iG

Publicidade

Publicidade

Arquivo de setembro, 2010

30/09/2010 - 20:14

Dilma só não se elege domingo no Datafolha

Compartilhe: Twitter

Caros amigos,

não esqueci de vocês, mas é que tive um problema de saúde na volta do Recife (nada muito grave) e passei esta quinta-feira no pronto-socorro esperando a internação no hospital Sirio-Libanês. No Brasil, até os hospitais andam lotados, não são só os aviões e os aeroportos…

Enquanto espero a primeira refeição do dia, escrevo rapidamente só para dar uma satisfação aos leitores do Balaio e falar de uma constatação que fiz ao ler o noticiário: apesar de todo o barulho dos últimos dias, do tal “sobe e desce das pesquisas”, tudo indica que a eleição será mesmo decidida já no domingo.

Pena que não vou poder votar (eu voto em Porangaba e não deverei ter alta até domingo). É a primeira eleição que perco na vida. Votem por mim.

Abraços,

Ricardo Kotscho

*** 

Três dos quatro principais institutos de pesquisa do país _ Ibope, Vox Populi e Sensus _ apontam a vitória de Dilma Rousseff já no primeiro turno das eleições, com mais votos do que a soma dos seus adversários, fora da margem de erro, segundo as mais recentes pesquisas divulgadas.

A exceção, mais uma vez, ficou por conta do Datafolha, que registrou uma diferença bem menor a favor de Dilma. Explica o jornal do mesmo nome: “Os rivais de Dilma somam 48% dos votos válidos; ela precisa de 50% mais um para vencer já neste domingo. Como a margem de erro é de dois pontos, é impossível afirmar com segurança que não haverá segundo turno”.

Com segurança, de fato, ninguém pode afirmar nada, antes da abertura das urnas, mas vamos aos últimos números:

Vox Populi: Dilma 55 X 45% da soma dos adversários. Diferença de 10 pontos nos votos válidos.

Ibope: Dilma 55 X 44% da soma dos adversários. Diferença de 11 pontos nos votos válidos.

Sensus: Dilma 54 X 43% da soma dos adversários. Diferença de 11 pontos nos votos válidos.

Datafolha: Dilma 52 X 48% da soma dos adversários. Diferença de apenas 2 pontos.

O que explica esta discrepância que chama a atenção? A explicação mais frequente é a diferença na metodologia aplicada pelos institutos. O Datafolha é o único que ouve os eleitores na rua, em pontos de movimento; os outros três fazem entrevistas domiciliares.

Como o Datafolha adota a mesma metodologia desde a sua fundação, e nas eleições anteriores não houve tanta diferença nas projeções, alguma coisa estranha acontece este ano. O Datafolha foi o último a admitir a passagem de Dilma para a liderança e a possibilidade de ganhar no primeiro turno. Seus números sempre foram mais favoráveis aos candidatos da oposição.

O colega Merval Pereira, de O Globo, sugeriu hoje, em sua coluna que “essas diferenças entre os institutos de pesquisa vão ter de ser estudadas quando acabarem as eleições”. Também acho. Resta saber quem fará este estudo e onde será publicado.

Como escrevo antes dos últimos programas eleitorais na TV e do debate da Globo, em que todos jogarão sua última cartada, corro o risco de quebrar a cara, claro, mas desconfio que não há mais tempo para grandes novidades no front eleitoral. Pode ser que todos estejamos errados e só a Folha tenha os números certos.   No domingo, vamos saber.

Em tempo: no último dia do seu rally aéreo pelo país, a bordo do jatinho do JN, quero dar os parabéns ao repórter Ernesto Paglia pelo belo trabalho jornalístico que levou ao ar e por nos mostrar um Brasil real que, na rotina do dia a dia das redações, ficou sem espaço na mídia. Não se deve confundir o trabalho sério do repórter com a política editorial da empresa onde trabalha.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
27/09/2010 - 11:02

Marina vai à luta, Serra joga a toalha

Compartilhe: Twitter

Atualizado às 9h55 do dia 28.9, terça-feira

Caros leitores,

embarco daqui a pouco para o Recife, onde vou fazer uma reportagem para a edição de outubro da revista Brasileiros sobre o governador Eduardo Campos, que deve ser reeleito com votação recorde. Volto na noite de quarta-feira. Até lá, a liberação de comentários e atualização do blog estarão prejudicados. Grato pela compreensão.

Ricardo Kotscho

Em tempo: Datafolha publicado nesta terça-feira mostra mudanças no cenário eleitoral. Dilma cai três pontos (de 49 para 46) e Marina sobe um (de 13 para 14). Serra fica estacionado em 28. Aumentam as chances de um segundo turno. Em duas semanas, a diferença entre Dilma e a soma dos votos dos demais candidatos caiu de 14 pontos para apenas dois.

No mais recente tracking do Vox Populi, os números são um pouco diferentes: Dilma (com 49) e Serra (com 24) permaneceram no mesmo lugar, enquanto Marina pela primeira vez alcançou os 13 pontos.

*** 

Animada com a subida nas pesquisas nesta reta final da campanha, a candidata verde Marina Silva foi à luta no debate de domingo à noite à noite na TV Record para tirar do tucano José Serra a segunda vaga de um possível segundo turno, cada vez mais improvável, a apenas seis dias da eleição.

Do outro lado do ringue, Serra parecia desanimado, sem vontade de entrar na briga, como se estivesse torcendo para a eleição acabar logo no primeiro turno. Jogou a toalha. Até seu vice, aquele Indio da Costa, se achou no direito de criticar a atuação do candidato, como nos mostrou o noticiário do iG.

Dilma Rousseff acabou sendo atacada por sua ex-colega de governo Marina Silva, que levantou as denúncias de corrupção na Casa Civil, e pelo franco-atirador Plínio Arruda Sampaio, outro ex-petista, que está achando muita graça em poder participar dos debates presidenciais e fazendo o possível para divertir a platéia. Marina sabe que não basta Serra cair; ela precisa tirar votos também de Dilma.

Mais uma vez, porém, a candidata do PT saiu ilesa do debate, sem marcar nenhum belo gol, mas também sem levar, jogando apenas pelo empate, que lhe interessava a esta altura do campeonato.

Faltam agora apenas dois programas de televisão e o debate final de quinta-feira na TV Globo. O que mais poderá acontecer para alterar o cenário na última semana de campanha?

Como escrevi aqui na sexta-feira, os ânimos parecem ter se acalmado nos últimos dias. O presidente Lula até começou a fazer elogios e falar da importância dos bravos rapazes da imprensa, que por sua vez parecem ter esgotado seus paióis de munição. Não escrevo aqui nada muito diferente de meus colegas jornalistas _ repito: jornalistas, não panfleteiros. Apenas conto com a sorte de publicar meus comentários, dizendo quase as mesmas coisas, geralmente um ou dois dias antes. Tenho boas fontes.

Ninguém fala mais no tal “Manifesto em Defesa da Democracia”, o minúsculo ato contra o governo produzido na semana passada por algumas almas ressentidas, ex-qualquer-coisa, que fizeram meu bom amigo D. Paulo entrar de gaiato na história. Também baixaram as armas os combatentes do “golpismo midiático”. Não há novas manifestações previstas de um lado nem de outro. Melhor assim.

Diante deste quadro serenado, a única novidade _ novidade??? _ foi o centenário jornal O Estado de S. Paulo ter comunicado ao mundo, em editorial publicado no domingo, que agora apoia oficialmente o candidato José Serra. Foi, sem dúvida, um ato de coragem e despojamento, quem sabe anunciado um pouco tardiamente, pois não chegou a espantar ninguém. Talvez tenha sido esta a tão falada “bala de prata” guardada no tambor.

Vida que segue.

 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
24/09/2010 - 17:18

Ânimos se acalmam a 8 dias da eleição

Compartilhe: Twitter

Posso estar enganado, claro, mas a impressão que me deu nesta sexta-feira esquisita em São Paulo, faltando apenas oito dias para irmos às urnas eleger o novo presidente da República, é que os ânimos começaram a se acalmar, depois do intenso tiroteio midiático-eleitoral dos últimos dias.  

É como se todo mundo tivesse combinado que era melhor dar uma trégua porque a escalada radical estava chegando a um perigoso ponto de combustão. Até as manchetes hoje trataram de outros assuntos e  inclusive deixaram escapar algumas notícias boas nas primeiras páginas.

O ar ficou mais respirável. Os programas eleitorais, desde quinta-feira, seguiram na mesma linha, apresentando propostas para melhorar o país, com mais música e gente sorrindo em lugar de denúncias e ameaças.  

Certamente deve ter contribuído também para esfriar as cabeças a chuva que voltou a cair na cidade no meio da tarde. Melhor assim. Daqui a pouco, sairá mais um Ibope, amanhã vão às bancas as últimas revistas semanais antes da eleição, faltam poucos programas eleitorais a serem levados ao ar. O jogo está jogado.

Nestas horas é sempre bom saber o que anda refletindo sobre a vida um dos nossos mais brilhantes pensadores, o meu velho amigo Leonardo Boff. Em meio a tantas mensagens, tive a sorte de encontrar um artigo dele comentando a campanha eleitoral e o comportamento da mídia _ nem o teólogo conseguiu escapar do assunto dominante da semana.

Leonardo lembra logo no primeiro parágrafo de um projeto em que trabalhamos juntos, o do livro “Brasil Nunca Mais”, nos tempos em que escrever e editar textos sobre o que estava acontecendo no país implicava em correr risco de vida. Quem faz belos discursos hoje sobre as “ameaças à liberdade de expressão e em defesa da democracia” hoje não viveu aquele tempo de trevas ou não sabe do que está falando. Ou está querendo enganar alguém, achando que todo mundo é bobo e esquecido.

Por isso, acho oportuno reproduzir para os leitores do Balaio o texto de Leonardo Boff distribuído pela Rede de Cristãos, um informativo eletrônico publicado sob a coordenação editorial de Maria Helena Arrochellas. Para quem desejar mais informações: bolrede@terra.com.br

A seguir, a reflexão do grande teólogo que consegue aliar a teoria à prática de uma vida solidária.

 

A MIDIA COMERCIAL EM GUERRA CONTRA LULA E DILMA                   

Leonardo Boff*

Sou profundamente pela liberdade de expressão em nome da qual fui punido com o “silêncio obsequioso” pelas autoridades do Vaticano. Sob risco de ser preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar corajosamente o “Brasil Nunca Mais” onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente fontes militares, o que acelerou a queda do regime autoritário.

Esta história de vida, me avaliza fazer as críticas que ora faço ao atual enfrentamento entre o Presidente Lula e a midia comercial que reclama ser tolhida em sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de idéias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa.

Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.

Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando vêem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como “famiglia” mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo Brasil e manter sob tutela a assim chamada opinião pública.

São os donos do Estado de São Paulo, da Folha de São Paulo, de O Globo, da revista Veja, em que se instalou a razão cínica e o que há de mais falso e chulo da imprensa brasileira. Estes estão a serviço de um bloco histórico, assentado sobre o capital que sempre explorou o povo e que não aceita um Presidente que vem deste povo. Mais que informar e fornecer material para a discussão pública, pois essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se comporta como um feroz partido de oposição.

Na sua fúria, quais desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos, editorialistas e analistas não têm o mínimo  respeito devido  à mais alta autoridade do país, ao Presidente Lula. Nele vêem apenas um peão a ser tratado com o chicote da palavra que humilha.

Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista. Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser Presidente. Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados, os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do complexo de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande jogo mundial. Para eles, o lugar do peão é na fábrica produzindo.

Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma)a maioria dominante, conservadora ou liberal, foi sempre alienada, antiprogresssita, antinacional e não contemporânea. A liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes nem admirou seus serviços ao país, chamou-o de tudo,  Jeca Tatu, negou seus direitos, arrasou sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação, conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que contiua achando que lhe pertence (p.16)”.

Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles têm pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascendente como Lula.

Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar em baixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o Presidene de todos os brasileiros.  Isso para eles é simplesmente intolerável.

Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram conta de que o Brasil mudou. Surgiram redes de movimentos sociais organizados de onde vem Lula e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coroneis e de “fazedores de cabeça” do povo.

Quando Lula afirmou que “a opinião pública somos nós”, frase tão distorcida por essa midia raivosa, quis enfatizar que o povo organizado e consciente arrebatou a pretensão da midia comercial de ser a formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública. Ela tem que renunciar à ditadura da palavra escrita, falada e televisionada e disputar com outras fontes de informação e de opinião.

 O povo cansado de ser governado pelas classes dominantes resolveu votar em si mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no Governo, operou uma revolução conceitual, inaceitável para elas. O Estado não se fez inimigo do povo, mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de brasileiros.

De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se fizeram classe média baixa  e de classe média baixa se fizeram classe média. Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola, a ganhar mais salário, a melhorar de vida, enfim.

Outro conceito inovador foi o desenvolvimento com inclusão social e distribuição de renda. Antes havia apenas desenvolvimento/crescimento que beneficiava aos já beneficiados à custa das massas destituidas e com salários de fome.

Agora ocorreu visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias e a esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no Governo atual há um déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas importa reconhecer que Lula foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção dos mais marginalizados.

O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora e de mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que assiste, assustada, o fortalecimento da soberania popular que se torna crítica, não mais manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática do Brasil.

Vai  ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico que é a mídia comercial. A democracia participativa escuta os movimentos sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST), odiado especialmente pela Veja faz questão de não ver, protagonista de mudanças sociais, não somente com referência à terra, mas também ao modelo econômico e às formas cooperativas de produção.

 O que está em jogo neste enfrentamento entre a midia comercial e Lula/Dilma é a questão: que Brasil queremos? Aquele injusto, neocoloncial, neoglobalizado e no fundo, retrógrado e velhista? Ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas para construir um Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes?

Esse Brasil é combatido na pessoa do Presidente Lula e da candidata Dilma. Mas estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a despeito das má vontade deste setor endurecido da midia comercial e empresarial. A vitória de Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construido com suor e sangue por tantas gerações de brasileiros.

 *Teólogo, filósofo, escritor e representante da Iniciativa Internacional da Carta da Terra.

   

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
23/09/2010 - 12:08

Eleição agora pode ir para o 2º turno?

Compartilhe: Twitter

Se depender da maioria dos analistas que li nesta quinta-feira, a resposta ao título é “sim”. Pela primeira vez, desde que a candidata Dilma Rousseff disparou nas pesquisas, o mais recente Datafolha divulgado na véspera registra uma queda na diferença de votos que ela abriu sobre os demais concorrentes. “Com escândalos, cai vantagem de Dilma, mostra o Datafolha”, comemora o jornal em manchete.

Só faltou acrescentar um “até que enfim!…” Segundo o instituto, Dilma caiu dois pontos, Serra subiu um, Marina cresceu três e os nanicos alcançaram um ponto também. Em uma semana, a vantagem de Dilma sobre a soma de todos os adversários juntos caiu cinco pontos (era de 51 a 39 e agora ficou em 49 a 42).

Ainda assim, a candidata do PT venceria no primeiro turno se as eleições fossem hoje. Nos votos válidos, ela tem 54, Serra fica com 31 e Marina com 14. Caiu de 14 para 8 pontos a vantagem de Dilma sobre os demais.

Em comparação com a última pesquisa tracking do Vox Populi/Band/iG, publicada na quarta-feira, a diferença dos números dos dois institutos é grande. No Vox, Dilma mantem 27 pontos de vantagem sobre Serra (51 a 24); no Datafolha, esta diferença cai para 21 pontos (49 a 28).

A apenas dez dias das eleições, trata-se de uma diferença fora de qualquer margem de erro, que só poderá ser aferida com a divulgação de novas pesquisas por outros institutos.

Seja como for, o novo Datafolha reacendeu as esperanças de quem está jogando tudo para levar a eleição ao segundo turno. Como as denúncias de violação do sigilo fiscal não foram capazes de alterar o quadro das pesquisas, novos escândalos ganharam a praça, levando à queda da ministra Erenice Guerra e outros funcionários da Casa Civil e dos Correios.

Com a guerra aberta e declarada entre o governo Lula e a campanha de Dilma com a imprensa, o cenário volta a se tornar imprevisível, sempre na dependência de um “fato novo”. O que não se conseguiu ainda foi alavancar a campanha de José Serra, já que os votos perdidos por Dilma estão migrando majoritariamente para Marina Silva.

Pouco importa. A esta altura, qualquer voto vale para levar a eleição ao segundo turno, nem que seja dos nanicos, que pela primeira vez somados atingiram um ponto no Datafolha. Até um debate promovido terça-feira na internet com três “nanicos de esquerda” mereceu toda a última página de hoje do caderno de eleições da Folha, sob o título: “Vermelhos contra Lula”.

Atos públicos são promovidos à margem das campanhas oficiais para denunciar, de um lado, ameaças do governo à liberdade de imprensa, ao Estado de Direito e à democracia, com discursos histéricos como se o país estivesse à beira de uma guerra civil; de outro, entidades do movimento social e os partidos aliados do governo se mobilizam para denunciar o “golpismo da imprensa” a serviço da candidatura de José Serra.

Aonde isto vai parar, e qual a sua possível influência na campanha eleitoral que está chegando ao fim, não tenho a menor idéia. Só sei que este clima de intolerância, como escrevi outro dia, não é bom para ninguém. Nem gosto de escrever sobre este assunto. A eleição passa, o país e suas instituições ficam. Os eleitores voltam a ser apenas cidadãos, os jornalistas, jornalistas, e a vida segue.

Teremos segundo turno? Gostaria de saber a opinião dos caros leitores.

Em tempo: conversei esta tarde, por mais de uma hora, com dois jovens repórteres brasileiros da BBC de Londres, que vieram aqui em casa me entrevistar sobre a campanha eleitoral. É sempre agradável falar com pessoas inteligentes e bem informadas. Sabem qual foi o tema que dominou a conversa? Pois é, o mesmo dos últimos posts publicados aqui no Balaio: o papel da mídia nestas eleições. Virou assunto até lá fora…

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
21/09/2010 - 11:18

Imprensa no centro do debate eleitoral

Compartilhe: Twitter

Atualizado às 11h40 de 22.9, quarta-feira

Caros leitores do Balaio,

escrevo hoje, com muita satisfação, apenas para informar aos amigos que ganhei na noite desta terça-feira o Premio Comunique-se 2010, a principal premiação de comunicação e jornalismo do país _ porque é feita em eleição direta _, na categoria de repórter de mídia impressa (na mídia eletrônica, ganhou meu velho e bom amigo Caco Barcellos, da TV Globo).

Este prêmio teve um gosto especial, por acontecer já na prorrogação da minha carreira (completo 46 anos de reportagem no próximo mês) e também por trabalhar numa pequena empresa, criada faz apenas três anos, que edita a revista Brasileiros, fora do esquemão da grande mídia.

Divido este prêmio com o Hélio Campos Mello e  toda a brava equipe da Brasileiros que edita as minhas matérias e ainda me paga um salário no final do mês.

Apesar de tudo, a reportagem sobrevive, e eu também. Agradeço a todos os leitores aqui do blog e da revista, e aos colegas jornalistas, que votaram em mim no Comunique-se. Valeu.

Vida que segue.

Um forte abraço a todos,

Ricardo Kotscho

***

Sou de um tempo muito antigo, como vocês sabem, quando a imprensa ainda publicava notícias. No momento em que a própria imprensa vira notícia, como está acontecendo agora na campanha eleitoral, alguma coisa está errada.

“Em evento, Dilma acusa Folha de parcialidade”, destaca a Folha de S. Paulo, em sua primeira página desta terça-feira.

Manchete do site do jornal O Globo abrindo o dia: “Após ataques de Lula, MST e centrais sindicais se juntam contra a imprensa”. Várias entidades do movimento social, informa o jornal carioca, marcaram para quinta-feira, no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, um “Ato contra o golpismo midiático”.

Até os quartéis já entraram na roda. Na mesma quinta-feira, no Rio de Janeiro, foi marcado pelo Clube Militar, tradicional reduto das fardas mais reacionárias, um debate sobre “A democracia ameaçada: restrições à liberdade de expressão”. Jornalistas convidados: os democratas Reinaldo Azevedo, da Veja, e Merval Pereira, de O Globo.

O clima que se vive neste momento decisivo da campanha presidencial de 2010, a apenas 11 dias das eleições, pode ser resumido no convite para o ato de São Paulo:

“Conduzida pela velha mídia, que nos últimos anos se transformou em autêntico partido político conservador, essa ofensiva antidemocrática precisa ser barrada”.

A escalada da radicalização, que colocou a imprensa no centro do debate eleitoral como parte e não apenas testemunha do processo, começou há cerca de quatro semanas, quando as pesquisas mostraram um quadro estabilizado, indicando decisão no primeiro turno, baseada a trilogia de capas do “polvo” da revista Veja e a série de reportagens da Folha para desconstruir a imagem e a campanha da candidata Dilma Rousseff.

O auge se deu no último fim de semana, com o discurso do presidente Lula, num comício em Campinas, em que ele fez seu mais violento ataque à grande imprensa nesta campanha.

“Nós somos a opinião pública (…) Não vamos derrotar apenas nossos adversários tucanos. Vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como partido político e não têm coragem de dizer que são um partido político”.

Na segunda-feira, no Rio, a própria candidata Dilma, acusada pelo jornal de favorecer uma empresa em 1994, também perdeu a paciência com a Folha e partiu para o ataque :

“Eu queria fazer um protesto veemente contra a parcialidade do jornal Folha de S. Paulo. Eu fui julgada pelo Tribunal de Contas do Estado e todas as minhas contas foram aprovadas (…) A matéria é parcial e de má fé!”, acusou ela, de dedo em riste, em seu primeiro desabafo na campanha.

Curioso é que, enquanto subia a temperatura no confronto entre o PT e a imprensa, o candidato tucano José Serra se afastava do tiroteio, preferindo apresentar novas promessas ao eleitorado a cada dia. A mais recente foi oferecer o 13º aos beneficiários do Bolsa Família.

Serra já tinha prometido dobrar este benefício e elevar o salário mínimo para R$600, além de asfaltar a Transamazônica e construir 400 quilômetros de metrô. Como ninguém da imprensa lhe indagou de onde virão os recursos, caso seja eleito, o candidato parece ter gostado da nova estratégia.

Melhor assim. O clima de beligerância dos últimos dias não contribui para melhorar a nossa democracia nem as nossas vidas. Está na hora de todo mundo baixar a bola e deixar o eleitor decidir com tranquilidade o que ele quer para o futuro do país.

Em tempo: recebo do amigo Carlos Wagner, repórter gaúcho que é um dos melhores do Brasil, a notícia do lançamento de “Os infiltrados – Eles era os olhos e os ouvidos da ditadura”, da editora AGE. Além de Wagner, os autores são Carlos Etchichury, Humberto Trezzi e Nilson Mariano.

Será no próximo dia 30, a partir das 19 horas, na Livraria Cultura, do Bourbon Country, em Porto Alegre. Escreve Wagner:

“Este livro desvenda a trajetória de uma personagem indispensável à sustentação da ditadura militar no Brasil (1964-1985): o agente infiltrado.

Vinte e cinco anos depois de cumprida a missão secreta, eles rompem o silêncio a que foram obrigados pela profissão para contar como se introduziram nos movimentos de resistência ao regime autoritário.

Pela primeira vez, os espiões revelam como se transformaram em clones daqueles a quem deviam vigiar e sabotar, como estudantes, guerrilheiros, colonos sem terra, políticos, religiosos e sindicalistas. São relatos exclusivos, que agora se incorporam à História do Brasil”.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
19/09/2010 - 11:00

Alegrai-vos, já está chegando a primavera

Compartilhe: Twitter

Manhã de domingo, tempo nublado, ruas desertas. Dá até para ouvir o barulho dos passarinhos cantando em São Paulo. Boa hora para mudar de assunto. Também cansei de ler e escrever todos estes últimos dias as mesmas coisas.

Uma boa receita é consultar a folhinha. O calendário costuma trazer boas novidades para quem procura sair da rotina das notícias. Apesar de tudo, se nenhum fato novo acontecer, se depois de cada noite raiar um novo dia, na próxima semana teremos uma boa novidade. Está escrito lá: à 00h09 desta quinta-feira, 23 de setembro, entraremos na primavera.

Alegrai-vos! Todo inverno um dia chega ao fim e toda mudança de estação é um bom motivo para renovar as esperanças e mudar velhos hábitos. Sejamos poéticos, portanto: é tempo do amor e da flor, de voltar às praias, às caminhadas e às academias, fazer planos para as férias, cuidar do jardim, dar um beijo de surpresa, respirar fundo e sentir que continua vivo.

Céticos e diabéticos, jovens tristes e idosos sapecas, moças recém-casadas ou encalhadas, candidatos em dificuldades ou artistas em decadência, crianças santinhas ou capetas, gordos e magros, carecas e cabeludos, fumantes e não-fumantes, boêmios e abstêmios, humildes e fanfarrões, preparem seus corações.  

Como não vi esta notícia em nenhum outro lugar, fiz questão de tirar um naco do tempo destinado aos netos para trazer esta boa nova a vocês. Restaurantes e lojas já anunciam suas novas criações, ipês de todas as cores enfeitam as ruas, falta pouco para a primaver chegar.

Como nem tudo é perfeito, os médicos alertam nesta época do ano para os riscos da rinite alérgica provocada pela polinização das flores, que pode provocar tosse, espirro e coriza. Toda beleza, todo bem, toda alegria, como sabemos, tem seu preço. Vale a pena pagar para ver. Que venha a nova estação trazendo um ar mais respirável e almas mais leves.

Boa primavera e bom domingo a todos.

Em tempo: meus parabéns à brava e competente equipe do “Papo de Mãe”, produção independente dirigida e apresentada pela minha filha Mariana Kotscho e por Roberta Manreza, sob o comando de Vando Mantovani, que completa hoje um ano de sucesso. No ar, a partir das 19 horas, na TV Brasil.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
17/09/2010 - 11:55

Manchetes que viram propaganda eleitoral

Compartilhe: Twitter

Pelos comentários que leio diariamente aqui, os leitores estão cada vez mais indignados com o comportamento da grande imprensa brasileira na cobertura da campanha eleitoral de 2010. Um exemplo que resume a bronca da maioria é a mensagem enviada às 14h06 desta quinta-feira pelo leitor Eduardo Bonfim, pedindo que eu me manifeste sobre o assunto:

“Prezado Ricardo Kotscho

Sou fã do seu blog. Gostaria que você escrevesse um artigo sobre a propaganda que a Rede Globo vem fazendo no Jornal Nacional (JN no Ar) todos os dias, onde claramente só mostra a parte ruim do Brasil para que o povo vote no 45. Realmente, o casal do JN é 45. Isso é liberdade de imprensa?”

Sim, meu caro Eduardo, esta é a liberdade de imprensa que os oligopólios de mídia defendem. Ninguém pode contestá-los. Trata-se de um direito absoluto, sem limites. O citado JN no Ar, por exemplo, levanta todo dia a bola dos problemas das cidades brasileiras, onde falta de tudo e nada funciona. No mínimo, tem lugar onde falta homem e tem lugar onde falta mulher… Logo em seguida, entra o programa do candidato José Serra para apresentar as soluções.

Na outra metade do programa tucano, em tabelinha com os principais veículos de comunicação do país, são apresentadas as manchetes dos jornais e revistas com denúncias contra a candidata Dilma Rousseff, o governo Lula e o PT, numa sucessão de escândalos sem fim até o dia de disparar a tal “bala de prata”.  

Já não dá mais para saber onde acaba o telejornal e onde começa o horário político eleitoral, o que é fato e o que é ilação, o que é notícia e o que é propaganda. A estratégia não chega a ser original. Mas, desde o segundo turno entre Collor e Lula, em 1989, eu não via uma cobertura tão descarada, um engajamento tão ostensivo da imprensa a favor de um candidato e contra o outro.

O esquema é sempre o mesmo: no sábado, a revista Veja lança uma nova denúncia, que repercute no JN de sábado e nos jornalões de domingo, avançando pelos dias seguintes. A partir daí, começa uma gincana para ver quem acrescenta novos ingredientes ao escândalo, não importa que os denunciantes tenham acabado de sair da cadeia ou fujam do país em seguida. Vale tudo.

Como apenas 1,5 milhão de brasileiros lê jornal diariamente, num universo de 135 milhões de eleitores, ou seja, o que é quase nada, e a maioria destes leitores já tem posição política firmada e candidato escolhido, reproduzir as manchetes e o noticiário dos impressos na televisão, seja no telejornal de maior audiência ou no horário de propaganda eleitoral, é fundamental para atingir o objetivo comum: levar o candidato da oposição ao segundo turno, como aconteceu em 2006.

À medida em que o tempo passa e nada se altera nas pesquisas, que indicam a vitória de Dilma no primeiro turno, o desespero e a radicalização aumentam. Engana-se, porém, quem pensar que o eleitorado não está sacando tudo. Basta ler os comentários publicados nos diferentes espaços da internet _ este novo meio que a população vem utilizando mais a cada dia, para deixar de ser um agente passivo no mundo da informação e poder formar a sua própria opinião.

Em tempo: não tem jeito. Quanto mais denunciam, atacam, escandalizam, mais aumenta a diferença de Dilma para Serra. No novo Ibope divulgado esta noite pelo Jornal Nacional, o abismo entre os dois candidatos abriu de 24 para 26 pontos (51 a 25). O casal JN estava todo vestido de preto. A estratégia kamikase só está fazendo o candidato da oposição cair mais ainda nas pesquisas. Como vai ficar a credibilidade da imprensa depois das eleições?

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
16/09/2010 - 11:10

O que Erenice ainda esperava para sair? Já saiu…

Compartilhe: Twitter

Atualizado às 14h02

Foi só eu sair para almoçar e, na volta, Erenice Guerra já não era mais a ministra-chefe da Casa Civil. O desfecho estava na cara, como escrevi de manhã no post abaixo.

Não era preciso ser nenhum grande analista político. Só não esperava que fosse tão rápido. Minha amiga Miriam Belchior, a atual coordenadora do PAC, pode assumir a Casa Civil. 

***

Até o final desta quinta-feira, este texto já poderá estar superado, tão evidentes são os sinais de que não há mais condições políticas de Erenice Guerra se manter à frente da Casa Civil do governo Lula.

Sem poder aparecer em público desde que surgiram as primeiras denúncias e, depois da desastrada nota oficial divulgada na terça-feira, em que resolveu partir para o ataque, envolvendo seu problema particular com a campanha eleitoral, a ministra se vê a cada dia mais fraca no cargo.

Melhor para ela, para o governo e a campanha da sua amiga Dilma Rousseff seria que ela pedisse logo o boné, antes que novas denúncias, que surgem a cada dia, tornem a sua situação ainda mais complicada. Em política, ainda mais às vésperas de uma eleição presidencial, sempre que você tem que ficar se explicando é jogo perdido.

Pouco importa a esta altura do campeonato que as repetidas denúncias feitas pela imprensa sobre os negócios nebulosos da parentada lobista de Erenice no governo tenham se transformado nos únicos instrumentos da oposição agora no auge do embate eleitoral que entrou definitivamente na fase do vale-tudo.  

A pouco mais de duas semanas para as eleições, com a oposição completamente perdida e sem outro discurso, quanto mais tempo a ministra-chefe da Casa Civil ficar exposta sangrando na vitrine, tomando tiro de todo lado, maior é o prejuízo para a imagem do governo atual e de um eventual futuro governo Dilma.

Até agora, os escândalos em série que a mídia mancheteou nas últimas semanas não mexeram com as pesquisas, como mostra o mais recente Datafolha divulgado hoje. Dilma continua folgados 24 pontos à frente de Serra ( 51 a 27), num quadro tão estabilizado que já nem é mais manchete do jornal (as denúncias, claro, agora têm preferência).  

Deixo a pergunta do título para os leitores. Quantas horas ainda vai levar para Erenice sair ou ser saída do cargo?

Em tempo: quero agradecer a todos os colegas da Secretaria de Imprensa e Divulgação da Presidência da República, aos repórteres credenciados do palácio e aos meus antigos companheiros de governo, a começar pelo presidente Lula, pela forma carinhosa como me trataram no lançamento do livro “No Planalto, com a imprensa”, na última terça-feira, em Brasília.

É muito bom poder voltar depois de tanto tempo ao lugar onde trabalhamos _ eu saí do governo no final de 2004 _  encontrar todas as portas abertas e, atrás delas, um abraço apertado nos esperando. Registro aqui, de público, a minha gratidão.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
13/09/2010 - 10:14

Eleições: moderador é o melhor do debate

Compartilhe: Twitter

Caros leitores,

viajo na manhã desta terça-feira para Brasília. Vou participar, no Palácio do Planalto, do lançamento do livro “No Planalto, com a Imprensa” sobre os Secretários de Imprensa e Porta-Vozes da Presidência da República (fui um deles), com depoimentos dos profissionais que ocuparam o cargo de Juscelino a Lula. Por este motivo, a atualização do Balaio e a liberação de comentários serão prejudicados. Nos encontramos na volta.

Abraços,

Ricardo Kotscho

***

Acusações mútuas, ranger de dentes, direitos de resposta, arranca rabo entre marqueteiros: teve de tudo o debate dos presidenciáveis nesta noite de domingo na RedeTV!

Ao final, porém, na minha modesta opinião, acabou prevalecendo o empate entre os candidatos, já que nenhum deles brilhou ou pisou na bola muito mais do que os outros. Dilma, Serra, Marina e até o Plínio pareciam todos muito nervosos, querendo que o debate acabasse logo. 

Pode-se dizer que o grande vencedor acabou sendo o jornalista Kennedy Alencar, da Folha e da RedeTV!, que moderou o debate com a fleugma de um velho âncora da televisão inglesa. Como um bom juiz de futebol, apareceu pouco para a torcida, apenas o necessário na hora de controlar o tempo dos candidatos, que insistiam em desrespeitar as regras estabelecidas.

Repórter especial de política do jornal e apresentador do programa de entrevistas “É Notícia” na televisão, usou sua experiência adquirida nos bastidores do poder em Brasília para levar o debate até o final sem mortos nem feridos, embora tivesse passado maus bocados com os enfurecidos marqueteiros de Dilma e Serra durante os intervalos.

Aos 42 anos, 20 de jornalismo, mineiro de Belo Horizonte, Kennedy Alencar teve sua primeira experiência na apresentação de um grande evento em rede nacional, que deu pico de 6,5 pontos de audiência no Ibope (média de 3,2 em São Paulo). Com aquele jeito do personagem “Mineirinho Come Quieto” do Ziraldo, acabou se saindo bem melhor do que os veteranos moderadores de debates em campanhas anteriores. 

Se alguém imaginava que debates, sabatinas e programas eleitorais na televisão poderiam mudar radicalmente o rumo da campanha, nada indica que isso ainda vá acontecer. A apenas vinte dias da eleição, o cenário parece consolidado, como mostra o último tracking do Voz Populi/Band/iG divulgado antes do debate, com Dilma Rousseff mantendo 30 pontos à frente de José Serra (53 a 23).

Resta apenas saber qual será o “fato novo” desta semana. Os leitores têm algum palpite? Quem ganhou o debate na sua opinião?

Em tempo: assim que terminei de escrever este post, fui ver a home do iG, e lá encontrei uma enquete sobre quem se saiu melhor no debate, segundo os leitores, que apontava, até as 10h15, a vitória de Dilma sobre Serra por 63 a 29. Marina e Plínio estavam empatados com 4 pontos.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
10/09/2010 - 11:20

Leitores comemoram dois anos do Balaio

Compartilhe: Twitter

Atualizado às 10h55 de 12.9

Faltam apenas três semanas para a abertura das urnas. As pesquisas de final de semana mostram um quadro estabilizado na corrida eleitoral, sem grandes emoções.

No Datafolha, Dilma continua 23 pontos à frente de Serra (50 a 27). No mais recente tracking do Vox Populi/Band/iG, embora Dilma tenha caído quatro pontos durante a semana, a sua vantagem sobre Serra ainda é de 29 pontos (52 a 23).

Até agora, os “fatos novos”, quer dizer, denúncias lançadas pela imprensa contra o governo e a sua candidata não tiveram o efeito esperado. todas as projeções indicam a vitória de Dilma no primeiro turno.

***

Com chope, chorinho e feijoada, os leitores do Balaio organizaram um encontro para comemorar os dois anos do blog neste sábado, a partir das 13 horas, na choperia North Beer, zona norte de São Paulo. Como no ano passado, muitos virão de outras cidades e diferentes Estados para se conhecer pessoalmente uns aos outros e tornar este mundo virtual mais real.

Quando a gente começa um trabalho novo, nunca sabe o que vai dar nem quanto tempo vai durar. No caso deste blog, eu já era um veterano repórter _ vou completar 46 anos de profissão no próximo mês _ e resisti muito ao convite do iG para entrar neste mundo novo da interatividade.

Parece que deu certo. Eu, pelo menos, estou gostando muito, vocês eu não sei… Não sou muito chegado a estatísticas, mas alguns números mostram o alcance do Balaio, que é uma espécie de jornal pessoal, o sonho de todo repórter.

De acordo com o último relatório Google Analytic, o blog teve 1.260.685 pageviews somente este ano, no período de 1º de janeiro a 31 de agosto, com acessos originados de 135 países/territórios diferentes, o que dá a média em torno de 160 mil por mês.

Nestes dois anos, foram publicados quase 100 mil comentários referentes a cerca de 600 matérias. No Google, o Balaio já foi linkado por outros 272 mil blogs. No ano passado, o Balaio conquistou o prêmio Top Blog na categoria política e, em 2010, foi novamente indicado finalista. Fui eleito também um dos três finalistas do premio Comunique-se deste ano, desta vez na categoria de mídia impressa (revista Brasileiros).

Ou seja, não posso reclamar da vida. Este ano, o Balaio conquistou seu primeiro patrocínio. Sou muito grato aos dirigentes da Vale e da sua agência de publicidade, a África. Sem bilheteria não tem circo, já dizia o velho palhaço…

São muitos os estudantes que me procuram para falar sobre esta experiência na blogosfera nos seus TCC (Trabalhos de Conclusão de Curso). A todos costumo dizer que dá muito trabalho, porque faço tudo sozinho, mas compensa, já que os comentários dos leitores(para fazer a moderação, eu leio todos, um por um) acabam complementando aquilo que escrevo, com críticas e novas informações.

Ao contrário do que acontecia nos jornais onde trabalhei, em que só entregava o prato feito e não conhecia a opinião do freguês, aqui a gente fica sabendo o que o povo está pensando.

No início de 2009, quando comecei a fazer a moderação de comentários, alguns leitores criaram uma filial deste blog no Google, o Boteco do Balaio, que permite o livre bate-papo entre eles sobre qualquer assunto.

Na apresentação do novo espaço, escreveu a leitora Aliz Castro Lambiazzi: “Este boteco foi aberto pelos leitores assíduos do Balaio do Kotscho. Nos encontramos lá, nos conhecemos e assim foi nascendo uma amizade virtual muito gostosa que não quer acabar (…) Embora carregue o nome de boteco, é um ambiente limpinho, saudável, amigo e aconchegante, e essa proposta será respeitada, tenho certeza! Pode se achegar e abrir a primeira garrafa”. Para entrar, basta digitar “Boteco do Balaio” no Google.

Foi nas conversas do Boteco do Balaio que surgiu a idéia de promover o primeiro encontro de leitores, no dia 11 de setembro do ano passado. O pessoal gostou e, agora, Aliz e outro fiel leitor, o Enio Barroso Filho, resolveram organizar o segundo Encontrão do Balaio. A entrada é franca e cada um paga a sua despesa. Apareçam.

O North Beer fica na avenida Luiz Dumont Villares, 1543, próximo à Estação Parada Inglesa do Metrô.

Em tempo: agradeço a todos os amigos leitores que foram ao North Beer para o nosso encontro de dois anos do Balaio.

Foi uma tarde muito agradável, em que pude rever figuras amadas como a Maria José, viúva do meu grande amigo Gil Passarelli, e sua filha Maria Inês, netos e bisneto, e conhecer outras pessoalmente, entre elas, o Luiz Carlos (o Velho), apenas um ano mais antigo do que eu, e o fantástico motoboy Enrique Andres, outro veterano do blog.

Ao Enio e à Aliz, em especial, meu muito obrigado por terem reunido balaieiros vindos de diversos pontos do país, podem pensar diferente, brigam por seus candidatos, mas têm o mesmo sentimento de fraternidade. No ano que vem, se Deus quiser, tem mais.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
Voltar ao topo

oferecimento