2010 dezembro | Balaio do Kotscho
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Arquivo de dezembro, 2010

17/12/2010 - 11:52

Que tal fazer de 2011 o “Ano Menos?”

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Atualizado às 13h45 de 3.11

Bem-vindos a 2011! Neste primeiro dia útil do ano, já estou de volta ao batente. Mas, como acabei de chegar de viagem, vou deixar para atualizar o Balaio na manhã de terça-feira, dia 4.

Preciso primeiro saber o que está acontecendo por aqui… Desta vez, passei mesmo duas semanas totalmente fora do ar. Nem celular levei. Foi muito bom.

Por enquanto, vou apenas moderar os comentários que vocês deixaram na minha ausência e agradecer a todos pelas centenas de mensagens enviadas ao meu endereço eletrônico particular.

De 2010, não posso reclamar: o Balaio bateu em quase 2 milhões de acessos no ano passado. Para ser mais exato, foram 1.985.584, segundo o Google Analytics. Ganhamos muitos novos leitores e tivemos o patrocínio renovado. Assim, só nos resta continuar otimistas no pensamento e na ação.

Abraços,

Ricardo Kotscho

***

Caros leitores,

este blog e toda a sua equipe de um só sairão de férias coletivas a partir de amanhã, sábado, dia 19 de dezembro. O Balaio voltará a ser atualizado a partir de 3 de janeiro de 2011.

Pela primeira vez em muitos anos, a família Kotscho viajará para o exterior, agora com o refôrço dos meus três netos, que me convidaram para conhecer o Mickey lá na terra dele.

Não faz sentido levar o notebook, convenhamos. E é bom ficar um tempo longe da fábrica de informações, sem ler nem escrever notícias. Assim os leitores também tiram uma folga de mim.

Feliz Natal e que 2011 seja o “Ano Menos”, como proponho no texto abaixo, o último de 2010. Muitas felicidades e saúde para todos!

Abraços,

Ricardo Kotscho

***

Desde pequenos, somos ensinados a querer ter e ser sempre mais. Assim, em todos os finais de temporada, em nossas reflexões sobre o que passou e nas intenções para o ano novo, no balanço de perdas e ganhos, sempre fica faltando alguma coisa para fazer ou conquistar, e lamentar algo que ficou pelo caminho.

Fazemos promessas para mudar de vida, olhando sempre para cima e para mais longe, buscando novos e cada vez mais difíceis desafios. Por que tem de ser assim por toda a vida, mesmo quando o tempo que nos resta é cada vez menor?

Do jeito que vamos indo, com tudo tendo que ser sempre mais e melhor, todos tendo que vender mais e consumir mais, a economia mundial crescendo sem parar, mesmo em tempos de crise, com cada vez mais carros, aviões, navios, fábricas e usinas poluindo o ambiente, shopping centers se multiplicando como cogumelos por toda parte, lojas, bares e restaurantes lotados, uma hora este nosso velho mundo vai explodir em todos os sentidos.

Como ninguém tem fôrças para mudar o mundo, muito menos para fazer ele parar, poderíamos pelo menos começar a pensar em mudanças possíveis na rotina de cada um de nós. Quem sabe, com o tempo, as coisas não começam a desacelerar e melhorar a chamada qualidade de vida?

Apenas oito anos atrás, o principal objetivo do presidente Lula que assumia o governo era combater a fome, garantindo a cada brasileiro pelos menos três pratos de comida por dia. A desnutrição de milhões de brasileiros ainda era o maior problema de saúde pública.

Nesta sexta-feira,  fiquei sabendo pelo noticiário que 50% da nossa população já está acima do peso e crescem assustadoramente os problemas de obesidade, incluindo o autor destas mal traçadas linhas, que mais uma vez está fazendo tratamento para largar o cigarro, e sofre os efeitos.

Parece o destino daquelas regiões que são assoladas ora pelas secas, ora pelas enchentes. Será que não pode haver um meio termo, um ponto de equilíbrio nas nossas vidas e nas nossas terras, ou este permanente querer mais não será a própria causa das tragédias naturais e humanas que afetam o mundo todo também cada vez mais?

Fiquei pensando em tudo isso num recente retiro espiritual do meu Grupo de Oração ao notar que algumas pessoas estavam falando demais, até mais rápido do que pensam, com opiniões formadas e definitivas sobre todos os assuntos espirituais ou terrenos, como se quisessem convencer os outros de que aquele era o único caminho.

Não só em retiros, que  deveriam ser redutos de silêncio e meditação, mas em quase todos os lugares aonde vou, tenho notado que as pessoas todas estão falando cada vez mais, cada vez mais alto, o tempo todo, sem dar tempo de pensar no que estão dizendo.

Na internet, do mesmo jeito, autores e leitores escrevem cada vez mais comentários sobre tudo que lhes vem à cabeça, repetindo sempre as mesmas certezas, transformando opiniões pessoais em dogmas, como se estivessem querendo criar uma seita de seguidores.

É impossível ler todas as mensagens que me mandam o dia inteiro, todo dia. Às vezes, nem dá tempo de abrir os e-mail para saber do que se trata. Desta forma, estaremos nos comunicando e fazendo entender mais ou menos?

A partir desta constatação, comecei a pensar para quantas coisas poderíamos nos propor menos em lugar de mais neste raiar de outro ano da nossa breve passagem pela terra _ quer dizer, inverter um pouco este jogo de perde e ganha que está ficando cada vez mais chato e perigoso.

Por exemplo: poderíamos começar nos propondo consumir menos, menos tudo. Porque muitas outras coisas estão relacionadas a esta febre de ter e ser mais: trabalhar mais, comprar mais, vender mais, viajar mais, comer mais, beber mais, competir mais, assumir mais compromissos, ganhar mais, poluir mais, querer mais, exigir mais de si mesmo, desmatar mais, buzinar mais, gritar mais, brigar mais, correr mais, jogar mais, blasfemar mais, se estressar mais e, assim, ter mais chance de ir parar num hospital do que chegar à felicidade.

Se não trocarmos todos estes mais por menos, uma hora acabaremos  consumindo a nós mesmos.

Pode parecer incoerência minha fazer esta proposta ao final de um ano estafante de trabalho e compromissos variados em diferentes áreas de atividade, às vésperas da viagem a um dos maiores templos do consumo do mundo. Eu sei, mas só o fato de me permitir tirar duas semanas de férias de verdade com a família já pode ser um bom sinal de mudança.

Espero que não me entendam errado, imaginando que sou contra o progresso da humanidade, um hippie gordo e careca meio fora de época, que está voltando agora de Woodstock. Não estou dando receita para ninguém. Esta é apenas minha intenção neste final de ano, resume o que penso e sinto neste momento, mas cada um é que sabe do seu sonho e da sua dor.

Também não virei adepto destas modas de vida alternativa, pregador da sustentabilidade em comunidades ecológicas, nem pretendo me tornar um vagabundo. Busco e proponho apenas um pouco mais de equilíbrio, aquela história de que menos pode ser mais, qualquer que seja a nossa condição de vida. É uma boa hora para pensarmos nisso. Afinal, não custa nada.

E os caros leitores do Balaio? O que estarão pensando e se propondo para 2011?

O grande barato deste trabalho em mão dupla na internet é exatamente poder saber o que os outros pensam e permitir que as ideias de um leitor possam ser úteis e servir de inspiração para outros balaieiros.

Muito grato a todos vocês por mais um ano de gratificante convívio. Divirtam-se. Até a volta.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
16/12/2010 - 12:37

Atletas ganham um plano de previdência

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Na cata de boas notícias às vésperas dos festejos de final de ano, em que buscamos todos dar uma trégua ao agito da vida cotidiana e às crises do fim do mundo, recebi um texto com boas novidades, que transcrevo abaixo. Foi-me enviado pelo bom amigo jornalista Washington Luis de Araújo, gerente de Comunicação e Relações Institucionais da Petros, empenhado em colocar de pé um plano de previdência para os nossos atletas profissionais.

Estamos acostumados a ler histórias de atletas que ficaram milionários, mas esta não é a realidade da maioria deles, que sobrevivem com dificuldades depois que se aposentam do esporte.

É o caso do jogador Moacir, antigo ídolo do Flamengo e reserva de Didi na seleção brasileira campeã do mundo em 1958, cujo drama tenho acompanhado por relatos de meu irmão Ronaldo Kotscho, também jornalista, que há tempos fez uma reportagem com ele para a ESPN sobre sua dura luta pela sobrevivência no Equador, onde vive com a família.

No artigo abaixo, Washington mostra como atletas do presente podem ajudar na campanha que está sendo produzida pela Petros para amparar os atletas do passado:

Uma campanha para o EsportePrev

Uma vida digna depois de viver do esporte é o mínimo que nossos artistas do futebol e de outras modalidades esportivas merecem. No entanto, a história mostra que nem sempre isso acontece. Ou melhor, na maioria das vezes isso não acontece.

Aplausos de milhares de torcedores, holofotes, autógrafos, páginas e páginas em revistas e jornais minguam totalmente quando o atleta encerra sua carreira. O craque Paulo Roberto Falcão, hoje comentarista esportivo, afirma que o atleta morre duas vezes, a primeira quando deixa de fazer o que mais gosta, jogar profissionalmente.

Mas este déficit que a vida apresenta aos atletas poderá ser atenuado com a criação de um plano de previdência complementar, administrado pela Petros, fundo de pensão dos trabalhadores da Petrobras, que já cuida dos planos para outras categorias profissionais como médicos, jornalistas e artistas.

O EsportePrev foi anunciado recentemente  pelo ministro da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas, com endosso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a cerimônia de premiação dos melhores jogadores do Campeonato Brasileiro.

Na festa promovida pela CBF, foi mencionado que craques de hoje e os chamados craques de sempre estão sendo convocados para participar do plano de previdência. Estrelas como Marcão, do Palmeiras, Ronaldo “Fenômeno” e Roberto Carlos do Corinthians já pensam como se envolver diretetamente com o assunto.

Uma campanha publicitária já está sendo analisada para envolver sociedade e atletas no intuito de buscar uma vida melhor para quem tanta alegria nos proporcionou. Pepe, grande ponta esquerda do Santos de Pelé, campeão mundial em 58 e 62 e, posteriormente, um técnico campeão pelo próprio Peixe e pelo São Paulo, entre outros clubes, conta que sempre que sonha com futebol, sonha jogando bola, nunca como treinador.

Nada mais justo do que estes artistas da bola e de outras modalidades continuem sonhando com o que mais amam, mas vivendo uma realidade digna. Realidade que hoje não sorri para muitos destes campeões.

O grande Moacir, companheiro de Pepe e reserva de Didi no mundial de 58, mora hoje no Equador e passa por problemas sérios de saúde e financeiros. Amigos do jogador estão elaborando um leilão com peças de uniformes da Copa de 58 para coletar recursos e enviar ao grande campeão.

Por falar em Pepe e Moacir, tramita no Congresso projeto de lei enviado pelo governo para uma gratificação aos campeões mundiais. A iniciativa da Presidência da República é louvável, mas ninguém sabe quando será aprovado pelos parlamentares. No futuro, com maturação deste plano de previdência complementar, tomara que medidas como esta não sejam mais necessárias.


Uso responsável do papel, você tem um compromisso com o futuro.


Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
15/12/2010 - 11:37

Internet avança nos EUA e no Brasil

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Texto atualizado às 14h40, de 15.12, com correções

Em publicações diferentes, encontrei duas notícias alvissareiras sobre o avanço da internet no mundo e, principalmente, aqui no Brasil.

Sem muito alarde, ficamos sabendo que houve uma verdadeira revolução neste campo. Há oito anos, apenas 13% das casas dos brasileiros da nova classe C tinham microcomputadores. Hoje, este número saltou para 52%.

Como quem compra um micro tem como principal objetivo receber informações, participar das redes sociais e se comunicar com o mundo, os que têm o equipamento, mas ainda não estão ligados à internet em casa, logo vão ficar.

Este ano, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE, mais da metade da população brasileira terá experimentado de alguma forma o acesso à rede mundial. Só no ano passado, entraram na internet mais 12 milhões de brasileiros, número que deverá ser maior em 2010, ultrapassando o total de 80 milhões de usuários numa população de 190 milhões.

O mundo está mudando muito rapidamente e, às vezes, a gente não se dá conta do que está acontecendo. Pequena nota que garimpei no blog do Noblat informa que “popularidade da internet se iguala à da televisão nos Estados Unidos”. Quem poderia imaginar uma notícia dessas há apenas dez anos?

Segundo um estudo da consultoria Forrest divulgado pelo “Wall Street Journal”, trata-se de um marco histórico: os norte-americanos passam hoje o mesmo tempo conectados à internet e assistindo à televisão. Dá a média de 13 horas por semana dedicadas a cada veículo (é capaz de no Brasil ser até mais, mas não tenho estes números).

O curioso é que a televisão não perdeu público; a internet é que cresceu: 121% nos últimos cinco anos. Quem perdeu audiência e circulação foram as rádios, os jornais e as revistas de papel, aos quais os norte-americanos agora dedicam menos do seu tempo.

Só falta agora agências e anunciantes adaptarem seus planos de investimentos em publicidade aos novos ventos da mídia.

***

Em tempo: um belo jantar com a família, a direção do jornal e velhos amigos dos tempos do Estadão marcou na noite de segunda-feira a comemoração de 30 anos de trabalho de Clóvis Rossi na Folha de S. Paulo.

São dois fatos raros hoje em dia: um jornalista ficar tanto tempo na mesma empresa e o jornal se lembrar da data para homenageá-lo.

Sou suspeito para falar do Rossi, que foi meu primeiro chefe de reportagem, depois padrinho de casamento, amigo pela vida toda, e é repórter até hoje, apesar da idade…

Além de grande sujeito em todos os sentidos, é um profissional da maior competência e honestidade, e um cidadão da melhor qualidade. Parabéns, Grandão!

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
14/12/2010 - 19:45

O bispo e o cônsul, estranhas conversas

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De volta à lida em São Paulo, ao final da tarde chuvosa desta terça-feira, vindo de três dias no Ceará, após um vôo tenebroso, dou uma rápida olhada nos jornais daqui e me surpreendo mais uma vez com declarações feitas por uma eminência da nossa querida Igreja Católica, desta vez o cardeal Scherer.

“Para arcebispo de SP, Bolsa Família causa distorções, revela WikiLeaks”, diz a chamada de capa da Folha, e meu espanto aumenta quando leio a matéria inteira na página A13.

Nem foi tanto pelo que ele falou sobre o Bolsa Família, segundo os telegramas da diplomacia norte-americana agora revelados. O que mais me chamou a atenção nesta história foi o fato do cardeal arcebispo dispôr do seu valioso tempo para conversar sobre variados assuntos nacionais, tendo como privilegiado interlocutor o cônsul-geral dos Estados Unidos, Thomas White.

Como responsável por um rebanho de milhões de fiéis com tantos desafios espirituais e sociais na cidade de São Paulo, que certamente já existiam quando ele conversou com o diplomata, em outubro de 2007, penso que outros assuntos poderiam ocupar o coração e a mente de dom Odilo Scherer.

Na opinião dele, segundo o jornal, o Bolsa Família ajuda as famílias pobres, “mas transformou-se numa ferramenta eleitoral que distorce o sistema político”. Fantástico! O cônsul-geral deve ter ficado muito preocupado e acionado imediatamente a CIA para investigar esta grave denúncia. A culpa, claro, é do governo federal e do PT, de acordo com o relato do cardeal ao diplomata americano.

Até por ter chegado agora de mais uma viagem ao Nordeste, e ser testemunha da verdadeira revolução econômica e social vivida por aquela região nos últimos anos, e não só por causa do Bolsa Família, é óbvio, gostaria de saber do cardeal como ele chegou a esta brilhante conclusão.  

Por acaso, dom Scherer já se deu ao trabalho alguma vez de ver com seus próprios olhos o  que está mudando na vida do nordestino, longe dos palácios e dos gabinetes, lá nos sertões e nos grotões onde o povo vive?

Conversou com algumas das mais de 11 milhões de famílias beneficiadas pelo programa para conhecer seus sonhos e aflições?

 Interessou-se em saber o que está acontecendo em torno do porto de Suape, Pernambuco, onde antigos cortadores de cana, homens e mulheres, viraram metalúrgicos bem remunerados na indústria naval, por exemplo?

Para não perder a viagem, na mesma conversa o cardeal afirmou ainda ao cônsul-geral que a Teologia da Libertação deixou de ser um “problema sério”.

Misturando questões político-partidárias e programas sociais do país com querelas internas da Igreja, dom Odilo mais uma vez nos prova que as instituições, todas elas, por mais milenares que sejam, dependem sempre das pessoas que as comandam em determinado tempo e lugar.

O que têm hoje em comum a Igreja Católica liderada até outro dia por D. Paulo Evaristo cardeal Arns, que não considerava a Teologia da Libertação um “problema sério” _ ao contrário, relacionava-se muito bem com seus membros _ , e a Igreja Católica de dom Odilo Pedro cardeal Scherer, a não ser o fato de que ambos ocuparam a cadeira de arcebispo?

Da mesma forma o que tem a ver o Vaticano do papa João 23 com o Vaticano do papa Bento 16?

O atual arcebispo ainda procura explicar ao cônsul-geral americano porque a Igreja Católica está perdendo fiéis para os evangélicos _ segundo ele, “por ter falhado na sua missão de aprofundar a fé das pessoas”. Como assim?

É desta forma que o cardeal pretende resgatar as ovelhas perdidas? Ainda na mesma conversa, ele aproveitou para criticar a TV Record, do líder evangélico Edir Macedo, pois “a TV opera como empresa, mas também serve aos interesses dos evangélicos pentecostais”.

Ora, ora, dom Scherer, e não lhe ocorreu dizer nenhuma palavrinha sobre a rede de emissoras de rádio e TV católicas? A quais interesses servem? Por acaso são todas apenas entidades de benemerência mantidas por trabalhadores voluntários?

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
10/12/2010 - 12:47

“Realidade”: os 20 meses que revolucionaram a imprensa

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Atualizado às 10h40 de 12.12

Caros leitores,

estou em Fortaleza neste belo domingo de sol, cercado de amigos, e daqui a pouco vou enfrentar uns caranguejos na praia. Vim para cumprir dois compromissos nesta segunda-feira. Das 11 às 13 horas, participarei de um debate, promovido pela rádio CBN e jornal O Povo. Às 19 horas, farei uma palestra sobre as perspectivas do país para o próximo ano, organizado pela empresa de comunicação VSM, do meu velho amigo Marcos André. Volto na terça.

Bom domingo a todos.

Abraços,

Ricardo Kotscho

***

Durou pouco, mas ”Realidade” (1966-1976) marcou para sempre o jornalismo brasileiro. Na verdade, a grande revolução promovida pela revista na imprensa escrita, em plena ditadura militar, durou apenas 20 meses, de abril de 1966 ao final de 1968, quando o Brasil entrou nas profundezas do Ato Institucional Nº 5, e acabaram-se as liberdades todas.

Até hoje, porém, “Realidade” continua “cult”, tema de incontáveis teses acadêmicas e da curiosidade dos estudantes que querem saber como o Brasil foi capaz de produzir numa determinada época esta revista que parecia de outro mundo.  

Como “Realidade” era uma publicação libertária em todos os sentidos, a revista foi morrendo aos poucos, depois da diáspora de dezembro de 1968, quando saiu toda a equipe que a criou. Meu grande sonho na época era trabalhar lá, mas não deu tempo. 

Alguns ainda voltariam depois, em 1969, como José Hamilton Ribeiro, até hoje em atividade como repórter do “Globo Rural”, e José Carlos Marão, outra estrela da companhia, colaborador do “Observatório da Imprensa”, mas o sonho já tinha acabado. Os dois são os autores de “Realidade Re-Vista” (Realejo Editora), um livro belíssimo, com lançamento marcado para o próximo dia 20, em São Paulo.

Como sou amigo deles, e não estarei no Brasil neste dia, tive o privilégio de receber os originais ontem à tarde, um catatau de 432 páginas, que a gente não consegue parar de ler. Claro que ainda não li tudo, mas me deu vontade de escrever logo, antes que eu me esqueça de dizer alguma coisa sobre o encantamento que me proporcionou esta obra-prima.

Para quem gosta de reportagem como eu, é como oferecer salsicha pra cachorro. Nem sei por onde começar, então vamos começar do começo mesmo, com um trecho da carta do editor, José Luiz Tahan, outra grande figura, de quem fiquei amigo no lançamento de um dos meus livros em Santos, onde ele tem duas livrarias e promove a “Tarrafa Literária”.

Melhor é deixar o próprio Zé Luiz contar como nasceu este livro, num encontro em 2008. “Quando tomávamos um cafezinho no centro histórico, o Zé (Hamilton Ribeiro) lançou uma pergunta que virou um desafio pela entonação. Ele falou assim:

_  Zé Luiz, você encara editar um livro? Eu tenho uma ideia, mas dependo de um grande amigo, o Marão, mas não sei, não. Você vai ter que me ajudar a convencê-lo, ele tem que escrever comigo, temos que ir ao encontro dele.

Assim surgiu o “Projeto dos Três Zés”, ao qual se incorporou Lígia Martins de Almeida, mulher de Marão, responsável pela pesquisa e edição do livro, que conta também com um making off das reportagens. Políticos, lugares, milagres, mulheres, pereconceitos, jovens, costumes, medicina, gente em geral, guerras _ tudo era pauta para “Realidade”.

As reportagens transcritas no livro são quase todas da dupla Zé Hamilton e Marão (parece nome de dupla sertaneja…), trazendo alguns “artistas convidados”, todos já falecidos, com um texto de cada um: Narciso Kalili, Sergio de Souza, Eurico Andrade e Paulo Patarra.   

“As celebridades _ que garantem as vendas das revistas semanais _ nunca foram um prato predileto” da revista, escreve Lígia na abertura do Capítulo 9 – “Gente simples, gente boa, gente brasileira” _ que, para mim, é o filé do livro.

No texto de apresentação _ ”Por que falar de Realidade?” _, José Carlos Marão, que se aposentou e hoje vive na bela e tranquila Águas de São Pedro, no interior paulista, conta que muitos dos estudantes que procuram os jornalistas sobreviventes daquele dream team, como eles mesmos se qualificavam, “não se dão conta de que muito do comportamento atual _ como a liberdade para namorar ou ficar, o desprezo pelo tabu da virgindade, a igualdade dos direitos da mulher, a possibilidade de casar, descasar, casar de novo _ começou a despontar como mudança de comportamento no período 1966-1968″.

Marão procura mostrar este lado da história porque “os trabalhos universitários estão muito concentrados em uma eventual postura de resistência da revista ao regime de exceção”. Ele explica: “A criatividade na pauta e na finalização mostrava uma revista contestadora e irreverente, mas que nunca foi para o confronto (…).

Marão cita um dos melhores trabalhos acadêmicos, a tese de mestrado de Adalberto Leister Filho, que chama “Realidade” de uma “revista de autores, em contraposição às fórmulas pasteurizadas que viriam a seguir nas revistas semanais”.

Com tanto que já foi publicado em artigos, livros e teses de doutorado, Marão se pergunta: por que voltar ao assunto?”. E responde: “É simples: ainda falta mostrar a influência da revista na mudança dos costumes no Brasil, a mudança na maneira de fazer jornalismo, como tratava cada tipo de assunto e o estilo individual de seus repórteres-autores”.

Os bastidores, as receitas e os segredos desta história estão contados no texto “Vida Paixão e Morte de Nossa Senhora de Realidade”, que eu gostaria de reproduzir inteiro aqui, mas é coisa de livro mesmo, não cabe num blog. Mestre dos perfis publicados na revista, ninguém melhor do que Marão para escrever esta reportagem com o perfil de “Realidade”.

Só para dar uma palha, a parte que mais me chamou a atenção, e que eu não conhecia, mas recomendo aos jovens jornalistas, é aquela em que ele fala da relação dos repórteres com os leitores: ” Paravam em todas as bancas (…) Sorridentes, os jovens jornalistas da equipe de “Realidade” acompanhavam a venda de revistas (…) Conversavam com os leitores, “sentiam” o leitor, sem a frieza das pesquisas.

_ Por que o senhor comprou esta revista?

_ É boa esta revista? O que tem de bom aí?”

Sem querer colocar um disco de bolero na vitrola, mas podemos imaginar hoje em dia um jornalista indo às bancas para saber o que o leitor pensa do seu trabalho? Alguém está preocupado com isso?

Os dois autores são caipiras paulistas: Zé Hamilton, de Santa Rosa do Viterbo, e Marão, de Ourinhos. E têm a mesma origem profissional:  trabalharam juntos na “Folha de S. Paulo” antes de chegar à “Realidade”.

Na abertura do livro, coube a Zé Hamilton fazer um retrato da época em que a revista foi lançada: abril de 1966. O país só tinha duas revistas semanais de circulação nacional _ “O Cruzeiro” e “Manchete” _ um número muito maior de jornais diários do que hoje  e uma televisão ainda incipiente.

“Chegou a revista que faltava”, era o mote da campanha de lançamento. Era ano de Copa do Mundo e a primeira capa foi um Pelé sorridente ornado com o chapéu de guarda da rainha da Inglaterra. O Brasil dançaria na Copa, mas a capa fez o maior sucesso, servindo para mostrar que “Realidade” era realmente uma publicação diferente de tudo o que se conhecia até então na imprensa brasileira.

“Nesse mês de abril, a Revolução (ou golpe de 64) completava 2 anos”, registrou o repórter. Já havia muitos descontentes, até entre os que haviam apoiado o golpe, como o ex-governador paulista Ademar de Barros, que falou à “manchete”:

“O segundo aniversário da Revolução não será data festiva. Será dia de lamentações. Lamentações no seio da família democrática brasileira. Lamentações no cemitário das liberdades extintas”.

Pouco tempo depois, Ademar seria cassado junto com Jango, Juscelino, Jânio, Brizola, Carlos Lacerda… Naquela época, não se ouvia tantos valentes defendendo a liberdade de imprensa, que ainda havia, até ser extinta por decreto no dia 13 de dezembro de 1968, quando se deu o golpe dentro do golpe, e acabou o sonho da “Realidade”.

É muito bom o livro relembrar o que aconteceu naquele tempo para mostrar o papel de cada um nesta história _ para que ela não se repita. Em sua última fase, quando a Editora Abril reduziu o tamanho da revista e tentou imitar o formato e o conteúdo da “Seleções” do Readers Digest, “Realidade” já era um fantasma de si mesma, sendo enterrada oficialmente no mês de março de 1976. Não eram bons tempos, aqueles. 

Vale a pena percorrer este livro até a última página, onde se fala sobre os septuagenários revolucionários e da sua amizade de mais de 50 anos, fechando com uma foto atual, que resume a dignidade de duas vidas dedicadas ao jornalismo.

Em tempo:

O Movimento SOS Parque da Água Branca promove neste domingo um bingo para angariar recursos destinados ao pagamento de despesas da entidade na defesa desta área verde: elaboração de laudo técnico, cópias de documentos e assessoria jurídica. 

“Bingo! Com café, quitandas e quitutes”, promete o convite que me foi enviado. Como estarei em Fortaleza neste final de semana, repasso o convite aos caros leitores do Balaio, que têm acompanhado a luta deste movimento.

O bingo será na casa da Maria Laura, das 15 às 19 horas. Endereço: rua Lomas Valentinas, 432, Alto da Lapa. O ingresso custa R$ 30,00, com direito a uma cartela.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
08/12/2010 - 11:27

Em 22 anos no ar, Jô entrevista 13 mil

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Até esqueci de lembrar a vocês que minha entrevista no programa do Jô Soares iria ao ar na mesma noite da gravação, na terça-feira, ou seja, já passou… Se alguém ainda se interessar, nossa conversa pode ser vista no Google e no YouTube. E será reprisada domingo, a partir das 21 horas, no canal GNT.

Enquanto esperava minha vez, ali naquele animado auditório lotado de moça bonita, fiquei pensando como o amigo Jô, que já não é um menino, consegue manter este pique depois de tanto tempo, fazendo uma festa na abertura de cada programa como se fosse o de estréia.

Não é mole, não. No começo da entrevista, inverti os papéis e dei uma de repórter para saber há quanto tempo ele está no ar com este programa e quantas entrevistas já fez.

Os números são impressionantes: primeiro, no SBT (com o “Jô Onze e Maia”) e, depois, na Globo, apresentando o programa que leva seu nome, ele já está no ar há 22 anos e, ao longo deste período, contabiliza 13 mil entrevistas.

Está certo que algumas celebridades da política, das artes e dos esportes, já passaram por lá várias vezes, mas a grande maioria dos seus entrevistados é de pessoas que eram desconhecidas até passar pelo sofá do Jô.

Para descobrir estes personagens espalhados pelo Brasil inteiro, ele conta com uma fiel e competente equipe de colaboradores que o acompanha já faz bastante tempo. O melhor momento do programa, do qual também participou a comediante Angela Dip, foi um vídeo gravado durante uma viagem de Jô Soares para fazer apresentar show em Porto Alegre, quando aproveitou para entrevistar alguns transeuntes diante do hotel.

Entre eles, estava uma gaudéria idosa vestida a caráter, daquelas figuraças em que a gente começa a rir só de olhar para ela. Jô limitou-se a perguntar para onde ela estava indo, e a mulher desatinou a falar sem parar coisas meio ininteligíveis, mas engraçadíssimas, e só descobriu com quem estava falando já no final da “entrevista”, dando uns tapas na barriga do “repórter”.

Certamente, esta foi a entrevista mais fácil de fazer entre as 13 mil catalogadas nos arquivos do programa: foi só ficar segurando o microfone para a loquaz gaudéria…

A última vez que tinha ido ao Jô faz tanto tempo, brinquei, que o programa ainda era no SBT, quando ele era magro e eu cabeludo… O gancho desta vez foi o lançamento do livro “Lugar de repórter ainda é na rua _ O Jornalismo de Ricardo Kotscho”, dos jovens Mauro Junior e José Roberto de Ponte, editado pela Tinta Negra.

Como expliquei a ele, sou apenas o personagem, não tenho nenhuma responsabilidade sobre os acertos e erros da obra que escreveram a respeito da minha vida e do meu trabalho. A conversa foi boa, atravessou dois blocos, e falamos de tudo um pouco, de política a futebol, passando, é claro, pelas “ameaças” à liberdade de imprensa no país.

É impressionante como, de uns tempos para cá, não tenha uma entrevista ou debate em que não apareça este fantasma. Repeti o que já escrevi aqui muitas vezes: não existe ameaça alguma e vivemos o mais longo período de plenas liberdades públicas na história do país.

O que ameaça a velha mídia, na verdade, além da perda de conteúdo e credibilidade, é a concorrência das novas mídias eletrônicas, a entrada no nosso mercado de grandes grupos de fora e a falta de uma regulação para o setor.

Valeu, caro Jô, foi ótimo voltar ao teu programa. Te agradeço o convite. Só ficou faltando uma cervejinha…

Em tempo:

Minha filha Mariana e outros leitores me alertaram para um engano que cometi durante a entrevista: o nome da fazenda de Rachel de Queiroz é Não me Deixes ( falei Não Me Toques).

Imperdoável também foi não ter reconhecido a maravilhosa Sonia Braga numa foto e confundido a equipe do Estadão na Copa de 1974, na Alemanha, com a comitiva do PT que foi à Europa em 1989. A idade cobra seu preço…

A próposito, matando a curiosidade de alguns leitores: naquela caneca só servem água.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
07/12/2010 - 16:26

Ministro nomeado no twitter do primo

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A nomeação de ministros para o governo da presidente eleita Dilma Rousseff foi definitivamente terceirizada.

Passei o dia tentando saber, em primeira mão, o nome de algum novo ministro, mas minhas fontes me deixaram na mão. Já tinha desistido quando vi agora no noticiário online que o da Previdência acaba de ser nomeado pelo twitter de um primo. Estamos ficando modernos…

Sim, meus amigos, o nome do senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) foi anunciado como futuro ministro da Previdência pelo twitter do seu primo Henrique Eduardo Alves (PMDM-RN), que vem a ser o líder do partido na Câmara.

Está lá nos 140 caracteres do deputado reproduzidos no portal da revista Veja: “Garibaldi será o nome do PMDB para o Ministério da Previdência. Eu, Garibaldi  e Renan acabamos de acertar a indicação. Temer levará a Dilma” .

Se o ministério do futuro governo não apresentou até agora grandes novidades nem surpresas, como escrevi aqui no blog outro dia, ao menos a equipe da presidente eleita está inovando na forma de anunciar os nomes. 

Como e quando será que ficaremos sabendo os nomes dos ministros da Educação e da Saúde, a meu ver os mais importantes de qualquer governo?

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
06/12/2010 - 18:23

Aécio anuncia outro PSDB em 2014

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Em entrevista gravada para o programa Roda Viva, na tarde desta segunda-feira, o ex-governador mineiro e senador eleito Aécio Neves falou com entusiasmo de uma nova cara do PSDB para 2014, que em nada lembra o partido derrotado pela terceira vez consecutiva nas eleições presidenciais deste ano.

Este partido tem a cara dele, é claro, mas Aécio tomou todo o cuidado do mundo para não personificar a tese da ”refundação” do PSDB e não antecipar as discussões sobre o nome dos tucanos para 2014, antes mesmo que a presidente eleita Dilma Rousseff, tome posse.

Depois de três semanas de férias, o ex-governador voltou bronzeado, animado e afiado no discurso para assumir o papel de principal líder da oposição assim que o Congresso Nacional reabrir suas portas no começo de fevereiro.

Diálogo com todas as forças políticas, reformas constitucionais, meritocracia no funcionalismo público, aproximação com os sindicatos, ética na política, resgate das bandeiras da social-democracia, defesa das privatizações feitas no governo FHC: Aécio voltou com o cardápio completo de futuro candidato que, por enquanto, só quer discutir o programa do partido.

Para não perder tempo,  acompanhado apenas da fiel assessora de imprensa  Heloísa Neves, Aécio almoçou antes do programa com o governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin, e saiu dos estúdios da TV Cultura direto para uma conversa com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o primeiro político a lhe telefonar quando saiu de férias após a campanha eleitoral.  

O diálogo com a oposição começa nesta terça-feira, em Brasília, num jantar já marcado com o governador reeleito de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente nacional do PSB, um dos seus intelocutores preferidos. 

Os dois vivem se elogiando mutuamente e seus nomes estão em todas as listas de presidenciáveis para 2014, apontados como as novas grandes lideranças políticas do pós-Lula. No Brasil, como sabemos, mal acaba uma campanha eleitoral, e já começa a discussão de nomes para a próxima. 

Num momento em que “tem muita gente tirando senha na fila para dinamitar pontes”, como disse na entrevista, Aécio quer desde já ser ele mesmo a ponte com partidos que estiveram “do outro lado” na eleição nacional, mas o apoiaram em Minas, como é o caso do PSB e do PDT. 

É o ponto de partida para romper o crescente isolamento dos tucanos que esvaziou seus palanques em 2010, na maior parte do país. “Sou um tucano, como vocês sabem…”, brincou Aécio, que evitou as bolas divididas.

O senador eleito, porém, admitiu erros na última campanha presidencial, como incorporar o discurso conservador e temas religiosos no segundo turno. “Isto foi um retrocesso, não só para o partido como para o país. Não deve se repetir”.

De bem com a vida, Aécio constatou que “está faltando arte na política”, citando várias vezes seu avô Tancredo Neves para contornar perguntas sobre o fato de ser “a bola da vez” na oposição, depois de se ver passado para trás na fila tucana em 2006 e 2010. “Um ensinamento de Tancredo foi nos mostrar que, em política, as oportunidades têm que surgir naturalmente, não podem ser uma obsessão, um desejo pessoal”.

O entrevistado riu quando comentei que, às vezes, isto acontece… Aécio garantiu que não quer disputar nenhum cargo no partido, e só pensa no momento em exercer seu mandato de senador. Como bom mineiro, sabe que precisa agir com cuidado porque José Serra ainda não desistiu nem de controlar o PSDB nem de uma nova candidatura presidencial.  

Vale a pena assistir à entrevista, que irá ao ar hoje pela TV Cultura, a partir das 22 horas. Velhos amigos, Aécio e Marília Gabriela, a apresentadora do programa, deram uma lição de como é possível falar de política com leveza e bom humor, sem confundir cara feia com seriedade.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
02/12/2010 - 11:12

O pecado da gula e a boa temperança

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Atualizado às 9h45 de 6.12

De volta à terra, depois de três dias num belo retiro espiritual (ver post abaixo), participarei  daqui a pouco, no começo da tarde, da gravação do programa ”Roda Viva” com o ex-governador de Minas Gerais e senador eleito Aécio Neves, um brasileiro do bem, meu amigo.

O programa deverá ir ao ao ar na noite desta segunda-feira, a partir das 22 horas, na TV Cultura. Na volta, conto como foi. A semana está movimentada. Amanhã, vou gravar entrevista no programa do Jô Soares e, na sexta-feira, viajo para Fortaleza, onde farei uma palestra. Para um velho repórter aposentado, mas em atividade, até que não está mal…

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Atualizado às 11h05 de 3.12

Caros leitores,

vou ter que fechar o Balaio e desligar o computador daqui a pouco para fazer a atualização dos programas. O técnico precisa levar o equipamento. Por isso, só reabro as portas na segunda-feira. Aproveito para cuidar um pouco do espírito, longe das notícias mundanas, conforme vocês poderão ver no post publicado abaixo.

Esta semana recebi a boa notícia de que a Vale renovou o patrocínio do blog por mais uma temporada. Agradeço à confiança e ao apoio da empresa e da agência África.

Bom fim de semana a todos.

Abraços,

Ricardo Kotscho

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Em tempo, às 12h15, de 2.12

Até tinha me esquecido: é hoje o lançamento do livro “Lugar de repórter ainda é na rua – O Jornalismo de Ricardo Kotscho” (Editora Tinta Negra), dos jornalistas Mauro Junior e José Roberto de Ponte. Vai ser a partir das 19 horas, na Livraria Saraiva do Shopping Vila Olímpia, em São Paulo. Estarei lá.

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 Não, ao contrário do que vocês possam imaginar ao ler o título deste post, hoje não vou tratar da formação do ministério da presidente eleita Dilma Rousseff e do apetite dos partidos aliados. Na verdade, nem planejava escrever para o Balaio nesta quinta-feira porque preciso preparar minha parte no retiro espiritual regional do Grupo de Oração (por isso chamado de retirinho, ao contrário do retirão nacional) de que participo a partir de amanhã, na Pousada Maristela, em Tremembé, interior de São Paulo.

Os sete pecados capitais foram escolhidos para tema deste retiro e a mim coube fazer uma reflexão sobre a Gula. Foi só coincidência, me disseram, e eu acredito… Munido de uma alentada pesquisa feita pela Mara, minha mulher, resolvi preparar a lição de casa assim que acordei hoje e, ao final, gostei tanto do resultado que resolvi publicar o texto aqui para os leitores deste blog.

Pode parecer estranho, mas às vezes é bom a gente sair um pouco dos assuntos quentes do dia a dia, deixar a política e o futebol de lado, e pensar um pouco sobre a vida e o que cada um decide fazer dela. Espero que vocês também gostem do tema.

REFLEXÕES SOBRE A GULA

RETIRINHO/Dezembro de 2010

Ricardo Kotscho

Certa vez, uns trinta anos atrás, fiz uma reportagem para o Estadão sobre as mais variadas causas de câncer. Entrevistei médicos, pesquisadores e pacientes, para chegar à conclusão de que praticamente tudo causava câncer. O título só poderia ser mais ou menos este: “Cuidado! Viver dá câncer”.

Desde pequeno, a gente costuma ouvir aquela filosofia segundo a qual “o que não mata engorda”. Ou seja, você pode escolher entre ser obeso ou morrer, embora os médicos e os religiosos nos digam que a obesidade mata.

Uma rápida pesquisa no Dr. Google nos mostra que o que era um problema de saúde para os antigos gregos _ a depressão, por exemplo _ foi transformado em pecado pelos grandes pensadores da Igreja Católica.

Assim como acontece com as causas do câncer, se nós formos levar a ferro e fogo o que está escrito nos textos bíblicos e nas suas interpretações posteriores, vamos ver que tudo o que é bom e dá prazer ameaça a nossa saúde, abala o espírito, é pecado e pode matar. Por isso, devemos viver em permanente sacrifício, como nos ensinam os especialistas do pecado da Gula.

Dos antigos aos mais recentes textos sobre o assunto, as ameaças são assustadoras.

Em Provérbios 23:20-21 somos advertidos: “Não estejas entre os bebedores de vinho nem entre os comilões de carne. Porque o beberrão e o comilão caem em pobreza; e a sonolência vestirá de trapos o homem”.

Mais adiante, Provérbios 23:2 proclama solenemente: “Mete uma faca à tua garganta, se és homem glutão”.

Com palavras mais amenas, mas no mesmo sentido, o professor Felipe Aquino, uma das estrelas carismáticas da moda que se apresentam na TV Canção Nova, escreveu em março do ano passado:

“Não é possível querer levar uma vida pura sem sacrifício. O corpo foi nos dado para servir e não para gozar; o prazer egoísta passa e deixa gosto de morte”.

De onde ele tirou isso? Sei lá. Só sei que não sou candidato a santo nem hipócrita e não concordo que a vida tenha que ser um permanente sacrifício. Ao contrário, gostaria que ela fosse sempre uma festa, uma celebração, um grande prazer, uma permanente alegria por estar vivo.

Claro que para tudo há limites, e o melhor conselheiro nestes casos é o bom senso _ e não o medo, a ameaça, o castigo e a morte acenando a cada esquina, que é o que se depreende destes textos.

Não por acaso, certamente, coube a mim o tema da Gula neste encontro e, como vocês sabem, posso falar por experiência própria. Sou de uma família em que todo mundo gosta de comer e de fazer comida. Da minha infância, lembro-me da família reunida em torno da mesa em longos almoços e jantares, as pessoas falando alto, rindo, comendo e bebendo.

Mesmo assim, eu era um sujeito magro, quase esquelético, e assim me mantive até perto dos 40 anos, quando arrebentei o joelho, depois de já ter quebrado o pé e várias costelas, e parei de jogar futebol. Não passei a comer e beber nem mais nem menos, mas aos poucos fui ficando mais robusto. Quem olha pra mim hoje, a julgar pelo que nos ensinam os pensadores católicos e os médicos fundamentalistas, vai achar que sou um baita pecador de alto risco, glutão e beberrão, um sujeito que foi dominado pelo vício e não faz mais nada na vida.

Não é bem assim. Trabalho cada vez mais, me meto num monte de compromissos remunerados ou não, cumpro todos, ajudo os outros, mas no fim do serviço, ao cair da tarde, quero ter o direito de ir para o bar encontrar os amigos.

Ou nós viemos ao mundo só a trabalho, só para sofrer e pagar os pecados? Sou gordo, mas sou feliz…

Já me proibiram de fumar, depois de exatos 50 anos tendo o cigarro por inseparável companheiro na hora de escrever, o que está sendo bem difícil. Até agora, o único efeito foi ganhar mais alguns quilos. Se me proibirem também de beber e comer o que gosto, que diabos, de que adianta ficar velho antes de morrer?

Por falar em diabo, criaram até um demônio próprio para a Gula. Em 1589, sim, 1589 _ e às vezes penso que a nossa Igreja ainda vive naquela época _ Peter Binsfeld comparou cada um dos pecados capitais com seus respectivos demônios, seguindo os significados mais usados. De acordo com Binsfeld´s Classification of Demons, a Gula é representada pelo Belzebu. Que medo!

Tem remédio para isso, além de fechar a boca e jejuar para o resto da vida deitado numa cama de pregos? Claro, pesquisando bem, para tudo tem remédio. Neste caso, para o pecado capital da Gula recomenda-se a velha e boa Temperança, uma das quatro virtudes cardinais (nunca tinha ouvido falar nisso…).

De acordo com as melhores doutrinas da Igreja Católica, temperança significa equilibrar, colocar sob limites, “moderar a atracção dos prazeres, assegurar o domínio da vontade sobre os instintos e proporcionar o equilíbrio no uso dos bens criados” (CCIC, nº. 383).

Escrevendo aos filipenses, São Paulo se refere àqueles cujo “deus é o ventre” (cf. Fil. 3,19), isto é, o alimento. “Se a Igreja nos aponta a gula como um vício capital é porque ela gera outros males: preguiça, comodismo, paixões, doenças, etc…”.

O perigo, certamente, está neste “etc…”. O que será?

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
01/12/2010 - 07:59

Falta novidade no governo de Dilma

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Estamos todos de acordo que, ao eleger Dilma Rousseff nas eleições de outubro, os brasileiros optaram pela continuidade do governo Lula, que chega ao final com inéditos índices de aprovação em todas as pesquisas. Também é verdade, porém, que toda troca de governo gera grandes expectativas, renova esperanças, sugere novos caminhos e novas caras na condução do país.

Pelo que vimos até agora, exatamente a um mês da posse da presidente eleita, não há grandes surpresas nem novidades na indicação dos nomes já confirmados para o governo de Dilma. Tudo bem que em time que está ganhando não se mexe, mas o jogo político é um pouco mais complicado do que o futebol.

Todos sabemos, de outro lado, que em alguns setores do governo as coisas já não vinham funcionando bem, em especial na área de serviços públicos, exigindo mudanças de métodos e no comando das gestões. Até no futebol, quando há troca de técnico, muda-se também o jeito de jogar e a escalação do time

Não é porque mais de 80% da população apóia Lula que a população está satisfeita com o trabalho do governo nas áreas de saúde, segurança, transportes, educação e saneamento, por exemplo, como demonstram as mesmas pesquisas.

Nem se trata de saber se é certo manter ou não os mesmos nomes ou fazer uma troca de cadeiras de ministros, mas de estabelecer um critério para a população saber, desde o primeiro dia, que o governo brasileiro está sob nova administração. Mais do que nomes, são sinais simbólicos que marcam a passagem de um governo para outro.

Embora tenha 37 cargos ministeriais para distribuir entre os aliados e tentar agradar a todos os partidos, às lideranças, tendências e bancadas dos partidos, mais os governadores e os interesses regionais, sem falar nas sugestões do presidente Lula _ ou seja, um quebra-cabeças difícil de montar, já que a oferta é menor do que a demanda e as contas não fecham _ é vital para Dilma reservar um espaço para ela mesma e surpreender a freguesia com algo ou alguém que ninguém esperava.

Oito anos atrás, por exemplo, nesta mesma época, o então candidato eleito Lula surpreendeu o PT e o mundo ao nomear o médico sanitarista Antonio Palocci para o Ministério da Fazenda e o banqueiro tucano Henrique Meirelles para o Banco Central. Não parou por aí. Procurou saber quem eram os melhores profissionais para as áreas de Agricultura e Comércio Exterior, respectivamente Roberto Rodrigues e Luiz Furlan, e não se preocupou em saber que ambos tinham acabado de apoiar ostensivamente a campanha do seu adversário, José Serra. Os dois foram nomeados ministros do governo do PT.  

Ninguém está sugerindo que Dilma vá recrutar quadros no PSDB, no DEM e no PPS, até porque lá parecem estar em falta, mas ela poderia abrir seu olhar para a sociedade e pensar em perfis como o de Drauzio Varella, para a Saúde, e de Danilo Miranda, para a Cultura, há anos o grande animador e gestor do SESC de São Paulo. Nem sei se eles pertencem a algum partido. 

É verdade que já tem paulista demais nesta história, e os aliados nordestinos, os grandes vitoriosos desta eleição, têm todo o direito de reclamar e reivindicar mais espaço no governo da presidente eleita.  Certamente é danado de grande o desafio colocado para Dilma. Mas vai ficar maior ainda se continuar esta queda-de-braço entre PT e PMDB para ver quem fica com o maior naco da Esplanada.

Seria bom não esquecer o que aconteceu com o PMDB em dezembro de 2002, quando o partidão também não se contentou com os ministérios que lhe ofereceram, e bateu o pé para ficar também com o de Minas e Energia. Irritado com a ganância, Lula mandou José Dirceu, o coordenador político da transição, dizer ao PMDB que então o partido não ficaria mais com ministério nenhum. E deu no que deu: a grande crise política de 2005. Como se costuma dizer, é impossível governar o país sem o PMDB, e é muito difícil governar com ele.

Custa acreditar que um partido grande como o PMDB não tenha mais ninguém a oferecer ao país além de Moreira Franco e Edison Lobão. Parceiro na vitória, o partido do vice Michel Temer agora também é responsável pelo governo e precisa conter a sua gula para não ser um permanente gerador de crises, assim como o PT precisa se convencer de que não pode ser um partido de oposição no governo.  

O problema não é saber se o presidente Lula está dando ou não muito palpite no governo da companheira Dilma, mas se a presidente eleita será capaz de indicar ao país os melhores nomes para cada função, tanto do ponto de vista político como profissional, independentemente de serem homens ou mulheres, brancos ou negros, altos ou baixos. Que sejam brasileiros de qualidades incontestáveis, acima de qualquer suspeita. Para isso, ela precisa começar a apresentar alguma novidade e, em algum momento, surpreender o distinto público para mostrar a que veio. Ainda é tempo.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
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