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28/09/2007 - 14:06

Tem coisas que a gente não vê. Mas que elas existem, existem

Declaração dada pela senadora Kátia Abreu (DEM-TO), vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil e relatora da comissão sobre a Usina Pagrisa (pivô das recentes discussões entre senadores e entidades que atuam no combate ao trabalho escravo) em uma entrevista publicada na Folha de S. Paulo de hoje:

“Não sou escravocrata. Quando meu filho me pergunta se a condição de trabalho de um empregado é boa, pergunto se a minha neta poderia viver no lugar. O que não quero para mim não quero para os outros. Nunca vi trabalho escravo no Brasil. Tem de diferenciar o que é irregularidade trabalhista e trabalho degradante, coisas erradas, da escravidão.”

Infelizmente, existe sim trabalho escravo no Brasil. E no Tocantins, estado da senadora, a situação é preocupante.

Até hoje foram libertados mais de 26 mil no país, de acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O sistema de fiscalização de denúncias foi criado em 1995, quando o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (da coalizão liderada pelo PSDB e que contava com o PFL, hoje DEM) reconheceu a existência de trabalho escravo diante da Organização Internacional do Trabalho. Em 2003, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva desenvolveu esse sistema, com o lançamento do Plano Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo.

De acordo com dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), de um total de 20.322 libertados da escravidão desde 2003 em todo o país, o Tocantins está em quarto lugar desse ranking, com 1.841, após Pará (6.974), Mato Grosso (2.953) e Bahia (2.315).

No estado, a CPT registrou 43 denúncias de fazendas ou carvoarias envolvidas com essa prática em 2004, 40 em 2005, 36 em 2006 e 15 até este momento em 2007. Considerando as libertações ocorridas entre 2003 e hoje, o Tocantins é o terceiro estado que mais fornece seus filhos para a escravidão (9,2%), após o Maranhão (34,3%) e Pará (10,8%). O município de Ananás, no Norte do estado, aparece em sexto na lista dos municípios de nascimento de trabalhadores resgatados.

Para tentar combater essa situação, o governo do Tocantins – que reconhece a existência do problema – aprovou uma lei, considerada umas melhores do Brasil para o combate ao trabalho escravo, que impede o estado de fechar negócios com empresas e fazendas que utilizaram esse tipo de mão-de-obra. A lei já foi colocada em prática.

O Tocantins também criou uma Comissão Estadual para a Erradicação do Trabalho Escravo, que conta com a participação do poder público e da sociedade civil, e formulou um Plano Estadual para a Erradicação do Trabalho Escravo, que deve ser lançado em breve. Na terça feira, durante encontro dos secretários estaduais de justiça e direitos humanos, o representante do Tocantins assinou uma moção coletiva, solicitando o retorno dos grupos móveis de fiscalização, que verificam denúncias de trabalho escravo e libertam pessoas.

Tem coisas que a gente não vê. Mas que elas existem, existem.

Autor: sakamoto - Categoria(s): Sem categoria Tags:

13 comentários para “Tem coisas que a gente não vê. Mas que elas existem, existem”

  1. Ayres Lima disse:

    Essa senadora deve conhecer só a capital do estado e olhe lá…

  2. catatau disse:

    vim pelo blog do idelber, muito interessante. Especialmente no post dele pensei a respeito da CPT, e encontrei informações ressonantes entre a tua atuação e a da CPT. Darei meu apoio por lá a respeito da injustiça da senadora

    um abraço,

  3. sueli - porto alegre disse:

    Nossa ! ela estava em MARTE !!!!!

  4. Maurício Kanno (Xenô disse:

    Pois é, grande Leo Sakamoto… tem coisas que a gente não vê, mas que elas existem, existem… não duvido de que haja muito trabalho escravo nos cafundós do Brasil, principalmente, ainda mais a julgar pelo trabalho que você desenvolve no Repórter Brasil. Na verdade, praticamente é o único lugar em que já li sobre isso, sabe? creio que esse assunto, por tão grave, deveria ser legitimado pela mídia em geral também.

    O fato é que o ser humano tem muito de cruel ainda, apesar de tanta aparência. Ao menos a tradição do escravagismo, apesar de praticada em certa escala, como você denuncia, é deslegitimada e proibida.

    No entanto, exploração, torturas e chacinas cotidianas são praticadas numa boa, na total legalidade e de forma legitimada, contra outros animais, que são tão sensíveis quanto o humano.

    Aliás, a frase do seu post me lembrou uma famosa do casal Paul e Linda McCartney: “Se os matadouros tivessem paredes de vidro, todos seriam vegetarianos. Nós nos sentiríamos melhores conosco e melhores com os animais, sabendo que não estamos contribuindo para o sofrimento deles.”

    No momento, tenho desenvolvido, principalmente em meu blog, um trabalho voltado para os direitos animais, o que inclui o vegetarianismo.

  5. ferdi disse:

    Grande Leo, eu sei que você não pode escrever aqui, mas eu diria que existe muito mais do que ingenuidade turvando o julgamento da senadora que nunca viu trabalho escravo no Brasil. Como você bem escreveu, coisas que a gente não vê e nem pode dizer, mas que existem.

  6. tonio carlos disse:

    Saudações Sakamoto….sabe, acho que o Senado deve estar sem muito o que fazer, pra deslocar Nobres Colegas até a Usina acusada….
    Irrisão!
    forte abraço!

  7. Daniel Lopes disse:

    colega, cheguei aqui através do blog do Idelber Avelar. vim informar que lhe sou solidário, e dizer que gente como a nobre senadora representa o que há de pior na direita brasileira e latina. continue seu trabalho e não se sinta intimidado. esse arroto de coragem da senadora pode ser também uma agonia final. sabe como é, eles querem cair atirando.

    abraço.

  8. HRP Reloaded disse:

    Caro Sakamoto sou frequentador do blog do P.Dória aonde estamos com um post comentando sobre voce e sua luta contra o trabalho escravo….e de lado contra essa maníaco depressiva Kátia Abreu!
    Vou levantar umas coisinhas que ainda não posso provar contra essa bruaca e depois te mando……muita paz e que trabalho mano!

  9. Michelle Barreto disse:

    Acredito que a frase que mais caberia à senadora seria “Tem coisas que a gente vê, finge que não viu e ainda por cima tem o cinismo e audácia de negar… É lastimável ter pessoas como esta senhora nos representando…

  10. Jose Alcides Porto R disse:

    A resposta da D. Governadora é absolutamente dissimulada e sínica, visto que embora exita Justiça do Trabalho, seu acesso é inoperante para os trab Rurais em questão. Logo privilegiada pelo fator – distância e inacessibilidade – tal afirmação é hipócrita também. Aliás como toda resposta dada pelo PT, também é.Sou advogado trabalhista em S. Paulo, sei bem como tudo funciona aqui, como no Norte e Nordeste.

  11. Paulo disse:

    Certamente a visão da senadora Katia de escravidão, ainda é a do tempo da escravatura.
    Fica muito difícil para quem vive no bem bom da elite, visualizar outro tipo disfarçado de escravatura.
    O que a senadora queria ver, era um tronco onde os trabalhadores estivessem sendo surrados, e outras coisas do gênero.

  12. alex disse:

    Senhora Senadora seu comentário além de infeliz é de grande cinismo. o que demostra o completo desconhecimento que tens da realidade brasileira. a senhora tem mesmo certeza que vive no Brasil?
    ou faz parte do grupo daqueles que tentam escamotar a realidade?

  13. Joaquim disse:

    NAo existe trabalho escravo no tocantins, assim como nao existe mais escravidao no brasil,me digam uma scoisa se a condição nas fazenas sao ruim , porque vcs nao resolvem os da favelas.

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