Trabalhador morre em unidade de frigorífico exportador no MT
O trabalhador Claudio Freitas Cruz morreu na última quinta-feira (21) após um acidente enquanto manuseava um equipamento de solda na unidade de Alta Floresta (MT) do Frigorífico Quatro Marcos. O grupo, um dos maiores do país, é membro da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).
Ele estava sem luvas, capacete e cinto de segurança, equipamentos de proteção individual que devem ser fornecidos obrigatoriamente pela empresa. A necropsia apontou que o choque não foi a causa da morte e sim a queda do local onde estava. Se tivesse o equipamento não teria caído e quebrado o pescoço.
Segundo testemunhas, Claudio – que deixa mulher e um filho de dois anos – reclamava sempre que a empresa não disponibilizava equipamentos de proteção sob a justificativa de contingenciamento de gastos. Esse não foi o primeiro acidente fatal no frigorífico: uma trabalhadora morreu ao ter o corpo puxado para dentro de uma máquina.
De acordo com o Ministério Público do Trabalho, o Quatro Marcos descumpre sistematicamente as normas de segurança e saúde do trabalhador. No dia 13 de dezembro, a empresa firmou um acordo com o MPT em que se comprometia a cumprir a legislação trabalhista e garantir segurança aos funcionários de suas seis unidades no Estado do Mato Grosso. Pelo acordo, o grupo garantiu que pagaria uma multa de R$ 2 milhões.
O setor de graxaria – parte da fábrica que transforma todos os resíduos do abate de aves, suínos ou bovinos em farinhas – concentra o maior número de acidentes de trabalho no Quatro Marcos de Vila Rica. Antes do acordo, o trabalho na graxaria chegava a se estender por 17 horas diárias, sem equipamentos de proteção, em um ambiente quente e barulhento. “Quando estamos trabalhando na graxaria, o cheiro de carne podre é insuportável fazendo com que alguns até passem mal”, relataram os funcionários ao MPT. As fiscalizações também constataram que a alimentação fornecida aos trabalhadores era deficiente e composta por partes não comercializadas dos animais abatidos, como sebo, “vacina” (local onde o boi recebe a injeção) e refile (raspa do osso).
Em dezembro, as atividades da unidade de Vila Rica (MT) do frigorífico também foram suspensas por determinação da Justiça do Trabalho após um vazamento de gás intoxicar, ao menos, 14 pessoas. Quem inalou o produto, apresentou vômito e teve desmaios, dormência em várias partes do corpo, dificuldade de respiração e fraqueza.
O Brasil vira referência de produção de carne bovina, batendo recordes de vendas, mas não consegue garantir qualidade de vida a quem torna isso possível, lá na base. Ao contrário do que alguns espertinhos pensam, isso não é um bom negócio. Mais cedo ou mais tarde, o desrespeito à dignidade vai cobrar seu preço.
Talvez uma empresa possa sobreviver tentando burlar a lei. Mas, e sem clientes, por quanto tempo ela consegue agüentar?
Autor: sakamoto - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Ai que horror! Por que nao fecham essa coisa de ma vez?
Depois eles botam a culpa na Europa. Eles têm barreiras por protecionismo? Sim, tem. Mas tem algumas delas que tem fundamento. Por que a Abiec não expulsa esse frigorífico?
Existem regras de abate. Alguém já verificou se eles cumprem essas regras de forma a minimizar o sofrimento animal? Maus tratos dizem respeito a todos: humanos e animais. Veja como são os procedimentos nessa área. Garanto que terá + vozes pra protestos.
Obrigada.
Entre o boi e o homem, fico com a raça humana. O gado que se dane. Eles sofrem? É claro! Mas quem nao gosta de um belo bife ou uma churrasco bem feito? Uns 75 porcento do país gosta.
Agora, esse frigorifico devia ser fechado
A morte deste trabalhador hoje foi notícia no seu blog, será que foi a única? O trabalho escravo é um problema gravíssimo que demonstra a covardia de um crime pela omissão de autoridades, da sociedade, pela perversidade da prática histórica e secular de escravizar. É um horror presenciar que através da desumanização de muitos alguns auferem lucros, sem se preocupar com consequencias que possam causar ao outro.
São muitas as vítimas e os relatos.
No blog do Ombudsman (hoje-26.02) tem notícia sobre trabalho escravo em fazenda na Bahia.
Parabéns, Leozinho.
Parabéns pela denúncia. O Brasil ainda tem muito o que evoluir em segurança do trabalho. Em outros países com história industrial mais longa que a nossa, empresas foram “forçadas” a investir em prevenção por concluírem que vale mais a pena. O fazem por iniciativa própria, tornando o papel do Estado fiscalizador muito mais fácil e principalmente, tornando o processo muito mais eficaz. E por que lá vale a pena? Por que lá o governo resolveu aumentar o custo do acidente, responsabilizar as empresas por todo o acidente de trabalho e principalmente, fazendo cumprir as leis. Este último ponto talvez seja o mais difícil no nosso país corrompido em todos os níveis, mas nós temos que continuar acreditando e fazendo a nossa parte, não nos deixando corromper em nenhum nível e nos colocando claramente contra empresas como esta.
Tanta futilidade publicada e esta notícia tem destaque no seu blog, mas deveria ser um compromissoa da imprensa livre , séria democrática de denunciar este fato, para que não mais ocorra.
Importante para muitos é com a desculpa da pluralidade nhém, nhém, nhém, e big bem. Conteúdo para que te quero, função social – o que será.
Parabéns voce é um guerreiro um exemplo de jovem brasileiro inteligente e que mostra o espelho aos seus leitores, para que cada um de nós vejamos nossa face, vejamos o OUTRO.
Leonardo Sakamoto, toda vez que leio seu blog choro, fico indignada e envergonhada. Sou parte (por omissão) do sofrimento da família de Cláudio Freitas Cruz, da ” trabalhadora que morreu ao ter o corpo puxado para dentro de uma máquina.”
Auferem lucros expondo à vida do trabalhador em risco por negligência e irresponsabilidade com a maior desfaçatez.
Descumprem leis trabalhistas e leis naturais.
É um problema de mente doentia.
Se ler a noticia dói, como estes senhores conseguem permitir que funcionários trabalhem sem equipamentos de segurança. São psicopatas.