Escândalos criam clima ruim no país
Consegui passar a semana sem falar em Sarney e na nova e interminável série de escândalos no Senado. Mas, os leitores, não.
Qualquer que fosse o assunto tratado, os comentários enviados ao Balaio voltavam a tratar desta casa de horrores e desmandos, alternando indigação e revolta com desencanto e um sentimento de impotência.
O que podemos fazer?, perguntam-se os leitores, sem esperar a resposta, que eu não tenho.
Na contabilidade do colega Fernando Rodrigues, da Folha, já são 60 os escândalos denunciados nos últimos cinco meses, desde a reabertura do Congresso Nacional.
Esta sucessão de denúncias de privilégios, nepotismo e uso do dinheiro público em atividades privadas, semana após semana, sem que ninguém seja punido, está criando um crime ruim no país, como se estivéssemos vivendo um tempo de fim de feira.
Existe um contraste brutal entre o noticiário político produzido em Brasília e o econômico, aquele que diz respeito à vida real do país e dos cidadãos, como bem constatou a Veja desta semana em sua Carta ao Leitor (”Um país melhor que seus políticos”).
Na mesma semana que em se anuncia o aumento do emprego, a reabilitação da Bolsa e o recorde histórico da produção de automóveis, as manchetes e o noticiário continuaram sendo dominados pelo baixo astral.
Não é para menos. Basta ver alguns números da orgia citados por outro colega, Kennedy Alencar, também da Folha, na coluna “Senado é bagunça organizada”:
* O orçamento do Senado é de R$ 2,8 bilhões por ano. São 81 senadores. Para manter cada senador, isso dá mais de R$ 34 milhões por ano, cerca de R$ 2,8 milhões por mês, R$ 94 mil por dia. Com este dinheiro, daria para construir 200 mil casas populares por ano.
* Não se sabe ao certo até hoje sequer qual o total de funcionários do Senado. O número mais recente dá conta de 11 mil, ou seja, 123 funcionários para cada senador.
Desta vez, porém, não se pode culpar a imprensa por “denuncismo”, como fizeram Lula e Sarney, pois o que está vindo a público sai das próprias entranhas do submundo criado por senadores e funcionários nas últimas décadas.
Se estes descalabros já existem faz tanto tempo e só agora são revelados, sejam quais forem os interesses políticos em jogo, é outro problema, que não refresca a gravidade da situação.
O sentimento dos leitores do Balaio pode ser resumido neste comentário enviado por Mara Barreto, às 17: 45 de sexta-feira:
“Chegamos a um ponto de descrédito e desesperança tal que parece que nada, absolutamente nada fará este país ir para os trilhos da seriedade, da justiça e do respeito.
O que podemos fazer quando reclamar não adianta? Quando votar não adianta. Quando lutar também parece não adiantar nada?”.
Aumenta assustadoramente a cada semana o número de cidadãos desesperançados que pregam o voto nulo ou pedem a volta dos militares e já há até aqueles que defendem o retorno da monarquia, como o leitor Wagner, das 16:56 de sábado.
Pois é, no ano em que comemoramos 120 anos da República Federativa do Brasil, agora em novembro, tem gente como Wagner pedindo a volta da côrte, o que dá bem uma idéia do desespero que vai batendo na alma de quem não se conforma mais em assistir a tantos desmandos e não poder fazer nada.
Ou o leitor tem alguma idéia do que é possível fazer, respondendo às perguntas da Mara Barreto?
Os números da semana
Como faço todos os domingos, publico abaixo o levantamento dos assuntos mais comentados na semana no Balaio, na Folha e na Veja, as duas publicações impressas de maior circulação no país.
Balaio
Caso Shirley: 106
Burocracia: 67
Audálio Dantas: 66
Folha
Congresso: 167
Sarney: 160
Lula: 49
Veja
Recado aos cidadãos: 342
Diploma de jornalismo: 25
Meio ambiente: 18
Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:

