O preço do progresso é um programa de menina
Araguaína – Passando o município maranhense de Estreito (onde um consórcio de empresas quer construir uma hidrelétrica, para abastecer fábricas de alumínio de energia, alagando áreas de comunidades indígenas), cruzando-se a ponte sobre o rio Tocantins e entrando no estado homônimo, há um posto de combustível. Entre bombas de combustível e caminhões estacionados, meninas oferecem programas. Um dos meus companheiros de viagem diz que elas entram na boléia do caminhão por menos de R$ 30,00.
Prostituição infantil não é novidade nas estradas do Brasil. E nem é vinculada apenas a uma classe social: há denúncias e mais denúncias de políticos e empresários que alugam barcos e hotéis para consumir as crianças que compraram. Mas é ruim quando a gente se depara com isso. Ver meninas que deveriam estar estudando para uma prova de oitava série vender seus corpos para sobreviver dá um misto de raiva e sensação de impotência. Anos atrás, não muito longe dali, no Pará, me apontaram bordéis onde se podia encontrar por um preço barato “putas com idade de vaca velha”. Ou seja, crianças de 12 anos.
A Belém-Brasília, que foi construída sob a justificativa de integrar o país e ocupar o interior ajudou a enriquecer alguns poucos, trouxe outros milhares que perseguiam um sonho de vida melhor e viu milhões serem explorados em fazendas, carvoarias, bordéis, fábricas, garimpos, mineradoras do seu entorno. Em seu entorno, convivem a riqueza, que manda suas filhas estudarem no exterior, e a pobreza, que empurra as suas filhas para os postos nas madrugadas quentes.
Um dia um fazendeiro português com terras no Mato Grosso disse a Dom Pedro Casaldáliga, símbolo da luta pelos direitos do campo no Brasil, para justificar a exploração: “Dom Pedro, o senhor é europeu, o senhor sabe. As calçadas de Roma foram feitas por escravos. O progresso tem seu preço”.
Como lá, também aqui. E que preço salgado temos pagado pelo progresso de alguns! A fatura inclui a inocência de nossas crianças, perdida antes do tempo, no escuro do asfalto.
Autor: sakamoto - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Penso que o cidadão comum precisa ser ouvido continuamente; sobre esse tema e outros tantos! Implementemos essa prática! Alguns países já deram a largada! veja mais em
http://vozdasgerais.blogspot.com
Prezado Chaddad, com todo respeito à sua opinião, porém está na hora da nossa sociedade deixar Deus um pouco de lado para questões tão complexas, e agirmos mais pautados na razão, de forma mais objetiva e científica. Enquanto a humanidade for regida com esses princípios atuais, jamais daremos um passo à frente, evoluimos, mas não melhoramos, não existe diferença alguma entre os primatas que são a nossa origem, com o homem atual.
Esta situação é histórica e secular no Brasil, e não há por parte do Estado providências para que este crime de abuso sexual contra crianças não mais ocorra.
A CPI da prostituição Infantil entregou ao governo federal um relatório e nenhuma providência foi divulgada.
Num país com tantos ministérios que poderiam contribuir para eliminar este mal, que afeta milhares de crianças e familias.
É a destruição da vida dos que tem infancia pobre, família pobre, num país que não educa.
Um homem que explora menina ou menino, comete o crime pela certeza da impunidade.
Embora esse assunto seja do conhecimento, senão de todos, mas de milhões de brasileiros, traz-nos uma angústia de amargar a boca, quando ouvimos politicos prometendo “isso e aquilo” e as coisas continuam na mesma, quando não pior. Mas…será isso ocorre somente por causa da pobreza? Essas crianças tem pai e mãe, será que os pais não tem consciência moral (eta palavrinha fora da moda), e particiapm indiretamente (ou diretamente, sei lá), da situação? A pobreza sempre foi alegada para justificar muitas coisas sujas e deprimentes, mas parece que por mais que tentem fazer (as autoridades?) a situação piora, ou é mais exposta na atualidade. E esses que se aproveitam disso, também não tem culpa? Talvez pensem que estão “ajudando” as infelizes.Devem esquecer sua família, suas filhas e ainda dão “graças a Deus” por elas estarem longe das ditas regiões. É triste e esclarecedor; não se vê nenhuma luz no tunel.Está tudo escuro, cada vez mais.