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27/05/2008 - 12:05

Troféu Frango vai para Mangabeira Unger

O ministro extraordinários dos Assuntos Estratégicos Roberto Mangabeira Unger deu uma entrevista publicada hoje no jornal Folha de S. Paulo em que tergiversou o máximo que pôde sobre a expansão econômica na Amazônia. Ao responder se é possível conter o desmatamento sem frear o agronegócio, ele foi direto:

“Não tem nada a ver com agronegócio. Nosso problema é que não temos feito nem de longe o suficiente nem em matéria de preservação nem em matéria de desenvolvimento. Por isso, estou discutindo intensivamente com os governadores da Amazônia Legal as medidas necessárias para dar conteúdo prático ao desenvolvimento sustentável.”

Por mais que ele tenha enrolado na quase totalidade da resposta, o tópico frasal do parágrafo é a primeira frase: “Não tem nada a ver com agronegócio.” Como não?! Quem ocupa o bioma amazônico – e, expulsa a gente que nele habita?

É claro que o modelo de desenvolvimento do país está ligado de forma carnal ao nosso padrão de consumo. Ou seja, não é só a agropecuária e o extrativismo da fronteira agrícola que desmatam. Todos temos uma parcela de culpa por consumir como imbecis que relegam a busca da felicidade ao ato de comprar desmesuradamente. Mas essa co-responsabilidade não dá salvo-conduto para a ponta-de-lança do agronegócio fazer um serviço sujo ao ampliar sua área. Ao mesmo tempo que temos que mudar o nosso padrão de consumo, os governos devem agir para alterar o modelo de desenvolvimento – lembrando que o Estado é um dos principais financiador do processo de desmatamento.

É claro que isso significa frear a expansão do agronegócio do jeito que é feita hoje, submetendo-o a um processo mais racional, pensando no que as próximas gerações vão herdar.

Todos são a favor do chamado “desenvolvimento sustentável”. No atacado. Quando analisam as ações para se chegar a ele, uma por uma, cria-se uma divisão, com diferentes visões do que deva ser desenvolvimento sustentável. Para uns é diminuir os impactos ou “plantar árvores” para compensar o dano causado enquanto que, para outros, é evitar que eles aconteçam.

Ao declarar isso, o ministro extraordinariamente reafirma (essa não é a primeira declaração nesse sentido) de que lado está na discussão. Não admira que a nomeação dele para coordenar o Plano Amazônia Sustentável tenha sido a gota d’ água para a demissão da ministra do Meio Ambiente Marina Silva.

Criei um tempo atrás neste blog o Troféu Frango para premiar situações bizarras em geral. O Frango, desta vez, vai para o ministro Mangabeira Unger.

Autor: sakamoto - Categoria(s): Sem categoria Tags:

8 comentários para “Troféu Frango vai para Mangabeira Unger”

  1. chris disse:

    Como acontece para todo político, muito pouco de verdade pode-se extair do seu discurso. É por suas ações que veremos quem ele é, a quem ele serve. Resta a sociedade civil dizer à estes senhores o que ela quer como “desenvolvimento sustentável” e não se deixar enganar por palavras bonitas.

  2. Tatiana Vasconvelos disse:

    Mister Mangabeira tem um histórico neoliberal demais para proteger o meio ambiente. Ai, ai… Lá se vai a Amazônia.

  3. Benedito Sverberi disse:

    Que orgulho de você, Leonardo!

  4. Germano disse:

    Quem é esse tal de Mangabeira para falar de desenvolvimento sustentável na Amazônia, piada, o cara vive nos (usa) a anos, e com certeza tem as mesmas convicções imperalistas.

  5. marcelo batista disse:

    Infelizmente, vc Sakamoto, e seus leitores, que não sobrevivem da terra, e acham que dela nada dependem, tem suas visões radicais, pautadas, para mim, num total desconhecimento dos fatos. se espessializaram em criticar ou desmerecer qualquer coisa que fale sobre desenvolvimento da amazônia. Será que realmente voçês pensam que 1/3 do país deve pertenser a florestas e ribeirinhos? Bom voçês devem fazer parte do grupo dos entreguistas, que querem a internacionalização da amazônia. Mas coloco aqui meu ponto de vista, apesar de ser vóz única aqui.Se preservarmos 1/6 do nosso país com reservas, o que corresponde aos 50% de uso que se tinha direiro na amazônia antes do entreguista FHC, seria muita terra protegida,e com certeza, fora aqueles que são sempre fora da lei, a grande maioria dos agropecuaristas da região se moldariam a uma realidade mais democrática, visando-se também a compensação pela preservação dos outros 50%, o que é justo.

  6. Manga-a-beira disse:

    Frango no homem!!!!!

  7. mauro Guerreiro disse:

    propostas objetivas para solucionar o conjunto de problemas que o país está enfrentando na amazonia deveriam acompanhar suas críticas para que elas sejam mais uteis,não acha?
    Uma solução um tanto radical com os proprietarios seria obrigá-los a reflorestar as áreas que depredaram.
    Solução lenta, mas se o governo central entrasse no assunto com trabalhadores, iria mais depressa.

  8. Mauro Guerreiro disse:

    Se não conseguirmos obrigar os proprietarios a reflorestar as áreas ilegalmente depredadas, resta-nos desapropriar para reflorestar ( precisamos de uma lei). Há uma imensa mão de obra desempregada e disponivel na região.
    Lateralmente o problema “reforma agrária” na amazonia poderia
    encontrar novos caminhos. “Defensores do meio ambiente “seriam nomeados para vigiar as areas reflorestadas mediante um salário pago pelo governo federal. Cada defensor vigiaria uma determinada área correspondente ao que receberia para trabalhar no sistema atual. Os benefícios para o Brasil seriam imensuráveis. E resolveria o problema da incapacidade de trabalhar no campo da maioria daqueles que estão nos acampamentos dos diversos movimentos visando desapropriar
    propriedades a titulo de justiça social, cujos interesses não são os anunciados. Isto poderia ser feito sem descurar do verdadeiro
    desenvolvimento da amazonia que é desenvolver sem destruir
    a floresta. O desafio é, ao mesmo tempo, defender o desenvolvimento, a lei, a democracia e o meio ambiente. Combater a corrupção é essencial.Sem o que, não conseguiremos.

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