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24/09/2010 - 17:18

Ânimos se acalmam a 8 dias da eleição

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Posso estar enganado, claro, mas a impressão que me deu nesta sexta-feira esquisita em São Paulo, faltando apenas oito dias para irmos às urnas eleger o novo presidente da República, é que os ânimos começaram a se acalmar, depois do intenso tiroteio midiático-eleitoral dos últimos dias.  

É como se todo mundo tivesse combinado que era melhor dar uma trégua porque a escalada radical estava chegando a um perigoso ponto de combustão. Até as manchetes hoje trataram de outros assuntos e  inclusive deixaram escapar algumas notícias boas nas primeiras páginas.

O ar ficou mais respirável. Os programas eleitorais, desde quinta-feira, seguiram na mesma linha, apresentando propostas para melhorar o país, com mais música e gente sorrindo em lugar de denúncias e ameaças.  

Certamente deve ter contribuído também para esfriar as cabeças a chuva que voltou a cair na cidade no meio da tarde. Melhor assim. Daqui a pouco, sairá mais um Ibope, amanhã vão às bancas as últimas revistas semanais antes da eleição, faltam poucos programas eleitorais a serem levados ao ar. O jogo está jogado.

Nestas horas é sempre bom saber o que anda refletindo sobre a vida um dos nossos mais brilhantes pensadores, o meu velho amigo Leonardo Boff. Em meio a tantas mensagens, tive a sorte de encontrar um artigo dele comentando a campanha eleitoral e o comportamento da mídia _ nem o teólogo conseguiu escapar do assunto dominante da semana.

Leonardo lembra logo no primeiro parágrafo de um projeto em que trabalhamos juntos, o do livro “Brasil Nunca Mais”, nos tempos em que escrever e editar textos sobre o que estava acontecendo no país implicava em correr risco de vida. Quem faz belos discursos hoje sobre as “ameaças à liberdade de expressão e em defesa da democracia” hoje não viveu aquele tempo de trevas ou não sabe do que está falando. Ou está querendo enganar alguém, achando que todo mundo é bobo e esquecido.

Por isso, acho oportuno reproduzir para os leitores do Balaio o texto de Leonardo Boff distribuído pela Rede de Cristãos, um informativo eletrônico publicado sob a coordenação editorial de Maria Helena Arrochellas. Para quem desejar mais informações: bolrede@terra.com.br

A seguir, a reflexão do grande teólogo que consegue aliar a teoria à prática de uma vida solidária.

 

A MIDIA COMERCIAL EM GUERRA CONTRA LULA E DILMA                   

Leonardo Boff*

Sou profundamente pela liberdade de expressão em nome da qual fui punido com o “silêncio obsequioso” pelas autoridades do Vaticano. Sob risco de ser preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar corajosamente o “Brasil Nunca Mais” onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente fontes militares, o que acelerou a queda do regime autoritário.

Esta história de vida, me avaliza fazer as críticas que ora faço ao atual enfrentamento entre o Presidente Lula e a midia comercial que reclama ser tolhida em sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de idéias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa.

Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.

Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando vêem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como “famiglia” mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo Brasil e manter sob tutela a assim chamada opinião pública.

São os donos do Estado de São Paulo, da Folha de São Paulo, de O Globo, da revista Veja, em que se instalou a razão cínica e o que há de mais falso e chulo da imprensa brasileira. Estes estão a serviço de um bloco histórico, assentado sobre o capital que sempre explorou o povo e que não aceita um Presidente que vem deste povo. Mais que informar e fornecer material para a discussão pública, pois essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se comporta como um feroz partido de oposição.

Na sua fúria, quais desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos, editorialistas e analistas não têm o mínimo  respeito devido  à mais alta autoridade do país, ao Presidente Lula. Nele vêem apenas um peão a ser tratado com o chicote da palavra que humilha.

Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista. Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser Presidente. Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados, os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do complexo de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande jogo mundial. Para eles, o lugar do peão é na fábrica produzindo.

Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma)a maioria dominante, conservadora ou liberal, foi sempre alienada, antiprogresssita, antinacional e não contemporânea. A liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes nem admirou seus serviços ao país, chamou-o de tudo,  Jeca Tatu, negou seus direitos, arrasou sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação, conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que contiua achando que lhe pertence (p.16)”.

Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles têm pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascendente como Lula.

Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar em baixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o Presidene de todos os brasileiros.  Isso para eles é simplesmente intolerável.

Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram conta de que o Brasil mudou. Surgiram redes de movimentos sociais organizados de onde vem Lula e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coroneis e de “fazedores de cabeça” do povo.

Quando Lula afirmou que “a opinião pública somos nós”, frase tão distorcida por essa midia raivosa, quis enfatizar que o povo organizado e consciente arrebatou a pretensão da midia comercial de ser a formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública. Ela tem que renunciar à ditadura da palavra escrita, falada e televisionada e disputar com outras fontes de informação e de opinião.

 O povo cansado de ser governado pelas classes dominantes resolveu votar em si mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no Governo, operou uma revolução conceitual, inaceitável para elas. O Estado não se fez inimigo do povo, mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de brasileiros.

De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se fizeram classe média baixa  e de classe média baixa se fizeram classe média. Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola, a ganhar mais salário, a melhorar de vida, enfim.

Outro conceito inovador foi o desenvolvimento com inclusão social e distribuição de renda. Antes havia apenas desenvolvimento/crescimento que beneficiava aos já beneficiados à custa das massas destituidas e com salários de fome.

Agora ocorreu visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias e a esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no Governo atual há um déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas importa reconhecer que Lula foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção dos mais marginalizados.

O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora e de mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que assiste, assustada, o fortalecimento da soberania popular que se torna crítica, não mais manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática do Brasil.

Vai  ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico que é a mídia comercial. A democracia participativa escuta os movimentos sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST), odiado especialmente pela Veja faz questão de não ver, protagonista de mudanças sociais, não somente com referência à terra, mas também ao modelo econômico e às formas cooperativas de produção.

 O que está em jogo neste enfrentamento entre a midia comercial e Lula/Dilma é a questão: que Brasil queremos? Aquele injusto, neocoloncial, neoglobalizado e no fundo, retrógrado e velhista? Ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas para construir um Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes?

Esse Brasil é combatido na pessoa do Presidente Lula e da candidata Dilma. Mas estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a despeito das má vontade deste setor endurecido da midia comercial e empresarial. A vitória de Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construido com suor e sangue por tantas gerações de brasileiros.

 *Teólogo, filósofo, escritor e representante da Iniciativa Internacional da Carta da Terra.

   

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:

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348 comentários para “Ânimos se acalmam a 8 dias da eleição”

  1. targinosilva disse:

    Eu sempre chamei o FHC de “Dr. Horroris Causa”.
    Acho que acertei na mosca.
    Cada vez que ele abre a boca, ele afunda mais o PSDB.
    Não que ele esteja errado, é que ele fala as coisas certas nas horas impróprias.
    Não se pode falar tudo que pensa.

  2. targinosilva disse:

    O debate da Record foi uma arapuca para o Serra.
    Bateu mais no Serra que a Globo bate na Dilma.
    As repórteres detonaram o Serra.
    Covardia, chutar cachorro morto.

  3. divaldo. disse:

    Está certo comparar o Serra a um cachorro morto mas se lembrarmos que atraz dele há outros que de cachorro morto não tem nada, fica de bom tamanho dar chutes nele.
    Se lembrarmos do Alckmim que fugiu de debates e posa de vitorioso e que ele representa o perigo de tucanos no governo paulista é necessário dar pontapés nos cachorros loucos para que eles não nos mordem e ou que mexam em nossos bolsos via tipo Pedágios e taxas de inspecão veicular a despeito de protecão do meio ambiente.
    O Serra pode até estar com bons propósitos para com o Brasil mas as suas companhias destroi estes seus propósitos.
    Precisamos mudar a cara de São Paulo, nem que precisemos dar pontapés em cachorros, mas que sejam vivos e cheios de oportunismos como os deputados estaduais da legenda PSDB, Dem e PPS, que infestam a Assembleia Legislativa acompanhados pelo seu candidato a governador.

  4. cético disse:

    Dá prá entender prq Boff foi afastado da Igreja. O discurso dele é o da divisão, do nós contra eles. Sobre o fato do governo ter como aliados a velha elite q ele critica, nada. Sobre o fato de que o caso Erenice está cheio de provas, e que cinco pessoas já foram demitidas, nem uma palavra. Sobre o fato de que existe agora uma elite sindical tão faminta de roubar qto a elite anterior, nem um pio. Parece que a viseira q Boff usa não lhe permite olhar para os lados e ver q a roubalheira até aumentou em 8 anos.

    • Ailton disse:

      Caso Erenice quase elucudado:

      Globo silência, todos os caminhos não levam a culpabilidade dos acusados, caso vai se tornar a segunda “ESCOLA BASE”. (Para quem lembra o que foi).

  5. jackson figueiredo disse:

    Obs.: RESPEITO A MAIS ALTA AUTORIDADE DO BRASIL!
    PRESIDENTE DA REPÚBLICA! ORA, O QUE TEMOS OUVIDO DURANTE TODOS ESTES ANOS? O PRESI-
    DENTE ELEITO, DEMOCRATICAMENTE, EM CERTAS HORAS, COMO CONSEQUENCIA NÃO SEI DE QUE,
    ARVORANDO-SE UM SER TODO PODEROSO, TEM FALTADO COM O RESPEITO PARA COM OS BRASI-
    LEIROS! É SÓ ANALISAR O SEU PALAVREADO!!!
    NÃO ACHAS QUE ELE COLOCADO ADIANTE DOS
    BOIS?

  6. F.Silva disse:

    No início da campanha mostravam uma pequena diferença entre DILMA e Zépedágioserra.Depois que começaram a surgir as pesquisas do Vox Populi e da Sensus é que a Dataglobogolpe percebeu que não dava mais para ludibriar o eleitor.Passaram a apresentar resultados quase parecidos com esses institutos de pesquisa.E agora na reta final voltam a fazer diminuir a vantagem da candidata DILMA,mantém o percentual do Zéserra e aumentaram os valores para a Marina vai com as outras.Essa caterva do PIG que ganhou com o Bolsa Imprensa quer uma contrapartida para os demotucanos!

  7. LINALDO FELICIANO disse:

    Imprensa com candidato declarado é o mesmo que candidato com 24 horas/dia de horário político no ar!

    Perde a referência o eleitor, seja ele simpatizante desse ou daquele candidato.

    Sou totalmente a favor da liberdade de expressão, e tudo mais. Por outro lado, nesse caso o pleito é desequilibrado. Justo seria dizer estamos trabalhando em tempo integral para “tal candidato” e o custo tambem ser declarado como despesa de campanha “paga”.

  8. Jose disse:

    Ricardo, o PIG não respeita a constituição mesmo que seja para levar a eleição para o 2º turno. Quer mandar até no STM ao impor que este Tribunal aprecie antes da realização da eleição um recurso relativo ao pedido de acesso ao processo instaurado pela justiça militar referente a prisão da Dilma em 1964-1985. Vejamos a matéria – ” Tribunal militar nega liminar para abrir processo de Dilma
    DE BRASÍLIA
    O ministro do STM (Superior Tribunal Militar) Marcos Torres negou em caráter provisório o mandado de segurança protocolado pela Folha para que o jornal tivesse acesso aos autos do processo que levou a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, à prisão durante a ditadura (1964-85).
    Em sua decisão, que ainda será analisada e julgada em definitivo pelo plenário do STM, o ministro alegou que não poderia tomar a decisão antes do tribunal.
    No dia 17 de agosto, a Folha revelou que o processo relativo à petista estava trancado em um cofre da presidência do STM. O material foi retirado dos arquivos e mantido em sigilo por decisão do presidente do tribunal, Carlos Alberto Marques Soares.
    Marques Soares alegou querer evitar o uso político do material e também que o processo encontra-se em “estado de fragilidade, de difícil manuseio”.
    O mandado de segurança foi protocolado depois que o próprio Marques Soares negou acesso ao processo requerido pelo jornal.
    No recurso jurídico, a Folha justificou a necessidade do acesso antes das eleições, para que os leitores tivessem conhecimento do passado de Dilma. Segundo o ministro Marcos Torres, o jornal poderia ter solicitado acesso ao processo anteriormente, e não às vésperas do processo eleitoral.
    Taís Gasparian, advogada do jornal, disse esperar que o mandado de segurança seja analisado pelo plenário do STM ainda nesta semana, antes do primeiro turno.”
    Voltemos a lei da anistia (Lei nº 6683/79) que tanto se discutiu sobre a sua constitucionalidade. A Folha está extrapolando sua condição de veiculo de informação.Com a palavra os juristas sobre o assunto.

  9. VITOR disse:

    Parabéns a este brilhante Filósofo e Teólogo Dr.Leonardo Boff, que comentário brilhante esse realmente é uma pessoa inteligente que sabe analisar os fatos e interpretá-los racionalmente. Parabéns também ao Balaio dp Kotscho, por colocar este artigo na internet. É disso que o povo precisa de informações que vem de encontro ao progresso do Brasil e dos brasileiros. Não precisamos da MÍDIA QUE ESTÁ A SERVIÇO DOS PODEROSOS, formadores de opiniões e fazendo como o povo acreditem nas mitiras que eles dizem nas revistas e jornais a serviço deles. Ora, ora se todos querem ver o Brasil ser um país à ocupar um dia, a classes dos desevolvidos, unam as forças e trabalhem juntos. Agora que o LULA , O PT/PMDB e os partidos aliados fizeram do Brasil um país respeitado no mundo, isso é fato. Então povo brasileiro faça uma análise, elabore uma lista, com tudo de bom que aconteceu na sua vida e no Brasil na era LULA e era FHC (que Deus ajude que nunca mais volte), e compare se é que dá para comparar, não é mesmo? Então ve que vocês querem para a futura geração do nosso querio Brasil. Nunca mais PSDB (SERRA,FHC, AÉCIO, TIA ANASTACIA( ANASTASIA ) E DEM ( DEMONIOS).

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