No Rio Grande do Sul, boi tem medo de dormir sozinho
Auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego e procuradores do Ministério Público do Trabalho proibiram que empregados de fazendas dormissem junto com os animais durante a Expointer, uma das mais importantes feiras agropecuárias do mundo, realizada anualmente no Rio Grande do Sul. Creio que é desnecessário explicar o porquê da proibição (caso alguém ache normal dormir com o gado no curral, por favor pare de ler este post e mude de blog).
Houve revolta dos proprietários rurais e um deles, “doutor em direito e pecuarista”, escreveu um artigo que está circulando na rede. Defende o sentido de “tradição”.
Mas também eram “tradições” a possibilidade legal de comprar seres humanos (até 1888) ou a impossibilidade de mulheres votarem (até 1932). Muitas aberrações da humanidade foram – e são – justificadas por serem tradições, ou seja, indiscutíveis. Mas elas são apenas construções sociais, normalmente impostas ao longo dos anos pelos mais fortes até serem serem aceitas por determinado grupo sem que se lembre de onde ela surgiu.
Mas, ao final do seu artigo há uma dica de onde surgiu essa tradição: “São relevantes os custos adicionais em aluguel de trailers ou vagas em hotéis”. Isso clareia bastante as coisas, não?
Vale conferir o texto e ver até onde vai o espírito humano para justificar o injustificável.
O sepultamento de uma tradição, por Fábio Luiz Gomes*
Notícia inusitada nos dá conta da proibição de os peões dormirem nos pavilhões dos animais durante a Expointer. É lamentável que tenham sido desconsiderados a tradição e o amor dos cabanheiros por seus animais, os riscos sanitários para estes, os custos para os expositores e a ausência de alternativa.
Sabidamente, os peões consideram-se mais donos dos animais que preparam durante um ano inteiro para este evento do que os proprietários dos mesmos. O cabanheiro e o animal por ele tratado conhecem-se pelo olhar; respondem aos sinais um do outro. Ao sacarem um campeonato, festejam e são mais festejados que os patrões. Lembro que ao morrer um dos meus grandes campeões fiquei extremamente chateado. Meu cabanheiro chorou.
Durante a feira, é comum que, dos mais de 2 mil animais, vários tenham febre por estresse e muitas fêmeas acabem parindo, não raro necessitando de auxílio pelo “trancamento” da cria, sob pena de morrerem ambos. Imagine-se o nervosismo e o cuidado do responsável pelo principal candidato ao Freio de Ouro, na noite anterior, preocupado com uma “cólica” ou com a maldade de um concorrente desleal. Isso para não se falar do congraçamento entre a peonada, noite adentro, entre “assados”, “causos” e reminiscências dos anos anteriores.
Durante a adolescência, meu filho não abria mão de dormir no galpão, assim como eu o fazia ao acompanhar meu pai em uma “tropeada”. O que se vê pretendido agora, ainda que em tese legalmente exigível, é sepultar e banir uma das mais antigas tradições do nosso Estado. Muito mais adequado seria aferir as condições nas quais a peonada passa o ano, e não acabar com a festa de cinco dias para a qual eles se preparam durante os outros 360.
São relevantes os custos adicionais em aluguel de trailers ou vagas em hotéis por parte dos expositores e a desistência de muitos de trazer seus animais. Mas o registro que se impõe é o lamentável sepultamento de uma tradição centenária e a tristeza dos destinatários da pretensa proteção. *Doutor em Direito e pecuarista.
Autor: sakamoto - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Mas, que índio chucro e néscio. Doutor? Desde quando bacharel é doutor?
O Dotôzinho quer que eu durma com os cachorros, eu durmo…
Veja que em função da imposição, alguns expositores não participaram pois não há retorno garantido. Animais podem não ser vendidos e aí é preju na certa.
Agora, trazer animais doentes e para parir em exposição tbem deveria ter multa.
Gostei do doutor em direito. É brincadeira mesmo!
Prezado Sakamoto,
Brilhante.
O que mais me deixa assustado em tudo isso, é que ninguém perguntou para os peões o que eles querem fazer, a farra envolvida em uma exposição é muitas vezes o momento esperado por todo o ano. Se eu estivesse lá, queria ver quem ia me obrigar a sair. Nesse Brasil tudo é imposição!!!
Lendo este artigo é preocupante notar que o ser humano involui, seu blog desperta indignação e desesperança pela crueza da realidade. É de se imaginar o que fizeram nos 350 anos de escravidão neste país, onde seres humanos eram considerados coisas, onde a violência era também justificada.
Herança maldita.
Acho que está claro que essa tradição começou por imposição dos patrões. Ninguém perguntou, no início, se os peões preferiam dormir em uma cama ou junto aos animais. Eles não tiveram essa opção. E ai daquele que ousasse reclamar! Acabaram incorporando isso como parte da vida de peão, algo natural para a atividade.
Realmente é vergonhoso o tratamento que se dá aos trabalhadores. Pior ainda é o tal “doutor”. Vá dormir ele com as vacas.
Esse senhor, que se intitula doutor, está subestimando a inteligência das pessoas. Outra coisa, quem cuida de doenças e nascimento de animais chama-se veterinário e será que algum deles se sujeitaria a cumprir essa disfarçada tradição?
Em síntese, esse texto do doutor trata-se da famosa conversa para boi dormir, ou para acalentar bovinos, como queiram.
O dia que ignorãncia pagar imposto o doutor irá poupar-nos de ler esta aberração.
São os mesmos de sempre, fazem parte do mesmo balcão, estão comerciando desde os tempos que Cabral aportou por aqui, uns do lado de lá do balcão, outros do lado de cá, mas todos com o mesmo objetivo conforme fazer perdurar sempre a mesma situação, e se houver nova legislação finge-se que não se adéqua aos casos concretos, para perenizar a mesma situação, abaixo;
Presidente Cesar Rocha destaca a importância de reunir magistratura estadual
O presidente eleito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Cesar Asfor Rocha, proferiu palestra durante o 75º Encontro do Colégio Permanente de Presidentes de Tribunais de Justiça do Brasil, que está sendo realizado na capital do Rio Grande do Norte, de hoje (21) a 23 de agosto. O ministro disse ser muito importante a reunião da magistratura estadual porque é ela que julga os fatos do dia-a-dia do cidadão.
STJ adota orientação do STF que exclui prisão do depositário infiel Por maioria, a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça decidiu aplicar antecipadamente a orientação majoritária – mas ainda não pacificada – do Supremo Tribunal Federal (STF) pela impossibilidade da prisão do depositário judiciário infiel. Seguindo o voto do relator, ministro Aldir Passarinho Junior, a Turma concedeu habeas-corpus para revogar a prisão de um depositário infiel. Anteriormente, em outro processo, o ministro Aldir Passarinho havia indeferido o pedido de liminar, mas sua decisão foi cassada em habeas-corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal. Juíza usa da má-fé processual, para dizer que não se trata depositário infiel e sim de descumprimento de ordem judicial, é uma criativa fórmula usada para burlar á nova determinação do STF, isto tudo com a devida vênia do tribunal local.
Ignorante diplomado, não tem espelho em casa, o doutor não se vê, é um monstro..
Concordo, Saka:
“Muitas aberrações da humanidade foram – e são – justificadas por serem tradições, ou seja, indiscutíveis. Mas elas são apenas construções sociais, normalmente impostas ao longo dos anos pelos mais fortes até serem serem aceitas por determinado grupo sem que se lembre de onde ela surgiu.”
Uma delas é o fato de o ser humano explorar e matar até hoje os outros animais, a despeito de seus interesses e emoções.
Também marca presença na Expointer (ou Explointer), o grupo GAE-POA (Grupo pela Abolição do Especismo de Porto Alegre), junto com a SVB (Sociedade Vegetariana Brasileira), buscando fazer a sociedade refletir a respeito de um modo de vida mais pacífico.
Leia sobre o ato realizado em 2007: http://www.svbpoa.org/index.php?Itemid=28&id=275&option=com_content&task=view
http://gaepoa.org/site/expointer2007.htm
http://www.gaepoa.org/site/
Senhoras e Senhores!
Nós, cidadãos de vida eminentemente urbana, deveríamos nos abster
de opinar sobre certos assuntos da vida rural, pois, convenhamos,
dela pouco conhecemos.
Todavia, eu “civilizado urbano, de gravata e pastinha a tira-colo”,
ao longo das andanças da minha vida, tive a sorte de sujar minhas
botas de fino trato em %!@$&@#de boi, acompanhando a lida do campo
de fazendas de parentes e amigos, em terras firmes e no Pantanal
matogrossense.
Em uma dessas ocasiões, assisti a uma cena comovente: um peão, já
idoso, chorando desbragadamente, ajoelhado ao lado de um cavalo
que estava morrendo. Era um “quarto de milha”, cavalo de serviço,
que não gozava de prestigio como o cavalo pertencente ao patrão.
Não que lhe tivessem faltado com os cuidados, pois, cavalo é parte
fundamental na lida do gado. Estava à morte por uma infeliz picada
de cobra.
Essa cena me é prova de que existe uma relação de amor intenso entre
um peão e um animal, talvez até muito mais sério que o das madames
urbanas e seus “poodles” enfeitados e perfumados.
Os “executores da Lei”, eivados das melhores intenções na proteção
dos peões e cabanheiros, esqueceram de, antes, verificar com exatidão
o que é a vida de um cabanheiro ou peão e a sua relação com os animais.
Se tivessem convivido com os cabanheiros pelo menos um dia e uma noite,
estou certo de que teriam evitado aborrecimentos.
A propósito: penso em iniciar um abaixo-assinado propondo a criação de
uma lei federal, que determine a extinção imediata, rápida e impiedosa
de todas as cobras e outros tipos de animais peçonhentos que infestam
nossos campos e colocam em risco a vida dos nossos peões e dos nossos
animais.
Enfim, senhoras e senhores, o que deve ser percebido como relevante é
o amor que pode existir entre um ser humano e um animal. O resto é
“conversa para boi dormir”.
Saudações
Senhoras e Senhores!
Relendo os comentários desta matéria decidi ocupar mais um pouco deste espaço para prestar
apoio ao também comentarista Senhor Kunta.
É comum em nossas terras ter
cães nas fazendas.
Pois bem! Em primeira visita à fazenda de um meu Compadre,
notei que três cães da cachorrada
lá criada começaram a me rondar sempre que não estavam na lida do campo.
Instintivamente, dei atenção a eles, chamando-os pelo nome. Todavia, eles não se aproximavam.
Em segunda visita a essa fazenda, ao descer do carro, esses três cães vieram correndo até mim e começaram a cheirar as minhas pernas. Em primeiro momento, fiquei apreensivo, mas não percebi maldade na atitude deles. A partir desse momento eles passaram a me acompanhar onde quer que eu fosse, a pé ou a cavalo, salvo quando
eram chamados para as suas obrigações na lida do gado.
Desde a primeira vez, tomei por hábito dormir na varanda da casa da sede, por ter uma vista extraordinária da Serra do Mangaval, donde sempre sopra à noite uma brisa deliciosa e por ver noites estreladas de maravilha indescritível.
Notei que, ao deitar em meu colchão (os demais companheiros, em geral, penduram as suas redes
nos ganchos da varanda e as senhoras vão para os seus quartos), os três cães aproximaram e se
deitaram relativamente próximos a mim.
Na madrugada da noite seguinte fui transformado em alvo de “gozação” dos peões que foram nos chamar para a lida no curral: encontraram os
três cães literalmente dormindo em meu colchão, em posição como se me cercassem e … uma cobra morta a dentadas a menos de metro de mim.
Enfim, Senhor Kunta, dormir com os cães pode não ser tão ruim assim!
Saudações.
Declaro para o Sakamoto que lei seu blog do dia 09/09/2008 no cal relata sobre trabalho decente, meio anbiente, direitos humanaos, valoriso sempre sua busca como um bom reporte, gornalista,e más. na sua pagina do blog tem uma foto que chama muito minha atenção porque pareçe com meu irmão Juão Amado Leite do lado esquerdo tem uma foto com nuvem e uma toxcha amarela segundo quadro uma criança atraz de uma serca o terçeira quadro feijo um Homem com alguma coisa vermelha sobre o peito ele esta portraz da cerca gostaria de saber quem e este homem pareçe muito com meu irmão Juão Leite emviem uma foto pra mim quero verificar de perto sem grade da serca por favou se poscivel entre em contato com migo referente este assunto pois estou confusa. Obrigada Claudina.
Parabens Dr. o senhor esta certo, pois,aqui nao estamos tratando de simplismente dormir com animais,e sim, de cuidar e proteger em todos os sentidos ; sobretudo da seguranca.E devo aqui lembrar que se trata de uma equipe,onde homem e animal se respeitam.
Vai dormir japa…
Justificar o injustificavel???
No Brasil se banaliza tudo mesmo…a tradição, a sociedade, e o direito então em se fala (sou bacharel em direito)…o ministério do trabalho vai obrigar os peoões a usar capacete pra tirar o leite das vacas daqui a pouco….
E nunca NUNCA compare um constume trigueiro, como o de dormir com os animais, com as “aberraçoes da humanidade” que você citou.
E para os idiotas…O FABIO LUIZ GOMES É DOUTOR PORQUE TEM DOUTORADO! E é um dos grandes juristas brasileiros! Um gênio! Minha monografia foi baseada numa dissertação dele!
Opiniões muito infanits por aqui!