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	<title>Balaio do Kotscho</title>
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	<description>Balaio do Kotscho</description>
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		<title>FHC defende FHC: é tudo o que o PT queria</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Feb 2010 13:20:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Kotscho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Deu uma quizumba danada o artigo publicado domingo pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em que ele faz a defesa do seu governo, com críticas duras ao presidente Lula e à sua candidata à sucessão, Dilma Roussef.
Era tudo o que o PT queria na campanha eleitoral para fazer uma eleição plebiscitária baseada na comparação entre os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Deu uma quizumba danada o artigo publicado domingo pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em que ele faz a defesa do seu governo, com críticas duras ao presidente Lula e à sua candidata à sucessão, Dilma Roussef.</p>
<p>Era tudo o que o PT queria na campanha eleitoral para fazer uma eleição plebiscitária baseada na comparação entre os governos FHC e Lula. Além disso, serve para vincular ainda mais o nome de Dilma ao de Lula, um presidente com 80% de aprovação popular.</p>
<p>E era tudo o que não queria José Serra, o provável candidato de FHC nas eleições de outubro, que pretendia centrar a disputa nas biografias políticas e administrativas dos candidatos, se e quando lançar sua campanha presidencial.</p>
<p>Serra recusou-se a comentar o artigo do principal líder do PSDB, depois de chegar com duas horas de atraso a um evento nesta segunda-feira para a inauguração da Biblioteca de São Paulo, em que os dois se desencontraram. Ali o ex-presidente voltou a disparar suas baterias contra Lula e a sua candidata, subindo o tom de um embate que o governador paulista procura adiar o máximo possível.</p>
<p>Esquecido nos palanques e nos discursos pelos candidatos tucanos em 2002 e 2006 (Serra e Alckmin), e já que ninguém defendia seu governo na campanha deste ano, FHC decidiu sair dos seus cuidados e foi à luta ele mesmo, desafiando o &#8220;lulismo&#8221; a fazer comparações &#8220;sem mentir&#8221; e &#8220;sem descontextualizar&#8221;.  </p>
<p>No artigo, o ex-presidente citou conquistas e números do seu governo, dizendo que não teme comparações. O governo comemorou: &#8220;Enquanto a oposição não falar o que quer fazer daqui para a frente, nós temos que comparar com o que eles fizeram&#8221;, reagiu o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha.</p>
<p>Do outro lado do ringue, FHC disse que, ao contrário de Serra, Dilma não inspira confiança: &#8220;Ela pode até vir a ser, mas por enquanto não é líder. Por enquanto, é reflexo de um líder. Serra já tem liderança e mostrou que faz&#8221;.</p>
<p>Pelo que conheço dos dois, Lula deve estar achando ótima a entrada de FHC na linha de frente da campanha tucana, posto que até agora ele estava nos palanques brigando sozinho, já quem nem Serra nem Aécio mostravam disposição para bater de frente com ele e o seu governo.</p>
<p>Desde os tempos de sindicato, o atual presidente sempre precisou de um antagonista para contrapor suas idéias, adora uma boa briga na base do &#8220;nós contra eles&#8221;. Cresce quando é contestado ou desafiado, ainda mais por um ex-presidente que deixou o governo em baixa, sem deixar saudades na maioria da população, como demonstram todas as pesquisas.</p>
<p>De outro lado, FHC não tem o que perder. Exilado em seu próprio partido, que recebeu com muxoxos suas últimas manifestações públicas, a esta altura do campeonato só lhe interessa mesmo defender a sua biografia e seus oito anos de governo. Se isso vai ajudar ou atrapalhar o candidato tucano, é outro problema.</p>
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		<title>Porto Príncipe? Não. É o centro de São Paulo</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Feb 2010 18:20:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Kotscho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[Se um marciano descesse na tarde desta segunda-feira no centro de São Paulo, antes da chuva, poderia imaginar que errou o caminho e foi parar em Porto Príncipe, no Haiti.
Por toda parte no entorno da praça da Sé, o marco zero da cidade, no Vale do Anhangabaú e bairros adjacentes, tinha gente jogada ou vagando pelas ruas e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se um marciano descesse na tarde desta segunda-feira no centro de São Paulo, antes da chuva, poderia imaginar que errou o caminho e foi parar em Porto Príncipe, no Haiti.</p>
<p>Por toda parte no entorno da praça da Sé, o marco zero da cidade, no Vale do Anhangabaú e bairros adjacentes, tinha gente jogada ou vagando pelas ruas e gramados, sem rumo, mendigo pedindo esmola para mendigo, nóias roubando crack de outros nóias, um cenário de completa degradação humana. Deu até medo.</p>
<p>Há tempos não ia ao chamado centro velho de São Paulo. Confesso que fiquei assustado com o que vi. Nas últimas semanas, já havia reparado como aumentou a quantidade de indigentes de todas as idades largados pelas calçadas, cercando motoristas e pedestres, pedindo alguma ajuda.</p>
<p>Como aqui não tivemos terremoto nem guerra, logo relacionei a triste paisagem ao que li em notícias esparsas publicadas pelos jornais nos últimos dias sobre o fechamento de albergues na região central. Os números variam, mas dão conta de que a população de rua perdeu 700 leitos em albergues municipais e outros 485 devem ser desativados ainda este ano.</p>
<p>O Movimento Nacional da População de Rua calcula que cerca de 15 mil pessoas sem teto perambulam pelas ruas de São Paulo _ duas mil delas na região em volta da Praça da Sé, segundo a Associação Viva o Centro. Com as enchentes, a quantidade de desabrigados na cidade só fez crescer, mas não há estatísticas recentes.</p>
<p>A Secretaria de Assistência Social do Município alega que os albergues &#8220;foram desativados porque estão com estruturas precárias&#8221;, segundo o Estadão. Poder-se-ia perguntar porque, em lugar de fechá-los, não foram providenciados consertos para melhorar as estruturas ou construídos novos albergues.</p>
<p>Ao que parece, planeja-se tirar esta população do centro e levá-la para as periferias, como já foi feito com muitas favelas, mas o que se vê hoje é cada vez mais gente vagando pelas ruas, como aconteceu nas semanas seguintes ao terremoto em Porto Príncipe.</p>
<p>As cenas de abandono e miséria absoluta, antes restritas ao centro, espalharam-se por outros bairros da chamada área nobre da cidade, e nada indica que os sem-teto aceitem ir para longe dos locais onde, bem ou mal, catam lixo e pedem esmolas para sobreviver.</p>
<p>Sob as marquises de prédios abandonados ou viadutos, famílias inteiras multiplicam-se na maior e mais rica cidade do país. Claro que não é de hoje que isto acontece, mas como não costumo ir ao centro fiquei impressionado, no pequeno trajeto que caminhei, após o almoço, do Largo São Francisco à Praça da Sé, com a quantidade de lojas e prédios inteiros fechados, pichados, abandonados.</p>
<p>Tinha ido almoçar com amigos no restaurante Itamaraty, em frente à Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, tradicional reduto de estudantes, advogados e magistrados. Dos velhos tempos, quando as famílias paulistanas vestiam &#8220;roupa de domingo&#8221; para passear no centro nos finais de semana, só restaram mesmo a faculdade e algumas cadeiras de engraxates.</p>
<p>Mudaram a paisagem urbana e humana, com mais gente andando de chinelo e bermuda do que de terno, o restaurante estava sem luz e a comida já não era a mesma, pessoas a caminho do trabalho ou do ônibus cruzando com jovens drogados, desocupados fazendo hora nos bancos e nas muretas da praça. Por volta das três da tarde, um forte cheiro urina tomava conta do ar e centenas de sacos amarelos de lixo, utilizados pelos garis da prefeitura, esperavam nas esquinas o caminhão passar para recolhê-los _ se possível, antes da chuva. </p>
<p>Não aguentei ficar por ali mais de meia hora, de preferência  perto de um posto da Base Comunitária Móvel da Polícia Militar. Tão cedo não vou esquecer destas poucas horas em que voltei ao velho centro paulistano, onde trabalhei e me diverti por mais de vinte anos, entre as décadas de 60 e 80 do século passado. Não aconselho a ninguém este passeio.</p>
<p><strong>Em tempo: </strong>o leitor Thales Segosi enviou um comentário, às 16h29, no qual afirma que a mesma situação de São Paulo pode ser encontrada em outras capitais brasileiras e sugere que cada um conte como está a sua cidade. Bela idéia. Está feito o convite, caros leitores.</p>
<p><strong>Em tempo 2: </strong>voltei para casa no começo da noite com uma boa notícia. Hoje não choveu em São Paulo! Pelo menos, até onde minha vista alcança&#8230; E a calçada do bar do meu amigo Beto Ranieri, uma tradicional tabacaria da cidade, no Jardim Paulista, onde não se pode fumar, algo inédito no mundo, virou uma agradável prainha no final da tarde. Só faltou a brisa do mar&#8230;</p>
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		<title>Serra ou Dilma? Previsão do Ibope desperta debate eleitoral</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Feb 2010 13:16:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Kotscho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[Os assuntos mais comentados pelos leitores durante a semana
Balaio
Palpite do Ibope: 641
Janeiro trágico: 116
Direitos Humanos: 102
Folha
Educação: 66
Lula: 58
Chuvas: 55
Veja (a revista não publica mais o número de comentários recebidos)
Chá de santo-daime
Hipertensão de Lula
Tráfico de animais
***
O número de comentários enviados pelos leitores sobre a entrevista concedida ao Balaio pelo presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Os assuntos mais comentados pelos leitores durante a semana</strong></p>
<p><strong>Balaio</strong></p>
<p>Palpite do Ibope: 641</p>
<p>Janeiro trágico: 116</p>
<p>Direitos Humanos: 102</p>
<p><strong>Folha</strong></p>
<p>Educação: 66</p>
<p>Lula: 58</p>
<p>Chuvas: 55</p>
<p><strong>Veja (a revista não publica mais o número de comentários recebidos)</strong></p>
<p>Chá de santo-daime</p>
<p>Hipertensão de Lula</p>
<p>Tráfico de animais</p>
<p>***</p>
<p>O número de comentários enviados pelos leitores sobre a entrevista concedida ao Balaio pelo presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, com suas previsões para a sucessão presidencial, que bateu o recorde deste ano, mostra que na internet o debate eleitoral já começou.</p>
<p>Foram 641 comentários até a manhã deste domingo, um número que não é muito comum nos blogs jornalísticos que tratam de política. Em sua entrevista, Montenegro, que, no ano passado, tinha dado como certa a vitória de José Serra, também aqui no Balaio, desta vez admitiu que poderemos ter um segundo turno muito equilibrado, disputado pau a pau. &#8220;Uma vitória de Dilma não me surpreenderia&#8221;, disse-me ele.</p>
<p>O Ibope só fará nova pesquisa presidencial no começo de março, mas as duas últimas pesquisas divulgadas neste começo de ano, do Vox Populi e do Sensus, indicando um empate técnico entre os dois principais concorrentes, já serviram para despertar o interesse dos leitores, embora a campanha nem tenha começado oficialmente.</p>
<p>Por falar nisso, toda este história de campanha antecipada, que levou o PSDB à Justiça, com representações contra Lula e Dilma, não passa da mais pura hipocrisia.</p>
<p>Disputa eleitoral no Brasil é como o carnaval baiano: dura o ano inteiro. Cada passo e gesto dos prováveis candidatos Serra, Dilma, Ciro e Marina Silva, em torno dos quais gira o noticiário político desde o ano passado, tem como principal objetivo marcar posição na disputa de outubro.</p>
<p>Em São Paulo, por exemplo, todos os intervalos comerciais no rádio e na televisão são recheados de anúncios do governador José Serra e do prefeito Gilberto Kassab, enaltecendo suas obras, enquanto Dilma cuida de inaugurar outras em suas viagens pelo Brasil ao lado de Lula.</p>
<p>Mas dificilmente a disputa se dará neste campo para saber quem fez mais ou menos obras, acredito eu. Neste momento, o cenário está sendo definido pela construção das alianças e formação de chapas que determinarão o tempo de televisão de cada candidato, um fator cada vez mais importante nas eleições presidenciais brasileiras.</p>
<p>Quando a campanha esquentar, depois da Copa do Mundo, é a situação econômica do país que terá um papel relevante na escolha do eleitor. Quem estiver satisfeito com a vida tende a votar na situação; quem estiver descontente tende a votar na oposição. Simples assim. </p>
<p>Até lá, cada um vai vendendo seu peixe como pode, ocupando espaços na mídia e analisando com lupa as pesquisas de intenção de voto, definindo discursos e programas com seus marqueteiros.</p>
<p>Percebo que na internet, como se pode ver pelos comentários aqui publicados, assim como em outros blogs, a maioria dos eleitores já fez as suas escolhas _ é aquele velho Fla-Flu entre tucanos e petistas, que não respeita o calendário eleitoral, assim como na Bahia o carnaval não tem data para começar nem para terminar.</p>
<p>Na hora do vamos ver, no entanto, quem vai definir a eleição são aqueles que ainda não têm acesso à banda larga e nunca enviaram comentários aos portais ou às redações da velha imprensa de papel, quer dizer, a imensa maioria silenciosa, que só se liga na disputa quando começa a campanha oficial no rádio e na TV. Temos ainda muito chão pela frente. Como repórter escravo dos fatos, eu não arrisco um palpite. </p>
<p>Bom domingo a todos.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A defesa dos Direitos Humanos, por Margarida Genevois</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Feb 2010 12:33:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Kotscho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[Abro espaço hoje no Balaio para publicar um texto que recebi da minha grande amiga Margarida Genevois, ex-colega da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, que ela presidiu por muitos anos, nos bravos tempos do nosso cardeal Paulo Evaristo Arns. Batalhadora histórica e incansável da luta pelos Direitos Humanos, a doce [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left">Abro espaço hoje no Balaio para publicar um texto que recebi da minha grande amiga Margarida Genevois, ex-colega da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, que ela presidiu por muitos anos, nos bravos tempos do nosso cardeal Paulo Evaristo Arns. Batalhadora histórica e incansável da luta pelos Direitos Humanos, a doce Margarida enviou aos amigos um artigo que não conseguiu publicar na chamada grande imprensa e me pediu para ajudá-la na divulgação.</p>
<p style="text-align: left">Como entendo que a internet e, em particular, este blog devem servir como espaço democrático para o debate de idéias, reproduzo abaixo o texto de Margarida Genevois sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos, o PNDH 3, anunciado pelo governo no final do ano passado e que tanta polêmica provocou na mídia e na sociedade.</p>
<p style="text-align: left">Embora pense diferente da minha amiga sobre vários pontos do programa, e faça restrições à  abrangência de temas, à forma e à oportunidade em que foi apresentado, como escrevi em matérias aqui publicadas _ e o governo já tenha feito mudanças no texto original do decreto presidencial _, acho que o debate sobre o tema sempre é útil, desde que feito com civilidade e argumentos, sem preconceitos e radicalismos. Afinal, foi para assegurar esta liberdade a todos, que Margarida Genevois e muitos outros brasileiros colocaram a própria vida em risco.</p>
<p align="center"><strong>***</strong></p>
<p align="center">Artigo de Margarida Genevois para a Folha de São Paulo 23/01/2010</p>
<p><strong><em>                                                                  Em Defesa dos Direitos Humanos </em></strong></p>
<p>Há uns anos atrás, na década de 90, ouvi na TV, durante campanha eleitoral, um candidato a deputado dizer: “Se eu for eleito, vou combater os direitos humanos”. Este absurdo inacreditável, que em qualquer sociedade democrática seria repudiado, aparentemente não causou maiores comoções; entre nós, DH eram – e ainda são – lamentavelmente mal entendidos, por desinformação ou má fé.</p>
<p>Para muitos, DH eram considerados como “direitos de bandidos” ou artimanhas dos “subversivos”. No período da ditadura militar, a repressão (assassinatos, torturas, “desaparecimentos”) atingiu opositores membros das classes médias, como professores e estudantes, advogados e jornalistas, artistas e religiosos, além dos suspeitos de sempre, como ativistas e sindicalistas da cidade e do campo. A maioria, que nunca tinha visitado prisões, passou a sentir na pele a situação desumana dos ditos “presos comuns”, estes oriundos das classes populares. Passou também a constatar a tragédia do sistema prisional e a inoperância dos órgãos do judiciário. A partir daí, a defesa dos direitos humanos passou a ser confundida como luta pelos direitos dos presos, e não em nome da dignidade de toda pessoa humana, conforme a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, a grande conquista moral do século XX diante das atrocidades cometidas durante a segunda guerra mundial.</p>
<p>Os defensores dos DH foram testemunhas da forma como foram torturados os opositores do regime de exceção, instaurado em 1964, e os presos políticos. Ficamos conhecendo o pau de arara, a cadeira do dragão, sufocamentos, queimaduras com cigarros, afogamentos. Evidentemente, tais notícias não saíam nos jornais, eram contadas pelos advogados, por parentes das vítimas. Mas a maioria das pessoas simplesmente se recusava a acreditar e dizia: “Isso é mentira, coisas de extremistas. O brasileiro é profundamente bom – nunca faria essas barbaridades.”</p>
<p>Com o processo de democratização em andamento, as entidades da sociedade civil mais atuantes no campo dos DH, assim como ex-presos políticos e familiares – movidos por convicção de justiça, por sentimentos cristãos ou por ambos – passaram a concentrar sua luta na defesa dos direitos de todos, sobretudo daqueles “que não têm voz”, a começar por aqueles esquecidos e mal tratados nas delegacias e nas prisões. O reconhecimento da dignidade da pessoa humana, independentemente do crime e do julgamento moral, é o fundamento da defesa. Os que cometem crimes devem ser julgados de acordo com a lei e, se condenados, devem cumprir a pena, mas não podem ser torturados e humilhados.</p>
<p>Passadas mais de duas décadas – e já 10 anos no novo século – a questão dos direitos humanos ressurge com a polêmica provocada pelo PNDH 3. Hoje não mais se diz cruamente que DH são direitos de bandidos; de certa forma, é sabido que DH são exigência da democracia, são direitos amplos para uma vida digna a todos, e não apenas para uma minoria privilegiada: direitos civis e liberdades individuais, direitos sociais e econômicos, direitos culturais e ambientais. Isto é, saúde, educação, moradia, segurança, trabalho, seguridade social, lazer, participação política, informação e comunicação.</p>
<p> O <em>Programa Nacional de Direitos Humanos 3</em> abrange o conjunto desses direitos, dando ênfase a situações específicas dos grupos mais vulneráveis na sociedade, como crianças e adolescentes, deficientes físicos, idosos, indígenas, trabalhadores rurais, migrantes, negros e as demais vítimas de preconceitos por orientação sexual ou condição social.  Ao que parece, as propostas do Programa – na sua maioria já afirmados na Constituição de 1988! – incomodam, pois provocaram reações raivosas até mesmo de algumas pessoas bem informadas, no meio jurídico, na academia, na política, nos meios de comunicação. Ficamos com a impressão de que certas pessoas ou grupos temem ser prejudicados se os direitos dos outros forem respeitados.</p>
<p>Na verdade, pouca gente leu o Programa, o que não impediu que o acusassem de ser “ditatorial”. A maioria dos opositores não sabe ou continua sem querer saber que a preparação do texto decorreu no processo de 27 encontros em 20 Estados, com diferentes segmentos representativos da sociedade civil. As conclusões desses encontros, exaustivamente discutidas, foram levadas à 11ª Conferência Nacional de Direitos Humanos em Brasília, em dezembro de 2008.</p>
<p>É importante lembrar que este novo Programa dá continuidade aos dois primeiros, publicados e iniciados no Governo de Fernando Henrique Cardoso (1996 e 2002), mas pouca gente por eles se interessou. Hoje, em ano eleitoral, a questão dos direitos humanos entra no jogo das disputas partidárias. Ora, Direitos Humanos estão acima de partidos e interesses particulares, são a base da paz, da justiça e da democracia.</p>
<p>A criação da Comissão da Verdade vem sendo duramente criticada. Durante a ditadura militar cerca de 400 brasileiros foram mortos ou estão desaparecidos. Suas famílias procuram, até hoje, onde eles foram sepultados. Esses crimes não podem ser esquecidos. Se a verdade não vier à tona ficará a idéia de que os militares têm medo e preferem proteger um grupo extremado que torturou e matou. As respeitáveis Forças Armadas, das quais nos orgulhamos, não podem ser respingadas com crimes de alguns, a verdade tem que aparecer.</p>
<p>Comissões da Verdade foram criadas nos países irmãos, onde também imperaram ditaduras militares; aqueles responsáveis pelas violações de direitos humanos foram identificados, muitos foram julgados e condenados. Por que só no Brasil não podemos conhecer a verdade? Não se trata de “revanchismo” – como a crítica alega – pois cabe à Comissão apenas conhecer os fatos e não retribuir o mal que foi feito, sendo que eventuais punições, rigorosamente dentro da lei, caberão ao Poder Judiciário.</p>
<p>O PNDH é um programa para alcançarmos “uma sociedade livre, justa e solidária”, como afirma o art. 3º de nossa Constituição. Suas propostas se coadunam com as metas do milênio propostas pela ONU, visando diminuir a miséria do mundo. O PNDH identifica e enfrenta problemas sérios da nossa sociedade, com coragem e determinação. É obrigação moral de todo cidadão brasileiro, que quer o bem do seu país, conhecer, debater, ampliar essas propostas e lutar pela sua execução.</p>
<p><em>Margarida Genevois, 86, é Socióloga e ex-presidente da Comissão Justiça e Paz de São Paulo.</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Exclusivo: &#8220;Se Dilma ganhar, não me surpreenderia&#8221;, diz Montenegro</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Feb 2010 18:37:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Kotscho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[Oito meses depois de apontar José Serra como o grande favorito para a eleição de 2010, em entrevista exclusiva ao Balaio (29 de abril de 2009), Carlos Augusto Montenegro, o presidente do Ibope, não mudou de opinião, mesmo depois da divulgação das últimas pesquisas do Vox Populi e do Sensus, que apontaram um empate técnico com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Oito meses depois de apontar José Serra como o grande favorito para a eleição de 2010, em entrevista exclusiva ao Balaio (29 de abril de 2009), Carlos Augusto Montenegro, o presidente do Ibope, não mudou de opinião, mesmo depois da divulgação das últimas pesquisas do Vox Populi e do Sensus, que apontaram um empate técnico com forte crescimento de Dilma Roussef, mas já admite: &#8220;Se Dilma ganhar, eu não me surpreenderia&#8221;.  </p>
<p>Numa conversa por telefone na tarde desta quarta-feira, Montenegro me disse o Ibope só irá a campo no começo de março para fazer uma nova pesquisa presidencial encomendada pela CNI (Confederação Nacional das Indústrias).</p>
<p>&#8220;Por enquanto, continuo achando tudo igual, mas vi algumas coisas esquisitas nestas pesquisas. Por exemplo? Quando o Ciro não aparece na lista como candidato, quase todos os votos dele vão para o Serra. É complicado entender isso&#8221;.</p>
<p>Nas novas previsões de Montenegro, Dilma pode chegar logo aos 30%. Na entrevista anterior, ele afirmara que a transferência de votos do presidente Lula para sua candidata chegaria a um patamar de 15%. &#8220;A partir daí, será difícil conquistar cada ponto a mais&#8221;.</p>
<p>Agora, se Dilma chegar aos 30%, o presidente do Ibope acredita que 28% seriam de Lula e só 2% dela. &#8220;O PT não ganha&#8221;, continua afirmando Montenegro, para quem a eleição pode ser decidida pelo PSDB já no primeiro turno, se Ciro não for candidato, &#8220;seja o candidato o Serra ou o Aécio&#8221;.</p>
<p>Para ele, o quadro só ficará mais definido depois da Copa do Mundo, quando a população passa a se interessar pela campanha política e as propostas dos candidatos. &#8220;Agora, as pesquisas servem apenas como cacife no jogo de formação das alianças eleitorais&#8221;.</p>
<p>Nesta fase pós-Copa e com a campanha na TV, ele entende que se fará a comparação entre currículos dos candidatos e experiências administrativas anteriores, embora o PT  já tenha deixado claro que o que pretende fazer é uma comparação entre os governos FHC e Lula.</p>
<p>&#8220;Se este for o caminho escolhido pela candidata do governo, a oposição também poderá perguntar se os eleitores querem mais quatro anos de PT no governo&#8221;, argumenta Montenegro.</p>
<p>&#8220;Lula entrou com o PT no governo em 2003, mas o PT saiu em 2005, com o mensalão. Ali quebrou o cristal petista. Os militantes não sentem o mesmo orgulho de empunhar a bandeira vermelha. O PT não é mais o mesmo de quando Lula foi eleito. Prova disso é que só tem candidatos viáveis a governador em 4 dos 27 estados. Das suas antigas lideranças, José Dirceu está cassado, e Genoino, Palocci e Gushiken sumiram de cena&#8221;.</p>
<p>O presidente do Ibope lembra que esta será a primeira eleição sem Lula na urna eletrônica desde a redemocratização do país. &#8220;Independentemente do resultado, ele passará para a história como o maior presidente que o Brasil já teve, junto com Getúlio e Juscelino, um líder mundial. Mas, agora, ele não está mais em jogo&#8221;. Já no final da nossa conversa,   Montenegro admitiu que, se houver segundo turno, &#8220;vai ser pau a pau, uma disputa muito radicalizada e polarizada. Se a Dilma ganhar, eu não me supreenderia&#8221;.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Um ano de Boteco do Balaio, onde o virtual virou real</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Feb 2010 15:39:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Kotscho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[Foi no dia 4 de fevereiro do ano passado que entrou no ar uma experiência inédita na internet: uma filial criada no Google pelos próprios leitores deste Balaio. Semanas antes, eu me vi obrigado a fazer a moderação do blog em razão da quantidade de comentários ofensivos enviados por um grupo de cachorros loucos e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Foi no dia 4 de fevereiro do ano passado que entrou no ar uma experiência inédita na internet: uma filial criada no Google pelos próprios leitores deste Balaio. Semanas antes, eu me vi obrigado a fazer a moderação do blog em razão da quantidade de comentários ofensivos enviados por um grupo de cachorros loucos e também para evitar que o Balaio se transformasse num chat, uma sala de bate-papo dos leitores.</p>
<p>Não era este meu objetivo, declarado no dia em que o Balaio entrou no ar, no dia 11 de setembro de 2008. Queria que este fosse um espaço absolutamente livre, mas a realidade me levou a implantar a moderação, que dá um trabalho danado e perdura até hoje. Passo boa parte do dia no meu computador e leio todos os comentários. Com o tempo, os cachorros loucos desistiram, mas vira e mexe aparecem novos, e sou obrigado a excluí-los do nosso convívio. A opinião aqui é livre, mas a baixaria, não. Internet não é porta de banheiro.</p>
<p>Já habituados ao bate papo diário, alguns leitores não se conformaram e resolveram criar seu próprio espaço para conversar. Eles se conheceram aqui, ganharam vida própria, muitos se tornaram amigos e, em setembro do ano passado, no primeiro aniversário do Balaio do Kotscho, promoveram um encontro em São Paulo, com a participação de leitores de várias regiões do estado e do país. O que era virtual virou real.</p>
<p>A iniciativa foi da jornalista Aliz de Castro Lambiazzi, a incansável animadora do Boteco do Balaio, a quem pedi que me enviasse um depoimento, que reproduzo abaixo, sobre esta inédita experiência, que agora vai virar trabalho acadêmico. Aliz já foi entrevistada sobre o Boteco pela estudante Fernanda Magalhães, da UNIP, que está fazendo seu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) centrado na experiência dos blogs. Com apenas 16 meses no ar, o Balaio do Kotscho já foi linkado por mais de 65 mil blogs de todo o país. Por tudo isso, só posso me sentir muito gratificado com este trabalho, para mim também inédito, graças aos leitores fiéis e aos novos que não param de chegar.</p>
<p>Quem quiser participar do Boteco do Balaio é só entrar em contato com a Aliz:</p>
<p><a href="mailto:jornalizta@gmail.com">jornalizta@gmail.com</a> (atenção: este jornalizta é com &#8220;z&#8221; mesmo, alusão ao nome dela).</p>
<p>Abaixo, o relato de Aliz:</p>
<p> <br />
<strong><span style="font-size: 12pt">Boteco do Balaio – 1 ano no ar</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal"><span style="font-size: 12pt">Números:</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal"><span style="font-size: 12pt">Hoje, o Boteco tem 64 membros registrados e até este momento temos</span><span style="font-size: 12pt"> temos 13.060 mensagens trocadas.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal"><span style="font-size: 12pt">Veja, no quadro abaixo, o volume de mensagens trocadas por mês desde que o Boteco nasceu:</span></p>
<table class="MsoNormalTable" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td style="background: #bfe2ac;padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal"><strong><span style="font-size: 12pt;color: #333333">Arquivo</span></strong><span style="font-size: 12pt"> </span></p>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="background: #bfe2ac;padding: 3pt">
<table class="MsoNormalTable" style="background: white;width: 100%" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%">
<tbody>
<tr>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal"><span style="font-size: 12pt"> </span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal"><span style="font-size: 12pt"> jan</span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal"><span style="font-size: 12pt"> fev</span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal"><span style="font-size: 12pt"> mar</span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal"><span style="font-size: 12pt"> abr</span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal"><span style="font-size: 12pt"> maio</span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal"><span style="font-size: 12pt"> jun</span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal"><span style="font-size: 12pt"> jul</span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal"><span style="font-size: 12pt"> ago</span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal"><span style="font-size: 12pt"> set</span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal"><span style="font-size: 12pt"> out</span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal"><span style="font-size: 12pt"> nov</span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal"><span style="font-size: 12pt"> dez</span></p>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal;text-align: right" align="right"><span style="font-size: 12pt">2009</span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal;text-align: right" align="right"><span style="font-size: 12pt">  </span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal;text-align: right" align="right"><span style="font-size: 12pt"><a href="http://groups.google.com.br/group/boteco-do-balaio/browse_frm/month/2009-02" target="_top">1460 </a></span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal;text-align: right" align="right"><span style="font-size: 12pt"><a href="http://groups.google.com.br/group/boteco-do-balaio/browse_frm/month/2009-03" target="_top">714 </a></span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal;text-align: right" align="right"><span style="font-size: 12pt"><a href="http://groups.google.com.br/group/boteco-do-balaio/browse_frm/month/2009-04" target="_top">614 </a></span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal;text-align: right" align="right"><span style="font-size: 12pt"><a href="http://groups.google.com.br/group/boteco-do-balaio/browse_frm/month/2009-05" target="_top">664 </a></span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal;text-align: right" align="right"><span style="font-size: 12pt"><a href="http://groups.google.com.br/group/boteco-do-balaio/browse_frm/month/2009-06" target="_top">840 </a></span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal;text-align: right" align="right"><span style="font-size: 12pt"><a href="http://groups.google.com.br/group/boteco-do-balaio/browse_frm/month/2009-07" target="_top">1052 </a></span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal;text-align: right" align="right"><span style="font-size: 12pt"><a href="http://groups.google.com.br/group/boteco-do-balaio/browse_frm/month/2009-08" target="_top">805 </a></span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal;text-align: right" align="right"><span style="font-size: 12pt"><a href="http://groups.google.com.br/group/boteco-do-balaio/browse_frm/month/2009-09" target="_top">1036 </a></span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal;text-align: right" align="right"><span style="font-size: 12pt"><a href="http://groups.google.com.br/group/boteco-do-balaio/browse_frm/month/2009-10" target="_top">2252 </a></span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal;text-align: right" align="right"><span style="font-size: 12pt"><a href="http://groups.google.com.br/group/boteco-do-balaio/browse_frm/month/2009-11" target="_top">1032 </a></span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal;text-align: right" align="right"><span style="font-size: 12pt"><a href="http://groups.google.com.br/group/boteco-do-balaio/browse_frm/month/2009-12" target="_top">1150 </a></span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal;text-align: right" align="right"><span style="font-size: 12pt">  </span></p>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal;text-align: right" align="right"><span style="font-size: 12pt">2010</span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal;text-align: right" align="right"><span style="font-size: 12pt"><a href="http://groups.google.com.br/group/boteco-do-balaio/browse_frm/month/2010-01" target="_top">1374 </a></span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal;text-align: right" align="right"><span style="font-size: 12pt"><a href="http://groups.google.com.br/group/boteco-do-balaio/browse_frm/month/2010-02" target="_top">67 </a></span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal;text-align: right" align="right"><span style="font-size: 12pt">  </span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal;text-align: right" align="right"><span style="font-size: 12pt">  </span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal;text-align: right" align="right"><span style="font-size: 12pt">  </span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal;text-align: right" align="right"><span style="font-size: 12pt">  </span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal;text-align: right" align="right"><span style="font-size: 12pt">  </span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal;text-align: right" align="right"><span style="font-size: 12pt">  </span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal;text-align: right" align="right"><span style="font-size: 12pt">  </span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal;text-align: right" align="right"><span style="font-size: 12pt">  </span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal;text-align: right" align="right"><span style="font-size: 12pt">  </span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal;text-align: right" align="right"><span style="font-size: 12pt">  </span></p>
</td>
<td style="padding: 3pt">
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal;text-align: right" align="right"><span style="font-size: 12pt">  </span></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal"><span style="font-size: 12pt"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal"><strong><span style="font-size: 12pt">Um Balaio inédito só poderia gerar um Boteco mais inédito ainda</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal"><span style="font-size: 12pt">Kotscho, você costuma dizer que este é um fato inédito: um blog ganhar uma filial. Eu também acho que é, pelo menos não vi nada parecido na net ainda. Detalhe: o seu Balaio, tão amado por todos nós, não possui apenas uma lista de discussão como filial, mas também um outro blog (<a href="http://boteco-do-balaio.blogspot.com/">http://boteco-do-balaio.blogspot.com/</a>), onde colocamos as brincadeiras e fatos interessantes que vivemos por neste Boteco doido que nasceu dos seus leitores. E diferente como só o Balaio é, o Boteco do Balaio não foge à regra, pois é um espaço completamente inusitado!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal"><span style="font-size: 12pt">Parece um boteco de verdade. Balcão, mesas espalhadas onde despejamos os papos variados da gente, cachaça, vinho, suco e até samambaia enfeitando o espaço. Até arranca-rabos tem, acredita? Esse humilde antro de bebericagens já rendeu risos e lágrimas intensamente, acho que a todos. Ali, a emoção acontece em todos os sentidos, de forma plena. Não é á toa que chegamos a um ano de vida, não é?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal"><span style="font-size: 12pt">Você me pergunta sobre algum fato pitoresco, e eu passei a madrugada procurando, mas é tão difícil escolher! Esses balaieiros-botequeiros é que são pitorescos em tudo. O interessante ali é que todos partilham da mesma fantasia, numa sintonia mágica em que um dá continuidade à criação do outro. Foi assim que o Boteco ganhou cor, objetos, situações e vida! E se os papos não são tão intensos como no Balaio, é porque hoje a amizade fala mais forte. Muitos preferem calar do que entrar em litígio com o amigo. Aos meus olhos, isso é lindo!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal"><span style="font-size: 12pt">Mas vou te contar: conversamos sobre tudo o que você possa imaginar. Às vezes levamos temas do Balaio pra lá, ou simplesmente fatos da sua área de comentários, que ganham continuidade ali, entre nós. Temas em alta na mídia também são discutidos, como a morte do Michael Jackson, as leis absurdas de Kassabs e Serras, enfim, uma variedade enorme. Mas tem um algo mais. Eles escrevem poemas, compõem músicas, repentes, fazem piada, discutem política e religião, criam vídeos. Riem de si mesmos e uns dos outros na cara dura. Contam casos e causos. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal"><span style="font-size: 12pt">Temos contistas, cronistas, poetas, psicólogos, políticos natos. Cantam, tocam violão, trocam fotos, mostram a cara, a casa e a família. São transparentes, e por isso mesmo no dia do seu Encontrão ninguém se estranhou: estavam ali exatamente as mesmas pessoas que convivem com a gente on-line, com as mesmas manias e a mesma conversa, sem nenhuma contradição. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal"><span style="font-size: 12pt">Acho que um dos fatos que marcou o Boteco foi quando o Robson saiu de Campinas pra achar o Enio, em São Paulo. Ninguém conhecia ninguém pessoalmente ainda, mas já éramos bastante íntimos. O Robson nem tinha o endereço do Enio, apenas algumas referências obtidas nas conversas do Boteco. O Enio estava sumido há um mês e todos nós estávamos muito preocupados (ele é essencial, fazer o que?). </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal"><span style="font-size: 12pt">Num belo domingo, Robson pegou as referências que tinha e fuçou até achar a casa do Enio. Passaram horas juntos, e essa surpresa emocionou todos nós para sempre, além de nos tranqüilizar com notícias desse ilustre botequeiro. Foi a partir disso que o nosso amigo ganhou o nome de Sherlock Robson, que é avisado logo que algum botequeiro demore a aparecer.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0pt;line-height: normal"><span style="font-size: 12pt">E esses encontros surpresa vivem acontecendo, viu! A relação entre os botequeiros já deixou de ser virtual há muito tempo, e isso é que legal. O que tenho orgulho de destacar sempre é a transparência dessas pessoas. Pessoalmente, nenhum de nós se estranha, mesmo no primeiro encontro, porque na internet ninguém tenta ser diferente do que é, e isso reflete quando nos vemos pessoalmente, como se já nos conhecêssemos há muito tempo. E fora isso, rola também uma troca de presentes por correio, cartas, enfim&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0pt;line-height: normal"><span style="font-size: 12pt"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0pt;line-height: normal"><span style="font-size: 12pt">Ah! Algo de legal que fizemos também, agora no final do ano, foi o amigo secreto do Boteco. Organizamos um amigo secreto virtual. Sorteamos os nomes com a ajuda do site <a href="http://amigosecreto.com/">amigosecreto.com</a>, brincamos muito com mensagens anônimas, mas o melhor foram os presentes. O presente tinha que ser virtual, então, tivemos que soltar a imaginação para bolar uma homenagem ao amigo secreto exclusiva, personalizada. O dia da entrega foi emocionante! O pessoal se dedicou de verdade e surgiram surpresas lindas, bacanérrimas. Vídeos, músicas, poesias, uma infinidade de presentes virtuais que surtiram efeitos reais e inesquecíveis, melhor do que se tivéssemos trocado presentes de verdade.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal"><span style="font-size: 12pt">O próprio Encontrão do Balaio foi “o acontecimento” pra nós, a coisa mais marcante de todas. Nele, além de nos conhecermos pessoalmente, conhecemos outros balaieiros e você, o nosso grande presente.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal"><span style="font-size: 12pt">Nessa caminhada, dividimos muito, coisas tristes e alegres, e acho que é isso que dá alma ao Boteco. Perdemos a Ana Luíza, tão novinha, nossa Borboletinha amarela, o que nos chocou e entristeceu profundamente. Giu anunciou a chegada de seu primeiro filho. Norma e Sandrinha foram, recentemente, visitar Enrique (o nosso motobóico) na casa dele, no meio da enchente em Sampa &#8211; e pelos relatos, foi uma tarde incrível. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal"><span style="font-size: 12pt">Até a vaquinha do Simei, lá do Acre, já é celebridade entre nós, tornando-se pintura sensual (risos). A morte da cachorrinha do Robson, após 11 anos de convivência, que mexeu com todos.Enfim&#8230; não tem como classificar, esse boteco é, de fato, livre,louco e informal. E pulsante! Essa é a melhor parte.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal"><span style="font-size: 12pt">Por essas e outras que esse primeiro ano está sendo comemorado. Essas pessoas que formam o Boteco, e que renasceram uns para os outros no seu Balaio, têm descoberto outra forma de vida na internet, e dividido isso com muito amor e muita solidariedade. Espero que comemoremos muitos outros aniversários!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal"><span style="font-size: 12pt">Obrigada Kotscho, mais uma vez, a culpa é toda sua!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal"><span style="font-size: 12pt"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal"><span style="font-size: 12pt">Aliz</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height: normal"><span style="font-size: 12pt"> </span></p>
<p> </p>
<hr />
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Receita para quem perdeu documentos: rezar uma &#8220;Salve Rainha&#8221;</title>
		<link>http://colunistas.ig.com.br/ricardokotscho/2010/02/02/receita-para-quem-perdeu-documentos-rezar-uma-salve-rainha/</link>
		<comments>http://colunistas.ig.com.br/ricardokotscho/2010/02/02/receita-para-quem-perdeu-documentos-rezar-uma-salve-rainha/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 02 Feb 2010 14:39:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Kotscho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

		<guid isPermaLink="false"><![CDATA[http://colunistas.ig.com.br/ricardokotscho/?p=2962]]></guid>
		<description><![CDATA[Todo dia antes de dormir fico pensando em vários assuntos para escrever no meu blog no dia seguinte. Alguns temas se impõem naturalmente, estão nas manchetes da internet, da TV e dos jornais, ocupam todos os espaços de opinião, blogs e colunas. Como procuro fugir deles, às vezes fico na dúvida sobre o que pode [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Todo dia antes de dormir fico pensando em vários assuntos para escrever no meu blog no dia seguinte. Alguns temas se impõem naturalmente, estão nas manchetes da internet, da TV e dos jornais, ocupam todos os espaços de opinião, blogs e colunas. Como procuro fugir deles, às vezes fico na dúvida sobre o que pode interessar ou ser útil aos leitores.</p>
<p>Abrir a tela do computador em branco e escrever todos os dias, chova (e como tem chovido!) ou faça sol, dia útil ou dia santo, não é fácil. Nos jornais e nas revistas onde já trabalhei, não precisava me preocupar: recebia pautas com os assuntos escolhidos pelas chefias e tratava de cumprí-las. Mas escrevia reportagens apenas uma vez por semana, em média; em alguns casos, levava até um mês ou mais para entregar o texto.</p>
<p>Às vezes, calha de contarmos para os amigos uma história banal que aconteceu com a gente, e eles próprios sugerem: &#8220;Por que voce não escreve sobre isso no teu blog?&#8221;. </p>
<p>É o que vou fazer.  Ao voltar das férias, minha mulher não conseguia encontrar nossos documentos _ todos eles: carteira de identidade, CPF, certidão de casamento, etc. Só de pensar em enfrentar as filas do Poupa Tempo, da Receita Federal, dos cartórios, para tirar tudo de novo, me deu um frio na espinha, um desalento danado. Penso que isso acontece com todo mundo. Fazer o quê?</p>
<p>Depois de revirar o apartamento e o carro, já desistindo de encontrar os ditos cujos, minha mulher, a Mara, resolveu ligar para o cartório onde fomos no final de novembro para passar uma escritura. Foi a última vez que usamos os documentos originais, que sempre ficam guardados com ela num arquivo.</p>
<p>Muito simpático, o escrevente Juliani, que tinha nos atendido naquele dia, garantiu que com ele os documentos não ficaram, mas deu um santo conselho: rezar uma &#8220;Salve Rainha&#8221;, até o trecho que fala &#8221;deste desterro mostrai-nos&#8230;&#8221;. Depois, assegurou ele, é só procurar novamente os documentos, que eles serão encontrados.</p>
<p>Se isso acontecer, a pessoa deve então rezar a oração até o final. Pois o milagre aconteceu! Mara procurou novamente nos mesmos lugares que já havia vasculhado antes e acabou encontrando todos os documentos num lugar onde ela não costumava guardar.</p>
<p>Se deu certo para nós, pode dar também para outras pessoas com os mesmos problemas, antes que elas enfrentem as filas para tirar novos documentos.</p>
<p>Já tinha ouvido falar numa outra simpatia, a de São Longuinho, aquela em que você tem que dar três pulinhos acompanhados de três gritinhos, caso teu pedido seja atendido. Mas esta da &#8220;Salve Rainha&#8221; para mim foi novidade.</p>
<p>Vivendo e aprendendo&#8230; Se os caros leitores conhecerem outros meios, orações, simpatias ou santos para nos tirar do sufoco, por favor escrevam na área de comentários. Uma coisa boa da internet é justamente que aqui um sempre pode ajudar o outro.</p>
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		<title>Acaba um janeiro trágico na cidade, no Brasil e no mundo</title>
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		<pubDate>Sun, 31 Jan 2010 12:27:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Kotscho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[Os assuntos mais comentados pelos leitores durante a última semana
Balaio
Desacelera, Lula: 191
São Paulo, 456: 134
Um dia na vida de Zé Alencar: 104
Folha
Lula: 83
Educação: 63
Chuvas: 60
Veja (a revista não publica mais o número de comentários recebidos por matéria)
Catástrofe do Haiti
Claudio de Moura Castro
Tentativa de controle da sociedade
***
Ufa! Ainda bem que acabou&#8230; Que mês de janeiro mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Os assuntos mais comentados pelos leitores durante a última semana</strong></p>
<p><strong>Balaio</strong></p>
<p>Desacelera, Lula: 191</p>
<p>São Paulo, 456: 134</p>
<p>Um dia na vida de Zé Alencar: 104</p>
<p><strong>Folha</strong></p>
<p>Lula: 83</p>
<p>Educação: 63</p>
<p>Chuvas: 60</p>
<p><strong>Veja </strong>(a revista não publica mais o número de comentários recebidos por matéria)</p>
<p>Catástrofe do Haiti</p>
<p>Claudio de Moura Castro</p>
<p>Tentativa de controle da sociedade</p>
<p><strong>***</strong></p>
<p>Ufa! Ainda bem que acabou&#8230; Que mês de janeiro mais trágico este de 2010 ! No momento em que escrevo, às 10 da manhã deste domingo, não chove em São Paulo, um solzinho até ameaça aparecer entre as nuvens, mas a previsão do tempo que leio nos jornais é de mais chuva hoje, amanhã, depois de amanhã. Até quando?</p>
<p>Vocês são testemunhas de que sempre procuro aqui no Balaio falar também de coisas boas, evitar o catastrofismo generalizado na imprensa e dar alguma esperança aos leitores a cada novo dia.</p>
<p>Está difícil. O ano começou com a tragédia de Angra dos Reis, que matou mais de 60 pessoas, a destruição da cidade histórica de São Luiz do Paraitinga, o terromoto do Haiti, com seus quase 200 mil mortos, e atravessou janeiro com as enchentes em São Paulo, que ainda não acabaram, e matam mais gente a cada dia.</p>
<p>Se você abre o jornal ou liga a televisão, é só notícia ruim, desgraça, milhares de famílias que perderam parentes e as casas onde moravam, cenas de destruição e dor por toda parte.</p>
<p>Aqui em São Paulo, nada indica que teremos uma trégua. Ao contrário, deve ficar ainda mais difícil circular pela cidade a partir de segunda-feira, com o reinício das aulas e a volta de quem estava de férias. Não é difícil imaginar o que vai acontecer com as Marginais, ainda em obras, quando todos os carros retornarem à cidade, ainda mais se continuar chovendo.</p>
<p>Nada, porém, se compara ao sofrimento das centenas de famílias que ainda vivem cercadas de água e esgoto na região do Jardim Pantanal, na zona leste, desde antes do Natal. Os que sobreviveram às enchentes nas periferias de São Paulo agora vão ter que reconstruir suas vidas, mais uma vez.</p>
<p>Não seria o caso de a sociedade civil e o poder público lançarem uma campanha tipo &#8220;SOS São Paulo&#8221;, um grande mutirão de de solidariedade, a exemplo do que foi feito em Angra, em São Luiz do Paraitinga e no Haiti? Sem querer comparar tragédias, o fato é que uma parcela cada vez maior da população de São Paulo está precisando de ajuda urgente, mas ninguém se toca, nem sabe como fazer.</p>
<p>Fica a sugestão. Com a palavra, sua excelência, o leitor.</p>
<p>Bom domingo para todos.</p>
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		<title>Desacelera, Lula, a vida não é feita só de política</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Jan 2010 14:49:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Kotscho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[Até que demorou muito. Basta acompanhar a agenda do presidente da República, com todos os compromissos e viagens pelo Brasil e pelo mundo, para saber que é humanamente impossível alguém viver sempre com o pé no acelerador, fazendo vários discursos por dia, pulando de uma cidade para outra, dormindo cada hora num lugar diferente. Uma hora, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Até que demorou muito. Basta acompanhar a agenda do presidente da República, com todos os compromissos e viagens pelo Brasil e pelo mundo, para saber que é humanamente impossível alguém viver sempre com o pé no acelerador, fazendo vários discursos por dia, pulando de uma cidade para outra, dormindo cada hora num lugar diferente. Uma hora, a máquina pifa.</p>
<p>&#8220;Estou muito cansado, mas estou bem&#8221;, disse ele, ao chegar agora há pouco à sua casa, em São Bernardo do Campo, vindo do Recife, onde foi internado no final da noite desta quarta-feira com um quadro de hipertensão. Cercado pela família, que já estava à sua espera, Lula deve ficar em casa descansando hoje e amanhã. Sábado ou domingo, o presidente  fará um check-up com seu médico, o cardiologista Roberto Kalil Filho, que conversou com ele ainda no aeroporto de Congonhas.   </p>
<p>Em sete anos e um mês de governo, sempre a mil por hora, é quase um milagre que esta tenha sido a primeira vez em que Lula teve um problema mais sério e foi internado numa emergência, quando já estava dentro do avião, rumo a Davos, na Suiça, onde receberia o título de &#8220;Estadista Global&#8221;. Lula sabe que o corpo lhe deu um aviso e que com a saúde não se brinca. Afinal, aos 64 anos, o presidente já não é um garoto, embora muitas vezes assim queira parecer.</p>
<p>Toda vez que os amigos lhe falam que ele poderia viajar menos, falar menos, marcar menos compromissos por dia, Lula faz que não ouve, dá um sorriso, e segue em frente, como se ainda precisasse provar alguma coisa a alguém.</p>
<p>O pique de viagens se acelerou este ano porque Lula quer comandar pessoalmente a campanha do seu partido e, de preferência, levar o PT à vitória, fazendo o seu sucessor, ou melhor, sucessora, custe o que custar. Quando a pressão chega a 18 por 12, é porque alguma coisa está errada, e é preciso repensar a caminhada, lembrar que a vida não é feita só de política.</p>
<p>Mas Lula sempre foi assim, desde os seus tempos de presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, quando o conheci e ficamos amigos, faz mais de trinta anos. Quando está no meio de uma disputa, qualquer que seja, esquece de dormir e de comer, vai à luta e toca em frente, como se o destino do mundo estivesse em jogo.</p>
<p>Qualquer que seja o resultado das eleições de outubro, a biografia dele como presidente já está escrita. Durante as três campanhas presidenciais em que trabalhei como assessor do candidato Lula, sempre lhe dizia que o mais importante era chegar vivo ao final da campanha. E lhe lembrava o que aconteceu com Tancredo Neves, na véspera da posse que não houve.</p>
<p>Agora, o mais importante para Lula, é chegar ao final dos seus oito anos de governo com saúde. O que tinha que fazer, já foi feito, basta apenas administrar o resultado, como fazem os jogadores mais experientes quando a partida está chegando ao final, com o seu time ganhando.  Desacelera, te cuida, amigo.</p>
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		<title>Um dia na vida de Zé Alencar, a unanimidade nacional</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jan 2010 18:07:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Kotscho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[Atualizado às 8h50 de 28.1
Caros leitores,
viajo daqui a pouco para Belo Horizonte, onde vou participar do lançamento do projeto &#8220;Cumplicidade&#8221;, do meu amigo Bernardino Furtado, jornalista dos melhores, sobre a parceria no trabalho entre duplas de repórteres e fotógrafos, com o lançamento de um livro e a inauguração de uma exposição de fotos. Volto amanhã e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Atualizado às 8h50 de 28.1</strong></p>
<p><strong>Caros leitores,</strong></p>
<p><strong>viajo daqui a pouco para Belo Horizonte, onde vou participar do lançamento do projeto &#8220;Cumplicidade&#8221;, do meu amigo Bernardino Furtado, jornalista dos melhores, sobre a parceria no trabalho entre duplas de repórteres e fotógrafos, com o lançamento de um livro e a inauguração de uma exposição de fotos. Volto amanhã e conto para vocês como foi. </strong></p>
<p><strong>Em tempo, às 12h30:</strong></p>
<p><strong>meu vôo foi transferido para mais tarde. Vou atualizar o Balaio agora tratando do que aconteceu com o presidente Lula.</strong></p>
<p><strong>Abraços,</strong></p>
<p><strong>Ricardo Kotscho</strong></p>
<p><strong>***</strong> </p>
<p>Tinha um amigo dele no interior de Minas, que gostava de falar nas cerimonias e solenidades, mas raramente era chamado. Mineiro matreiro, o que além de rimar chega a ser quase uma redundância, certo dia sugeriu ao prefeito, que presidia a mesa: &#8220;Me chama para falar que eu vou falar bem de você&#8221;. Foi atendido.</p>
<p>Quem me conta a história, dando boas gargalhadas, é o empresário e político José Alencar Gomes da Silva, mais conhecido por &#8220;Zé Alencar, o vice de Lula&#8221;, certamente o único homem público brasileiro hoje que pode ser considerado uma unanimidade nacional _ unanimidade a favor, claro, já que, unanimidade contra, tem um monte.</p>
<p>Ele se lembrou do folclórico personagem da política mineira durante nosso almoço na cantina Generali, um reduto da classe média paulistana, na rua Pamplona, que nem faz parte dos 555 melhores restaurantes paulistanos listados pelo anuário da Veja São Paulo, onde almoçamos na segunda-feira.</p>
<p>Zé Alencar tinha acabado de participar de duas cerimônias para comemorar o aniversário da cidade, a missa solene na Catedral da Sé e um evento na sede da prefeitura, em que o presidente Lula e o governador José Serra foram condecorados por Gilberto Kassab.</p>
<p>O vice não estava na lista de oradores, mas foi chamado a falar _ sem ter pedido, esclarece, ao contrário do seu amigo mineiro da história. Mas falou bem do prefeito Kassab assim mesmo.</p>
<p>É difícil ouvir Zé Alencar falar mal de alguém.  Quase chegando aos 80 anos, é um dos raros políticos capazes de rir de si próprio, não se levar tão a sério, nem se dar tanta importância, embora seja reverenciado, aplaudido e abraçado por onde passa, até na missa da catedral.</p>
<p>Na cantina lotada, toda hora vinha alguém pedir licença para lhe entregar um bilhete, dar um abraço ou apenas dizer que admira sua luta contra o câncer, que já o levou a 15 cirurgias, mas jamais o desanimou. &#8220;O Brasil precisa muito do senhor, estamos rezando pela sua saúde&#8221;, é a frase que mais ouve de pessoas de todas as classes sociais, onde quer que esteja.</p>
<p>E o vice não esconde a emoção cada vez que seu almoço, um belo prato de macarrão com frutos do mar, é interrompido para ler um bilhete escrito no guardanapo, demonstrações de carinho e solidariedade, que vai guardando no bolso do paletó.</p>
<p>Estava saindo para almoçar com a minha mulher para comemorar mais um título do meu São Paulo, quando ele me ligou perguntando se não queria tomar um &#8220;golo&#8221;, que é como os mineiros do interior chamam o aperitivo. Encontrei-o numa mesa no fundo da cantina, acompanhado só do seu inseparável assessor Adriano Silva (sua mulher, dona Mariza, tinha aproveitado as poucas horas em São Paulo, para ir a um shopping).</p>
<p>Sorriso largo, abraço forte, encontrar com ele é sempre uma alegria. Nem parece que o vice veio a São Paulo para mais uma sessão de quimioterapia  e novos exames no Hospital Sírio-Libanes, que fez na manhã desta terça-feira .</p>
<p>É destes exames que depende sua decisão de disputar uma cadeira no senado por Minas Gerais, um plano antecipado aqui no Balaio, no dia do aniversário do presidente Lula, em outubro do ano passado.</p>
<p>Zé Alencar não tem pressa para decidir, jamais se mostra ansioso por nada. &#8220;Tudo tem seu tempo certo&#8221;, costuma ensinar, sem querer dar lições a ninguém. Adora contar causos da velha política mineira, mas, quando se trata dos rumos da política nacional, mais pergunta do que fala, prefere ouvir o que os outros acham.</p>
<p>Nestes seus bate-papos sem hora para acabar, raramente se refere às manchetes dos jornais ou à disputa política em Brasília. Emociona-se com muita facilidade, tanto ao falar da sua vida de menino, da mulher, dos filhos e dos netos _ &#8220;em fevereiro nasce minha primeira bisneta!&#8221; _, como ao contar para minha mulher cenas de um filme que viu sobre a vida de Chopin.</p>
<p>Cantarola trechos de músicas de Nelson Cavaquinho, Noel Rosa e Chico Buarque para ilustrar o que quer dizer. Poderíamos agora estar num botequim carioca ou na bodega de seu pai, onde ele começou a trabalhar muito cedo, não faria a menor diferença.</p>
<p>Este meu amigo Zé Alencar é o que se pode chamar de bom papo, bom sujeito, bom amigo. Passar algumas horas com ele faz bem para a alma e renova nossas esperanças no ser humano. Tivesse alguns anos a menos e alguma saúde a mais, e certamente agora ninguém estaria discutindo quem será o possível sucessor de Lula.</p>
]]></content:encoded>
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