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Arquivo de janeiro, 2011

31/01/2011 - 10:31

É bom governo ficar fora das manchetes?

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Quase todos os analistas que fizeram neste final de semana um balanço do primeiro mês do governo de Dilma Rousseff destacaram o estilo discreto da nova presidente, uma gestora mais dedicada à administração, em comparação ao seu antecessor, um líder político de massas, que gostava de discursar e viajar.

Era natural que assim fosse, já que Dilma e Lula têm personalidades e trajetórias de vida muito diversas. Fora isso, é como se o novo governo fosse apenas uma continuidade do anterior, não só pela manutenção de metade do ministério, mas, principalmente, por ter optado pela mesma política econômica e as mesmas prioridades na área social.

Isso é bom ou ruim? Pois eu acho muito bom o governo e a presidente ficarem fora das manchetes, dando espaço para outros setores da sociedade e temas da vida real. Isto é um sinal de normalidade democrática. Sempre falei em palestras que tinha Brasília demais e Brasil de menos na nossa imprensa, quer dizer, muito espaço para o mundo oficial e suas autoridades, mais do que em qualquer outro país por onde eu tenha passado.

Sem entrar no mérito se esta cobertura foi positiva ou negativa no governo passado, já que há avaliações diferentes dos dois lados do balcão, o fato é que ela foi exagerada, onipresente, quase sufocante. Cheguei a comentar isso numa reunião com a direção de jornalismo da Rede Globo no Rio, ainda no começo do primeiro mandato, para espanto dos meus colegas: “A meu ver, tem noticiário do governo demais no Jornal Nacional”. É que pessoas na função que eu estava, de secretário de imprensa, tendem a reivindicar sempre mais espaço na mídia.

Em seu comentário radiofônico desta segunda-feira, Alberto Dines reparou que os jornalistas estavam mal acostumados na cobertura do governo Lula, que dava manchete quase todo dia cada vez que falava, e ainda não descobriram como fazer para contar o que está acontecendo no governo Dilma.

Sem declarações nem medidas de impacto da presidente, o noticiário se limita às futricas do poder, sempre em busca de uma crise entre partidos aliados ou entre ministros. Como Dilma, ao contrário de Lula, foge das bolas divididas e evita polêmicas, não deve estar sendo fácil o papel de pauteiro e de editor de política neste novo governo.

Para o meu gosto e o da maioria das pessoas com quem tenho conversado, o governo Dilma começou muito bem. E o caro leitor, o que pensa?

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
28/01/2011 - 10:35

A Lei, o Estado e os pobres coitados

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Um dos direitos fundamentais previstos pela Constituição Federal é assegurar assistência médica a todos os brasileiros. Sabemos que nem sempre as leis são cumpridas e, quando isso acontece, cabe-nos recorrer à Justiça. Foi o que fez um cidadão de Uberaba, que sofria de obesidade mórbida, como contei no post anterior. Por determinação judicial, a prefeitura da cidade teve que arcar com os custos do tratamento em outra localidade, já que Uberaba não dispunha dos recursos médicos necessários.

Não há nesta história heróis nem vilões. Cada um cumpriu seu papel: o cidadão que foi à luta por seus direitos, a promotora que acolheu seu pedido e o encaminhou à juíza, que por sua vez determinou à prefeitura o cumprimento da lei, o que foi feito.
Temos aí um bom exemplo do pleno funcionamento das instituições do Estado democrático.

Por isso, foi com espanto que li os comentários de vários leitores. Ou eles não leram até o fim ou não entenderam o que escrevi, martelando a velha ladainha do indignado crônico que sai em defesa dos pobres coitados sem direitos, qualquer que seja o assunto.

Se você fala de algum lugar bonito, de algum exemplo de superação, uma história qualquer com final feliz, lá vem eles com a comparação inevitável, falando em nome “do trabalhador que mora da periferia, acorda cedo, pega não sei quantas conduções, trabalha trocentas horas por dia e ganha um salário miserável no final do mês”.

Para eles, ninguém presta, nada vale a pena, tudo é uma imensa maracutaia e o mundo é injusto. Não admitem que o dinheiro dos seus impostos seja usado para pagar a Bolsa Família ou o tratamento médico de quem precisa.

Fazer sucesso ou ser feliz, conquistar um objetivo, fica tudo parecendo ofensa pessoal. Não é só aqui no Balaio, não: eles frequentam as áreas de comentários de todos os espaços na internet, sempre com o mesmo discurso, o mesmo chororô.

“Assim até eu… Queria ver você no meu lugar…”, parece ser o lema destes seres tristes inconformados com o destino, que só se satisfazem com notícia ruim, chafurdando na desgraça dos outros para ver se esquecem a própria.

Prefiro que este democrático espaço da internet fosse utilizado para refletirmos juntos sobre os caminhos da vida e que os leitores contassem outras histórias como a do Odair José Costa, o garçom que chegou a pesar 218 quilos e hoje está com 100, depois de sete meses de tratamento. O exemplo dele pode servir de estímulo para muita gente com o mesmo problema.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
27/01/2011 - 14:44

Como perder 118 kg em 28 semanas

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SOROCABA _ A opção dele era morrer. Aos 37 anos, quando chegou aos 218 quilos, sem mais poder andar ou trabalhar, o garçom mineiro Odair José da Costa optou pela vida _ e foi à luta. Sem condições financeiras para custear um tratamento médico, ele recorreu à Justiça e, desde junho do ano passado, internado num spa médico no interior de São Paulo, por conta da Prefeitura de Uberaba, já perdeu 118 quilos.

Caçula de nove irmãos, Odair era o único gordo da família. Desde pequeno foi assim. “Comia de tudo, uma vez por dia: começava cedo e só parava de noite na hora de dormir. Só via prazer e felicidade na comida”, lembra ele, sempre de bom humor, contando os dias para poder voltar a levar uma vida normal.

Já era muito obeso quando conheceu a mulher Lacelda Euripa, com quem vive há 18 anos e tem um filho de 14. Com a ajuda dela e de uma irmã, Maria Aparecida, Odair resolveu se tratar no ano passado. O primeiro passo foi obter uma declaração do médico Adão Jair de Souza, da Universidade Federal do Triangulo Mineiro, atestando que “o paciente é portador de obesidade mórbida (grau avançado IMC = 80,39) e necessita de tratamento urgente. Tais tratamentos não podem ser realizados neste serviço (UFTM)”.

O documento foi levado à promotora Cláudia Marques que imediatamente o encaminhou à juíza Régia Ferreira Lima. Em apenas 41 dias, foi dada a decisão: a Prefeitura de Uberaba, onde Odair nasceu e vive, deveria pagar o tratamento. Levado para um spa em Jundiaí, que não tinha estrutura para recebê-lo nem fazer o tratamento, Odair acabou voltando para Uberaba, numa viagem de 12 horas em que passou muito mal.

Foi a própria promotora quem se encarregou de entrar em contato com uma clínica de Sorocaba, o Spa Médico São Pedro, que imediatamente se prontificou a receber o paciente. Desta vez, Odair veio numa UTI Móvel, contratada pelo prefeito de Uberaba, Anderson Adauto. Viajou acompanhado de médico e assistente social, que acompanharam a sua internação e os primeiros exames.

De um dia para outro, ele passou a receber uma dieta diária de apenas 600 calorias, e nunca se queixou. “Eu queria viver, não sofri nada com a dieta, te juro. Aprendi que o prazer de viver é muito melhor do que o de comer”. Nestes sete meses, completados na quarta-feira, ele só saiu duas vezes do spa para ir com outros pacientes a um shopping. Recebeu três visitas da mulher e do filho.

Quando lhe perguntam de onde tira forças para enfrentar o tratamento, Odair dá um sorriso de mineiro: “Tudo que aconteceu comigo tinha que ser assim. Não fiquei obeso por acaso. Deus me pegou para provar que é possível perder peso na raça. Você tem que decidir o que vai fazer da tua vida”.

Seu peso atual é de 100 quilos e a dieta passou para 900 calorias por dia. “Ainda quero chegar aos 90 antes de sair do spa”, planeja Odair, que fará uma abdominalplastia, cirurgia para a retirada de pele, já marcada para o próximo dia 10. “Não precisa fazer cirurgia de redução de estômago, nada disso, sou contra. Só precisa de força de vontade e determinação”.

Além da dieta, ele faz seis horas diárias de exercícios. Sua primeira providência ao chegar a Uberaba será procurar uma academia para se inscrever. “Não vou mais conseguir ficar sem fazer exercícios por nada nesta vida”, diz Odair, que só está preocupado com sua situação financeira, depois de um ano desempregado. “Chegando lá, vou logo arrumar um serviço, acabou a moleza…”, brinca com ele mesmo.

Para entrar em contato com o Odair José Costa e saber mais da sua história:
dadaberaba@hotmail.com

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
25/01/2011 - 20:02

Quando a política pode ser nobre

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Quem teve a felicidade de participar da homenagem prestada neste 25 de janeiro pela cidade de São Paulo ao mineiro José Alencar foi testemunha de que, depois das baixarias da recente campanha eleitoral e em meio às bandalheiras generalizadas denunciadas nos últimos dias, a política também pode ser nobre.

Ao final da cerimônia, pareciam todos felizes com o que tinham acabado de assistir no improvisado auditório montado no saguão da sede da Prefeitura no Viaduto do Chá. Enquanto Alencar era rapidamente retirado em sua cadeira de rodas por médicos e enfermeiros, políticos de todas as tendências conversavam como se fossem todos do mesmo partido.

“Este é o nosso Brasil, olha aí, hoje veio todo mundo, tem de tudo”, resumia com alegria o tucano histórico José Gregori, na garagem do prédio, no momento em que o ex-vice-presidente se despedia dos convidados para voltar ao hospital.

Foi um encontro ecumênico que emocionou a todos, deixando uma brava lição de coragem de alguém que luta para continuar vivendo e é capaz de sorrir mesmo nos momentos mais difíceis, reunindo à sua volta adversários políticos de todos os partidos.

A presidente Dilma, o ex-presidente Lula, o governador Alckmin, o vice Temer, o prefeito Kassab, petistas, tucanos, democratas e peemedebistas, ali eram todos apenas amigos de José Alencar, um raro exemplo de nobreza na vida política brasileira. Durou só uma hora, mas valeu o dia. Vida que segue.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
23/01/2011 - 11:09

O risco de andar a pé em S. Paulo

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Apesar de tudo, sobrevivemos… Se não chover demais, comemoramos nesta terça-feira os 457 anos de São Paulo _ a maior, mais rica, poluída e desumana cidade do país. Como costuma acontecer nos feriadões, quem pode pega o carro e viaja para qualquer lugar. Quem não pode, fica por aqui e, se sair às ruas, corre o risco de morrer atropelado na primeira esquina.

Muito cuidado com a faixa de pedestres! É aí que mora o maior perigo. Talvez não haja nenhum exemplo mais emblemático de incivilidade paulistana e do predomínio da máquina sobre o homem, do carro sobre o pedestre e do vale-tudo sobre a urbanidade do que estas faixas brancas pintadas nos cruzamentos mais perigosos da cidade.

É simplesmente como se as faixas não existissem. Nenhum motorista lhes dá a menor bola. Os policiais de trânsito nem lembram para que servem. Fica lá como um enfeite sobre o asfalto, sem sentido nem função.

O perigo maior é para o cidadão que vem de fora, de algum lugar mais civilizado, onde os carros não avançam quando há um pedestre pisando sobre a faixa.

Já me aconteceu várias vezes de esquecer que ninguém respeita faixa de pedestres em São Paulo. A primeira, já faz muito tempo, foi quando voltei da minha temporada de correspondente do Jornal do Brasil na Alemanha, no final dos anos 70 do século passado. Lá, por incrível que pareça, os motoristas já respeitavam os pedestres.

Mal acostumado, quase fui atropelado na rua Augusta, no dia seguinte à minha volta, ao atravessar numa faixa que tinha até farol de pedestres, o que é muito raro em São Paulo. Além do susto, ainda fui xingado porque estava atrapalhando o trânsito.

A única cidade brasileira, que eu conheça, onde todo mundo respeita o pedestre, é Brasília. Depois de trabalhar lá por dois anos, e me habituar a este bom costume, ao voltar a São Paulo quase que minha família toda foi atropelada num cruzamento da Oscar Freire, a rua mais badalada do nobre bairro dos Jardins.

Com carrinho de bebê, outras crianças pequenas, uma senhora idosa, todos atravessando a rua juntos na faixa de pedestres, nada foi capaz de fazer o assassino motorizado diminuir a velocidade: do jeito que veio, acelerou e virou com tudo na Haddock Lobo, e eu dei um grito de puro pavor. Vocês podem acreditar: o cara parou o carro logo adiante, desceu e me fuzilou com todas as letras:

“Que foi, seu filho da puta??? Tá pensando que tá em Londres???”

Juntou mais alguns palavrões, entrou no carro e seguiu em frente.

Mais recentemente, passei um bom tempo sem andar a pé pelo bairro por problemas de saúde e acabei ficando preguiçoso. Agora que voltei às caminhadas, antes de ser convidado a concorrer no concurso de Rei Momo, me dei conta que andar a pé em São Paulo ficou ainda mais perigoso.

Os valentes ao volante dobram as esquinas e entram direto sem dimimuir a velocidade, alguns até cantam pnseus _ ou seja, estão absolutamente certos da impunidade, são os donos das ruas.

Como é impossível colocar um guarda em cada esquina, poderiam pelo menos deixar o farol vermelho para os dois lados nos cruzamentos, o tempo suficiente para que a gente possa atravessar a rua. É simples, não custa nada, mas ninguém faz.

Foi esta a civilização que nós construimos nestas terras de Piratininga. A vida de pedestre por aqui está valendo muito pouco.

Com o céu azul e sem previsão de chuva, bom domingo a todos.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
21/01/2011 - 12:32

A esculhambação das aposentadorias

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A cada dia somos surpreendidos por novas revelações sobre esta esculhambação geral em que se transformou a aposentadoria vitalícia dos governadores, embora a Constituição de 1988 tenha eliminado as pensões para ex-presidentes da República.

A lei? Ora a lei… Pelo que estamos sendo informados, cada Estado fez a sua própria lei e teve gente que criou uma em benefício próprio, como o ex-deputado estadual Humberto Bosaipo (DEM), que governou o Mato Grosso por apenas dez dias e recebe R$ 15 mil de aposentadoria por mês.

Os casos se multiplicam pelo país: segundo levantamento da Folha, já são 135 beneficiados entre ex-governadores e viúvas, em 18 Estados, o que representa um gasto anual de mais de 31 milhões de reais e permitiria incluir mais 38 mil famílias no Bolsa Família.

Teve cidadão que governou por apenas 39 dias no Paraná, presidentes de Assembléias Legislativas que assumiram interinamente durante as viagens do titular, um outro que recebe duas pensões vitalícias porque o Estado do Mato Grosso foi dividido.

Tem de tudo, ninguém quer ficar de fora da boquinha. A campeã é a viúva de Leonel Brizola, Marília Guilhermina Martins Pinheiro, que acumula as pensões do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, totalizando R$ 41 mil.

Agora, já tem até ilustres figuras do atual Senado, daquelas sempre muito preocupadas com a moralidade pública, como o franciscano Pedro Simon, ex-governador do Rio Grande do Sul, e o tucano Álvaro Dias, do Paraná, também querendo a sua parte.

Simon só pediu daqui para a frente, mas Dias quer também receber com efeito retroativo por cinco anos a aposentadoria de 24 mil reais, o que daria um total de mais de 1,5 milhão em atrasados. É uma farra.

Depois que os nobres parlamentares aumentaram em mais de 60% seus próprios salários, parece que abriram de vez a porteira do Tesouro Nacional, virou tudo uma festa do caqui.

O que será que esta gente pensa de nós? Que ninguém iria perceber? Que ficaria tudo por isso mesmo? Será que ninguém poderia doar nem um pouquinho desta grana para ajudar as vítimas da Região Serrana?

A OAB está se movimentando para denunciar e acabar com estes absurdos, mas no Supremo Tribunal Federal já repousam cinco ações de inconstitucionalidade sobre as aposentadorias vitalícias pagas a ex-governadores. Até hoje, só uma pensão foi extinta, a do ex-governador do Mato Grosso do Sul, Zeca do PT, em 2007.

Como diz o caipira, e nóis só pagando tudo… Na parte que me toca, posso assegurar que minha aposentadoria do INSS não chega a R$ 2 mil, depois de 46 anos de trabalho. Isto é o que se pode chamar de justiça social…

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
20/01/2011 - 15:48

O brasileiro que inventou o rádio

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Sempre tive muita admiração pelas pessoas capazes de abraçar uma causa aparentemente impossível e ir à luta. Ainda mais quando se trata de resgatar a obra científica de um brasileiro nascido 150 anos atrás, uma história que poucos conheciam.

Por isso, reproduzo abaixo o texto que recebi do amigo Eduardo Ribeiro, o bravo editor do boletim Jornalistas & e Cia., relatando as primeiras vitórias do Movimento Landell de Moura, o padre-cientista que botou o primeiro rádio para funcionar.

Como conta o Edu, todos aprendemos na escola que o inventor foi o italiano Guglielmo Marconi, mas estudos mais recentes e documentos provam que o brasileiro foi o pioneiro não só do rádio como também de outros instrumentos de telecomunicação.

Junto com Hamilton Almeida e outros companheiros, Eduardo Ribeiro utilizou todos os meios nos últimos meses para que fosse feita justiça ao pioneirismo de Roberto Landell de Moura, como ele nos conta no relato a seguir.

Há 150 anos nascia o brasileiro que inventou o rádio

Nesta sexta-feira, 21 de janeiro, o Brasil celebra o sesquicentenário de nascimento do padre-cientista Roberto Landell de Moura, inventor brasileiro do rádio e Pai das Telecomunicações. Uma série de atividades foi programada para este dia, entre elas o lançamento de selo e carimbo alusivos ao tema pelos Correios nas cidades de Porto Alegre, Campinas e Brasília.

Ironia do destino, embora seja um dos maiores gênios dos séculos XIX e XX, por suas invenções e atuação científica, Landell de Moura, gaúcho de Porto Alegre nascido no dia 21 de janeiro de 1861, é ignorado em seu próprio País, onde as crianças continuam aprendendo que o inventor do rádio foi o italiano Guglielmo Marconi.

Com o conhecimento teórico e a inquietude dos que estão à frente de seu tempo, Roberto Landell de Moura transmitiu a voz humana à distância, sem fio, pela primeira vez no mundo. Foi também pioneiro ao projetar aparelhos para a transmissão de imagens (a TV) e textos (o teletipo). Previu que as ondas curtas poderiam aumentar a distância das comunicações e também utilizou-se da luz para enviar mensagens, princípio das fibras ópticas. Tudo está documentado por patentes, manuscritos, noticiário da imprensa no Brasil e no exterior e testemunhos.

As pioneiras transmissões de rádio aconteceram no final do século XIX, ligando o alto de Santana – o Colégio Santana – à emblemática Avenida Paulista, que hoje abriga diversas antenas de emissoras de rádio e de TV.

Ao transmitir a voz, Landell se diferenciou de Marconi. O cientista italiano inventou o telégrafo sem fios, ou seja, a transmissão de sinais em código Morse (conjunto de pontos e traços) e não o rádio tal como o conhecemos.

As experiências do padre Landell não sensibilizaram autoridades e nem patrocinadores. Pior: um grupo de fiéis achou que o padre “falava com o demônio” e destruiu seus aparelhos.

Mesmo tendo patenteado o rádio no Brasil (1901), Landell não obteve reconhecimento. Decidiu, então, viajar para os Estados Unidos, onde conseguiu, em 1904, três cartas patentes. De volta ao Brasil, quis fazer uma demonstração das suas invenções no Rio de Janeiro, mas, por um erro de avaliação, o Governo não lhe deu a oportunidade. Depois, ele seria “forçado” a abandonar as experimentações científicas. Morreu no ostracismo e o Brasil importou tecnologia para entrar na era das radiocomunicações!

Landell de Moura está, agora, já em pleno século XXI, prestes a ver seu nome inscrito no Livro dos Heróis da Pátria, depositado no Panteão Tancredo Neves, graças ao Projeto de Lei do senador Sérgio Zambiasi, que está atualmente em análise na Câmara dos Deputados. Estará, desse modo, ao lado de outros heróis como Tiradentes, Zumbi dos Palmares, Santos Dumont e Oswaldo Cruz.

Também receberá, em fevereiro, o título post-mortem de Cidadão Paulistano (que Marconi recebeu em vida), por iniciativa do vereador Eliseu Gabriel.

Há anos, ele é o patrono dos rádio amadores brasileiros e seu nome está em ruas e praças de várias cidades, em instituições públicas e em livros publicados no Brasil e no Exterior.

O Brasil tem agora a oportunidade de reconhecer a obra científica de Landell e incluir os seus feitos no currículo escolar obrigatório do ensino básico. É por isso que luta o MLM – Movimento Landell de Moura, integrado por voluntários de diferentes áreas, que construiu um site – www.mlm.landelldemoura.qsl.br – para angariar assinaturas em prol desse reconhecimento. Vale registrar que o MLM não tem fins político-partidário, religiosos, financeiros ou de promoção pessoal.

Responsáveis pelas informações e fontes para eventuais consultas:

Hamilton Almeida (hamilton_xxi@yahoo.com / 11- 7236-5560)

Zeza Loureiro (zezal@terra.com.br / 11-8555-5597)

Eduardo Ribeiro (eduribeiro@jornalistasecia.com.br / 11-9689-2230)

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
19/01/2011 - 18:11

Lula e José Alencar, amigos para sempre

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O governo acabou, o poder mudou de mãos, os dois saíram de cena, mas a amizade deles continua cada vez mais forte, um caso muito raro na política e na vida. O metalúrgico que virou presidente da República e o grande empresário que foi seu vice tornaram-se amigos para sempre, daqueles de verdade, que fazem uma festa quando se encontram.

Foi que aconteceu nesta terça-feira, na hora do almoço, quando o ex-presidente Lula apareceu no Hospital Sírio-Libanês para fazer mais uma visita ao paciente José Alencar, que está internado desde o dia 22 de dezembro.

“Nós rimos muito, depois teve até choro, você precisava ver”, contou-me o ex-vice ao me ligar hoje de manhã para contar as novidades e falar da visita do amigo. ” Mais do que amigo, ele é um grande parceiro, uma figura extraordinária. Juntou um monte de médico aqui, minha mulher, minhas filhas, meus netos… Ficamos contando histórias, foi uma beleza…”.

O mineiro José Alencar se entusiasma e se emociona cada vez que fala do pernambucano Lula, o velho “amigo de infãncia” que conheceu na festa  de comemoração dos seus 50 anos de vida empresarial, em Belo Horizonte, poucos meses antes do início da campanha eleitoral de 2002.

O que os aproximou logo de cara, embora de origens e trajetórias tão diferentes, foi o fato de serem pessoas simples, terem estudado pouco (Alencar menos que Lula), começado a trabalhar ainda meninos para ajudar a família e, principalmente, o gosto por contar casos engraçados acontecidos muitos anos atrás quando eles nem imaginavam que um dia chegariam onde chegaram.

“Encontrei meu vice. Você precisa conhecer o Alencar”, disse-me Lula poucos dias depois, na festinha de fim de ano do Instituto Cidadania, em 2001,  onde o ex-presidente vai voltar a trabalhar na próxima semana.

Agora que os dois amigos voltaram à planície, Alencar acha que Lula precisa voltar logo à atividade política, lembrando os tempos de poder. “Para quem vivia no meio daquela agitação, sempre cercado por muitas pessoas, imagino que ficar isolado é um sofrimento. Ele precisa arrumar logo uma agenda”.

Assim que passou a faixa presidencial para Dilma Rousseff, no dia 1º de janeiro, ao chegar de volta a São Paulo e antes mesmo de ir à sua casa, em São Bernardo do Campo, Lula esteve no hospital para consolar e dar um abraço em Alencar, que estava muito contrariado com a decisão dos médicos, impedindo-o de ir a Brasília para que os dois descessem a rampa juntos. “Não fica chateado, não, Zé. Nós não descemos a rampa juntos, mas entregamos o país melhor do que pegamos”.

Com muito orgulho, o ex-vice conta que substituiu o presidente por 504 dias nos dois mandatos _”quase um ano e meio…” _, mais do que alguns antecessores de Lula duraram na cadeira. Neste período, Alencar registra que assinou exatos 2.139 atos presidenciais.

Os médicos não sabem ainda quando Alencar poderá deixar o hospital, mas ele sabe que Lula já esteve lá por mais de 20 vezes para visitá-lo, desde que voltaram seus problemas de saúde, provocados por um câncer no abdome que enfrenta há 15 anos, sem nunca entregar os pontos nem perder o bom humor.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
18/01/2011 - 13:02

A tragédia na cara dos cachorros

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Depois de tudo que já li, vi e ouvi sobre a catástrofe da Região Serrana, não pretendia voltar ao assunto, até porque os leitores também já devem estar saturados de tantas imagens e histórias de  dor e sofrimento nos últimos dias.

O que me leva a escrever é uma fotografia publicada na capa da Folha desta terça-feira. De autoria do grande Jorge Araújo, o veterano e premiado profissional, com quem trabalhei por muitos anos, mostra a profunda tristeza estampada no olhar do cachorro branco nas mãos de um menino, Bruno Bento, de 11 anos, em Teresópolis.

Bento é um dos 40 voluntários que resgataram animais nas enchentes e estão cuidando deles num abrigo, segundo o relato do repórter Vinícius Queiroz Galvão. No meio de tanta desgraça, alguém se lembrou dos bichos que ficaram orfãos.

Já são mais de 200 cães e 100 gatos que estão sob os cuidados da turma de Maria Elisabete Filpi, protetora de animais,  salva pelos bombeiros carregando nos braços dois cachorros. Outras fotos de Jorge Araújo podem ser vistas neste endereço:

folha.com.br/ct861934

Na semana passada, outro retrato da orfandade animal que me tocou foi o do cachorro Caramelo, montando guarda ao lado da cova rasa da sua dona, tema do desenho de hoje do Chico na capa do Globo.

Estas cenas me fizeram lembrar dos dramas que vivi em Caraguatatuba, no litoral norte paulista, 44 anos atrás _ até a semana passada, a maior tragédia natural registrada no país, em que morreram 430 pessoas. Estava começando a trabalhar como repórter estagiário no Estadão e esta foi a minha primeira grande cobertura.

Uma das matérias terminava assim:

” Caraguatatuba já tem água, graças a uma mina encontrada no Morro do Tatu (…) Um  caminhão do Exército que transportava parte da ponte metálica móvel, proveniente do Rio Grande do Sul, que será instalada provisoriamente sobre o rio Santo Antonio, tombou ontem na estrada São Luís do Paraitinga-Ubatuba (…) As operações aéreas na zona flagelada diminuíram sensivelmente. Os flagelados continuam deixando a cidade, a pedido das autoridades”.

A grande diferença em relação ao trabalho dos meus colegas hoje é que,  naquela  época, nem se pensava em celular, satélite, laptop, essas coisas. Textos e fotos tinham que ser colocados num envelope e levados até a vizinha cidade de Ubatuba _ três horas de carro para percorrer 50 quilômetros em meio aos estragos. De lá seguiam num avião da FAB até a Base Aérea em Santos, onde alguém da redação ia recolher o material.

As comunicações evoluiram muito, é fato, mas os esquemas de prevenção e salvamento parecem continuar os mesmos, como a tristeza dos cachorros sem dono.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
17/01/2011 - 11:43

Um livro providencial que ajuda nestas horas

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Assunto é o que não tem faltado. Nenhum colunista ou blogueiro pode se queixar. Eu é que ando sem vontade de escrever, como vocês podem ter notado. Quando a gente não tem o que dizer, melhor é ficar quieto, pensar no que está acontececendo, tentar entender antes de tirar conclusões ou tomar decisões.

Em meio às desgraças dos últimos dias, onipresentes no noticiário, que nos sufocam a alma, a nossa vida continua seguindo e, a cada manhã, precisamos encontrar forças para tocar o barco, seja em meio às enchentes ou na rotina do cotidiano.

Nestas horas, nada melhor do que se dar um tempo e ler um bom livro que possa ajudar nas nossas reflexões. Para minha sorte, caiu-me nas mãos, logo cedo nesta manhã de segunda-feira, “A vida é feita de escolhas”, de Dalcides Biscalquin, autor que eu não conhecia.

Dei uma olhada e comecei a ler o livro, muito providencial para estes tempos de tanta dor e sofrimento, antes mesmo de pegar o jornal, o que é raro, e só parei agora para escrever este post porque já andava com saudade de vocês. Bela descoberta que eu fiz.

Paulista de Piracicaba, ex-padre, 43 anos, hoje casado, o autor é mestre em Comunicação, licenciado em Filosofia e bacharel em Teologia, já foi gerente de marketing da TV e Rádio Cultura e atualmente é professor em duas faculdades de São Paulo, além de produzir e apresentar programas de rádio e televisão.

Apresentado o autor, e como não tenho nada de novo para vos contar, melhor é passar a palavra logo a ele e reproduzir abaixo o primeiro capítulo do livro (todos são bem curtinhos) que dá uma boa idéia da obra.

Sobre os grandes ideais

O meu coração vai ao encontro daquele coração que neste momento se sente abandonado, sozinho, sem esperança, sem vida. A minha palavra segue na direção daquele coração que sofre.

Junto-me àqueles que sentem uma dor do passado. A dor de uma perda. A dor de uma rejeição. A dor de um fracasso. A dor de uma injustiça. A dor de uma ausência.

Coloco todo o meu amor em cada palavra, pois o amor tem o poder de curar. Lembro-me com saudade da infância, quando a gente, brincando, caía e se machucava. Todos tínhamos a mesma reação: voltar correndo na direção da mãe. E quantas vezes a mamãe dizia: “Vem cá, vou dar um beijinho e vai sarar. Pronto, já passou. Pode voltar a brincar”.

Até hoje eu me pergunto sobre o poder que havia naquelas palavras. Como num passe de mágica a dor ia embora e a gente voltava a brincar alegremente.

Passei a acreditar que a palavra nascida de um coração que ama pode ser o bálsamo que acalma e alivia a dor. Com a mesma ternura que eu ouvia aquelas palavras na infância, hoje quero lhe dizer: “Pronto, já passou. Volte à vida”.

Talvez você tenha perdido muito tempo com lamentações, tido muitas noites maldormidas atormentado pelas suas preocupações e amedrontado pelos seus fantasmas interiores.

Hoje é o dia de voltar à vida. Despedir-se de tantas culpas do passado. Todo mundo erra, e quem não errou que atire a primeira pedra, como já disse Jesus. Comece a dar o primeiro passo: perdoe a si mesmo. Não importa o tamanho da sua culpa, dos seus erros, há um amor maior que tudo, capaz de invadir seu coração e devolver-lhe a vida. Dar o perdão a si mesmo é se dar o direito de sorrir novamente. E é preciso paz interior para poder sorrir de verdade.

Deixe de lado o pessimismo. Abandone todo pensamento de derrota. Não consuma mais os seus dias com sentimentos mesquinhos. Busque grandes ideais. Inspire-se no poema de dom Helder Câmara: “Gosto de pássaros que se enamoram das estrelas e caem de cansaço em busca delas. Nada de ideais ao alcance das mãos”.

Em outras palavras, nada de coisas fáceis. Busque na vida coisas que valham a pena. Gaste as suas palavras com conversas que edifiquem, com diálogos que construam. Não perca nenhum dia da sua vida com mesquinharias.

Busque fazer o bem a cada momento. Faça com muito amor o que tem de ser feito. Doe o melhor de si aos outros. Não pense pequeno. Não viva fazendo críticas. Não viva julgando os que estão mais próximos de você.

Estenda a sua mão. Faça o seu trabalho com amor e dedicação. Não dê ouvidos às más notícias. Espalhe informações positivas. Fale boas palavras. E jamais, em momento algum, se canse de conjugar, diariamente, em todos os modos e pessoas, o verbo amar.

Tem a dor da gente e tem as dores dos outros. Uma não anula as outras e vice-versa.

Convido os leitores a esquecer um pouco os embates diários da política e a pensar nas sábias palavras de Dalcides Biscalquin sobre as escolhas da vida.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
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