Lula rebate críticas ao etanol com falácias na Europa
Ao discursar hoje durante a Conferência Internacional sobre Biocombustíveis, na sede da Comissão Européia, o presidente rebateu as análises de que a ampliação da produção brasileira de etanol poderá acelerar o desmatamento da floresta Amazônica. Gostaria de ressaltar um argumento específico dado por ele. Da Agência Estado:
O presidente enfatizou que apenas 0,4% do território brasileiro é usado para a plantação de cana-de-açúcar. “E fica muito distante da Amazônia, região que não se presta para o cultivo da cana”, disse. “Se a Amazônia fosse importante para plantar a cana, os portugueses que a introduziram no Brasil a tantos séculos atrás, já teriam feito e levado para lá.”
Primeiro, o cultivo de cana (e seus problemas trabalhistas) não se restringe ao Centro-Sul. Prova disso é a fazenda Pagrisa, onde o próprio governo federal libertou o número recorde de 1.108 trabalhadores escravos no último sábado. Ela fica em Ulianópolis, no Pará. A Destilaria Gameleira, recordista anterior, com 1.003 libertados em 2005, fica em Confresa, Norte do Mato Grosso. Ou seja, na Amazônia.
O que o presidente não disse é que, com o aumento rápido do preço da terra devido à sua intensa procura em estados como São Paulo para o cultivo de cana-de-açúcar, há empresários se deslocando para áreas mais baratas a fim de implantar ou expandir o seu negócio. Se toda a Amazônia não se prestasse para a cana, o que esse capital estaria fazendo por lá?
Segundo: se nem o Estado de São Paulo, centro do agronegócio sucroalcooleiro nacional, foi totalmente ocupado por fazendas durante o período colonial, que dirá a Amazônia, que é continental? A agricultura se desenvolveu em regiões mais próximas da região costeira do Pará durante o período colonial, da mesma forma como no resto do país. O interior só foi fortemente inserido no sistema comercial neste século, processo que continua ainda hoje – para bem e para mal.
Já é preocupante o apoio incondicional que o presidente está dando à expansão da cana-de-açúcar para a produção de etanol, sem que o capital garanta condições ambientais e sociais mínimas. Apoiar com argumentos desse porte então, é triste demais.
Autor: sakamoto - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Aqui no Pontal do Paranapanema não é a Amazônia, mas tem restos da Mata Atlântica, que estão sendo destruidos aos poucos para dar lugar à plantação canavieira. Em nome do meio ambiente o presidente Lula conclama a produção canavieira, mas com certeza, estes latifundiários que estão derrubando restos da mata atlântica, destruindo os pequenos córregos que nascem na nossa região e que servem de trilhas e caminhos para os animais em extinção de nossa região. Estes latifundiários não têm e nunca tiveram nenhum interesses pelo meio ambiente, a nossa região do Pontal é um exemplo disto, num passado recente as pessoas nadavam em córregos da região, hoje elas andam sobre esses córregos.
E não existe só o problema ecológico, existem os problemas trabalhistas com a exploração dos trabalhadores braçais da região.