A luta pela vida no fundo da mina | Balaio do Kotscho
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24/08/2010 - 09:34

A luta pela vida no fundo da mina

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Vou ter que viajar daqui a pouco para São Joaquim da Barra, na região de Ribeirão Preto, onde farei uma palestra à noite na Feira do Livro. Por lá, pelo que li rapidamente no jornal, o ar está ainda mais seco do que aqui em São Paulo, com índices de deserto do Saara.

Faz dias que me sinto sufocado por esta baixa umidade relativa do ar. Vivo reclamando com a mulher, mas quando  vi a história dos 33 mineiros que estavam desaparecidos no fundo de uma mina de ouro e cobre, que desabou no norte do Chile, me dei conta de como a gente reclama por pouco.

Presos desde o dia 5 num refúgio de 52 metros quadrados, a 700 metros de profundidade, com pouco ar e sem luz, eles foram encontrados todos vivos. O desafio deles agora é que vai levar quatro meses para ser aberto um novo túnel por onde possam ser resgatados. 

Para mim, que sofro de claustrofobia, não poderia ter nada pior no mundo do que estar nesta situação. Vocês já imaginaram o convívio forçado, em condições tão dramáticas, em espaço tão reduzido, de 33 homens com idades entre 19 e 63 anos, que receberão por sondas o básico para a sobrevivência?

Vale a pena ler a bela reportagem sobre este drama humano publicada por Gustavo Hennemann, na página A14 da Folha desta terça-feira. Ele informa que no refúgio a temperatura é de aproximadamente 30 graus e a umidade relativa do ar chega a 95%. Aqui fora, em São Paulo, este indice ontem caiu para 17% e, em Ribeirão Preto, chegou a 13º, na tarde de domingo.

Só nos resta ficar conformados com a secura do clima, que passa com a primeira chuva, e torcer pelos mineiros do Chile, para que esta história tenha um final feliz.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:

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27 comentários para “A luta pela vida no fundo da mina”

  1. Cicero Gomes disse:

    Caro Ricardo!!!

    Estou torcendo para que os mineiros do Chile recuperem do triste desabamento e que aqui em São Paulo, como em todo o Brasil o ar que respiramos melhore e a qualidade do ar fique melhor eu vou torcer que você faça um boa viagem para São Joaquim da Barra.

  2. Carlos J. disse:

    Solidarizo-me com os mineiros chilenos, suas famílias e rezo por eles. É nesta hora que toda a tecnologia desenvolvida pela Humanidade deve ser usada para salvá-los no menor prazo possível. Ou para minorar o sofrimento dessas pessoas, até que sejam retiradas de lá.

  3. Edmar C. Lima disse:

    Alguém prescisa ensinar aos brasileiros em geral e aos paulistas em particular a largar de ser ‘besta’ e adotar as técnicas “nordestinas” para mitigar o efeito dessas mudanças climáticas que tão levando o mundo à beira do abismo: Reduzir as áreas impermeabiladas em quintais e ruas, para permitir retenção de um mínimo de agúa pelo reservatórios; coletar água da chuva e estocar para usá-la na seca, por exemplo, na hirrigação de jardins públicos ou particulares após quinze dias sem chuvas; pintar os tetos de branco para diminuir a absorção de calor; etc. Sem isso, todos vão ver o que é viver no “nordeste antigo”, sem cisternas, sem água, sem comida. Vai ser brabo se nada disso for feito já!

  4. Caro Kotscho,

    tudo bem?
    Gostaria de dizer que até agora poucas reportagens sobre o drama dos mineiros do Chile tocaram no ponto crucial: a inexistência de uma saída de emergência.
    Todas as matérias, principalmente as da TV Globo, falam dessa situação como se não houvessem responsáveis, culpados mesmo; como se esta tragédia anunciada fosse fruto do destino dos trabalhadores que estão há 700 metros abaixo do nível da terra.
    É impressionante a alienação destas editorias e mais, a cumplicidade mesmo destas empresas jornalísticas, quando não analisam o porquê desta situação catastrófica: a falta de investimento da empresa mineradora e a anuência das autoridades chilenas para esta atitude criminosa.
    Só ontem que vi a repórter Adriana Araújo da Record tocar, superficialmente, sobre este problema: a ausência de saída de emergência.
    O resto das matérias que li ou vi, (até você meu caro), omitem a responsabilidade dos empresários pela vida dos mineiros.

    Um abraço.

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