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25/05/2008 - 11:11

Facão virou arma de destruição em massa

O uso da força é um instrumento político. É claro que devido à sua natureza, se utilizado, deve ser apenas em circunstâncias extremas, pois tende a ser uma faca de dois gumes. Pode contribuir para alcançar um objetivo, mas também gerar impactos negativos sobre a imagem junto à sociedade. Mas é uma alternativa, muitas vezes desesperada, diante da incapacidade do poder público de agir diante do desespero alheio.

O diálogo e as vias legais devem ser a primeira opção, por serem menos traumáticas. Mas nem sempre o outro lado, hegemônico, está disposto a negociar – principalmente se isso significar perda de regalias (note-se que não falei de perda de direitos, mas sim de regalias). Muitos diálogos terminam em muros intransponíveis pelas vias legais. E, vale a pena lembrar, muitas das leis que impõe desigualdades foram implantadas pelas classe sociais mais abastadas da sociedade, através da ação de seus representantes políticos nos parlamentos. Por essas e por outras, creio no poder da desobediência civil.

Para fugir da barbárie, cedemos ao Estado o uso da violência. Mas o próprio Estado (executivo, legislativo e judiciário), tomado, cooptado ou parceiro de alguns grupos sociais, é instrumento de repressão social. Nesse caso, recorrer a quem?

Uma ocupação por sem-terras de uma fazenda improdutiva, que desmate ilegalmente ou que use escravos, uma ocupação por sem-tetos de um prédio mantido fechado por especulação financeira, a retomada de uma terra indígena comida pelo agronegócio, a resistência à expulsão de comunidades ribeirinhas, quilombolas e indígenas, que sairiam para dar lugar ao “progresso” e ao “desenvolvimento”, são ações necessárias para fazer valer o direito à vida de muitas populações. Nesse ponto, devem ser consideradas como legítima defesa.

Muitas vozes se levantam para reclamar da violência resultante dessas ações, mas se calam diante de massacres, chacinas e genocídios que ocorrem diariamente sobre esses povos “bárbaros”. Que, onde já se viu, usam facões e foices, armas de destruição em massa. Distantes da civilização representada por fuzis, colheitadeiras e motoserras.

Abaixo, charge de hoje do Glauco, na Folha de S. Paulo.

Autor: sakamoto - Categoria(s): Sem categoria Tags:

25 comentários para “Facão virou arma de destruição em massa”

  1. marcelo batista fer. disse:

    Diogo, se vc morra na região e conhece o projeto Belo Monte atual, sabe que esta usina não ira desabrigar nenhum indio,pois a reserva deles é muito maior que o reservatório.Talves alguns que habitem a futura área alagada sejam remanejados, mas para dentro de sua própria casa/terra. agora pergunto-te, é bom ter ai ligado um computador , um ar condicionado, uma tv, geladeira, sabia que hoje muitos indios tem isso, sem falar que só andam de Camionete mitsubishi 4×4, e vivem mais do nosso dinheiro/funai, do que de peixe e açai? Pois é, as boas coisas da modernidade querem, mas desde que sejam feitas usinas para isso em terras dos brancos? Terra indigena tambem é brasil, e pelo interesse nascional, seja a terra do branco ou do indio, ela tem que servir a pátria.

  2. Mimi disse:

    Sakamoto: incrível a sua inconsequência! Embora você não tenha tido coragem de dizer abertamente que achou correta a ação dos índios com seus facões sobre o engenheiro, era a esse fato que você se referia, creio que vc não vai negar. Acho que a violência contra indivíduos desarmados é sempre covarde e errada, mesmo que seja feita só com as mãos e pés, você não acha? Não acredito que somente as armas de destruição em massa devam ser evitadas, mas sim todo uso da violência para intimidação e imposição de idéias. Quanto à sua defesa ao direito de toda pessoa (vale para todas indiscriminadamente, não?) usar qualquer tipo de arma para agredir aquele que ela julga que a prejudica, ou apenas representa quem a prejudica, bem, o dia em que aceitarmos como válidas a violência das agressões, dos sequestros, das chantagens, então com certeza todos nós teremos nos tornados verdadeiros selvagens.

  3. greibio alves dias disse:

    O uso da forca e um instrumento politico de uso exclusivo do Estado. So pra lembrar.

  4. jorji disse:

    Marcelo, pense um pouco mais, olha para o seu próprio umbigo, todos somos capazes de matar, seja com facão ou não.

  5. marcelo batista fer. disse:

    Jorji, ser capáz de matar, não quer dizer que deva fazê-lo. A situações e situações. O pressuposto é que matar, atacar, violentar, alguém desermado e inocente, sempre será crime.
    Jorji olhe para seu próprio umbigo, todos somos capaz de amar. Ame não mate.

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