituições financeiras de lá. Vale a leitura:

O seu Biu tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça “na caderneta” aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados.

Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobrepreço que os pinguços pagam pelo crédito).

O gerente do banco do seu Biu, um ousado administrador formado em curso de emibiêi, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento tendo o pindura dos pinguços como garantia.

Uns seis zécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer.

Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capítais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BMF, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (as tais cadernetas do seu Biu).

Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.

Até que alguém descobre que os bêubo da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e o Bar do seu Biu vai à falência. E toda a cadeia sifu.

Autor: sakamoto - Categoria(s): Sem categoria Tags:
25/09/2008 - 10:31

Expansão de agrocombustíveis ameaça pequenas comunidades

Desmatamento na Amazônia e no Cerrado, contaminação por agrotóxicos, ameaça à soberania alimentar de pequenos agricultores e concentração de renda e da terra e são alguns dos impactos causados pela expansão de culturas que podem ser usadas para a produção de biodiesel no Brasil. Em “O Brasil dos Agrocombustíveis – Palmáceas, Algodão, Milho e Pinhão-Manso – 2008″, , a ONG Repórter Brasil relata projetos de expansão dessas culturas instalados ou em andamento, como é o caso do dendê, na Amazônia, e do algodão, nas áreas de Cerrado das regiões Centro-Oeste e Nordeste.

No caso do dendê, uma das maiores preocupações é com as propostas de mudança no Código Florestal, que visa mpermitir a recuperação de reservas legais com espécies exóticas como o dendê. Tais medidas podem incentivar a monocultura na Amazônia, causando desmatamento etrazendo impactos para a biodiversidade da floresta. Corporações estrangeiras começam a implantar projetos na região, como o caso da empresa Felda, da Malásia, no município de Tefé (AM), e da Biopalma, de capital canadense, no Pará. Além do dendê, outra palmácea analisada pelo relatório é o babaçu.

Já o algodão avança sobre as áreas de Cerrado, que não contam com sistema de monitoramento por satélite específico como a Amazônia. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, estão em risco pelomenos seis áreas de alta biodiversidade do Cerrado diante do crescimento das lavouras de algodão. No caso de impactos trabalhistas, cinco fazendas da cultura estão na “lista suja” do trabalho escravo divulgada pelo governo, e 431 trabalhadores escravos foram libertados nessas áreas.

O milho não é utilizado para a produção decombustível no país, mas seu uso nos EUA para a fabricação de etanol explica o avanço da área plantada da cultura na última safra. Essa expansão, porém, temameaçado a manutenção de práticas tradicionais de cultivo, sufocando espécies crioulas do grão existentes no Brasil. Esse impacto deve se intensificar com aliberação recente de sementes transgênicas de milho.

Este é o segundo relatório da série produzida pelo Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis da ONG RepórterBrasil. O primeiro, lançado em abril deste ano, analisou os impactos causados pela soja e pela mamona. O próximo, exclusivamente sobre cana-de-açúcar, será lançado em dezembro próximo.

Para a realização deste trabalho, quatro pesquisadores da ONG Repórter Brasil percorreram 11 Estados brasileiros – Mato Grosso, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais,Bahia, Pará, Amazonas, Maranhão e Tocantins – e um total de 25 mil km.

Autor: sakamoto - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/09/2008 - 17:25

Dicas de pensamento para Homer Simpson

Washington – No começo, achei que era piada. Mas depois me disseram que não.

As estações de metrô da cidade são um campo de batalha de grupos lobistas em busca de apoio ou justificando suas ações. Uma vez que quase todo mundo passa pelo metrô, inclusive os formadores de opinião, tomadores de decisões e construtores de políticas públicas, é um local perfeito para guerrear por corações e mentes.

Pessoas, grupos e instituições têm o direito de expor suas idéias e tentar convencer os demais a adotar os mesmos ideais. Mas quando você vê peças publicitárias apelando, distorcendo, acochambrando, simplificando a ponto de virar má fé para tentar conquistar o transeunte, dá tristeza. E o resultado consegue ser pior do que aqueles comerciais bizarros da associação de emissoras de rádio e TV no Brasil dizendo que as rádios comunitárias interferem na comunicação de aviões.

Um amigo que mora aqui na cidade diz que ele mesmo se surpreendeu com as placas no metrô. Sobre o nível da publicidade e a resposta do público sobre elas, suspira: “O cidadão médio americano está emburrecendo…”

Tirei fotos de algumas para vocês terem uma idéia:

Tentando convencer a sociedade que a bebida não provoca tantos acidentes de carro:

“Você pensa que sabe qual a maior ameaça à segurança no tráfego?”, pergunta o cartaz. Ele mostra um graficozinho picareta com uma curva ascendente de acidentes “sem álcool” e uma vida descendente de acidente com álcool. Depois afirma que a distração ao voltante e alta velocidade podem ser mais perigosas que o álcool. E pede para o leitor pensar de novo.

Picareta porque o gráfico não diz nada. Se houve uma redução no número de acidentes com pessoas alcoolizadas devido a um endurecimento da lei (aqui, dirigir bêbado dá cana – sem trocadilhos), é claro que haverá diminuição proporcional. Ou seja, menos gente morrendo de um jeito vai aumentar a porcentagem da outra forma de morrer. Outra: cadê a fonte da informação? Qualquer Zé Mané pode ter inventado os dados. E, por fim, um cartaz que defenda beber e dirigir é o fim da picada! Você pode questionar a rigidez de determinadas legislações, mas creio que só os babacas – e algumas empresas que lucram com isso – defendem que se possa dirigir bêbado.

Seguem outros exemplos:

Defendendo o direito de usar animais em testes de laboratório, prática que vem sendo contestada cada vez mais por grupos de médicos e da sociedade civil:

Tentando jogar os empregados contra os sindicatos que os representam, afirmando que não existe mais a polarização sindicatos/empregadores e sim sindicatos/empregados:

Defendendo o direito de se entupir de porcaria até morrer:

Sobre a ação do lobby nos Estados Unidos sugiro a comédia “Obrigado por fumar”, filme de Jason Reitman, baseado em livro de Christopher Buckley.

Autor: sakamoto - Categoria(s): Sem categoria Tags:
20/09/2008 - 22:54

O custo de brigar com o mundo inteiro

Washington – Tive que ir a um shopping na rua 14th para comprar umas coisas para o nosso escritório. Mas devido a uma ameaça de bomba, o local teve que ser esvaziado, isolado e farejado com a unidade K-9, ou seja, pela cachorrada.

(Li tempos atrás que, no início, tentaram empregar labradores para esse serviço. Mas não teria dado muito certo: a raça é naturalmente brincalhona e estabanada e era comum os cachorros irem pelos ares junto com os “pacotes” depois de achá-los…)

Depois de uma longa espera, calçada, rua e shopping foram liberados. Creio que não encontraram nada, mas também não acho que eles falariam: “Hey, pessoaaaaal. A gente encontrou dois quilos de explosiiiiiiivos amarrados com bolas de guuuude!”

Para o pessoal ao meu lado que aguardava a reabertura das portas, o fato parecia corriqueiro. Paranóia banalizada. Reclamavam apenas do atraso que isso estava gerando. Uma senhora em uma cadeia de rodas, quando informada do porque daquilo, reclamou: “Mas, de novo?!”

É… Entrar em guerra com o mundo tem seu preço.

Autor: sakamoto - Categoria(s): Sem categoria Tags:
20/09/2008 - 01:20

Condoleezza e a foto que vale por mil palavras

Washington – Passando o hall de entrada do Departamento de Estado norte-americano e virando à esquerda em direção às salas de conferência, há um corredor com fotos da atual administração.

Participei de um evento sobre o combate ao trabalho escravo por lá e queria muito ter tirado foto de duas imagens que estavam penduradas na parede. Mas o tempo foi corrido… Além disso, deve ser proibido – até para ir ao banheiro eu tive escolta (que ficou do lado de fora, é claro). Depois que saí, fui pedir a benção para Santo Google, padroeiro dos jornalistas, e as encontrei na rede.

Duas das imagens me chamaram a atenção. Em uma, o homem que está por trás da agressiva política externa norte-americana nos últimos anos tem um encontro com a secretária de Estado Condoleezza Rice. Em outra, outro homem, que ajuda o primeiro a cumprir essa política externa agressiva, também tem um encontro com ela. São fotos com climas bem diferentes, a bem da verdade.

Você, no fundo, no fundo, seria capaz de dizer qual é qual?…

PS: Tempos atrás, um dos comediantes do Saturday Night Live, programa de humor daqui que pode ser visto no Brasil, interpretou Dicky Cheney, simulando um comunicado à nação: “Meu caros cidadãos, aqui quem fala é o seu ‘vice’ presidente”, frisando com um sorrisinho maroto e abrindo aspas com os dedos para a palavra vice. No mesmo quadro, Bush aparecia como uma pessoa perdida que pedia conselhos para o “tio” Dicky.

Só para completar: não sei se já chegou ao Brasil o episódio do Saturday Night Live em que a comecidante Tina Fey imita a candidada republicana à vice-presidência Sarah Palin. Na hora em que Palin foi anunciada, tinha certeza que ia rolar essa imitação, porque as duas parecem ter sido separadas no nascimento. Dito e feito, hilário.

Autor: sakamoto - Categoria(s): Sem categoria Tags:
19/09/2008 - 00:40

Felicidade é… uma cadeira de plástico vagabunda

Washington - O que o Congresso dos Estados Unidos e a casa dos meus pais têm em comum? Bem, é verdade que muitos dos que me lêem nunca estiveram em ambos os lugares – pelo menos, não na casa dos meus pais, eu garanto. Por isso, certamente, o Congresso leva vantagem em número de visitantes. E também há uma leve diferença no orçamento de ambos – meu pai que o diga. Além do fato de um ficar na capital do império, outro não muito distante do centrinho comercial do Campo Limpo, na periferia de São Paulo. Mas perto da casa dos meus pais tinha a venda do Sr. Armando, onde comprei o primeiro chocolate “Surpresa”, e o Bazar do Sr. Vitório (que Deus o tenha), onde ia buscar papel de seda – para pipa… – além de vareta e linha 10.

É a segunda vez que bato perna no Congresso daqui para fazer reuniões e entrevistas. Mas é a primeira que percebo que os nobres deputados, que discutem a invasão de outros países ou se vale a pena salvar uma empresa com 85 bilhões de dinheiro público, são fãs, quem diria, das famigeradas cadeiras de plástico. Daquelas presentes em cozinhas, colocadas em volta de churrasqueiras, usadas em humildes templos evangélicos ou por seguranças noturnos que passam a noite sentados com seus inseparáveis pastores-alemães caducos de velhos, apitando de vez em quando para fazer valer o salário. Aquelas que são o terror dos gordos, já que arregam diante de um traseiro mais largo.

Meus pais têm algumas na área de serviço, naquilo que, um dia, já foi o meu quarto e no corredor onde habita a cachorra da casa – uma senhora de 17 anos, cega e surda. Melhor para ela, porque bater a cabeça em cadeira de plástico não dói. Enfim, essas cadeiras são baratas, são simpáticas e fáceis de limpar. A alegria da periferia!

No Congresso do país mais rico do mundo, pelas latinhas que jaziam ao lado das ditas, agrupadas, como se conversassem ainda, mesmo sem seus donos, o local deve ser divertido em algum momento do dia. Percebam que até no final dessa grande sacada há outros grupos de cadeiras, mostrando que não foi um caso isolado, mas algo adotado por mais de um congressista. Talvez até com solidário carinho.

Moral da história: para que um lugar suntuoso, de mármore de cima a baixo, obras de arte e murais, tapeçarias, se, no final das contas, a felicidade reside em uma simples cadeira de plástico vagabunda?

Autor: sakamoto - Categoria(s): Sem categoria Tags:
16/09/2008 - 23:00

Sakamoto com Tutu

Los Angeles - O evento de premiação do Freedom Awards (ao qual me refiro no post anterior) foi uma produção hollywoodiana. Coral, cantores, imagens do nosso trabalho e dos outros ganhadores passando em telões, celebridades do “show business” (alguém ainda usa essa expressão?) Antes da cerimônia, houve uma recepção ao ar livre – a entrega foi na Universidade do Sudoeste da Califórnia, um belo campus.

Depois conto mais sobre os outros premiados. Mas a história mais impressionante é a do Ricky, que coordena um programa de reinserção de crianças-soldados-escravos em Uganda (e voce achava que a sua vida era ruim, não?) Ele mesmo foi um ex-soldado-mirim, que fugiu depois de seis anos na trincheira.

Na nossa hora de receber a estatueta, fomos Xavier Plassat, da Comissão Pastoral da Terra, e eu ao palco. Ele convidou para o evento Tom Stang, irmão de Dorothy Stang, missionária assassinada por fazendeiros no Pará em 2004 devido à sua luta pelos direitos dos trabalhadores rurais, e que mora por aqui. Segue o meu discurso:

“Muita gente em todo o mundo tem lucros absurdos com a superexploração do trabalho. Dinheiro é poder. E, muitas vezes, poder precisa de violência para se manter. Muitos fazendeiros ricos se sentem confortáveis para estabelecer sua própria lei e usar trabalho escravo no Brasil. Há corporações internacionais que apóiam essas práticas, sempre pedindo mais por menos, sem se preocupar com as pessoas que serão esmagadas para isso acontecer.

Ao mesmo tempo, a pobreza cria seus escravos. Por isso, o fim da escravidão depende do fim da desigualdade social. O que requer uma redistribuição de renda, de oportunidades, de terras e de justiça, garantindo melhores condições de vida a todos. Quando isso acontecer, os trabalhadores rurais serão realmente livres. Nós dedicamos este prêmio à próxima geração de trabalhadores rurais do mundo. Que eles possam desfrutar da liberdade negada a seus pais.”

Meio raivoso. Mas em um mundo em que todos os problemas parecem que podem ser resolvidos com saídas superficiais e cestas básicas, é sempre bom lembrar que o buraco é mais embaixo.

O bispo Desmond Tutu, Nobel da Paz em 1984 e lutador pelo fim do Apartheid na Africa do Sul, foi o barato da noite. O velhinho é uma figura, dança, canta e tem o senso de humor – que tanto nos falta nesses dias sérios demais.

Autor: sakamoto - Categoria(s): Sem categoria Tags:
15/09/2008 - 01:15

Repórter Brasil e CPT recebem o Freedom Awards

Los Angeles – Estou nos Estados Unidos para receber o Freedom Awards, prêmio que a equipe da Repórter Brasil ganhou pelo seu trabalho no combate à escravidão. Para representar a outra organização que divide conosco a láurea, a Comissão Pastoral da Terra, veio o meu incansável companheiro de viagens, Xavier Plassat.

E estamos em boa companhia. Os outros premiados são o projeto Friends of Orphans, de Uganda (que auxilia na reintegração social de crianças e jovens recrutados como soldados na guerra civil), e os ativistas James Annan, de Gana (que trabalhou como escravo quando criança na pesca e hoje ajuda a resgatar e proteger crianças em situação de vulnerabilidade), e Amihan Abueva, das Filipinas (que trabalha no combate à exploração sexual e o tráfico de crianças).

A cerimônia de premiação acontecerá nesta segunda (15) e terá a presença do arcebispo sul-africano Desmond Tutu, ganhador do Prêmio Nobel da Paz. Vai ser um bom momento para falar de modelo de desenvolvimento e exploração internacional do trabalho, temas caros a este blog.

Entidades e militantes do movimento anti-escravagista de 30 países foram indicados ao Freedom Awards, organizado pela Free the Slaves, uma das maiores entidades de combate à escravidão do mundo. Os vencedores recebem prêmio em dinheiro para aplicarem em seus projetos.

É claro que este prêmio não é só nosso. Estamos inseridos em uma grande rede de combate a esse crime no país, então todas as pessoas e instituições que atuam para acabar com a escravidão também são homenageadas com ele.

Para ver mais detalhes do prêmio, clique aqui.

PS: Confesso que sou viciado em alguns seriados de TV – insônia da madrugada… Entre todos, “House” (exibido no Universal Channel e na TV Record) é, disparado, o meu preferido. Descobri que as gravações sobre o dia-a-dia daquele médico arrogante, preopotente e genial acontecem a poucas milhas daqui. Se der tempo, vou tentar invadir o set de gravação.

Autor: sakamoto - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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