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30/12/2007 - 07:10

O fim de uma era na esquerda brasileira

Postei, originalmente, o texto abaixo neste blog no dia 06 de junho. A pedido de leitores, resgato-o neste espaço para dar um pequena contribuição à reflexão nesta virada do ano. Após um 2007 de discussões sobre transposição do Velho Chico no Nordeste e licitação de hidrelétricas na Amazônia, além de (mais) frustrações políticas pelo país, acho que ele continua atual.

Não sei se todos se deram conta, mas estamos vivendo tempos interessantes – para usar a expressão do professor Hobsbawn – no que diz respeito ao “ser” de esquerda no Brasil. Um período de mudanças em que um dos efeitos é a falta de entendimento entre grupos que, teoricamente, defendem o mesmo objetivo. A questão ambiental é um dos palcos principais dessa batalha, em que a razão tem sido morta e enterrada – principalmente pelo grupo que está no poder.

Tivemos três grandes ciclos da esquerda no país durante o século 20. Grosso modo, o primeiro deles, anarquista, foi fomentado pelos imigrantes europeus que vieram trabalhar na então nascente indústria paulista e difundiram seus ideais. O segundo, com os movimentos comunistas e socialistas, da intentona à resistência à ditadura militar dos anos de chumbo. O terceiro veio com o processo de redemocratização do país e a liberdade de organização civil e tem um forte tom partidário.

Ou seja, a esquerda durante o século 20 variou de acordo com a relação que firmava com o Estado. Do anarquismo, que não acreditava que ele fosse fundamental para o desenvolvimento da sociedade, passando pelo comunismo, que defendeu a necessidade de destruir o Estado para depois reconstruí-lo sob a direção do proletariado, até o “petismo” em que a esquerda acreditou que seria possível tomar o Estado dentro das regras do jogo da classe dominante, ou seja através da disputa político-eleitoral.

Veio o século 21 e uma das poucas certezas que tenho é que o paradigma do sistema político representantivo está em grave crise por não ter conseguido dar respostas satisfatórias à sociedade. Bem pelo contrário, apesar de ser uma importante arena de discussão, ele não foi capaz de alterar o status quo. Apenas lançou migalhas através de pequenas concessões, mantendo a estrutura da mesma maneira e a população sob controle. O Estado, assim como há 100 anos, continua servindo aos interesses de alguns privilegiados detentores dos meios de produção. E a maioria das disputas relevantes no seio do Estado são eminentemente intra-classe, no caso a elite.

Os atores desse terceiro ciclo da esquerda, que tem seu cerne no petismo, fracassaram em sua idéia original de mudar o Estado por dentro. Grande parte do PT (deixando claro que há notáveis exceções) adotou práticas que ele mesmo abominava. Bem, todos conhecem a história.

Onde está a força da esquerda hoje? Nos movimentos sociais e nos grupos de base. Ou seja, atores que dialogam com o Estado, mas que estão fora dele, atuando na transformação da sociedade pelo lado de fora. Creio que isso deve-se à desilusão com a política partidária tradicional, à incapacidade dessa velha esquerda em dar alternativas para os jovens e ao fortalecimento de grupos que nunca adentraram no sistema partidário por não acreditarem em sua natureza ou por serem dele alijados.

O mais importante grupo político hoje no país, concordando ou não com seu modus operandi, é o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que através da luta pela reforma agrária tenta alterar o modelo de desenvolvimento econômico. Ou seja, faz política.

E não é só a luta pela terra. A incapacidade do sistema representativo de gerar respostas satisfatórias levou também ao fortalecimento da luta da sociedade civil em outras frentes, como trabalho, comunicação, direitos humanos e meio ambiente. Ressalte-se, apenas, que sociedade civil não é a mesma coisa que organizações não-governamentais, pois, a despeito das ONGs comprometidas com mudanças estruturais, muitas delas são de ordem cosmética e apenas reforçam as condições atuais.

O interessante é que esse quarto ciclo de esquerda, dos movimentos e da sociedade civil organizada ou não, tem muito a ver com o primeiro, lá no início do século 20. Ao questionar o papel do Estado e agir por conta própria, adota nuances de anarquismo. Alguns podem falar que o que chamo de nuances de anarquismo seria, na verdade, um processo de aprofundamento do Estado mínimo em que o governo se exime de suas responsabilidades entregando ao mercado a gestão da sociedade.

Há de se ter cuidado com isso e não confundir programas como “Amigos da Escola” – que, na verdade, são mais daquelas migalhas que falei acima – de um processo sério de organização popular pela transformação da realidade social, econômica, cultural, política. Mas essa separação é fácil de ser feita, basta verificar quais são os impactos da ação de determinado grupo. Se elas não se encaixam em um panorama maior, de transformação real, e limitam-se à sua pontualidade, estamos falando de migalhas.

Por exemplo, ocupações como a da Reitoria da USP pelos estudantes, de terras improdutivas pelos sem-terra ou de prédios abandonados por sem-teto têm um objetivo muito maior do que apenas obter concessões de curto prazo. Elas não servem apenas para tapar as goteiras das salas de aula, desapropriar uma fazenda ou destinar um prédio aos sem-teto. Os problemas enfrentados pelos movimentos envolvidos nesses atos políticos não são pontuais, mas sim decorrência de um modelo de desenvolvimento que enquanto explora o trabalho, concentra a renda e favorece classes de abastados, deprecia a coisa pública (quando ela não se encaixa em seus interesses) ou a privatiza (quando ela se encaixa). Ou seja, as ocupações são uma disputa de poder feita simultaneamente em âmbito local e global que, no horizonte histórico, poderá resultar na manutenção da pilhagem econômica, social e cultural da grande maioria da sociedade ou levar à implantação de um novo modelo – mais humano e democrático.

O problema é que toda mudança leva a um enfrentamento. No caso da questão ambiental, por exemplo, há uma disputa sendo travada entre pessoas da velha e da nova esquerda via mídia. O discurso de que o desenvolvimento é a peça-chave para a conquista da soberania (o que concordo) e que, portanto deve ser obtido a todo o custo (o que discordo) tem sido usado por pessoas que foram comunistas, tornaram-se petistas e hoje fazem coro cego ao PAC do governo federal. Mantém viva a parte ruim do pensamento do genial Celso Furtado que, na prática, significa que é necessário sacrificar peões para ganhar o jogo.

Do outro lado, os movimentos sociais e ONGs sérias que atuam nesse campo defendem que o crescimento não pode ser um rolo compressor passando por cima de pessoas e do meio ambiente. Por suas ações, que impedem um laissez-faire generalizado, são taxados de entreguistas e de fazerem o jogo do capital internacional. Nas últimas semanas, presenciamos isso nas críticas levantadas contra o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que ocupou a hidrelétrica de Tucuruí, ou nos impropérios lançados às comunidades que protestaram contra as obras de transposição de parte das águas do São Francisco.

É claro que os países do centro querem que nós arquemos com o ônus da preservação do planeta. O mercado de carbono, na prática, é isso: compra-se créditos de terceiros (que vão adotar práticas ou projetos que absorvam carbono da atmosfera) para que se possa poluir. Ao mesmo tempo que isso acontece, esses países se beneficiarão do alargamento da já grande distância de desenvolvimento entre o centro e a periferia.

Mas o atual modelo, gestado no seio do capitalismo, e em plena vigência no Brasil tem um potencial destruidor muito grande, além de ser extremamente concentrador. Ou seja, o resultado da pilhagem dos recursos naturais e do trabalho humano, mantendo o padrão adotado até aqui, continuará nas mãos de poucos, sejam eles brasileiros ou estrangeiros. Não faz sentido defender algo que também está nos afundando.

Como se resolve esse enfrentamento? Na minha opinião, não se resolve. O problema entre a velha e a nova esquerda está no contexto histórico em que seus atores foram formados. Não adianta mostrar fatos novos ou uma nova luz para a interpretação da realidade, há grupos que fecham e não abrem com o padrão de desenvolvimento forjado na ditadura – paradoxalmente a mesma ditadura que os torturou. A meu ver a solução se dará através de renovação geracional, ou seja, os mais antigos se retirando com a idade para dar lugar aos mais novos. É triste que seja assim, mas tendo em vista os últimos embates, não acredito em conciliação possível.

Tudo o que foi discorrido aqui, é claro, diz respeito à esquerda internamente. Agora, como diria o professor Garrincha, falta combinar com o inimigo. Porque a história mostra que apesar da esquerda ter capacidade de influenciar a realidade no país, ela não foi capaz de transformá-la. E a menos que algum dos novos ciclos traga respostas para romper com a estrutura atual, continuaremos vendo eles se repetirem nos fracassos. Para a alegria da direita.

Autor: sakamoto - Categoria(s): Sem categoria Tags:

11 comentários para “O fim de uma era na esquerda brasileira”

  1. Jorge disse:

    Quando o governo Lula terminar, notaremos como mesmo no meio-ambiente houve avanços enormes. Tanto a hidrelétrica como a captação de água no S. Francisco não são crimes ambientais, como muitos imaginam. Água e energia, muitos brasileiros ainda carecem delas.

  2. Reginaldo disse:

    Sem dúvidas sou mais um visitante permanente do blog. Adorei os textos que li e tenho certeza que ajudarão na minha formação política.

    Ciências Sociais é uma “paixão eterna” na minha vida.

    Comecei até um curso na UFCG, mas devido as circunstâncias da vida (trabalhar no mesmo horário numa indústria) estou noutro curso a noite, curso que tem um campo de trabalho maior.

    Mas estou aprendendo muita coisa neste trabalho numa indústria. Trabanhando e estudando as relações de trabalho.

    não posso dar detalhes porque asssim estaria colocando meu pescoço em jogo. (risos)

    então é isso, parabéns pelos excelentes textos e saiba que sou mais um leitor atento, buscando conhecer cada dia um pouco mais desse complexo sistema político, econômico, religioso…

    abraços.

  3. gilvan disse:

    Conflitos internos na esquerda sempre houveram. Aliás os esquerdistas nunca se entenderam direito, se perseguem mutuamente e se matam. A Revolução Russa é um bom exemplo, mas não o único.

    Aliás esta é uma das fraquezas que impedem sua hegemonia, o que é um fato a comemorar.

    Felizmente, como você mesmo admite no final do seu texto ainda resta esperanças, a direita não morreu.

  4. EDWARD CHADDAD disse:

    Não acredito, prezado Sakamoto, que a questão seja eminentemente política.Tenho acompanhado seus comentários e gosto de lê-los, pois, além do seu ótimo conteúdo, traz ao debate importantes temas, tal como este ora focalizado. A verdade é que o ser humano é destruidor, independentemente de sua ideologia política e possuidor de ambições incomensuráveis. É difícil colocar uma pedra no caminho desta apocalípse. Ademais, hoje o capitalismo vive tanto nos países socialistas e comunistas como nos liberais ou conservadores. E é ele, o capitalismo, portador do atual modelo econômico que, dias após dias, vem destruindo nosso planeta. Já lhe disse que não creio em desenvolvimento sustentável. É um mito. Uma quimera. Utópico. Necessitamos é de um urgente controle de natalidade e de uma educação ambiental forte, que nos transforme: mude o nosso agir em cada um de nossos dias. Muitos acreditam nas ciências para a solução. Entretanto, o progresso, que muitos acham ser o segredo da salvação da humanidade, é uma ilusão. Só a ética é que nos salvará, estejamos na direita ou na esquerda. Se houver tempo, talvez, no passar dos anos, a humanidade cresça em seu espírito e venha a mudar sua conduta. É evidente que sei que a esquerda é progressista, formada por grande parcela de ambientalistas, daí o seu inconformismo. Mas, vamos ter fé. Quem sabe os homens comecem a pensar seriamente no que estão fazendo. Temos agora, logo logo, um ano novo. E que este ano de 2008, seja um ano de luz que ilumine a humanidade para vencer seus grandes desafios. A você, homem de fé, que luta por suas convicções e ideais, que Deus lhe dê saúde e que o ano que se aproxima lhe seja muito próspero. Feliz ano novo.

  5. Enock da R Araujo disse:

    Concordo com muitos pontos de sua análise. Discordo muitos outros. Se a solução que você aponta é a substituição da elite de esquerda por uma outra geração mais nova, me diga:onde está esta nova geração? Que jovem hoje, seriamente, acredita nos ideais da esquerda? Muitos se dizem de esquerda sem saber, sequer, o que é esquerda. O governo Lula não se elegeu com um discurso de esquerda. Isto todos os de esquerda esqueceram, e cobram dele o que ele mesmo não prometeu: um governo de esquerda. Principalmente tipo stalinista como alguns o desejam. Gostaria que os cientistas sociais, aqueles que tem práxis, se debruçassem para apontar caminhos para a esquerda dentro do contexto histórico em que vivemos, e não no saudosismo do secúlo XX. Não vejo as ONGs como esquerda. respeito o MST, mas não creio na proposta. vivemos outros tempos… dificeis de serem analisados. Não há ideal de esquerda sem desenvolvimento, sem melhoria nas condições de vida do povo…

  6. Malaguti disse:

    Caro Sakamoto,

    Após ler seu texto sobre as esquerdas e os movimentos sociais, pareceu-me fundamental ter acesso à sua tese de doutorado. Estou orientando uma dissertação sobre trabalho escravo que está a ser escrita por uma procuradora federal do trabalho. Acreditamos – eu e ela – ser de fundamental importãncia podermos ler o teu grande texto: a tese. Obrigado e parabens.
    Manoel Luiz Malaguti

  7. Shsiuii disse:

    Sinceramente, com a criação de uma “consciência etária”, vinda da Revolução Contracultural de 1968, criou-se uma grande mercadoria para o capital: o jovem. Graças a esse produto, com todos esses rótulos e cargas de desejos, por jovens e adultos, fica realmente difícil alguém se engajar politicamente, sem mencionar qualquer um dos lados. A consciência etária vendida hoje é muito mais etária do que consciente, e egoísta, centrada no próprio umbigo.
    Mas, como foi dito aqui, a retomada de uma postura ética talvez seja a salvação do mundo. Digo talvez pois a consciência etária a qual me refiro aqui também carregou esse valor, ou seja, será que a ética também não pode tornar-se apenas um mero produto do capital?

    Abraços.

    Shisuii

  8. Saulo Araujo disse:

    Caro Sakamoto,

    Obrigado pela analise. Eu tambem concordo com outros (e discordo de voce — risos) sobre a solucao “geracional”. Este eh um argumento perigoso, pois ai enveredamos pelo caminho do preconceito de idade (O que em ingles se chama de Ageism ou discriminacao pela idade das pessoas).

    Bom, eu acredito que estamos na mesma faixa etaria — risos. Como jovem, eu gostaria tambem que as criancas, jovens e as pessoas da terceira idade fossem mais respeitados nos processos de decisao.

    Outro ponto que gostaria de enfatizar eh a percepcao do que eh “desenvolvimento”. Olha, desenvolvimento nao eh necessario para a soberania. Pelo contrario, “desenvolvimento” tem sido forjado como um termo para difundir os ideais do mercado livre/globalizacao neo-liberal.

    Eu acho que precisamos olhar alem do discurso do desenvolvimento. Eu acredito o que os trabalhadores/as, os desempregados, e camponeses estao desenvolvendo atraves de praticas de solidariedade e auto-determinacao sao alternativas para o desenvolvimento. Por que desenvolvimento, soh tem trazido mais concentracao de renda, e destruindo a soberania das populacoes sobre os recursos locais.

    Um bom exemplo eh o caso da questao do direito a agua no semi-arido brasileiro. De um lado, temos o projeto de desenvolvimento da transposicao que ira beneficiar ao agronegocio. Do outro, nos temos as alternativas desenvolvidas por mais de 20 anos pelas familias do semi-arido. A opcao desenvolvimentista do governo federal nao ira fortalecer a nossa soberania nacional. De fato, estamos abrindo as portas para mais concentracao de terra, mais fome, e mais pessoas sem trabalho.

    Bom, pelo que conheco, o paradigma do desenvolvimento tem destruido comunidades, os sistemas produtivos alimentares e o nosso planeta. Nos Estados Unidos, por exemplo, a solucao de grandes lojas de departamentos tem destruido o comercio local e consequemente comunidades. O modelo de agricultura industrial tambem tem concentrado a producao em poucas empresas e a qualidade da comida eh questionavel com tantos transgenicos e agro-quimicos.

    Certamente, esse nao eh o exemplo que devemos seguir.

    Feliz Ano Novo!

  9. Henrique Cesar Rodri disse:

    Destaco dois pontos:
    1. Vivemos numa sociedade capitalista.
    Ela nasce da acumulação e NÃO É IGUALITÁRIA.
    É hipocrisia imaginar que uma sociedade capitalista vá ser igualitária.
    Mas tem que se dar igualdade de oportunidade na educação, no acesso à saúde, para compensar essa desigualdade.
    As políticas têm que ser maleáveis, como as COTAS, BOLSA FAMÍLIA, PRO-UNI, INDEXAÇÃO DO AUMENTO DO MÍNIMO AO CRESCIMENTO DO PIB,…
    2. Aos jovens há muita informação, mas não há politização, consciência política.
    Daí, como definir esquerda, direita, centro,… e outras direções. Acho difícil, visto que os nossos políticos são os primeiros a não incentivarem o vínculo ’sociedade-política’.

  10. Antonio Barbosa Lúci disse:

    Acredito que o problema maior é a falta de entendimento sobre o que representa o capitalismo para a sociedade. Ou seja, como não conhecem, não podem enfrentá-lo. E, se conhecem e aceita a sua lógica impossibilitam qualquer transformação. A esquerda brasileira, se perdeu no meio do caminho. Historicamente, formou mal os seus quadros. Defendem a via eleitoral, como a única possível para transpor a barreira da dominação. Equivocados, não entendem que não se enfrenta o inimigo, aliando-se a ele em seus preceitos. Perdem-se no caminho da vaidade, da ignorância científica, da intransigência política. Voltam-se para o aperfeiçoamento do capitalismo. Como quem ignora a História, se vêem na utopia de completar o incompletável. Não conseguem entender que o capitalismo se entranha no cotidiano das pessoas, na exarcebação dos interesses individuais sobre os coletivos. Esta esquerda, com certeza, perdeu suas ações concretas, pois, apenas defendem interesses individualizados. Com certeza o capital, ficou feliz com tanta falta de despreparo político, com tanta mediocridade científica. Esta esquerda, a muito não é esquerda. Disfarça seus desejos pessoais de pequeno burqueses. Atuando fora ou dentro do Estado, repetem os mesmos erros. Os primeiros, querendo completar o capital, favorecendo o seu crescimento. Estes, omitem que na verdade, querem mesmo é satisfazer o ego pessoal, a mesquinhez da protenção de sua família em detrimento da família coletiva. O outro grupo, despreparados para enfrentar o capital, tentam também completá-lo, fazendo aquilo que dizem que o Estado não faz. Nessa lógica, criam ONGs interesseiras, que utilizam recursos do Estado, atuando em área que ele deveria atuar. Os mais sérios, mesmo questionando o próprio Estado, não deixam de se aliar a ele, quando reforçam as políticas assistencialistas, em nome da salvação dos povos. Esta omissão reinante, agrada ao capital, aos capitalistas e, em especial, a essa classe média que fica em cima do muro esperando qual lado vai vencer para pular em defesa do vencedor. Perdemos a capacidade de, ao menos, se indignar, pois a capacidade de contraposição,essa foi perdida a muito tempo. Como bons deistas, esperam que venham do céu a salvação. Vêem no Estado o meio para melhorar a vida das pessoas. Os que se contrapõem ao Estado, atribuem as atitudes individualizadas, desprovidas de analise política, a única forma de salvação. Ambos, acreditam ser deuses salvadores. Como não compreendem mais, ou nunca compreenderam, que a palavra de ordem” trabalhadores univos” ainda é a única forma de contraposição, ficam desiludidos com a forma de condução do Estado. Os mais ignorantes, não percebem que não é a pessoa do governante que prevalece no Estado capitalista, mas a forma como é conduzida as políticas de sustentação do Estado. Como loucos, saem em defesa do indefensável, justificando o assistencialismo. Agora, nem a indignação resisti mais. Sobrou a apatia. Esta, como burra que é, favoce os intereses do capitalismo. Perdemos a esquerda, pois ela sempre foi frágil, organizada por indivíduos isolados, eternos lutadores que, não exitaram em morrer enfrentando as ditaduras do capitalismo, em desalojar sua vida, em defesa dos grupos oprimidos. A estes, que acredito existam aos milhares,apenas não se encontram, meu eterno parabéns por ainda acreditar em um novo modelo de sociedade e, mais do que acreditar “arregaçam as mangas” para afastar a mediocridade de suas vidas.

  11. morani disse:

    10/01/08

    Dr. Sakamoto:

    Lí com muita atenção, interesse e espírito analítico todo o seu “O FIM DE UMA ERA NA ESQUERDA BRASILEIRA”.
    Pergunto, talvez ingenuamente: temos esquerda no Brasil? Se temos, ela se confunde com a Direita e as duas com o Centro, numa miscelanea que não sabe sabor algum. O nosso “mestre” Garrincha de saudosa lembrança, não saberia a quem recorrer para “combinar o resultado do jogo”.
    Estamos no mesmo patamar, com as mesmas dúvidas e com as mesmas apreensões. Só isto. Abraços. Morani.

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