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terça-feira, 22 de maio de 2012 Nota | 16:27

Venda do QG da PM para a Petrobras apaga um pedaço da história

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Por R$ 336 milhões um pedaço da história do Brasil vai ser posto a baixo. O governo do Rio anunciou a venda do quartel-general da Polícia Militar do Rio na rua Evaristo da Veiga, no centro da cidade, para a Petrobras, que pretende erigir no local um prédio para alocar parte de seus funcionários, espalhados por 13 locais diferentes. A Empresa de Obras Públicas ficará encarregada de demolir os edifícios.

O terreno tem 13.500 metros quadrados e fica próximo da sede da Petrobras, na avenida Chile. Do pátio da PM é possível ver o edifício da companhia petrolífera.

Embora não seja tombado pelo patrimônio, o local tem valor histórico nacional. A Polícia Militar do Rio foi a primeira do País e sua origem remonta a 1809, quando foi criada por D.João VI a Divisão Militar da Guarda Real da Polícia da Corte. O prédio do QG sediou o Corpo de Guardas Permanentes, que era comandado por Duque de Caxias, no período de 1832 a 1839. Foi o primeiro comando militar do futuro patrono do Exército. Em 10 de julho de 1865, partiram do quartel dos Barbonos da Corte (como eram então conhecidos) 510 oficiais e praças para lutar na guerra do Paraguai. Eles foram nomeados como 31º Corpo de Voluntários da Pátria.

Há projetos tramitando na Assembleia Legislativa e na Câmara de Vereadores propondo o tombamento do imóvel.

Autor: Luiz Antonio Ryff Tags: , , ,

sexta-feira, 18 de maio de 2012 Reportagem | 18:16

Casa Daros: Bilionária suíça banca museu no Rio

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No Brasil, os bilionários ou multimilionários que gastam uma parte de suas fortunas com obras de arte costumam guardá-las para si mesmos, nas paredes de suas casas, nos jardins de suas mansões, longe do olhar do público e, não raro, do fisco. Há exceções, como o empresário da mineração Bernardo Paz, que fundou Inhotim, uma junção fabulosa de instituto de arte contemporânea e jardim botânico em Brumadinho, a 60 km de Belo Horizonte.

Por isso, é surpreendente que um museu de nível internacional vá abrir ainda este ano no Rio custeado pela fortuna de uma única pessoa. Mais surpreendente ainda é que a dona da fortuna é estrangeira: a suíça Ruth Schmidheiny. Ela financia do próprio bolso a abertura da Casa Daros, um espaço em Botafogo, na zona sul carioca, para exposição da maior coleção europeia de arte latino-americana contemporânea.

Rio tem a maior concentração de investimentos no mundo

O pátio interno da Casa Daros sob reforma (foto: Fabio Caffé/divulgação)

O pátio interno da Casa Daros sob reforma (foto: Fabio Caffé/divulgação)

A origem dos Schmidheiny

Ruth é ex-mulher de Stephan Schmidheiny, pertencente a mais tradicional dinastia industrial suíça e uma das famílias mais ricas do mundo. Seu ex-marido e seu ex-cunhado estão na lista da Forbes de maiores fortunas do mundo. Quando o pai morreu, dividiu o espólio em dois. Thomas ficou com o setor de cimento (a segunda maior empresa do setor no mundo). E Stephan ficou com a Eternit, a gigante do cimento amianto (uma substância cancerígena), o que fez com que ele se tornasse uma figura bastante controversa. Em fevereiro foi condenado a 16 anos de prisão por um tribunal italiano em um julgamento sobre contaminação por amianto – ele anunciou que vai recorrer.

Maior museu de arte naïf no mundo reabre no Rio

Publicamente , Stephan condenou o uso do amianto bem antes que a substância fosse proibida e começou a substituir seu uso. Ele se aposentou em 2003 para se dedicar à filantropia e ao ambientalismo. Gastou mais de US$ 1 bilhão em projetos, a maioria na América Latina. A Forbes se referiu a ele como o Bill Gates da Suíça. Sua preocupação com o reflorestamento data dos anos 80 e ele foi um dos principais conselheiros de Maurice Strong, o secretário-geral da Rio92, durante a preparação e a realização da conferência da ONU no Brasil.

A Casa Daros é um projeto de sua ex-mulher, Ruth. Embora não sejam mais casados, continuam compartilhando certa aversão a entrevistas e conversas com a imprensa. O museu vai servir de local de exposição da coleção Daros Latinamerica que ela mantém em Zurich, na Suíça, com acervo composto de meios e formatos diversos – de pinturas e esculturas a fotografias, instalações e vídeos.

O museu no Rio deve receber entre duas e três grandes mostras por ano. A de abertura já está escolhida. Será “Cantos Cuentos Colombianos”, com 11 artistas da Colômbia, entre eles Doris Salcedo, Oscar Muñoz e José Alejandro Restrepo.

Prédio era orfanato para meninas

Fachada da entrada principal da Casa Daros (foto: Jacqueline Felix/Divulgação)

Fachada da entrada principal da Casa Daros. No alto a imagem da Santa que virou modelo para Vik Muniz (foto: Jacqueline Felix-Imagens do Povo/Divulgação)

A Casa Daros deve ser inaugurada no segundo semestre deste ano. A data depende da conclusão da minuciosa reforma por que passa o imenso casarão neoclássico projetado pelo arquiteto Joaquim Bethencourt da Silva e erguido em 1866 na Rua General Severiano.

A construção é da época em que a região não era tão densamente povoada e podia abrigar uma chácara. Desde 1819 o local pertencia à Santa Casa de Misericórdia e nas últimas décadas foi ocupada por uma escola conhecida no Rio (o Anglo-Brasileiro). Mas, em sua origem, foi criado com outra função. Era o Recolhimento Santa Teresa, um orfanato para meninas pobres que teve entre os beneméritos D.Pedro II e a imperatriz Tereza Cristina. Posteriormente virou um educandário, também ligado à Santa Casa.

Curiosamente, a imagem que adorna o alto da fachada de entrada do casarão não é de Santa Teresa, como pareceria natural. É de Nossa Senhora das Graças, uma das invocações da Virgem Maria. Ela acabou virando inspiração e modelo para uma encomenda a Vik Muniz dentro da série “Pictures of Junk”. Foi recriada em dimensões maiores a partir do entulho da própria reforma do casarão.

Obra Nossa Senhora das Graças, feita por Vik Muniz (foto divulgação)

Obra Nossa Senhora das Graças, feita por Vik Muniz com entulho da reforma (foto divulgação)

A obra se incorpora ao acervo de mais de 1.100 peças de 114 artistas latino-americanos contemporâneos. Dezessete artistas brasileiros estão presentes na coleção da Daros. Entre eles, alguns bastante conhecidos, mas de estilos e trajetórias bastante diferentes, como Antonio Dias, Cildo Meireles, Hélio Oiticica, Lygia Clark, Ernesto Neto, Iole de Freitas, Mario Cravo Neto, Nelson Leirner. Entre os estrangeiros constam a escultora colombiana Doris Salcedo e o pintor uruguaio Joaquín Torres Garcia.

Dobradiças refeitas

Detalhe do ferrolho restaurado em uma das portas (foto: Fabio Caffé/Divulgação)

Detalhe do ferrolho restaurado em uma das portas (foto: Fabio Caffé/Divulgação)

A equipe da Casa Daros tem uma ambição, que o espaço sirva para difusão e reflexão acerca da arte latino-americana. E, para tanto, pretende funcionar baseada em um tripé: arte, educação e comunicação.

Além de exposições, ela irá oferecer atividades integradas de arte-educação, como oficinas, seminários, cursos. E também terá o esquema de “artistas visitantes”, em que convidados passarão pequenas temporadas associados à Casa, trabalhando e difundindo sua arte, possibilitando o funcionamento de um espaço de convivência com práticas artísticas.

Para chegar até isso foram necessários seis anos. O casarão foi comprado em 2006. As obras começaram no ano seguinte. A inauguração do museu chegou a ser anunciada, inicialmente, para 2008 e, posteriormente, para 2009. Mas as dificuldades e especificidades encontradas durante a obra atrasaram o projeto.

“Achávamos que seria uma reforma bem mais simples. Houve um cálculo equivocado que ela duraria um ano e meio, dois anos. Mas a manutenção era pavorosa e a necessidade de restauro foi maior. Entrava água quando chovia, por exemplo. E não imáginávamos que teríamos que trocar o telhado inteiro”, explicou ao iG Isabella Rosado Nunes, diretora-geral da Casa Daros.

Musa Paradisíaca, do colombiano José Alejandro Restrepo, deve estar na mostra de inauguração (foto: Divulgação)

Musa Paradisíaca, instalação do colombiano José Alejandro Restrepo, deve estar na mostra de inauguração (foto: Divulgação)

Como o imóvel era tombado, houve acompanhamento do Patrimônio Histórico. A preocupação era recuperar o prédio, sem descaracterizá-lo, adaptando o espaço para abrigar um museu do porte e com as necessidades da Casa Daros. Um exemplo é a instalação de elevadores de carga que possam carregar obras pesadas e de grande formato. Ao mesmo tempo, foi dispendido tempo e energia para recuperar a pintura marmorizada das paredes do saguão de entrada. O cuidado se estendeu às gigantescas palmeiras imperiais que ornam a frente do casarão.

Um passeio pelo prédio, acompanhando o trabalho dos operários, evidencia o cuidado com os detalhes na reforma. Para restaurar os janelões e portas imensas, foi preciso achar artesões que pudessem refazer as dobradiças e ferrolhos da forma mais próxima das originais. E olha que são 500 vãos de portas e janelas. O chão foi inteiramente rebaixado em meio metro para que pudesse ser utilizado. Sem falar em toda a parte elétrica e hidráulica, que foi refeita do zero.

Sorte do Rio, azar de Havana

O objetivo agora é concluir a restauração de dois terços dos 11 mil metros quadrados de área construída para a inauguração.

Se tudo correr sem novos imprevistos, a Casa Daros abrirá seus portões no final do ano. O prédio contará com uma biblioteca, um auditório para cem pessoas, um restaurante e uma cafeteria. O objetivo é levar ao museu não apenas o público habituado a esse tipo de espaço. Funcionará de quarta a domingo com uma previsão de 300 visitantes diários.

Por último, e não menos surpreendente, em um País onde o hábito do investimento em cultura pela iniciativa privada se dá em troca do abatimento do imposto a pagar e mediante publicidade para a própria empresa, até o momento nenhum centavo de dinheiro público custeou a Casa Daros. E só o casarão custou R$ 16 milhões. A ideia é tocar o museu sem recorrer a verbas governamentais, embora não esteja descartada a possibilidade de parcerias com outras instituições, inclusive públicas, no futuro.

A vinda da Casa Daros para o Rio também tem um componente de boa fortuna, na segunda acepção da palavra. Inicialmente, a ideia era tocar o projeto em Havana. Mas problemas burocráticos por lá acabaram inviabilizando a escolha e a opção recaiu sobre o Rio. Azar dos cubanos.

O pátio interno da Casa Daros iluminado (foto: Fábio Caffé/Divulgação)

O pátio interno da Casa Daros iluminado (foto: Fábio Caffé/Divulgação)

Autor: Luiz Antonio Ryff Tags: , , , ,

terça-feira, 8 de maio de 2012 Entrevista, Reportagem | 18:07

Com 3ª epidemia de dengue em 11 anos, Rio deve se preparar para conviver com doença

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O tipo 4 da dengue chegou ao Rio de Janeiro com força este ano. Com 62.601 mil casos notificados até 5 de maio, a cidade enfrenta sua terceira epidemia em 11 anos (as de 2002 e 2008 foram de outros tipos). E, infelizmente, não há nenhuma perspectiva de solução para evitar a repetição do problema nos próximos anos.

Mosquito da dengue

Mosquito da dengue, agora na versão tipo 4 (foto: reprodução)

“Não vai dar para erradicar a doença a curto, médio ou longo prazo”, avisa Giovanini Coelho, coordenador do Programa Nacional de Controle da Dengue, do Ministério da Saúde. “Só poderíamos evitar que as pessoas adoecessem com uma vacina, mas ela não existe ainda”.

Giovanini explica por que, quando se trata da dengue, o Rio de Janeiro está no topo das preocupações do ministério. “O Rio de Janeiro é a maior cidade tropical do País. Tem as condições climáticas e ambientais que favorecem a proliferação do mosquito. É quente, úmida e é um aglomerado urbano com alta densidade populacional”, afirma. Não foi à toa que as grandes epidemias com os tipos anteriores começaram pela cidade. Foram três epidemias em 11 anos na cidade. E cinco nos últimos 26 anos. Em 1986 e 1992 os cariocas também enfrentaram o problema.

Tire suas dúvidas sobre a dengue
Tire suas dúvidas sobre outras doenças

O coordenador do Programa Nacional de Controle da Dengue explica que muito da dinâmica da doença tem a ver com a infraestrutura urbana da cidade. E a fatores culturais e sócio-econômicos que favorecem a proliferação do mosquito. ”É um mosquito que se prolifera preferencialmente em criadouros artificiais, como caixas d’água. Se não tivéssemos caixas d’água, como em países da Europa, onde elas são proibidas, esse fator deixaria de existir”, exemplifica.  E a falta de destino adequado para os dejetos, bem como para o lixo produzido pela cidade, também contribui para formação de criadouros potenciais.

Auge foi em março

Mas existem duas boas notícias. A primeira é que a incidência da doença está em queda. Embora a secretaria de Saúde tenha decretado a epidemia no final de abril, tecnicamente a situação foi pior em março, quando passou dos 300 casos por 100 mil habitantes por mês (foram 397,6/100 mil em março e 310,5/100 mil em abril). O auge foi registrado nas duas últimas semanas de março, com mais de 6 mil contaminações em cada uma. A segunda é que, comparativamente, a letalidade está baixa. Foram 15 mortos até agora (contra 62 e 147 óbitos nas epidemias anteriores).

Giovanini salienta que a magnitude dessa epidemia é diferente das anteriores. “Houve um aumento de casos em comparação a 2011, mas a situação epidêmica é mais tranquila”, afirma. Com base na análise de mais de 800 epidemias nos últimos 10 anos, ele acredita que o auge da doença já passou e que o número de casos tende a baixar muito. “Em geral leva 14 a 14 semanas e meia para atingir o pico. E nós passamos da 18ª”, explica. “Ainda mais com a temperatura caindo. O mosquito gosta de calor”.

A doença também é um fenômeno que não se manifesta de forma uniforme. Há regiões da cidade em que o problema é mais grave do que em outras. Notadamente Bangu e Realengo, na zona oeste, onde a incidência chegou a 1 em cada 100 moradores. A situação também é ruim em Madureira.

Redução da mortalidade

A baixa letalidade da doença é algo a ser comemorado. No caso do Rio ela se deve a alguns fatores. Primeiro é que o tipo 4 se mostrou menos agressivo do que outros, como o 2 – que está associado a número maior de casos graves e óbitos.

E segundo é que foi criada uma rede de atendimento especializado para tratar das vítimas e não congestionar a rede hospitalar. Afinal, a doença é de tratamento simples. “O Rio se preparou para isso. Foram montados 28 pólos de hidratação”, explica Giovanini.

A questão da redução da mortalidade é o principal foco das autoridades no momento. Do início do ano até agora foram 15 mortes por causa da dengue, no Rio. No mesmo período do ano passado o número de óbitos atingiu 39.

“Hoje é mais fácil prevenir a letalidade. As ferramentas de que dispomos não dão conta de impedir o surgimento da doença”, admite Giovanini, revelando que as autoridades, embora preocupadas com as epidemias, têm se esforçado mais para evitar os óbitos.

É uma questão simples de custo e benefício. Já que não dá para impedir a doença, é possível evitar a morte do doente. Não existem tecnologias ou drogas específicas para o tratamento. No entanto, para tratar a doença são necessários cuidados simples: hidratação (principalmente água e soro caseiro) e descanso (e evitar ingestão de aspirina). Além de uma capacidade de organização do poder público para garantir aos cidadãos o acesso a isso.

Já para diminuir a infestação é mais complicado. É preciso a mobilização das pessoas, combatendo focos de mosquitos nas próprias residências (o principal local de contaminação).

Como não erradicam o mosquito como no século passado?

Muita gente não entende como as autoridades públicas não conseguem resolver esse problema eliminando o mosquito, como fez o sanitarista Oswaldo Cruz no início do século passado. Mas quando ele erradicou a febre amarela da então capital federal a situação era outra. Foram usados até homens armados para forçar os cidadãos a abrir as casas para remover os criadouros dos mosquitos e para tomar a vacina.

Hoje seria impossível usar tal método. Além disso, existem duas outras diferenças significativas. Ainda não há vacina para a doença (há uma em teste e que pode ser homologada em dois anos, mas com cerca de 70% a 80% de eficiência). E no passado foi usado DDT – hoje aposentado por ser cancerígeno.

O que levanta outra polêmica. Mesmo o uso de inseticidas é visto com muita reserva por especialistas, pois os mosquitos acabam adquirindo resistência a eles. “É um problema sério. Principalmente o de uso residencial. Existem quatro opções para combater as larvas, mas para mosquitos adultos só existem dois tipos”, afirma Giovanini.

Sazonal e urbana

As epidemias como a atual são favorecidas por dois fatores: introdução de novos sorotipos em áreas onde eles não existiam; e a mudança de virus predominante. É o que ocorre no Rio. A epidemia atual é do vírus tipo 4 (84,7% dos casos). O curioso é que ele ficou 28 anos sem circular no País. O primeiro caso recente foi registrado em julho de 2010 em Roraima.

As referências sobre casos de dengue datam do século 19. No início do século passado, existem relatos sobre o aparecimento da doença em São Paulo, em 1916, e Niterói, em 1923. Mas a primeira epidemia documentada clinica e laboratorialmente ocorreu em Boa Vista, em 1981/1982.

Em 1986, houve a primeira grande epidemia nacional, atingindo o Rio de Janeiro e algumas capitais do Nordeste.

É importante ressaltar que a dengue é uma doença sazonal e urbana. Cerca de 70% dos casos ocorrem entre janeiro e maio. E grandes concentrações favorecem a epidemia.Em 1995, 1.753 municípios estavam infestados por Aedes aegypti, o mosquito transmissor. Em 2010 já eram 4.007 municípios. Este ano o Ministério da Saúde repassou verbas para 1.159 municípios enfrentarem o problema.

O Rio não é nem o município brasileiro em pior situação em 2012. Rio Branco (Acre), Araguaína e Palmas (Tocantins) vivenciaram uma incidência maior de casos por 100 mil habitantes. Nacionalmente, entretanto, o Ministério da Saúde informa que a situação apresenta uma melhora em relação ao ano passado. Até 18 de abril houve reduções de 51% nos casos notificados; de 90% nos casos graves confirmados; e de 82% no de óbitos.

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sexta-feira, 27 de abril de 2012 Entrevista, Reportagem | 16:14

Maior museu de arte naïf no mundo reabre após cinco anos fechado

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Nascido na França de uma família de origem judia polonesa, Lucien Finkelstein (1931-2008) chegou ao Rio de Janeiro sozinho, aos 16 anos, pouco após a Segunda Guerra acabar, sem falar uma palavra de português. Tinha passado o conflito escondido em uma casa no interior da França.

Exemplo de molas panamenhas exposta no Mian (foto: divulgação)

Exemplo de molas panamenhas exposta no Mian (foto: divulgação)

No Brasil, construiu uma família, um nome como joalheiro de reputação internacional e a maior coleção de arte naïf, que ele legou à cidade. O Museu Internacional de Arte Naïf fica no Cosme Velho, a poucos passos do bondinho do Corcovado, que leva ao Cristo Redentor.

“Ele achava que a arte naïf era a mais genuína de um povo. E o museu era o jeito dele para pagar uma dívida com a cidade que o tinha acolhido. Meu avô chegou aqui com uma mão na frente e a outra atrás, passando fome”, conta a educadora Tatiana Levy, que atua como gerente executiva do Mian.

Infelizmente, o museu ficou fechado durante cinco anos. Reabriu nesta sexta-feira (27), mostrando 250 obras em oito exposições. Uma delas é a panamenha “Molas”, que apresenta 15 telas com técnicas de sobreposição de tecidos feitas pelas índias da tribo Kuna.

A história do criador do museu

Lucien veio morar com os tios e começou a trabalhar na loja que vendia pedras e gemas brasileiras de propriedade do marido de sua tia, um imigrante judeu russo. Aprendeu português, virou atleta e chegou a competir pelo Fluminense em modalidades olímpicas como o arremesso de dardo.

Gostava de desenhar e pintar. Se encantou ao ver uma aquarela de Di Cavalcanti e um quadro de Heitor dos Prazeres na Livraria Francesa, em Copacabana. Daí nasceu o interesse pela arte naïf (também conhecida como arte primitiva moderna, ela se caracteriza por certa ingenuidade dos traços, por ter um caráter autodidata, não vinculado à qualquer corrente acadêmica formal).

Os Arcos da Lapa retratados pelo pintor Agostinho (foto: divulgação)

Os Arcos da Lapa retratados pelo pintor Agostinho (foto: divulgação)

Ao casar, Lucien resolveu criar uma joalheria e desenhar as próprias peças, valorizando um design próprio, em vez de apenas vender as gemas. Acabou descoberto por socialites como Teresa Souza Campos e foi catapultado para a capa da Manchete, importante revista de então.

Viveu seu auge profissional nos anos 50 e 60, quando uma pulseira fez parte do acervo da rainha Elizabeth II e criou uma coleção com Di Cavalcanti – de quem ficou amigo e passou a trocar quadros por joias. Pelo design de suas obras, acabou agraciado com o De Beers, o mais importante prêmio do mercado joalheiro mundial,.

Com o dinheiro das joias ele começou sua coleção. Colecionou durante 40 anos. E reuniu cerca de 6 mil obras de mais de 100 países. Teve que arranjar um apartamento para colocar o acervo. Em 1988, exibiu parte dele em uma exposição no Paço Imperial.

O sucesso levou ao desejo de montar um local para a exibição permanente. Ele comprou um casarão do século 19 no Cosme Velho para abrigar as obras. O Mian foi aberto em 1995, pelo esforço dele. O museu acabou recebendo uma verba municipal para o funcionamento, que foi cortada. Em 2007 ele foi fechado por falta de dinheiro para operar.

“O museu fechou em 2007 e meu avô morreu no ano seguinte de ataque cardíaco. Ele ficou deprimido e triste. Não conseguia entender como o governo não se interessava em manter na cidade um acervo tão significativo”, diz Tatiana. Ela conta que o avô tinha recebido convites para levar o acervo para outras instituições, mas queria que ficasse no Rio.

Entre 2007 e 2011, embora de portas fechadas, o museu ainda podia ser visitado por grupos que o contatassem. Em 2010, contudo, uma chuva destruiu o telhado e inundou a reserva técnica. Trezentos quadros foram danificados.

O painel "Rio de Janeiro, gosto de você, gosto dessa gente feliz...", de Lia Mittarakis, tem 4 x 7 metros (foto: divulgação)

O painel "Rio de Janeiro, gosto de você, gosto dessa gente feliz...", de Lia Mittarakis, tem 4 x 7 metros (foto: divulgação)

Em abril do ano passado o museu fechou completamente. A ajuda chegou com a Secretaria Municipal de Cultura, que liberou uma verba, e o Prince Claus Fund, instituição holandesa que preserva acervos pelo mundo e custeou a reforma do telhado e da reserva técnica.

O museu reabre reformado. Houve uma reforma museológica que privilegiou uma nova identidade visual e elementos de tecnologia com audioguias. No subsolo há uma videoinstalação em homenagem a Henri Rousseau, le douanier, francês precursor e nome mais conhecido da arte naïf no mundo.

Mas ainda tem muita coisa a fazer. A lojinha deve começar a funcionar este mês. O café ainda não tem prazo. A perspectiva do site é ficar pronto em maio. E Tatiana diz que é preciso restaurar a fachada do museu e que não há verba de manutenção básica para serviços de limpeza, conservação, jardim, gastos com luz, água… – a família ainda arca com isso.

“Queremos transformar o museu em uma instituição auto-sustentável. Mas ainda falta um caminho a percorrer”, diz Tatiana.

MUSEU INTERNACIONAL DE ARTE NAÏF (MIAN)
Rua Cosme Velho, 561 – Cosme Velho.
Funcionamento: de terça a sexta, das 10h às 18h; sábado, das 12h às 18h com agendamento prévio (até um dia antes).
Ingresso: R$ 16; crianças até 5 anos não pagam; R$ 8 (meia entrada), estudantes, menores de idade e maiores de 60 anos.
Telefone: (21) 2205-8612

Autor: Luiz Antonio Ryff Tags: , , ,

sexta-feira, 20 de abril de 2012 Entrevista, Reportagem | 16:44

Um ex-presidente de banco que investe reformando casarões em ruínas

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Como ex-presidente do BNDES, o economista Carlos Lessa foi responsável por gerenciar bilhões de reais de estímulo para empreendimentos que pudessem desenvolver o futuro do País. Como economista, preocupado com a gestão do próprio patrimônio, ele usa seus dinheiro preservando o passado carioca.

Ele é responsável por resgatar 11 imóveis antigos na região central da cidade. Preservando suas características arquitetônicas, viraram brasserie, livraria, pizzaria, botequim, casa de shows. São sobrados do século 19 em sua maioria. Um dos primeiros a ser resgatado, na rua do Rosário, Lessa acredita ter sido um dos primeiros bancos do Brasil sob d. João VI.

Carlos Lessa na rua do Mercado, onde restaurou sobrados antigos (foto: divulgação)

Carlos Lessa na rua do Mercado, onde restaurou sobrados antigos (foto: divulgação)

Sete casas estão alugadas e viraram empreendimentos comerciais. Duas estão ocupadas por familiares – e uma delas abriga sua biblioteca de 20 mil livros.

Sua última empreitada é o Ameno Resedá, um casarão arruinado que ele transformou em casa de shows e restaurante no Catete, bairro carregado de história a poucos metros do palacete que abrigou a Presidência até a transferência da capital para Brasília.

“O Catete tem uma simbologia muito grande. E ainda fica no pé da favela, na beira do asfalto”, afirma ele ao iG. Ao contrário dos outros empreeendimentos, este ele decidiu tocar pessoalmente.

É um caso de amor antigo com final feliz. Lessa havia comprado o casarão década atrás quando era diretor do Conselho Regional de Economia. O objetivo era fazer lá a Casa do Economista, um espaço de convívio da classe, com restaurante e livraria. A administração seguinte se opôs à ideia e vendeu o imóvel, que acabou nas mãos de uma igreja evangélica.

Como nasceu o interesse

Autor de 15 livros sobre economia e sobre o Brasil, Lessa tem um currículo extenso, que enche com folga uma página. Doutor em Economia pela Unicamp, é considerado um dos mais influentes economistas do País, foi reitor da UFRJ, a maior do País, e professor de diversas faculdades antes de se tornar presidente do BNDES no governo Lula.

Embora sempre tivesse tido curiosidade intelectual pela história do Rio, seu interesse pelo resgaste histórico tem origem em uma das atividades que exerceu. No início dos anos 90 ele foi coordenador do Plano Estratégico da cidade. Foi quando aproveitou para fazer um mergulho mais aprofundado na história.

“O Rio é uma metrópole linear. Você só pode ir de A para C passando por B. Os bairros são sequenciais. Em outras cidades você por ir de A para C por B, mas há outros caminhos. E em uma cidade octagonal, como São Paulo, há vários centros. E o centro do Rio estava morrendo. Seria acabar com o ponto de união dos cariocas da zona sul com os da zona norte. Esse encontro é importante para manter as características de cordialidade e convivialidade do carioca”.

Seu relatório do Plano Estratégico apontava isso. Mas havia um problema, que ele confessa. “Eu tinha vergonha de assinar aquilo. Minha família tinha dois imóveis inteiramente podres no centro do Rio, na rua do Rosário, que fediam, com esgoto a céu aberto. Se eu não recuperasse daria um atestado de hipocrisia”, admite.

Poder público é obstáculo

Os sobrados da família foram os primeiros. E ele ganhou gosto. Começaram a lhe oferecer todos os imóveis podres da rua. “Tinha até casa de tolerância que pertenceu a uma tal madame Lili”, confidencia ele.

E lamenta que o Rio não seja uma cidade que preserve mais sua própria memória. Sonha em fazer da Cinelândia (que ganhou esse nome pela quantidade de cinemas grandiosos que chegou a abrigar) uma Broadway brasileira.

Não que a recuperação de imóveis antigos em condição lastimável seja uma tarefa fácil. Antes de tudo é preciso fazer um levantamento de dívidas de IPTU, de contas não pagas de luz e água. Se há questões jurídicas e questionamentos de titularidade.

Ele lamenta que as autoridades municipais não ajudem como poderiam. Ele lista os três principais obstáculos que poderiam ser facilitados: identificação da titularidade (muitas vezes é difícil identificar os donos, às vezes há problemas legais com os espólios); acelerar o processo de licença; e ajudar a construção facilitando carga e descarga em ruas centrais e estreitas.

Na última obra, no Ameno Resedá, um deteriorado poste de luz na calçada ameaçava a fachada do casarão e impedia o início da reforma. Demorou um ano para que ele fosse removido. “Só quando a Justiça condenou à prisão o presidente da empresa e estipulou uma multa, que não foi paga até hoje”, conta Lessa.

E quando há incentivos, eles são difíceis de tirar do papel. A isenção de imposto para recuperar um imóvel antigo é um exemplo. “É a maior dificuldade conseguir essa isenção da Prefeitura. É muito obstáculo”, lamenta ele que diz que não há apoio nem para coisas elementares como remoção de entulho.

E esses obstáculos não estão apenas na esfera pública. A modernidade acabou condenando diversas especializações profissionais. É dificílimo encontrar um mestre gesseiro ou outros artesãos para fazer uma restauração adequada.

Investimento fabuloso

Fachada do Ameno Resedá, o casarão reformado e transformado em casa de shows (foto: divulgação/Kita Pedroza)

Fachada do Ameno Resedá, o casarão reformado e transformado em casa de shows (foto: divulgação/Kita Pedroza)

Apesar de tudo isso, o ex-presidente do BNDES afirma que esses empreendimentos são também um ótimo investimento financeiro e se surpreende que não existam mais investidores fazendo o mesmo. Ele avalia que há diversas áreas do Rio que estão subvalorizadas e mal utilizadas. Ele cita a quantidade de imóveis abandonados na avenida Brasil, estrategicamente ligando o centro à rodovias importantes como a Dutra.

“Comprar um imóvel destruído no centro e recuperar é uma aplicação patrimonial muito boa. É um investimento fabuloso comprar muito barato e gastar uma pequena fortuna restaurando. Mas dá um trabalho infernal, se amola uma barbaridade. É importante bolar um uso para o imóvel antes da reforma, imaginar para o que será usado. E é preciso paciência e não confiar no poder público. Ele não vai ajudar”, resume ele, que não revela cifras pagas pelos imóveis, quanto gasta nas reformas, nem o rendimento obtido com os aluguéis.

O Ameno Resedá é o ponto culminante desse processo. E tem uma história curiosa. Foi um rancho, uma espécie de precursor dos blocos carnavalescos, criado em 1907. E com vários detalhes típicos do ecumenismo carioca, como aponta Lessa. “Era uma atividade profana que começou com patrocínio da Igreja da Glória. E uma vez foram parar dentro do Palácio do Catete, se apresentando para o presidente, com um enredo sobre belzebu”, diverte-se.

Autor: Luiz Antonio Ryff Tags: , , , , , ,

sexta-feira, 13 de abril de 2012 Entrevista, Reportagem | 15:57

Entulho, poeira, lama e mítica na visita às obras do Maracanã

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Após 1 ano e 7 meses fechado para a reforma que o deixará pronto para a Copa do Mundo de 2014, o Maracanã será reaberto ao público neste sábado (14). Mas nada das grandes multidões que acorriam para ver os clássicos naquele que já foi o maior estádio de futebol do mundo. Serão visitas guiadas com cinco grupos pequenos, de 50 pessoas, uma vez por mês.

Vista aérea da obra de reforma do Maracanã (Foto: divulgação/Angular Fotografias Aéreas)

Vista aérea da obra de reforma do Maracanã (Foto: divulgação/Angular Fotografias Aéreas)

E quem entrar em campo não verá vestígio do gramado em que Pelé estreou pela seleção brasileira; onde ele marcou seu milésimo gol; onde o Brasil foi derrotado pelo Uruguai em 1950, palco de alguns dos maiores momentos do futebol.

No centro do empoeirado campo de terra, entre poças de lama, jaz uma considerável montanha de entulho; nas laterais, quatro gruas e um guindaste capaz de carregar 800 toneladas, rodeados por tratores, caminhões e alguns dos 5.200 operários que tentam – em dois turnos de 10 horas, sete dias na semana – finalizar a obra em fevereiro do próximo ano, a tempo para a Copa das Confederações, em junho, e para os sete jogos que sediará em 2014, incluindo a final.

VEJA TAMBÉM: Cinco estádios da Copa 2014 têm mais de 50% das obras concluídas

É uma corrida contra o relógio. Palco de jogos de futebol, de shows de Frank Sinatra, Paul McCartney, KISS, Madonna, Rolling Stones e de duas missas do papa João Paulo II, o Maracanã foi reduzido a seu esqueleto e começa agora a ganhar corpo. Em 31 de março, com a demolição e a recuperação estrutural praticamente encerradas,  tinha 45% do projeto concluído.

O maior do mundo reduzido à metade

Quando o Maracanã ficar pronto, os engenheiros garantem que, do lado de fora, quase não se perceberá a diferença. A fachada é tombada pelo patrimônio histórico. Já dentro… As mudanças começam pela capacidade. Ela será reduzida à metade da original, de 166.639 espectadores passará a pouco menos de 80 mil. Mais de 100 mil a menos do que o famoso recorde obtido em 1969 durante um jogo da seleção brasileira contra o Paraguai durante as eliminatórias da Copa de 70: 183.341 pessoas. Mas a diferença não é tanta se comparada aos 87 mil lugares que ele tinha ao ser fechado.

“Hoje é impossível assistir um jogo como se fazia antigamente. As pessoas assistiam de pé (no setor da geral), sem qualquer conforto. A legislação mudou, a preocupação com a segurança aumentou”, explica Ícaro Moreno, presidente da Emop (Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio), que coordena o consórcio responsável pela reforma do Maracanã (formado por Andrade Gutierrez, Delta e Odebrecht).

As arquibancadas vistas do meio do campo

As arquibancadas vistas do meio do campo (Foto: LAR)

Quem olha para a quantidade de escombros, nas mudanças necessárias para modernizar o Maracanã e pensa no valor gasto na obra (foi inicialmente estimada em R$ 705 milhões e está em R$ 860 milhões) imagina se não seria mais fácil, mais rápido e mais barato construir um estádio do zero.

Só de entulho removido até março – não contando, portanto, o que jaz no centro do campo – foram 42.744,17 metros cúbicos. Se cada metro cúbico fosse empilhado um em cima do outro poderiam ser erguidas cinco pilhas do tamanho do Everest, a maior montanha do mundo.

“Seria mais fácil e mais barato demolir tudo e construir um novo, como foi feito em Wembley, em Londres”, reconhece ícaro, que disse que a reforma foi a maneira de preservar a história e um bem tombado.

Estádio tinha 3.200 tipos de degrau

As dificuldades foram variadas, segundo ele. A situação estrutural estava pior do que a imaginada. Os pilares estavam desgastados, as marquises tiveram que ser destruídas. Havia muita corrosão e o material usado era muito poroso.

Até o formato elípitico do estádio – em vez de retangular, quadrado ou redondo, como os mais modernos – foi um fator de complicação. “Por conta disso, encontramos 3.200 tipos de degrau, exemplifica.

Partes do velho estádio permanecerão. A arquibancada superior nos setores norte e sul (atrás de cada gol) serão preservadas, por exemplo. “Conseguimos manter um estádio que é um ícone, sem descaracterizá-lo e modernizando ele. Continua sendo um estádio de futebol, mas também vai ser uma arena multiuso”, diz. “A empada é a mesma, mas mudamos o recheio”, brinca ele.

VEJA FOTOS DA REFORMA DO MARACANÃ

Ícaro fez um passeio guiado pela obra com o iG para mostrar como está o estádio e o que os visitantes poderão ver. O campo será encolhido. Serão menos cinco metros de comprimento e sete a menos na largura. As quatro linhas do gramado ficarão contidas em 105m x 68m.

Em compensação, o público ficará bem mais próximo do espetáculo. A distância da primeira fileira para a linha lateral cai pela metade. Ficará a 12 metros. A visibilidade será de 100% e os camarotes ficarão mais próximos do gramado e mais integrados com o resto da torcida.

O sistema de som e de iluminação será computadorizado, lounges serão climatizados. Haverá mais banheiros (231) e bares (60), além de quatro videowalls de 100 metros quadrados.

Cobertura inédita

Imagem de como será a nova cobertura de lona tensionada (Foto: Divulgação)

Imagem de como será a nova cobertura de lona tensionada (Foto: Divulgação)

A nova cobertura, de lona tensionada, uma tecnologia alemã nunca usada no País, protegerá mais o público, que também sofrerá bem menos com as vibrações na arquibancada. “O Maracanã vibrava muito. Na época em que foi feito não tinha cálculo estrututal para isso”, explica o presidente da Emop.

O levantamento da cobertura, aliás, é a principal preocupação. Está marcado para setembro. E não pode haver erro no tensionamento dela, que será coordenado por técnicos alemães. “Nem temos calculistas no Brasil que façam isso”, diz ícaro.

Na reforma há também uma preocupação ecológica – exigência da Fifa. O Maracanã terá um sistema de captação de energia solar no topo do anel superior e irá reaproveitar a água da chuva. O objetivo é receber uma certificação de estádio verde.

Parte dessas mudanças poderão ser entendidas pelos visitantes com o vídeo que será exibido no início do passeio, que terá uma hora de duração. Ele mostra de forma concisa algumas das alterações e melhorias usando uma maquete eletrônica.

Depois, paramentados com capacetes de proteção, as pessoas serão levadas ao centro do campo, no meio do canteiro de obras, para ver a reforma, ouvir explicações sobre o projeto, tirar fotos e dúvidas. Mas é bom correr. Mesmo antes do início da visitação já há mais de mil inscritos.

Serviço das visitas ao Maracanã:

- As visitas serão agendadas.
- Interessados devem enviar email para: visitaguiada@maracanario2014.com.br
- Elas serão realizadas no primeiro sábado de cada mês. A próxima será no dia 5 de maio.
- As visitas acontecerão de hora em hora, das 8h às 13h, em grupos de no máximo 50 pessoas.
- A idade mínima para a visita é 10 anos.
- Por segurança, não será permitida a entrada com bermuda, saia, sandália, sapatilha, tênis e salto alto.

Autor: Luiz Antonio Ryff Tags: , , , , ,

segunda-feira, 2 de abril de 2012 Reportagem | 15:32

Bolsa Verde terá primeira transação comercial em junho, na Rio+20

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Instituída no final do ano passado, a BVRio (Bolsa Verde do Rio De Janeiro) deve fazer sua primeira transação comercial em 20 de junho, durante a Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável que será realizada na capital carioca.

A Bolsa Verde será o primeiro mercado de ativos ambientais da América Latina, negociando, por exemplo, créditos de carbono e reposição florestal entre empresas que tenham passivos ambientais com outras que tenham ativos ou possibilidade de comercializar superávits de metas ambientais.

Rio+20: Cúpula de Regiões discutirá criação de pactos

A idéia é dar um aspecto mais formal, mais eficiente e mais transparente para o comércio de ativos ambientais – algo que já existe, mas muitas vezes é feito de modo informal e sem muito controle.

A estreia da BVRio em junho provavelmente será algo mais simbólico, para coincidir com a Conferência da ONU, e, por causa da escassez de tempo até lá, deve ser feita em bases voluntárias.

A BVRio é uma iniciativa das secretarias municipal de Fazenda e estadual do Ambiente. E a bolsa faz parte da tentativa da prefeitura carioca para revitalizar o setor financeiro da cidade, esvaziado após o crash da bolsa da cidade em 1989. Recentemente a Direct Edge, terceira bolsa de valores dos EUA, anunciou que pretende abrir uma unidade no Rio. Contudo, a iniciativa deve encontrar alguns obstáculos. Entre eles, o fato de que a BM&FBovespa tem um programa de negociação de créditos de carbono.

Além disso, por trás da criação da BVRio há uma preocupação em incentivar uma atividade produtiva menos “suja”. Mas, segundo Suzana Kahn, subsecretaria estadual de Economia Verde, sem descuidar que todas essas regulamentações e regras ambientais acabem onerando demais as empresas e indústrias instaladas no Estado. “Não queremos que elas percam competitividade. A forma encontrada para fazer isso é estimular o próprio mercado”, afirma ela.

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A secretaria de Fazenda, Eduarda La Rocque explica que a ideia é transformar passivo ambiental em ativo ambiental.

Suzana dá um exemplo. Se uma empresa tem a obrigação de reflorestar uma área que foi desmatada para fazer uma rodovia ou um porto, mas outra empresa consegue fazer mais barato o reflorestamento dessa área, ela pode comprar de quem faz mais barato ou melhor. “Sempre terá alguém que consegue lidar com isso de uma maneira mais barata do que outros”, admite Suzana.

O que será negociado

Por enquanto a BVRio deve trabalhar com cinco ativos ambientais: créditos de carbono; créditos de efluentes industriais da Baía da Guanabara; créditos de reposição florestal relativos à Reserva Legal; créditos de reposição de supressão de vegetação; e créditos de logística reversa e reciclagem.

No caso de créditos de carbono, empresas que reduzirem suas emissões além dos limites estabelecidos poderão vender o excedente para aquelas que não conseguirem atingir as metas.

Os créditos de efluentes industriais seguirão o mesmo princípio, mas se limitarão às emissões de poluentes líquidos na Baía.

Já com a reposição florestal, quem tiver em sua propriedade uma área florestal superior à obrigatória (reserva legal) poderá vender certificados que cobrem o déficit de quem estiver com área inferior à obrigatória.

Créditos de reposição de supressão de vegetação serão negociados entre quem tiver utilizado matéria-prima florestal e empresas que façam o replantio.

Por último, o conceito de logística reversa e reciclagem diz respeito à obrigação legal de as empresas recolherem os produtos usados (e ou suas embalagens) para reciclagem ou para algum outro destino final mais adequado. Organizações especializadas nesse descarte podem vender os créditos para quem precisa do serviço.

Interesse da ONU

“Hoje em dia todo mundo fala em neutralizar as pegadas de carbono de um evento, de viagens de avião. Mas ninguém sabe direito onde estão esses créditos, neutralizou como. Muitas vezes a mesma área foi usada para várias finalidades. É algo muito nebuloso ainda”, reconhece Suzana.

Por isso a ideia de formalizar o processo. “Na bolsa você vai poder acompanhar com mais transparência. Nas planilhas, na sua frente, você sabe o que foi comprado, por quem, aonde. Vai estar tudo registrado. O próprio pessoal das Nações Unidas está interessado nisso”, diz Suzana.

Autor: Luiz Antonio Ryff Tags: , , , , ,

sexta-feira, 23 de março de 2012 Entrevista, Reportagem | 16:07

Rio+20: Cúpula de regiões discutirá criação de pactos em oito temas

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Para marcar os 20 anos da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (UNCED), realizada no Rio de Janeiro em 1992, a capital carioca irá sediar entre 20 e 22 de junho deste ano a Rio+20, a conferência da ONU que vai discutir a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza e a estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável.

Logotipo da Rio+20

Logotipo da Rio+20

Mas outros eventos paralelos irão ocorrer. A secretaria estadual de Meio Ambiente está focando seu trabalho na Cúpula Mundial de Regiões (World Summit of Regions), que será realizada no Rio no dia 19 de junho, às vésperas da Conferência das Nações Unidas Sobre Desenvolvimento Sustentável.

A ideia dessa cúpula é criar uma coalizão global com regiões subnacionais (estados, províncias, departamentos) que se comprometam com algumas metas relacionadas aos temas da Rio+20.

“Os estados regionais e províncias têm mais flexibilidade do que as nações para tomar decisões e implantar medidas. Qualquer acordo no âmbito das Nações Unidas é extremamente complexo”, avalia em entrevista ao iG Suzana Kahn, subsecretaria estadual de Economia Verde do Rio de Janeiro e que está coordenando os trabalhos relativos a Rio+20 no estado.

A história pouco conhecida do herói nacional da preservação

Ela admite que a dificuldade de adoção de metas “verdes” globalmente, pelos países, tem frustrado muita gente. Daí a necessidade de se incluir outras instâncias do executivo em que ações possam ser mais facilmente tomadas. O que não significa abandonar as discussões e tentativas de entendimento entre as nações. É simplesmente procurar atuar em um outro nível do executivo, menos rígido.

“Assim a gente começa um movimento de baixo para cima. E isso pode ajudar as nações a usar essas ações posteriormente”, afirma Suzana, que ocupa a vice-presidência do grupo mundial de cientistas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), que ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2007.

Energia suja e economia verde

Cada vez mais dependente financeiramente de uma energia “suja”, como petróleo e derivados, o Rio de Janeiro é o primeiro estado do País a criar uma subsecretaria de economia verde e também está coorganizando a Cúpula Mundial das Regiões.

A coalizão é iniciativa da nrg4SD (sigla em inglês para Rede de Governos Regionais para o Desenvolvimento Sustentável) e já conta com mais de 60 representantes, que ainda vão se debruçar sobre o documento final. Alguns do participante, além do estado do Rio de Janeiro, são São Paulo; Quebec (Canadá); Aragão, País Basco, Catalunha, Ilhas Canárias, Cantábria (Espanha); Bavária e Baden-Wuerttemberg (Alemanha); Xangai (China); Maryland e Califórnia (EUA); Bretanha, Aquitânia, Île de France, Rhone-Alpes (França); Buenos Aires, Chaco, Santa Fé (Argentina), País de Gales (Reino Unido) e Burkina do Norte (Burkina Fasso).

Outras regiões subnacionais foram recentemente convidadas para aderir a essa coalizão. O nrg4SD – que vai participar também da reunião preparatória para a Rio+20, entre os dias 13 e 15 de junho.

Oito temas estão sendo discutidos entre os membros da coalizão para serem incluídos em um programa conjunto: redução de emissão de gases de efeito estufa; aumento de eficiência energética; acesso universal à educação básica; melhoria da qualidade da água; quotas de transporte limpo e eficiente; criação de novos postos de trabalho “verdes”; redução na geração de resíduos por unidade de PIB; composição de energia renovável na matriz energética.

Serão discutidas metas, a criação de novos indicadores e formas de monitoramento. Mas não há nada completamente fechado ainda. “Vai ter algo de energia renovável, por exemplo. O que estamos discutindo agora é qual o percentual, qual o ano base”, explica ela, que é subsecretaria.

Muitas vezes não são discussões simples. Além das metas é preciso criar mecanismo eficientes de monitoramento para aferir o cumprimento do que foi estabelecido. “Ter metodologias para avaliar o que há de verde no desenvolvimento econômico  não é algo trivial”, reconhece Suzana.

Os estados, as regiões, as províncias e os departamentos participantes se engajariam em algumas das metas dentro da necessidade ou possibilidade de cada um, não necessariamente em todas.

“Saneamento é uma das metas. Quebec não tem problema algum com saneamento. Ela optaria por alguma outra na listagem que vai ser discutida. Serão várias, de habitação, energia renovável, eficiência energética… Já em Burkina do Norte a falta de saneamento é um problema”, explica Suzana.

Uma das propostas feita pelo Estado de São Paulo é aumentar a quota de energia renovável (hídrica, biomassa, solar, vento, mar, geotérmica, marinha) tendo como base o ano de 2008 em 17% do total até 2030 e 27% do total até 2050.

Autor: Luiz Antonio Ryff Tags: , , , , , , ,

sexta-feira, 16 de março de 2012 Entrevista | 17:58

Custo das Olimpíadas só será sabido após evento, avisa presidente da Empresa Olímpica Municipal

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Os últimos dias foram importantes para o projeto das Olimpíadas de 2016 no Rio. Foram definidos alguns pontos, como a responsabilidade pela construção do Parque Olímpico, que ficará a cargo de um consórcio formado por Odebrecht, Carvalho Hosken e Andrade Gutierrez. Foram estabelecidas diretrizes para a construção e aproveitamento das edificações pelo mercado imobiliário do Porto Olímpico, que é a maior parceria público-privada do País. Foi anunciado que o escritório norte-americano Hanse Golf Course Design ganhou o concurso para construir o campo de golfe. E o Parque dos Atletas – que será o local de descanso e entretenimento dos esportistas durante os jogos – foi aberto ao público.

Mas uma questão central ainda está longe de ser definida. Afinal, quanto vai custar fazer as Olimpíadas no Brasil?

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Presidente da Empresa Olímpica Municipal (a quem cabe coordenar o projeto Rio 2016 no âmbito carioca), Maria Silvia Bastos Marques (ex-presidente da CSN e da Icatu Seguros), avisa que só será possível saber o valor gasto das Olimpíadas após o término do evento.

Maria Silvia Bastos Marques (à dir. na foto) "dá uma tacada" em visita de representantes do COI ao Rio

Maria Silvia (à dir) 'dá uma tacada' em visita de representantes do COI ao Rio. (Divulgação/J. P. Engelbrecht)

Maria Silvia compara a realização das Olimpíadas a uma grande obra em casa, só que em uma dimensão muito maior. Ela lembra que quem já enfrentou uma reforma sabe que é difícil respeitar prazos e orçamentos para quebrar um banheiro ou uma cozinha.

“Quando se fez o dossiê de candidatura, se fez uma estimativa de valor, mas não havia projeto. Você só tem orçamento quando se faz um projeto básico, com detalhamento. Só se tem um orçamento final quando a obra acaba. Mesmo durante o projeto executivo, que te dá uma medida muito próxima, acontecem imprevistos, uma greve de trabalhadores, atrasos, um equipamento quebra, um material não chega…”, enumerou para a coluna.

Para complicar, no caso das Olimpíadas os projetos estão sendo desenvolvidos em ritmos diferentes. E há várias esferas de poder envolvidas, já que não é um orçamento do município. Envolve cidade, Estado, governo federal e comitê organizador.

“Há projetos em fase de maturidade avançada, com a Transcarioca e a Transoeste, e outros que sequer foram licitados, como a Transbrasil e a Transolímpica. Se eu somo um com outro, eu somo coisas completamente diferentes”, explica ela citando obras de transporte na cidade. “A Transoeste vai ficar pronta este ano, o valor está próximo do custo final. A TransOlímpica está em licitação. E a TransBrasil sequer foi licitada. Os valores são estimativos. É claro que se a estimativa inicial é de R$ 100 milhões não deve virar R$ 500 milhões. Mas pode virar R$ 80 milhões, R$ 130 milhões ou R$ 150 milhões”.

A proposta vencedora para a construção do Parque Olímpico, por exemplo, foi de R$ 1,375 bilhão – pouco abaixo da previsão de R$ 1,4 bilhão.

Com a experiência de quem já comandou a secretaria de Fazenda do município e foi diretora do BNDES, Maria Silvia acha insensato cobrar que um orçamento para uma obra tão grande não tenha ajuste. Mas, o importante, é saber comunicar essa questão do orçamento com transparência para evitar a percepção de que houve aumento de gasto e falta de controle das verbas.

“Londres aumentou mais de três vezes o orçamento das Olimpíadas. E é tido como um case de cumprimento de orçamento. Por quê? Por que foi bem comunicado. É preciso explicar. Eu não quero que o dinheiro do meu imposto seja usado para pagar uma coisa que não deveria custar aquilo”, diz ela que promete, em breve, ter um site da Empresa Olímpica que mostre a evolução dos gastos com os Jogos.

“Mas não é uma tarefa fácil comunicar o orçamento de uma coisa tão complexa quanto a realização dos Jogos”, admite, já sabendo qual será uma de suas tarefas mais difíceis.

Autor: Luiz Antonio Ryff Tags: , , , , ,

terça-feira, 13 de março de 2012 Nota | 18:54

Granada é encontrada – e detonada – na praia do Leblon

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Policiais civis do esquadrão antibombas da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais) detonaram no início da noite desta terça-feira (13) uma granada achada na praia do Leblon, na zona sul do Rio. Segundo policiais, a granada foi encontrada no final da tarde por duas crianças que começaram a brincar com ela. Uma senhora viu e avisou os bombeiros no posto salva-vidas. Eles isolaram a área e acionaram a polícia.

Policiais da Core se preparam para detonar a granada

Policiais da Core se preparam para detonar a granada

Veja o vídeo: Encontrada na praia, granada é detonada no Leblon

A granada era de efeito moral (de gás de pimenta, usada para controlar distúrbios e dispersar multidões) e estava na areia, na altura da rua Afrânio de Mello Franco (onde ficam a 14ªDP,  a Delegacia de Atendimento ao Turista e o Shopping Leblon). Uma escolinha de vôlei para crianças fica a poucas dezenas de metros de onde foi encontrado o artefato.

Para efetuar a detonação, foi interditado um trecho da praia de cerca de 200 metros, junto ao mar. Os peritos fizeram um buraco na areia e com ajuda de um braço mecânico a granada foi levada para lá e detonada. Segundo o inspetor Ivaldo, da Core, a granada era de baixo poder explosivo mas, caso detonasse enquanto fosse manuseada, poderia levar a ferimentos como a perda dos dedos ou da mão.

Policiais acreditam que ela pode ter sido trazida pelo mar.

Policial exibe a granada detonada

Policial exibe a granada detonada

Autor: Luiz Antonio Ryff Tags: , ,

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