Balaio do Kotscho - Part 2
iG

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14/04/2011 - 12:50

Lula X FHC: os ex de volta ao ringue

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Sabia que não iria demorar. Foi só o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, quase 80, escrever daqui que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 65, respondeu de lá _ lá de Londres, no caso, onde se encontra no momento.

Na falta de protagonistas mais novos, os dois voltam ao centro da cena política brasileira, ou melhor, do ringue em que se transformou a interminável disputa pelo poder entre petistas e tucanos.

Com Dilma em visita oficial à China e José Serra dedicado ao twitter, foi Lula quem respondeu ao artigo “O papel da oposição” publicado na revista “Interesse Nacional”, em que FHC aconselha seu partido a desistir de disputar votos com o PT no campo do adversário, que teria aparelhado e cooptado os movimentos sociais e as centrais sindicais.

“Não sei como é que alguém estuda tanto e depois quer esquecer do povão”, respondeu Lula a FHC, que recomendou ao PSDB dar prioridade à classe média, deixando de lado “as massas carentes e pouco informadas” (tema do post anterior).

Lula chegou a comparar Fernando Henrique a outro ex-presidente, o general João Batista Figueiredo, que disse preferir “cheiro de cavalo ao de povo”.

Agora, disse Lula, segundo relato do Ultimo Segundo no iG, “tem ex-presidente que fala que é preciso esquecer o povão. Eu não entendo, não sei o que ele quis dizer”.

Como começou e até onde vai este confronto entre os homens que comandaram o país nos últimos 16 anos?

Conheci e fiquei amigo dos dois quando voltei da Alemanha, no final dos anos 1970, em São Bernardo do Campo, onde Lula comandava as greves dos metalúrgicos, com o apoio de personalidades da sociedade civil na resistência ao regime militar _ entre elas, o jovem professor Fernando Henrique Cardoso.

Em 1978, durante a campanha eleitoral, vi Lula entregando panfletos de FHC, ao lado do então candidato a senador numa sublegenda do antigo MDB, em portas de fábricas e discursando em comícios. Na época, eles chegaram a conversar sobre a criação de um novo partido, que viria a ser o PT de Lula. Fernando Henrique preferiu ficar onde estava.

Os dois se reencontrariam nas lutas pela Anistia e por Eleições Diretas, no ocaso da ditadura militar, e tinham perdido eleições antes de disputar a presidência entre si, em 1994 e 1998, ambas disputas vencidas por FHC no primeiro turno.

Sempre que ia tomar café para uma conversa em “off” com o presidente Fernando Henrique, levado pela amiga Ana Tavares, sua secretária de Imprensa, ele me falava com carinho sobre Lula e perguntava sobre os nossos amigos comuns no PT.

Até o início do primeiro governo Lula, em 2003, após as cenas emocionantes da transmissão de cargo _ em que o novo presidente disse ao antecessor “você deixa aqui um amigo”, na hora da despedida _, os dois eram adversários cordiais.

Pude testemunhar isso antes do início de uma recepção oferecida no Itamaraty, meses após a posse, em que Lula e FHC conversaram longamente no gabinete do ministro Celso Amorim.

Não me recordo em que momento e por qual motivo os dois se afastaram de vez e passaram a brigar pela imprensa, cada vez subindo mais o tom. Acho que sou um dos poucos jornalistas brasileiros que pode ligar no mesmo dia para os dois ex-presidentes e ser bem atendido por ambos. Da próxima vez, vou tentar esclarecer esta dúvida.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
13/04/2011 - 11:29

FHC acorda oposição com velhas novas receitas

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Despertada do sono profundo em que se encontrava, a oposição reagiu de forma confusa às palavras de ordem do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que acha melhor esquecer o “povão” para investir na classe média, como se isso fosse uma grande novidade para os seus aliados.

Desde que nasceu de uma costela do antigo MDB dominado por Orestes Quércia, o PSDB sempre foi um partido das classes médias, distanciado do movimento social, dos sindicatos e dos setores mais populares. A única diferença é que agora FHC propõe o uso da internet e de uma seleta equipe de blogueiros para conquistar o eleitorado.

No manifesto “O papel da oposição”, que escreveu para a revista “”Interesse Nacional”, a ser publicada esta semana, FHC incomodou alguns líderes oposicionistas ao constatar que “enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre os movimentos sociais ou o povão, isto é, sobre as massas carentes, e pouco informadas, falarão sozinhos”.

Os tucanos, pelo jeito, continuam achando que Lula e Dilma só se elegeram graças aos pobres ignaros que não lêem jornal e recebem alguma ajuda do governo. Esquecem-se que FHC ganhou duas eleições presidenciais graças ao Plano Real, que beneficiou a maioria da população, brasileiros de todas as classes sociais.

Por mais que o sociólogo FHC possa ter razão na sua análise, esta afirmação incomodou até os seus mais fiéis seguidores na elite paulistana. “Ele pode até pensar isso, mas jamais escrever”, comentou comigo um grande empresário, antigo eleitor tucano, que não se conformava com o que chamou de “tremenda bola fora”.

Com todo cuidado, líderes tucanos procuraram explicar o que FHC quis dizer, como o ex-governador de São Paulo José Serra. “O problema do PSDB e da oposição é de rumo, de clareza, de coerência. Como um todo, não se sabe o que o partido defende, nem de que lado está”.

Pelo jeito, está surgindo a oposição da oposição. O sempre bem humorado jornalista Carlos Brickmann comentou logo que o problema da oposição não é encontrar um rumo. “Primeiro, é preciso encontrar a oposição”, sugeriu ele.

O deputado Roberto Freire(PPS-SP), até outro dia abrigado numa boquinha em conselhos municipais paulistanos, antes de o prefeito Gilberto Kassab resolver criar um novo partido, sentiu-se à vontade para corrigir o ex-presidente: “Não vejo na política quem abanone qualquer segmento da sociedade. Há 17 anos, ele foi o candidato que recebeu os votos dos setores pobres”.

O eterno presidente do PPS só não se deu conta que os pobres de 17 anos atrás talvez possam agora ser encontrados justamente na nova classe média que FHC quer cortejar. Do ponto de vista numérico, o ex-presidente não deixa de ter sua razão: no governo Lula, afinal, a classe C passou as classes D e E, tornando o Brasil, pela primeira vez, um país predominantemente de classe média.

Para o presidente do PSDB e grande estrategista político Sergio Guerra, o ex-presidente foi mal interpretado, pois apenas “constatou que é mais fácil para a oposição se comunicar com a classe média do que com os beneficiários do Bolsa Família”.

h, bom. Agora está tudo esclarecido. O problema, mais uma vez, seria só de comunicação. Basta, portanto, encontrar um novo marqueteiro, ou melhor um mágico.

A tarefa do mágico não será simples: tanto os aliados DEM e PPS, como a dissidência kassabista do novo PSD, também se proclamam partidos de classe média.

Deixar o “povão”, como diz FHC, todinho para o PT e seus aliados não parece ser muito recomendável para quem sonha em reconquistar o poder. “Isso é algo terrível, é uma espécie de renúncia à chegada à Presidência”, resmungou o senador Demóstenes Torres, do DEM.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
12/04/2011 - 11:51

Conte quem foi teu bom professor

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Todos tivemos um professor que marcou nossas vidas e foi fundamental para sermos quem somos no mundo. Quem deu sorte na escola teve mais de um, como foi o meu caso, mas sempre tem aquele que a gente não esquece.

No meu caso, foi o padre José de Almeida Prado, na primeira série do ginasial no Colégio Santa Cruz, que não só me ensinou a falar português direito (até os seis anos eu só falava alemão), mas também a gostar de ler e escrever na nossa língua.

Quando nossa turma completou 40 anos de formatura, ele estava na festa e lembrou como eu lhe dava trabalho: “Você até que aprendeu direitinho a escrever, mas escrevia demais…”. Até hoje, tenho este defeito, e padre José continua firme e forte no Santa Cruz, orientando almas e mentes.

Trago estas lembranças a vocês porque acabei de chegar da reunião do “Todos Pela Educação”, movimento da sociedade civil do qual sou um dos fundadores, em que foi lançada a nova camnpanha de mobilização para a valorização dos professores.

Produzida pelo Grupo ABC, com a participação das equipes de Nizan Guanaes e Sergio Valente, a campanha “Um bom professor, um bom começo” será veiculada em todas as mídias, tendo como idéia mãe as boas lembranças que temos daqueles que nos ensinaram nos tempos de escola.

O objetivo principal do movimento “Todos Pela Educação” é garantir uma educação de qualidade para todos os brasileiros até 2022, ano do segundo centenário da nossa Independência. Para isso, ninguém é mais importante do que o professor, mas a tarefa de mobilizar os recursos possíveis pela melhoria do ensino é de todos nós.

É como diz a letra do jingle da campanha:

A base de toda conquista é o professor.
A fonte da sabedoria, um bom professor.
Em cada descoberta, cada invenção.
Todo bom começo tem um bom professor.

No trilho de uma ferrovia, um bom professor.
No bisturi da cirurgia, um bom professor.
No tijolo da olaria, no arranque do motor.
Tudo que se cria tem um bom professor.

No sonho que se realiza, um bom professor.
Cada nova ideia tem um professor.
O que se aprende e o que se ensina, um professor.
Uma lição de vida, uma lição de amor.

Na nota de uma partitura.
No projeto de arquitetura.
Em toda teoria.
Em tudo que se inicia.
Todo bom começo tem um bom professor.
Tem um bom professor.

Parece até coisa de Chico Buarque… Que, por sinal, também foi aluno do padre José de Almeida Prado e também escreve direitinho.

Se cada um fizer sua parte, é possível. Podemos começar pelo exemplo que dei acima: contando quem foram nossos bons professores para que eles possam servir de exemplo e estímulo aos que estão ralando nas escolas hoje plantando, com todas as dificuldaedes, as sementes de um Brasil melhor.

Faça a sua parte e conte aqui mesmo quem foi teu bom professor. Quem sabe, ele lê a tua mensagem e procura te encontrar. Dizem que recordar é viver. Pois ensinar é trabalhar por um país melhor para todos nós.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
11/04/2011 - 14:12

Trabalho escravo: do bóia-fria ao PAC

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Trabalho em condições análogas à escravidão, trabalho semi-escravo, condições degradantes de trabalho. Há muitas formas modernas de qualificar o que os antigos chamavam simplesmente de escravidão.

É quando a pessoa trabalha praticamente só em troca de comida e abrigo, é desrespeitada nos seus mínimos direitos, é tratada como bicho (muitas vêzes, pior) e se torna cativa de quem a contrata.

De repente, termos e situações que pareciam enterrados com a princesa Isabel no final do século 19 ressurgem no noticiário para descrever como ainda vivem milhares de trabalhadores brasileiros em pleno começo do século 21.

O primeiro grito foi dado lá das profundas da selva amazônica, em Rondonia, quando se rebeleram os trabalhadores das obras da usina hidrelétrica de Jirau, que botaram fogo no canteiro e entraram em greve.

Depois, a revolta dos operários espalhou-se pelo complexo portuário e industrial de Suape, em Pernambuco, e outras obras do PAC, em várias regiões do país, sempre pelo mesmo motivo: relações de trabalho com práticas escravagistas em consequência da terceirização e até da quarteirização da mão de obra.

Faz poucos dias, o governo federal viu-se obrigado a convocar uma reunião com as grandes construtoras e as centrais sindicais para impor regras mais civilizadas na proteção dos trabalhadores que vivem em canteiros de obras do PAC.

Mal refeitos do susto e da indignação causada pela revelação do que acontece em paragens mais distantes do país, descobrimos que a mesma situação é vivida por trabalhadores na nossa cara, aqui ao lado de São Paulo, na região de Campinas, em obras do programa Minha Casa, Minha Vida.

“Vitrine do PAC expõe trabalho degradante _ Operários do Minha Casa, Minha Vida vivem em locais superlotados e sujos”, denuncia a manchete da Folha desta segunda-feira, em reportagem de Silvio Navarro.

Ao terminar de ler o texto, viajei no tempo pela mesma estrada rumo ao interior paulista que percorri muitas vezes nos anos 70 e 80 do século passado para fazer a cobertura de rebeliões e greves dos então chamados bóias-frias.

Eram trabalhadores recrutados em sua maioria no Nordeste, como agora, para trabalhar temporariamente nas colheitas de cana de açucar, café e laranja. Nada mudou: as condições em que vivem os trabalhadores do PAC descritas na reportagem são exatamente as mesmas que encontrei 40 anos atrás nas fazendas paulistas.

“(…) trabalhadores vivem em locais superlotados, sem ventilação e com problemas de higiene e saneamento (…) podem ser vistos colchões com beliches construídos com madeira da própria obra ao lado de botijões de gás e rede elétrica”.

Por trás da tragédia humana, encontram-se também os mesmos personagens daquela época: os “gatos”, fornecedores de mão de obra, intermediários de gente, que cobram caro pelo seu “produto” e pagam uma merreca para os trabalhadores.

A partir de denúncias do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil da região, o Ministério Público registrou casos de retenção da carteira. Foi o que aconteceu, por exemplo, com Manuel Edionaldo, que chegou do Piauí e está há 21 dias sem a carteira porque o “gato” que o contratou simplesmente desapareceu.

Estamos falando de uma prática que não é nova nem localizada, e resiste há mais de dois séculos: só no ano passado, segundo relata o jornal, foram registradas 16.630 denúncias de irregularidades em relação à segurança e à saúde do trabalhador.

O Ministério do Trabalho sempre alega que faltam fiscais (são 2.994 para cuidar de todas as obras em andamento no país, e não só as do PAC), mas o problema poderia ser resolvido de uma forma bem simples, sem gastar nada: proibir de uma vez por todas a ação de “gatos”, estes gigolôs de trabalhadores, e colocar na cadeia tanto os intermediários como quem os utiliza para contratar mão de obra.

A Odebrechet, uma das empresas denunciadas em Campinas, soltou nota à imprensa para informar que vai cuidar da melhoria dos alojamentos e pagamento dos salários dos trabalhadores “até que os responsáveis pela empresa subcontratada pudessem assumir diretamente seus deveres”.

Muito justo, muito bonito. Mas, como assim? Quer dizer que só agora, depois das denúncias do sindicato, uma das maiores empreiteiras do país, com obras no mundo todo, assume sua responsabilidade perante os trabalhadores?

Será que ninguém da empresa se deu ao trabalho ou ao menos teve antes a curiosidade de saber o que estava acontecendo no seu canteiro de obras, a 93 quilômetros de São Paulo?

Afinal, o patrimônio de qualquer construtora é constituído basicamente de equipamentos e funcionários, e é preciso zelar por ambos, não importa quantas subcontratações sejam feitas ao longo das obras.

O mais triste para mim nesta história é que tais fatos ainda se repitam em 2011, no nono ano de governos eleitos pelo Partido dos Trabalhadores, que foi criado, como o nome indica, exatamente para lutar em defesa de quem ganha a vida com a força dos braços e o suor do rosto.

Se o caro leitor souber de casos semelhantes em obras na sua cidade, peço a gentileza de nos informar para que possam ser tomadas providências. Estes crimes contra os trabalhadores brasileiros não podem continuar impunes.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
10/04/2011 - 11:09

Peça “Menecma” é bem divertida

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Ao contrário do que o estranho nome sugere, o espetáculo “Menecma”, em cartaz no Teatro do Sesi, na avenida Paulista, não é mais uma “peça cabeça”, dessas que exigem um alto QI da platéia e costumam ser muito chatas.

É meio maluco, mas bem divertido o primeiro texto para teatro de Bráulio Mantovani, o consagrado roteirista de “Cidade de Deus”, “Tropa de Elite” e “Tropa de Elite 2″.

Ao misturar num bem temperado cozido jogos de metalinguagem com o making off da própria peça, que começou a escrever em 1992, Mantovani coloca o cinema no palco e vice-versa para o protagonista, jovem diretor do filme, contar a história de um grande ator recentemente falecido, seu pai.

Sem limites entre ficção e realidade, o ritmo da ação é tão acelerado que quando as luzes são acesas e as cortinas fechadas, com poucos minutos de espetáculo, a diretora Laís Bodanzky teve que subir ao palco para explicar que houve um problema técnico no projetor e pedir um pouco de paciência.

Muitos espectadores, como eu, pela cara que fizeram, ficaram sem saber se o incidente fazia ou não parte do espetáculo, algo que deve ter deixado Mantovani feliz, como se pode perceber nos seus objetivos declarados com a peça:

“Sinto um prazer perverso ao observar a perplexidade nos rostos e nas vozes das pessoas quando digo que minha peça se chama `Menecma´. Acredito que sua reação ao espetáculo, distinto público, vai ser muito parecida àquela que o título provoca. Estou contando com isso”.

Pois a provocação do autor parece ter dado certo, já que a platéia entrou na brincadeira do faz-de-conta dos nomes quase iguais dos personagens-sosias.

Apesar dos problemas técnicos do sabado à noite, também se divertiram bastante os jovens e competentes atores Gustavo Machado, Paula Cohen e Roney Facchini, o que é um bom sinal. Do cenário à música, tudo é muito bem cuidado neste espetáculo dirigido por Laís Bodanzky, ela também uma cineasta de ofício que começa a dar suas cacetadas no teatro.

Antes que alguem “denuncie” o parentesco, já vou logo dizendo que Bráulio Mantovani é meu genro, mas nem por isso sou obrigado a falar mal da peça dele.

“Menecma” vai ficar em cartaz até o dia 26 de junho no Teatro do Sesi (avenida Paulista, 1313) – Metrô Trianon-Masp.

Quinta a domingo, às 20 horas. Entrada franca nas quintas e sextas-feiras. Aos sábados e domingos, o ingresso custa R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia).

Divirtam-se.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
08/04/2011 - 19:14

Após a tragédia, mil explicações para um ato alucinado

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Em tempo, às 10h45 de 9.4:

O grande repórter e excepcional ser humano Elpídio Reali Júnior, meu velho amigo, morreu às 8 horas da manhã deste sábado, em sua casa, em São Paulo. Por quase 40 anos ele foi correspondente da Jovem Pan e do Estadão em Paris.

A sua longa e bela trajetória pelo jornalismo está resumida no texto “Reali Jr., o repórter que virou doutor”, publicada no Balaio em 19 de março de 2009 (pesquisar no arquivo), dia em que ele recebeu o título de “Doutor Honoris Causa” das Faculdades Metropolitanas Unidos.

Ao final do post, encontra-se a íntegra do discurso de Reali Jr. ao agradecer a honraria.

***

Ao meio dia, na Catedral da Sé, será celebrada missa em homenagem a outro amigo, o ex-vice-presidente José Alencar, falecido na semana passada.

***

Atualizado às 10h30 de 9.4

Caros leitores,

terminei agora de ler e liberar os comentários sobre o post abaixo que trata deste tema tão delicado e doloroso da chacina de Realengo. Quero agradecer a todos pelo alto nível das mensagens enviadas, com raras exceções. Notei uma condenação generalizada do sensacionalismo da imprensa na cobertura destes episódios _ um bom sinal de que o público quer um jornalismo com mais qualidade e compromisso social .

Ricardo Kotscho

***
Os repórteres ainda estavam apurando as primeiras informações sobre a tragédia da escola em Realengo, zona oeste do Rio, quando apareceram os primeiros ólogos e ólogas para “explicar” o que aconteceu.

Ao longo de várias horas, ficaram diante de câmeras e microfones declamando as “razões” _ do islamismo ao “bullying”, do computador às drogas _ que poderiam ter levado o celerado Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, a matar 12 crianças antes de se matar numa escola onde havia estudado, e ensinando que deveria ser feito pelos poderes públicos para evitar que esta barbaridade se repita.

Pode ser um incêndio ou uma enchente, uma queda de avião ou um acidente num parque de diversões, lá vêm os engenheiros de obras feitas oferecendo soluções que já deveriam ter sido adotadas há muito tempo. Se dependesse deles, todos nós só morreríamos de velhice.

Por mais sábias e estudadas que estas pessoas possam ser, que explicação pode se dar a tamanha monstruosidade? O que isto ajuda as pessoas abaladas com as imagens de crianças assassinadas, mães e pais em busca de seus filhos, policiais e médicos perplexos sofrendo também e tentando diminuir o sofrimento dos outros?

Chegaram a falar até na instalação de detectores de metais na entrada das escolas, como se isso fosse possível, e a educação pública brasileira tivesse recursos sobrando para investir em sofisticados sistemas de segurança, que não existem nem nos países ricos porque inviáveis.

Pode alguém imaginar policiais armados ao lado de aparelhos de raio-X revistando quem entra nas escolas? Quem pode prever quando, como e onde um doido drogado vai sair atirando, a tempo de evitar uma tragédia como a de quinta-feira, a primeira destas proporções registrada numa escola brasileira?

Toda esta histeria em busca de explicações para aquilo que não tem explicação serve apenas para aumentar o medo das crianças de sair à rua e ir à escola.

Em meio à cacofonia de horrores, desesperos e pânico generalizado diante do inexplicável, louve-se a lucidez de duas pessoas: do educador Mário Sergio Cortela, em São Paulo, e da secretária municipal de Educação do Rio, Cláudia Costin.

No telejornal “Hoje”, da TV Globo, Cortela orientou os pais a garantir aos filhos que poderiam ir para a escola tranquilamente porque a possibilidade de um caso destes se repetir tão cedo e tão perto era quase nenhuma.

Na mesma linha, Costin resumiu o que eu penso a respeito: “Não há proteção contra um psicótico em qualquer lugar público”.

Também sou a favor de qualquer campanha de desarmamento sempre, não só após as tragédias _ por mim, seria proibida a fabricação de armas _ e concordo que o nível de violência nas nossas escolas, vitimando cada vez mais professores e alunos, está atingindo níveis alarmantes.

Sim, estamos todos de acordo, mas o que fazer? Certamente, não é colocando mais policiais nas ruas e nas escolas que vamos minorar o problema.

Se não podemos ajudar, se não temos nenhuma informação nova a acrescentar, melhor é não contribuir para aumentar o sentimento de insegurança e de perplexidade. Toda vez que acontece um fato que foge à minha compreensão resisto a escrever qualquer coisa, mas também não consigo ficar calado.

Nestas horas, pensando bem, melhor é se recolher a um canto, reconhecer a nossa insignificância e chorar as crianças que morreram. É nada, eu sei, mas é tudo o que podemos fazer sem cair no ridículo ou na pieguice.

Que Deus as tenha. Vida que segue.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
07/04/2011 - 12:13

Oposição agora tem um líder: Aécio Neves

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O badalado discurso de estréia do ex-governador mineiro Aécio Neves na tribuna do Senado nesta quarta-feira serviu apenas para mostrar que os tucanos ainda não têm discurso, bandeira ou projeto para as eleições de 2014, mas ganharam um novo líder.

A única grande novidade foi a supreendente aparição em plenário do seu correligionário e antagonista José Serra, candidato derrotado em 2002 e 2010, que ainda não desistiu de disputar a presidência pela terceira vez.

Por isso, o discurso ainda não pode ser entendido como o lançamento da candidatura presidencial de Aécio, apesar da generosa cobertura da imprensa, digna de um grande acontecimento político, mas serviu para colocá-lo na cena política como o principal porta-voz da oposição ao governo Dilma.

Oposição, sim, ma non troppo, como ele fez questão de deixar claro nos 24 minutos da leitura do discurso e nas cinco horas de debates, que movimentaram o plenário do Senado pela primeira vez este ano.

Por coincidência, o discurso genérico a favor do que é bom e contra o que não presta, foi feito na mesma semana do lançamento do documentário “Tancredo, a Travessia”, de Silvio Tendler, e é inevitável fazer a comparação entre o mestre avô e o neto herdeiro de um estilo bem mineiro de fazer política.

Vai ver que era exatamente isto que a oposição estava precisando, depois de infrutíferos oito anos de raivoso combate ao governo Lula, que acabou elegendo sua sucessora e deixou o Planalto com índice recorde de aprovação popular.

Só quem não deve ter gostado nada do debate protagonizado por Aécio, em que foi elogiado até pelos senadores do governo, e da repercussão alcançada na imprensa, foi José Serra.

O líder do PT, Humberto Costa, chegou a qualificar Aécio como “o melhor quadro de oposição do país”, o que não chega a ser propriamente uma novidade.

Serra ficou até o final e deixou o plenário rapidamente, falando que ainda é muito cedo para se tratar de 2014, e foi irônico quando lhe perguntaram sobre a sua possível candidatura a prefeito de São Paulo no ano que vem, assunto que o deixa irritado: “Agradeço a preferência”.

Tancredo costumava dizer que política é destino. Aécio também acredita nisso. Certa vez, após uma festa de Tiradentes, em Ouro Preto, disse a um grupo de amigos durante o almoço que para ele ser ou não presidente da República não é uma questão de vida ou morte.

“Não vou me matar para ser presidente. Se tiver que ser, serei, mas isso não é a coisa mais importante da minha vida”.

Será bom para o país ter um líder da oposição como Aécio Neves, que não trata adversários como inimigos, e sempre encontra um jeito de falar bem mesmo quando critica, como mostrou nesta frase:

“Não há ruptura entre o velho e o novo, mas o continuísmo das graves contradições dos últimos anos (…) apesar do nítido e louvável esforço da nova presidente em impor personalidade própria”.

Acredito que até a presidente Dilma Rousseff deve ter gostado da estréia do novo líder da oposição.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
06/04/2011 - 12:31

Tancredo, o filme, uma aula de Brasil

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Se você mora em São Paulo e ainda não viu, corre que dá tempo: às três da tarde desta quarta-feira, vai passar de novo, no Cine Livraria Cultura do Conjunto Nacional, o documentário “Tancredo, a Travessia”, de Silvio Tendler, uma verdadeira aula da história recente do Brasil.

Nada melhor, em meio ao baixo astral do noticiário, do que ter uma boa história para contar, e poder falar de um primoroso trabalho do nosso cinema produzido por um diretor que se dedica com garra e gosto ao que faz.

Tendler começou este trabalho em 1985 quando foi a Brasília para registrar a posse que não houve de Tancredo Neves na Presidência da República. Exatos 26 anos depois, encontrei-o em pé na saída do cinema, recebendo os cumprimentos após a exibição do filme no festival “É Tudo Verdade”, em São Paulo, na noite de segunda-feira.

Com sua inseparável bengala e o sorriso maroto de menino que cresceu sem ficar bobo, o mesmo diretor dos filmes sobre JK e Jango, duas obras primas do cinema documental brasileiro, agora completa sua trilogia com Tancredo, contando a história política do país por meio dos seus principais personagens, desde Getúlio Vargas chegando ao poder em 1930.

No filme de Tendler, vemos passar meio século de Brasil em pouco menos de duas horas _ nos momentos decisivos, com o mineiro Tancredo de Almeida Neves sempre presente.

Ministro da Justiça de Vargas quando ele se suicidou, em 1954, e primeiro-ministro no governo Jango, o presidente deposto pelos militares dez anos depois, Tancredo foi eleito de forma indireta, em 1985, para fazer a transição entre a ditadura e a democracia. A trajetória ao mesmo tempo vitoriosa e trágica de Tancredo simboliza um modo brasileiro de fazer política.

Reclamaram a Silvio Tendler que estão faltando críticas a Tancredo nas dezenas de depoimentos de políticos e jornalistas colhidos pelo diretor, entre eles o do autor deste Balaio.

Nem por isso o filme pode ser chamado de chapa-branca, pois não se propõe a fazer juízo de valor sobre o personagem central, limitando-se a contar o que realmente aconteceu como nas boas reportagens.

O neto de Tancredo e seu secretário particular na época, o hoje senador Aécio Neves, aparece em vários momentos do filme pelo bom e simples motivo de que estava a seu lado nos momentos decisivos entre a vitória, a posse frustrada e a morte.

Ainda bem que o filme não estreou em março do ano passado, como estava previsto, quando foi celebrado o centenário de nascimento de Tancredo, porque certamente Tendler seria acusado de fazer campanha para Aécio, como aconteceu com o filme de Fábio Barreto sobre a vida de Lula.

Conciliador e moderado ao extremo, com perdão pelo contraditório, Tancredo o tempo todo foi um personagem fiel a si mesmo para provar que a política é a arte do possível em que não se deve apressar o rio que corre para o mar.

Tancredo levou tão a sério os cuidados, evitando as ondas grandes e os tubarões, que acabou morrendo na praia ao final da sua longa agonia, que começou na véspera da posse no Hospital da Base em Brasília, passou pelo Incor de São Paulo e terminou no cemitério de São João del Rei, cidade onde nasceu, levando multidões às ruas.

Eu acompanhei esta saga nas três cidades como repórter da Folha de S. Paulo e posso dar o testemunho de que meu amigo Silvio Tendler, com quem trabalhei na campanha de Lula, em 1994, foi absolutamente fiel aos fatos. O filme informa e comove ao mesmo tempo, na medida certa.

Na questão mais polêmica da caminhada de Tancredo rumo ao poder, a sua eleição indireta pelo Colégio Eleitoral após a derrota da Emenda Dante de Oliveira, que defendia as eleições diretas, em 1984, o filme deixa claro o que de fato ocorreu, desde o primeiro comício.

Ulysses Guimarães seria o candidato de consenso se o povo pudesse eleger seu presidente e, Tancredo, era o “plano B” para disputar no Colégio Eleitoral. Enquanto um ganhava as ruas para mudar a história, o outro costurava nos gabinetes. Os dois sabiam disso, mas é claro que não admitiam em público.

“Tancredo, a Travessia” é um documentário para ser mostrado nas escolas, claro, mas mesmo quem viveu aquela época deveria ver este filme para relembrar alguns episódios e evitar que os mesmos erros se repitam.

Por exemplo, os dirigentes e parlamentares do PT, que se recusaram a votar em Tancredo, em 1985, e depois recusaram o apoio de Ulysses, no segundo turno da campanha de Lula em 1989.

Os dois episódios reforçaram a imagem radical do partido, que levou Lula a três derrotas nas eleições presidenciais antes de se convencer que era preciso se aliar a outras forças políticas para chegar ao poder. A gente sempre sai destes filmes achando que a história poderia ter sido diferente…

O festival “É tudo Verdade” vai até domingo. São ao todo 92 filmes, produzidos em 26 países, sendo 18 deles nacionais. Não percam.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
05/04/2011 - 13:25

Quem aguenta ler tanta notícia velha?

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Sai inflação, volta mensalão. Não tem jeito: na escassez de manchetes produzidas pelo governo Dilma, ao contrário do seu antecessor, tem assunto que vai e volta.

Para quem vive de novidades, e precisa escrever blog ou coluna todo dia, tem sido dura a luta nas últimas semanas _ ainda mais, para quem se acostumou a só meter o pau no governo.

Basta ver os intermináveis balanços dos primeiros 100 dias de Dilma Roussef na presidência, que ela só vai completar no próximo domingo.

O jeito é quebrar o galho reciclando notícias porque ninguém aguenta mais ler ou escrever todo dia sobre o Japão, a Líbia, a dengue, o novo partido do Kassab, o Obama, sempre os mesmos assuntos.

Vale até dar manchetes com avião que caiu há dois anos ou denúncias contra o vice presidente Michel Temer feitas uma década atrás.

De repente, de um dia para outro, a inflação deixou de representar o grande problema nacional, cedendo espaço para o mensalão, que voltou a ser capa de revista e jornal, seis anos depois, como se tivesse acontecido na semana passada.

Nem o Balaio escapou. A grande novidade de hoje é que apareceu um terceiro autor reivindicando a autoria do slogan “Lula-lá” que inspirou o jingle da campanha presidencial petista de 1989.

O assunto foi ressuscitado pela coluna da amiga Mônica Bergamo, na Folha, provocando uma disputa epistolar, reproduzida aqui no blog, entre a família do publicitário Carlito Maia, já falecido, e o marqueteiro daquela campanha do PT, Paulo de Tarso Santos.

Em comentário enviado ao blog às 21h27 de segunda-feira, o jornalista Sitônio Pinto, membro da Academia Paraibana de Letras, garante que o autor é ele e dá a sua versão:

“Há 23 anos, precisamente no dia 26 de novembro de 1988, publiquei uma análise das últimas eleições municipais em alguns Estados do Brasil, onde as esquerdas alcançaram expressiva vitória. A análise era o foco de um artigo meu no jornal A União, da Paraíba, página dois, intitulado “Lula-Lá”. Ao mesmo tempo, sugeria ao PT um slogan para a campanha, coisa que o partido ainda não tinha”.

Se os leitores do Balaio conhecerem alguma outra versão sobre a autoria do slogan ou tiverem uma boa sugestão para mudar de assunto, por favor, fiquem à vontade.

Parafraseando Caetano Veloso, quem aguenta ler tanta notícia velha?

Em tempo:

mais uma vez, faço um apelo aos caros comentaristas deste blog para que evitem polêmicas intermináveis com outros leitores, geralmente sobre assuntos que nada têm a ver com o que foi publicado por mim.

Para bater papo e quebrar o pau, já existe o Boteco do Balaio (basta digitar no Google), uma filial deste blog criada pelos próprios leitores exatamente com esta finalidade.

Não gosto de deletar comentários de leitores, mas me vejo obrigado a fazer isso porque está havendo abuso por parte de alguns deles.

Pelo jeito, até os leitores estão encontrando dificuldades para mudar de assunto.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
01/04/2011 - 15:09

Ibope de Dilma e o mêdo da inflação

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Vem em boa hora a pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta sexta-feira em que a presidente Dilma Roussef é aprovada por 73% dos brasileiros, após os primeiros três meses de seu governo.

É um bom indicador de que o país continua seguindo no rumo certo, segundo a maioria da população: o índice de confiança no governo Dilma neste começo de abril chega a 74%.

O resultado serve para acalmar os ânimos, tanto de aliados do governo indóceis com as nomeações para o segundo escalão, como a da oposição parlamentar e midiática que, na falta de outros discursos e argumentos, aposta tudo no mêdo da alta da inflação para desgastar o governo.

O problema da alta de preços existe, e é sério, mas ficar batendo tambores e dando a toda hora a palavra a “especialistas” para prever o pior, fazendo o jogo de especuladores saudosos da inflação de tempos passados, cria uma expectativa negativa que acaba se auto-realizando.

“PSDB vai explorar alta da inflação em programa de TV”, já anuncia a manchete da página A6 da Folha de hoje. O programa partidário dos tucanos só vai ao ar em maio, mas o jornal mostra que este foi o caminho encontrado pela oposição: assustar o eleitorado com o fantasma inflacionário.

Mais perdida do que cachorro em dia de mudança de barco, sem rumo e sem remo, a oposição demotucana, enquanto não dá à luz a dissidência do PSD de Kassab, aposta todas as suas fichas numa piora da situação econômica, com queda de crescimento e subida dos preços, como foi previsto esta semana pelo Banco Central.

Tudo bem, acenar com o perigo à vista é mesmo o papel da oposição, mas na reunião de governadores tucanos, marcada para este sábado, em Belo Horizonte, alguém poderia ao menos apresentar um caminho alternativo à política econômica até aqui seguida pelo governo. Qual é, afinal, a proposta da oposição para o país em 2011?

Até agora, Sergio Guerra, o atual presidente do PSDB e candidato à reeleição, só definiu a prioridade temática com base nos números do BC:

“Vou apresentar a pesquisa aos governadores, ouvir suas opiniões e organizar a comunicação do partido, que está muito errática”, anunciou o dirigente.

De fato, quando as coisas não vão bem, no governo ou na oposição, a culpa é sempre da área de comunicação, da qual se exige milagres mesmo com o produto sendo às vezes inexistente ou pouco vendável, como é o caso dos tucanos no momento.

Os números do CNI/Ibope sugerem paciência à oposição, já que continua a lua de mel dos brasileiros com sua nova presidente.

Quem mais deve ter ficado contente com este primeiro Ibope de Dilma é o ex-presidente Lula, apesar de todo o esforço feito pela valente oposição alimentada por colunistas e blogueiros para jogar criador contra criatura.

Afirmo isso sem medo de errar por um motivo muito simples: foi Lula quem lançou o nome de Dilma, convenceu o PT a apoiá-la, bancou o nome dela junto ao eleitorado e sabe muito bem que é a imagem dele e do seu governo que estarão em jogo a cada nova avaliação da presidente. Podem chamá-lo de tudo, menos de burro.

Assim como foi Lula quem ficou mais contente com a vitória de Dilma no dia das eleições, no ano passado, quando estive com os dois no Palácio da Alvorada, agora é ele quem tem todo o direito de festejar o acerto da sua escolhida.

A aprovação do governo Dilma neste início de mandato(56%) é superior até mesmo à do próprio governo Lula no mesmo período, que registrou 51% de ótimo e bom ao final de março em 2003. A continuidade de um governo para outro é apontada por Renato da Fonseca, gerente de pesquisas da CNI, como o motivo desta diferença:

“Após a eleição de Lula, antes da posse, havia um sentimento de incerteza em relação às ações que o Lula tomaria, principalmente na economia. No caso da presidente Dilma não houve surpresa, foi uma continuidade do governo anterior.”

Num ponto, porém, o dos índices de ruim e péssimo, Dilma começa da mesma forma como Lula terminou: apenas os mesmos 5% de sempre rejeitam seu governo.

Na comparação direta entre os dois governos, dá empate técnico: para 64% dos entrevistados, a gestão Dilma é igual à de Lula; 12% acham o governo Dilma melhor e, para 13%, é pior.

E os caros leitores do Balaio: que nota dão ao início do governo Dilma?

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
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