Breve crônica do desmatamento anunciado
Olha eu, de novo, falando a mesma coisa. Sempre vi com ceticismo as declarações de que a diminuição da taxa de desmatamento anual da Amazônia representava um processo consistente. Até porque nenhuma das políticas implantadas até agora teve, a meu ver, força suficiente para fazer com que a floresta não virasse pasto, lavoura e carvoaria. Ou melhor dizendo, nenhuma das ações de Estado tocou na questão principal, que é o modelo de desenvolvimento.
A ação com maior potencial de dar certo é a criação da “lista suja” do desmatamento, no final do ano passado, forçando um embargo a propriedades rurais que tenham áreas devastadas ilegalmente. Mas ela ainda precisa ser aplicada e seus resultados verificados para soltarmos o primeiro rojão.
Hoje, veio mais uma notícia preocupante. Dados preliminares divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam um desmatamento na região amazônica de 3.235 quilômetros quadrados entre agosto e dezembro de 2007. A ministra Marina Silva, em entrevista coletiva, afirmou que isso representa uma tendência preocupante. A maior parte dos desmatamentos se concentrou no Mato Grosso (53,7% do total desmatado), Pará (17,8%) e Rondônia (16%).
A ministra citou o avanço da soja e da pecuária como fatores, ao lado de uma seca mais longa. Disse em público (finalmente) que não acredita que seja coincidência o aumento do desmatamento no momento em que o preço da soja e da carne atingem altos patamares no mercado internacional.
Enfim, a água está batendo na bunda da Amazônia… Espero que esse alerta sirva para o governo federal impedir a retirada de estados como o Tocantins da Amazônia Legal (o que diminuiria a área de reserva legal de fazendas, hoje em 80% na região, para alegria dos sojicultores e das tradings da soja) e agir para evitar a aprovação do perdão dos fazendeiros que desmataram por anos e agora querem que suas terras sejam regularizadas. Além, é claro, de implantar de forma efetiva a “lista suja” do desmatamento. entre outras ações)
Há alguns anos, venho escrevendo que, no que pese os seus louváveis esforços, o Ministério do Meio Ambiente tem menos controle sobre o desmatamento na região amazônica do que a Chicago Board of Trade, nos Estados Unidos, onde se define o preço mundial da soja. O grão passou um longo período com preço baixo no mercado internacional, o que freou sua expansão sobre a Amazônia e o Cerrado. Como não valia a pena economicamente, o agronegócio não se expandiu sobre novas áreas. Agora, que o preço volta a atingir patamares interessantes, ouve-se o despertar das motosserras. Há dois anos, quando falei sobre isso, me chamaram de “arauto do pessimismo”. Hoje, posso dizer com tranqüilidade: eu avisei.
Mas não é só. Análises apontam que o preço da arroba de carne bovina deve alcançar cerca de R$ 90,00 até o fim do ano, o que representaria um aumento de mais de 20% com relação aos valores atuais. O Brasil virou o açougue do mundo. Por um lado, isso significa mais dinheiro entrando. Por outro, significa mais desmatamento (a Amazônia está virando o pasto do país) e mais trabalho escravo (62% dos casos desse tipo de exploração são de pecuária bovina, considerando a “lista suja” do trabalho escravo do governo federal).
Ao mesmo tempo, a demanda por etanol está levando a uma busca incessante por terras em locais de agricultura consolidada para plantar cana, expulsando outras culturas em direção à fronteira. Em Goiás, por exemplo, é visível a briga entre cana e soja. Nessa briga, quem sai perdendo é o meio ambiente e as populações tradicionais.
Carne, soja, cana brigando por espaço. Com o preço da terra subindo, fica cada vez mais atraente desmatar ilegalmente. Um fator que ajudar a “convencer” empresas e fazendeiros a atuarem dentro da lei (evitando desmatamento, exploração do trabalho, grilagem de terras) é a pressão da sociedade e do Estado. Quando isso acontece, fica caro sair da linha (por boicote, multas, dano à imagem institucional). Mas quando os preços estão indo de vento em popa, vale a pena rasgar as regras, mesmo com o passivo. No saldo, a balança ainda é lucrativa.
Além disso, com o preço da terra subindo com a especulação imobiliária (a cana é uma das principais responsáveis no Centro-Sul), torna-se vantajoso ir em busca de áreas nativas, desmatar e implantar uma fazenda. Por fim, é mais barato pegar os solos ricos recém-deflorestados do que tr que recuperar uma área abandonada.
Repito o que eu tinha dito antes. O único culpado não é o MMA. É difícil lutar contra um inimigo que tem aliados dentro da própria casa. Afinal de contas, o governo federal é um dos maiores incentivadores dessa política de expansão, incensando o etanol e apoiando com subsídios agrícolas aqueles que desmatam. Na esperança de que, lá na frente, isso tudo gere caixa para pagamento da dívida externa. É hora de agir, e não esperar uma graça dos céus neste momento.
Autor: sakamoto - Categoria(s): Sem categoria Tags:
E lah se vai a Amazonia…
O pior é que enquanto isso os fazendeiros riem do governo por terem sido tão inocentes. Ou coniventes…
Estamos comunicando que este ‘blog’, BLOG DO SAKAMOTO, foi ‘linkada’ na seção de campanhas em nosso portal …
http://www.uff.br/peteconomia/
Esta história deque vai fazer alguma coisa, é uma verdadeira palhaçada, pois a verba derstinada para isso vai se perdendo pelo caminho, por causa das propinas e o restinho que chega num da pra fazer nada. A ministra do Meio Ambiente não conhece nada e fica ai agora no desespero, Acorda Brasil, Acorda
Pois é, caro Sakamoto. E ainda temos de acordar com a notícia de que o GT do Ministério do Trabalho libertou trabalhadores em uma fazenda de soja do primo do maior “sojinata” mundial e também governador de Estado, Maggi.
Eram 41 trabalhadores na chamada “condições degradantes”.
Não é novidade o uso dessa forma de mão-de-obra no estado, mas estes trabalhadores estavam há menos de 500 km de Cuiabá, e perguntamos como estão os outros, nos “fundões” dos desertos verdes de soja.
A única solução para essa gente é tirar-lhe a propriedade. Multa, punição, etc. etc. não adianta. Esse pessoal vai ao judiciário e ficará esperando a prescrição chegar. Só mesmo mexendo no bolso deles, com leis enérgicas, em que o poder de polícia possa atuar sem necessidade do Judiciário, é que poderemos ter um pouco de esperança. Mesmo com todo o empenho da nossa Ministra, a coisa não é fácil. Tenho um pouco de esperança se países europeus, que estão preocupados com o meio ambiente, começarem a impor embargo ao Etanol e ao nosso açúcar. Quem sabe, o poder econômico, pensando no bolso, pare de desmatar.
SE ESTE ANO E DA JUSTIÇA COMO DIZEM,QUEM SABE (DEUS),NÃO MANDOU CHAMAR O CARNIÇEIRO,PRA UM JUSTO JULGAMENTO.
Que coisa linda os comentários da moçada. Ainda bem que o pessoal continua desmatando e praticando o trabalho escravo. Sakamoto, san, por favor, leia um pouco o contraditório. Esse comentário final seufoi de matar.Divida externa. Essa tal de divida externa acabou faz tempo. O Brasil tem hoje perto de 200 bi de doláres, cash. Por favor, procure ler um pouco os artigos do Prof. Ikeda. Penso que vai fazer bem a Você.
Sds.
Ali