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Arquivo de agosto, 2010

30/08/2010 - 10:23

Futuro da oposição e o governo Dilma

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Na falta de novidades, até parei de escrever sobre a campanha eleitoral nos últimos dias, como vocês devem ter notado. A cada nova pesquisa, a mesma rotina: Serra cai, Dilma sobe e deve vencer no primeiro turno. Se virou rotina, deixou de ser notícia.

No último Ibope, divulgado neste final de semana, o que chegou a ser anunciado como uma guerra entre governo e oposição, poucas semanas atrás, de uma hora era virou um passeio. Dilma abriu 24 pontos de vantagem (51 a 27).

Nem Lula, nem Dilma, muito menos o candidato tucano José Serra poderiam esperar que a eleição caminhasse para este desfecho ainda em meio à campanha, faltando 33 dias para a abertura das urnas.

A esta altura, Dilma está na frente em todos os Estados e regiões, vence nos maiores colégios eleitorais do país, lidera em todas as faixas de renda (menos entre os mais ricos), escolaridade e etárias. E a tendência é crescer mais: 12% dos eleitores ainda não sabem que ela é a candidata do presidente Lula.

Diante destes números acachapantes, até Carlos Augusto Montenegro, o presidente do Ibope, que até outro dia apostava todas as suas fichas na vitória de José Serra, jogou a toalha.

Em entrevista ao semanário IstoÉ, ele foi mais uma vez categórico, como quando me disse, ainda em 2008, durante um almoço no portal iG , na época das eleições municipais, que Gilberto Kassab seria eleito prefeito de São Paulo (como de fato foi) e José Serra era imbatível para a presidência da República. 

“O Brasil já tem uma presidente. É Dilma Rousseff. Tem pesquisas diárias indicando que esta eleição presidencial acabou. Errei e peço desculpas. Na vida, às vezes, você se engana”, afirma ele agora.

Como Montenegro pode estar errando de novo e resultado de eleição só se conhece quando os votos são apurados, é bom ir com cuidado, sem botar os carros diante dos bois.

Mas não é isso que está acontecendo com alguns coleguinhas da imprensa, que até outro dia procuravam dar orientações para a correção dos rumos da campanha demotucana, inconformados com as atuação camaleônica do candidato José Serra e o crescimento firme de Dilma Rousseff.

Parece que eles também entregaram os pontos. De uma hora para outra, viraram suas baterias com ataques ferozes ao candidato de oposição e seus aliados, criticaram a falta de propostas e de bandeiras, cobraram uma atitude mais combativa e, claro, sobrou até para o marqueteiro, o mesmo Luiz Gonzalez de outros carnavais, que virou a nova Geni.   

Como o tal “fato novo” tão esperado não surgiu ou ao menos não aconteceu, esgotadas as possibilidades da novela dos misteriosos dossiês que ninguém viu, já dando Serra como página virada, tanto o noticiário como as colunas de opinião passaram a se dedicar a especulações sobre o futuro da oposição e a formação do governo Dilma.

Enquanto se discute se a oposição será liderada por Aécio Neves ou Geraldo Alckmin, no fim de semana já apareceu até a primeira crise do governo Dilma, com a suposta disputa pelo poder entre os “ministros” Antonio Palocci e José Dirceu.  Seria tudo muito hilário, não fosse patético.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
27/08/2010 - 11:01

Ex-menina de rua de SP estuda Medicina em Cuba

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Graças a alguns “papa-hóstias”, como costumo chamar meus amigos da igreja, fiquei sabendo da história dela durante um agradável almoço na Feijoada da Lana, na Vila Madalena, a melhor da cidade. Repórter vive disso: tem que andar por aí, conversar com todo mundo para descobrir as novidades, ficar sabendo de personagens cuja vida vale a pena ser contada.

É este o caso da jovem Gisele Antunes Rodrigues, de 23 anos, ex-menina de rua de São Paulo, nascida em Ribeirão Pires,  que deu a volta por cima e hoje está no terceiro ano de Medicina. Detalhe: ela estuda no Instituto Superior de Ciências Médicas de La Habana, em Cuba, onde estão matriculados outros 275 brasileiros.

Gisele veio passar as férias no Brasil e, na próxima semana, volta a Cuba. Como ela foi parar lá? Ninguém melhor do que a própria Gisele, que escreve muito bem, para nos contar como é a vida lá e como foi esta sua incrível travessia das ruas de São Paulo até cursar uma faculdade de Medicina em outro país.

A meu pedido, Gisele enviou seu depoimento nesta sexta-feira e eu pedi autorização para  poder reproduzí-lo aqui no Balaio. Tenho certeza de que esta comovente história com final feliz pode servir de estímulo e inspiração a outros jovens que vivem em dificuldades.

Para: Ricardo Kotscho

Olá!!!

Autorizo o senhor a publicar essa história. Caso deseje, pode corrigir os erros. Mas, por favor, sem sensacionalismo. Tente seguir mais o menos o texto abaixo. Desculpa por escrever isso, mas eu já tive problemas.

 

Gosto do seu blog, vou tentar acessar  nele em Cuba.

Abraços

Gisele Antunes

***

Só mais uma brasileira

Saí de casa com 9 anos de idade porque minha mãe espancava  eu e meu irmão. Não tínhamos comida,  o básico para sobreviver. Meu pai nunca foi presente. É um alcoólatra que só vi duas vezes na vida. Minha mãe é uma mulher honesta, mas que não conseguia educar seus filhos. Já foi constatado que ela tem problemas mentais.

Ela trabalhava como cigana na Praça da República. Quando eu fugi de casa segui esse caminho, e encontrei uma grande quantidade de meninos e meninas de rua. Apresentei-me a um deles, este me ensinou como chegar em um albergue para jovens, e a partir desse momento passei a ser menina de rua. Só comparecia nessa instituição para comer, tomar banho e ter um pouco de infância (brincar). No meu quinto dia na rua, comecei a cheirar cola e depois maconha.

Alguns educadores preocupados com a minha situação tentavam me orientar, mas de nada valia. Foi quando me apresentaram a uma religiosa, a irmã Ana Maria, que me encaminhou para um abrigo, o  Sol e Vida. Passei uns três anos lá e deixei de usar dogras. Esta instituição não era financiada pelo governo. Quando foi fechada, me encaminharam a outros abrigos da prefeitura, entre eles o Instituto Dom Bosco, do Bom Retiro. E assim foi, até os 17 anos.

Para alguém  que usa droga, não era fácil seguir regras. Foi por muita persistência e um ótimo trabalho de vários educadores que eu consegui deixar a drogas, sair da desnutrição e recuperar a saúde após anemia grave.

Na infância, era rebelde, não queria aceitar a minha situação. Apenas queria ter uma família. Mas havia algo que eu valorizava _ a escola e os cursos que eu fazia na adolescência. Aos 14 anos de idade, comecei a jogar futebol, tive a minha  primeira remuneração. Aos 16 anos, entrei em uma empresa, a Ericsson, que capacitava jovens dos abrigos para o mercado de trabalho. Essa empresa financiou meu curso de auxiliar de enfermagem e o inicio do técnico. O último não foi possível concluir.

Explico: existe uma lei nas instituições públicas segunda a qual o jovem a partir dos 17 anos e 11 meses não é mais sustentado pelo governo, tem que se manter sozinho. Como eu não tinha contato com a minha família, quando se aproximou a data de completar essa idade, entrei em desespero.

A sorte foi que a entidade, o Instituto Dom Bosco Bom Retiro, criou um projeto  denominado Aquece Horizonte. Este projeto é uma república para jovens que, ao sair do abrigo, podem ficar lá até os 21 anos. Os coordenadores e patrocinadores acompanham o desenvolvimento do jovem neste período de amadurecimento.

As regras mais básicas da república são: trabalhar, estudar e querer vencer na vida. No segundo ano de república, eu desejava entrar na universidade, mas sabia que não tinha condições de pagar a faculdade de enfermagem ou conseguir passar na universidade pública.

Optei então por fazer a faculdade de pedagogia. É uma área que me encanta, e a única que podia pagar. No primeiro semestre da faculdade de pedagogia,  um educador do abrigo, o Ivandro, me chamou pra uma conversa e me informou sobre um  processo seletivo para estudar medicina em Cuba. Fiquei contente e aceitei participar da seleção.

Passei pelo processo seletivo no consulado cubano e estou desde 2007 em Cuba. Dou inicio ao terceiro ano de medicina no dia 06 de setembro de 2010. São 7 anos no país, sendo 6 de medicina e um de pré-médico.

Ir a Cuba foi minha maior conquista. Além de aprender sobre a medicina, aprendo sobre a vida, a importância dos valores.  Antes de ir,  sempre lia reportagens negativas sobre o país, mas quando cheguei lá, não foi isso que vi. Em Cuba,  todos têm direito a educação, saúde, cultura, lazer e o básico pra sobreviver.

Li em muitas revistas que o Fidel Castro é um ditador, e descobri em Cuba, que ele é amado e idolatrado pelos cubanos. Escrevem que Cuba é o país da miséria. Mas de que tipo de miséria eles  falam? Interpreto como miséria o que passei na infância. Em casa, não tinha água encanada, luz, comida.

Recordo que tinha dias em que eu, meu irmão e minha mãe não conseguíamos  nos  levantar da cama devido a fraqueza por falta de  alimento. Tomávamos água doce pra esquecer a fome. Então, quando abro uma revista publicada no Brasil e nela está escrito que Cuba é um país miserável, eu me pergunto: se em Cuba, onde todos têm os direitos a saúde, educação, moradia, lazer e alimento, como podemos denominar o Brasil?

Temos um país com riqueza imensa, que conquistou o 8º lugar no ranking dos países mais ricos, mas sua riqueza se concentra nas mãos de poucos, com uns 60 % da população vivendo em uma miséria verdadeira, pior que a miséria da minha infância.

Cuba sofre um embargo econômico imposto pelos estados Unidos por ser um país socialista e é criticado por outros  governos. No entanto, consegue dar bolsa para mais de 15 mil estrangeiros de vários países, se destaca na área da saúde (gratuita), educação (colegial, médio, técnico e superior gratuito para todos) e esporte (2º lugar no  quadro de medalhas, na historia dos Jogos Panamericanos), é livre de analfabetismo.

A cada mil nascidos vivos morrem menos de 4.  Vivenciando tudo isso, eu queria também que o Brasil fosse miserável como Cuba, como é escrito em varias revistas. Acho que o brasileiro estaria melhor e não seria tão comum encontrar tantos jovens sem educação, matando, roubando e se drogando nas ruas.

Vou passar mais quatro anos em  Cuba e não quero deixar o curso por nada. Desejo concluir a faculdade e ajudar esse povo carente que sonha com melhoras na área da saúde, quero ajudar outros jovens a realizar os seus sonhos , como me ajudaram. Também pretendo apoiar meu irmão, que deseja estudar direito.

Tenho meu irmão como exemplo de superação. Saiu de casa com 13 anos de idade, mas não foi para uma instituição governamental. Morou em um cômodo que seu patrão lhe ofereceu. Enquanto eu estudava e fazia cursos, ele estava trabalhando para ter o pão de cada dia. Hoje, ele é um homem com 25 anos de idade, casado e tem uma filha linda, e mesmo assim encontra tempo pra me apoiar e me dar conselhos.

Foi muito bom visitar o  Brasil. Depois de longos 13 anos tive um tipo de comunicação com a minha mãe. Isso  pra mim é uma vitoria. Quero estar próxima dela quando voltar.

Conto um pouco da minha história, mas sei que muitos brasileiros ultrapassaram barreiras piores, até realizarem seus sonhos. Peço ao povo brasileiro que continue lutando. É período de eleições, peço também  que todos votem com consciência, escolha a pessoa adequada pra administrar o nosso país tão injusto.

Gisele Antunes Rodrigues

Ser culto é o único modo de ser livre (José Martí)


Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
26/08/2010 - 12:16

O almoço de Lula na Folha em 2002

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Alguns leitores pedem minha versão sobre o tal almoço do então candidato Lula no jornal Folha de S. Paulo, durante a campanha de 2002, que gerou tanta polêmica nos últimos dias.

Como eu estava lá, na condição de assessor de imprensa de Lula, mas já se passaram oito anos e minha memória não é das mais privilegiadas, vou mais uma vez recorrer ao meu livro “Do Golpe ao Planalto _ Uma vida de repórter”, da Companhia das Letras. O episódio está relatado à página 225:

O único problema mais sério que tivemos no relacionamento com a imprensa ao longo da campanha aconteceu por culpa minha. Lula já havia mantido encontros e participado de almoços com os dirigentes dos principais meios de comunicação, mas resistia a atender ao convite da Folha para o tradicional almoço com os diretores, editores e repórteres especiais.

Quase toda semana, “seu” Frias ou alguém a seu pedido repetia o convite, que eu voltava a levar a Lula. Este alegava que noutras ocasiões tinha ficado contratriado da maneira pouco cortês como fora tratado no jornal. Tanto insisti, que ele acabou me autorizando a marcar o almoço. Impôs, no entanto, que o número de participantrs fosse reduzido, para que pudesse  conversar melhor com “seu” Frias.

Em razão de algum mal-estar ocorrido em almoços anteriores, dos quais não participei, o clima já não pareceu muito amigável desde o momento em que “seu” Frias recebeu Lula e José Alencar. Otavio Frias Filho ficou calado, enquanto Lula não parava de falar dos seus planos para o país e da importância de ter um vice como Alencar.

Assim que os comensais sentaram à mesa, Frias Filho disparou a primeira pergunta: se Lula se sentia em condições de governar o país, mesmo sem ter se preparado para isso, não sabendo nem falar inglês. O candidato fez uma expressão de incredulidade, olhou para mim como quem diz: “E eu tinha que ouvir isso?”, engoliu em seco e deu uma resposta até tranquila diante daquela situação constragedora.

Como se tivessem sido ensaiadas, as perguntas seguiram no mesmo tom hostil ao convidado, até que, já quase na hora em que seria servida a sobremesa, alguém quis saber como ele se sentia ao aceitar uma aliança com Paulo Maluf. O argumento era que, se o PL apoiava Maluf na eleição para governador de São Paulo, o candidato do PT a presidente também estaria se aliando ao político que mais combatera durante toda a história do partido.

Não havia, porém, nenhuma aliança em São Paulo entre o PP e o PT, que disputava a mesma eleição tendo como candidato o deputado federal José Genoino. Foi a gota d´água. Lula não respondeu; levantou-se, dirigiu-se a “seu” Frias e comunicou: “O senhor me desculpe, mas eu não posso mais ficar aqui. Vou embora. Não posso aceitar isso em nome da minha dignidade”.

Ficou todo mundo paralisado. “Seu” Frias levantou-se também. Antes de sair, Lula ainda disse a Otavinho, o único que permaneceu na sala: “Eu não tenho culpa se você está nervoso porque o teu candidato vai mal nas pesquisas”. Para ele, a Folha estava apoiando José Serra. Pegando no braço do candidato, “seu” Frias o acompanhou até o elevador e depois até o carro, no estacionamento, com os outros todos caminhando atrás. “Nunca tinha acontecido isso antes na nossa casa”, lamentou.

Como fiz com outras pessoas citadas no livro, mandei os originais com este trecho para Otávio Frias Filho.  Caso discordasse da minha versão, poderia dar a dele que eu publicaria no livro. Por não ter recebido outra versão, entendi que ele estava de acordo.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
25/08/2010 - 17:31

Seca de sertão no interior paulista

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Com quase cem dias sem uma boa chuva, a “Califórnia Brasileira” está virando um sertão. Em torno de Ribeirão Preto, região mais rica do Estado de São Paulo, até os bambuzais estão secando na beira da estrada, cachoeiras desaparecem, rios podem ser atravessados a pé. A plantação de cana nova que conseguiu vingar, está magra, a produtividade este ano deve cair.

Uma densa cortina formada pela fumaça das queimadas, misturada à poeira vermelha levantada pelos caminhões nos canaviais, torna o ar irrespirável. O cenário é desolador.

Cheguei agora há pouco de uma viagem a São Joaquim da Barra, cidade de 50 mil habitantes, a 70 quilômetros de Ribeirão Preto, onde peguei o avião para voltar a São Paulo. Confesso que senti um alívio quando cheguei aqui 45 minutos depois, embora a baixa umidade do ar nos últimos dias também esteja fazendo o paulistano sofrer para respirar. O sufoco no interior paulista, no entanto, está ainda pior, se é que isto serve de consolo.

Dos dois lados da Anhanguera, a rodovia que liga as duas cidades, a cana de açucar tomou conta de tudo. Embora proibidas pela Justiça em algumas cidades da região, onde os índices estão próximos aos do deserto do Saara, as queimadas continuam sendo feitas a qualquer hora do dia  e da noite. Quem vai fiscalizar, como saber quem tacou o fogo no canavial? Os responsáveis pela terra podem alegar que foi um incêncio criminoso, que alguém jogou uma bituca de cigarro acesa.

Com a monocultura da cana, contaram-me que, além dos conhecidos danos ao meio ambiente, está havendo um crescente êxodo rural. Pequenos e médios proprietários arrendam suas terras para as usinas e vão morar nas cidades, onde suas casas são invadidas pela fuligem negra das queimadas.

Em São Joaquim, segundo os últimos levantamentos, não restam mais do que 700 lavradores morando na zona rural.  Outros dois mil trabalhadores contratados pelas usinas moram na cidade, e vão e voltam todo dia dos canaviais, levantando a poeira vermelha das estradas de terra.

Apesar do clima hostil, saí de lá muito contente por ter participado da 5ª Feira do Livro de São Joaquim da Barra. Em pleno dia de semana, a platéia, que quase lotou o auditório montado na praça da Matriz, ficou firme me ouvindo falar da vida de repórter e escritor até tarde da noite.

Tinha lá gente de todas as idades interessada em fazer perguntas sobre os mais variados assuntos. É uma coisa boa que esta acontecendo, esta de colocar os autores em contato direto com seus leitores. Quase toda semana, em algum lugar do Brasil, está acontecendo mais alguma feira do livro. Nós, que vivemos da escrita, estamos virando “feirantes”.

Mais alguns dias e, com certeza, vai voltar a chover no interior paulista, deixando tudo verde de novo. Aqui, ao contrário das tantas viagens que fiz ao sertão nordestino para contar os dramas da seca, a falta de chuva é passageira, embora este ano esteja demorando muito.

E como está o tempo aí na sua cidade, caro leitor? Está dando para respirar?

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
24/08/2010 - 09:34

A luta pela vida no fundo da mina

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Vou ter que viajar daqui a pouco para São Joaquim da Barra, na região de Ribeirão Preto, onde farei uma palestra à noite na Feira do Livro. Por lá, pelo que li rapidamente no jornal, o ar está ainda mais seco do que aqui em São Paulo, com índices de deserto do Saara.

Faz dias que me sinto sufocado por esta baixa umidade relativa do ar. Vivo reclamando com a mulher, mas quando  vi a história dos 33 mineiros que estavam desaparecidos no fundo de uma mina de ouro e cobre, que desabou no norte do Chile, me dei conta de como a gente reclama por pouco.

Presos desde o dia 5 num refúgio de 52 metros quadrados, a 700 metros de profundidade, com pouco ar e sem luz, eles foram encontrados todos vivos. O desafio deles agora é que vai levar quatro meses para ser aberto um novo túnel por onde possam ser resgatados. 

Para mim, que sofro de claustrofobia, não poderia ter nada pior no mundo do que estar nesta situação. Vocês já imaginaram o convívio forçado, em condições tão dramáticas, em espaço tão reduzido, de 33 homens com idades entre 19 e 63 anos, que receberão por sondas o básico para a sobrevivência?

Vale a pena ler a bela reportagem sobre este drama humano publicada por Gustavo Hennemann, na página A14 da Folha desta terça-feira. Ele informa que no refúgio a temperatura é de aproximadamente 30 graus e a umidade relativa do ar chega a 95%. Aqui fora, em São Paulo, este indice ontem caiu para 17% e, em Ribeirão Preto, chegou a 13º, na tarde de domingo.

Só nos resta ficar conformados com a secura do clima, que passa com a primeira chuva, e torcer pelos mineiros do Chile, para que esta história tenha um final feliz.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
22/08/2010 - 10:35

A nova derrota da velha mídia

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A se confirmarem as previsões de todos os principais institutos de pesquisa apontando a vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno das eleições presidenciais, não serão apenas o candidato José Serra e sua aliança demotucana de oposição os grandes derrotados. Perdem também, mais uma vez, os barões da grande mídia brasileira.

Foram-se os tempos em que eles faziam ou derrubavam presidentes e se julgavam os verdadeiros donos do poder, os formadores de opinião, os únicos proprietários da verdade. Durante os últimos oito anos, desde a primeira eleição de Lula, não fizeram outra coisa a não ser mostrar em suas capas e manchetes um país desgovernado, sempre à beira do abismo.

Em cada estatística divulgada, procuravam destacar sempre o lado negativo, sem se dar conta de que a vida dos brasileiros estava melhorando em todas as áreas, e os cidadãos eleitores percebiam isso.

Fechados em seus gabinetes e certezas, longe do país real, imaginavam que desta forma ajudariam a eleger o candidato da oposição em 2010. Fizeram a sua parte, é verdade, anunciando uma crise do fim do mundo atrás da outra, batendo no governo dia sim e no outro também, mas não deu certo de novo.

Em reunião da Associação Nacional dos Jornais, a presidente da entidade, Judith Brito, chegou a dizer com todas as letras que, na falta de uma oposição partidária, era preciso a imprensa assumir este papel, como de fato fez. Os líderes demotucanos acharam que isto seria suficiente para derrotar Lula e a sua candidata. Acreditarem que o apoio da mídia poderia fazer a diferença, decidir o jogo a seu favor. Que bobagem!

Até a última semana, antes da divulgação das novas pesquisas, o noticiário ainda alimentava o discurso da oposição numa operação casada contra o governo e a sua candidata. Como a vaca da campanha tucana caminhou inexoravelmente para o brejo, num lance desesperado para tentar virar o jogo, José Serra procurou associar sua imagem à de Lula no programa de televisão. Aí foi a vez dos seus aliados na mídia darem um basta e jogarem a toalha: assim também não… 

Quem sabe agora tenham a humildade e o bom senso de reconhecer que acabou a época dos formadores de opinião abrigados na grande imprensa, que perde circulação e audiência a cada dia. Novos meios e novos agentes multiplicaram-se pelo país, democratizando a informação e a opinião.

Ninguém mais precisa dizer o que devemos pensar, como devemos votar, o que é melhor para nós. A liberdade de imprensa e de expressão não tem mais meia dúzia de donos. É um direito conquistado por todos nós. 

***

Leitores do Balaio fazem

2º Encontro em SP

O tempo correu depressa. No dia 11 de setembro, um sábado, este blog completa dois anos no ar. Para festejar a data, os leitores do Balaio estão organizando seu segundo encontro, em São Paulo, para colocar as conversas em dia pessoalmente.

A idéia de levar o mundo virtual da blogosfera à vida real surgiu no ano passado no Boteco do Balaio, uma filial deste blog criada no google pelos próprios leitores, que ali se encontram todos os dias para bater papo.

Os leitores Aliz Castro Lambiazzi e Enio Barroso Filho, frequentadores fiéis do boteco e deste blog, estão cuidando da organização do encontro e me mandaram a mensagem que reproduzo abaixo, com os contatos deles, para quem quiser se inscrever e participar desta confraternização.   

Amigos Balaieiros
FALTAM POUCOS DIAS !!!

No proximo dia 11 de Setembro, o Blog Balaio do Kotscho completará dois anos !!!
No ano passado, comemoramos com o primeiro Encontrão de leitores e veio gente de todo lugar. Foi lindo !!!
E agora iremos repetir com o 2° ENCONTRÃO DO BALAIO DO KOTSCHO !!!
Alguns leitores já manifestaram o seu desejo de participar e sugeriram que o local escolhido fosse próximo a alguma estação do Metrô.
Escolhemos a CHOPERIA NORTH BEER, na Zona Norte, bem ao lado da Estação Parada Inglêsa na Av. LUIZ DUMONT VILLARES N° 1543.
Como este ano a data cairá em um sábado faremos a festa durante a tarde estendendo até o quanto aguentarmos ou até o ultimo bêbado !!!

Será uma festa de FEIJOADA COM CHORINHO !!!
SABADO – DIA 11/09 – A PARTIR DAS 13:00 h.

Eis o site da North Beer:

http://www.northbeer.com.br/
( tem o mapa do local e fotos em 360° )

É uma choperia com varias opções de ambiente inclusive com uma adega no sub-solo para quem quiser mais aconchego.
Fizemos a reserva para ficarmos na varanda da choperia ao lado da área exclusiva para fumantes. Tem estacionamento exclusivo para clientes e serviço de táxi para quem não puder mais dirigir !!!
A Choperia trabalha com “comanda individual” e oferece um buffet das 12:00h. às 17:00 ao custo de R$ 35,00 por pessoa dando direito a se servir a vontade de uma boa variedade de pratos inclusive da sua excelente feijoada. O Chopp lá está em R$ 4,70 ( é a media de todos os outros preços do entorno ).
Terá musica ao vivo: CHORINHO durante a tarde e MPB a noite.

Disponibilizamos aqui novamente os endereços de e-mail para que todos se manifestem confirmando a presença para que até lá tenhamos idéia de quantos seremos

jornalizta@gmail.com

eniobarroso@ig.com.br

REAFIRMAMOS QUE ESTA CONVOCATÓRIA É IMPERATIVA !!!
Artigo 1° – Não será permitida a desconsideração de qualquer das amizades construídas aqui durante esses dois anos já que no Balaio cabe de tudo e é de todos. As diferenças deverão ser explicitadas ao vivo e não mais virtualmente. AMIZADE INDEPENDE DE IDEOLOGIA !!! Todos deverão se abraçar !!! Beijar também pode !!! Apertos só para quem estiver frouxo !!!
Artigo 2° – Revogam-se quaisquer disposições ao contrário.
Abraços ainda que virtuais até lá,

Aliz Castro Lambiazzi
Enio Barroso Filho

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
21/08/2010 - 11:36

Tucanos agora buscam culpados

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Antes mesmo da divulgação do novo Datafolha na noite desta sexta-feira, com a disparada de Dilma abrindo 17 pontos de vantagem sobre Serra (47 a 30), os tucanos já tinham começado a temporada de caça aos culpados pelo desastre.

Como já tinha acontecido nas derrotas de 2002 e 2006, a aliança demotucana (PSDB-DEM-PPS-PTB) está se desmilinguindo, cada um colocando a culpa no outro e todos responsabilizando o candidato, que está sendo largado pelo caminho faltando ainda seis semanas para o primeiro turno das eleições de 2010.

O colapso na campanha de Serra ficou evidente esta semana quando resolveu adotar a esquizofrênica estratégia de atacar Dilma e o governo durante o dia e mostrar imagens do presidente Lula ao lado do ex-governador paulista à noite.  O tucano conseguiu a proeza de não ser candidato nem da situação nem da oposição, muito ao contrário.

Tamanha lambança não pode ter apenas um culpado. Só pode ser resultado do conjunto da obra _ da absoluta falta de unidade na aliança, da falta de um projeto político, da escolha de um vice desconhecido e desastrado, da indigência dos discursos e das propostas do candidato, do cheiro de mofo do programa de televisão.

O que aconteceu? Apenas um mês atrás, o Datafolha de 20-23 de julho ainda anunciava um empate técnico (37 a 36 para Serra), alimentando as esperanças de uma campanha que já vinha fazendo água, como apontavam os outros institutos de pesquisas. 

Não aconteceu nada de importante para justificar esta violenta inversão da curva do Datafolha. Como era de se esperar, o diretor do instituto, Mauro Paulino, colocou a culpa no horário eleitoral que entrou no ar esta semana.

“Palco da TV explica disparada de Dilma”, diz a manchete da Folha sobre a nova pesquisa. Se é só isso, me desculpem, mas não dá para entender. Foram ao ar até agora apenas dois programas dos candidatos à presidência da República, na terça e na quinta, justamente quando os pesquisadores do Datafolha já estavam nas ruas entrevistando os eleitores.

Ao esconder sua principal liderança, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e tentar, já no despespero, ligar sua imagem à de Lula, Serra comete o desatino de não só não tirar votos de Dilma como o de perder aqueles dos tucanos mais fiéis.

Na marcha batida para o abismo, o candidato da oposição sofre mais com o fogo amigo do que nos embates com sua principal adversária. Se nem o presidente do PSDB, o pernambucano Sergio Guerra, quis usar a imagem do candidato tucano em sua campanha para deputado federal, que tipo de fidelidade se poderia esperar dos outros? Serra escondeu FHC e os candidatos da aliança demotucana esconderam Serra.

É verdade que o programa de Dilma, comandado por João Santana, dá de 10 a 0 no programa de Serra, sob a responsabilidade de Luiz Gonzalez, tanto na forma como no conteúdo, mas isso  é muito pouco para explicar uma diferença tão grande entre uma pesquisa e outra no espaço de apenas quatro semanas.

O que tenho escrito aqui, desde o início da atual campanha eleitoral, não é muito diferente do que leio em colunas e blogs não engajados, que procuram lidar apenas com os fatos, não com os desejos. Depois de alguns atropelos no início, como registrei aqui, a campanha de Dilma se aprumou, botou ordem no comando, no discurso e na agenda, enquanto a de Serra se desmanchava no ar.

Não é preciso ser nenhum gênio da política para constatar que, a esta altura do campeonato, como o próprio Datafolha já admite, a eleição poderá ser decidida no primeiro turno. A tendência natural é Dilma subir e Serra cair cada vez mais até o dia 3 de outubro, por mais que alguns coleguinhas não se conformem com isso e ainda se esforcem para negar o óbvio.  

Encontrar os culpados por esta situação adversa parece ser agora a única ocupação dos apoiadores de uma campanha sem rumo, que pode jogar a oposição numa crise sem precedentes. Já se sabia que seria difícil derrotar uma candidatura, qualquer que fosse, apoiada pelo presidente Lula, com seus quase 80% de aprovação popular, mas ninguém poderia prever que a corrida eleitoral se transformasse neste passeio sem muitas emoções.

Só não vale culpar o Lula. Há muitas formas de se ganhar ou perder uma eleição. Serra escolheu a pior.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
20/08/2010 - 10:05

Eleição ainda não chegou às ruas

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ATUALIZADO ÀS 18H DE 21.8

Favor ler nota “Em tempo” no final deste post.

Intermináveis debates no rádio, na televisão e na internet, enormes entrevistas em jornais e revistas, um balaio de horas de programas políticos no horário gratuito, candidatos percorrendo o país de norte a sul, enxurradas de matérias e comentários sobre as campanhas presidenciais na blogosfera _ nada, até agora, foi capaz de levar a eleição de 2010 às ruas.

Nos lugares que frequento, por onde circula muita gente, na feira-livre e na padaria, no boteco e no banco, na farmácia e no supermercado, na casa de parentes e amigos, dificilmente encontro alguém discutindo o assunto.

Raros são os sinais e os sons a nos lembrar que estamos a apenas 44 dias das eleições. Esta semana, apareceram no meu bairro os primeiros carros de som e uma ou outra moça distribuindo propaganda dos candidatos nas esquinas, mas ninguém lhes dá bola. Nada de bandeiras dos partidos, adesivos de candidatos nos vidros dos carros, discussões acaloradas de defensores de um ou outro candidato.

Esta parece ser a campanha eleitoral mais gelada de quantas já acompanhei na vida, mesmo na época em que não se votava para presidente da República e governador durante a ditadura militar.   

Só o que ainda gera algum calor são as pesquisas, agora divulgadas quase todos os dias, assim mesmo apenas entre jornalistas, marqueteiros, comentaristas na blogosfera e os candidatos, naturalmente.  

Qual será o motivo de tanto desinteresse? Alguns colegas citam as rígidas regras da Justiça Eleitoral que proíbe quase tudo nas campanhas, mas não acredito que só isso possa explicar o fenômeno _ até porque, nós não somos muito dados a respeitar regras em outras áreas.

Tudo bem que as eleições passaram a fazer parte da rotina democrática depois que reconquistamos o direito de escolher o presidente da República, em 1989. Já estamos, afinal, na sexta eleição presidencial após a redemocratização do país, a primeira sem o nome de Lula na urna eletrônica.

Mas nem mesmo nos países nórdicos, com democracias muito mais antigas do que a nossa, vi tamanha frieza a poucas semanas das eleições.  Ainda não tivemos nenhum grande comício de qualquer candidato que pudesse ao menos lembrar de longe a participação popular que vimos em anos anteriores.

A agenda dos principais candidatos segue sempre a mesma rotina nas visitas às cidades: caminhada por alguma rua central, café e pastel num boteco ou padaria, abraços, beijos, crianças no colo, entrevista às rádios locais. Fora isso, participam apenas de encontros fechados com representantes de setores representativos da sociedade. É tudo muito burocrático.  

Contribui também para este aparente desinteresse o fato de que a maioria das eleições para os governos estaduais e mesmo a disputa presidencial possam ser decididos já no primeiro turno, segundo as últimas pesquisas. O esperado clima de Fla-Flu entre petistas e tucanos acabou não acontecendo, pelo menos até agora.

Se os caros leitores do Balaio encontrarem outras razões para explicar o que está acontecendo, ou melhor, o que não está acontecendo nesta campanha eleitoral, fico muito grato.

Em tempo: no texto acima, retrato a realidade vivida no bairro onde moro, o Jardim Paulista, e nas minhas andanças por São Paulo. Pelo relato de muitos leitores, é diferente a situação em outras cidades, principalmente as pequenas, onde a campanha já ganhou as ruas.

O Brasil é muito grande e não se deve generalizar _ nunca aprendo esta singela lição. Pisei na bola, reconheço. Por isso, peço aos caros comentaristas do Balaio que nos contem como está a campanha eleitoral no seu bairro, na sua cidade, em seu Estado. Esta é a grande vantagem da internet: aqui todo mundo não só lê o que o repórter escreve, mas também pode contar o que sente e pensa sobre o assunto do post.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
18/08/2010 - 11:01

TV ainda pode mudar a eleição?

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Dilma Rousseff abriu 8 pontos de vantagem sobre José Serra no Datafolha, 11 no Ibope e chegou a 16 no Vox Populi contratado pelo iG e TV Bandeirantes, que foi divulgado na noite desta terça-feira. No Vox, um instituto que vem antecipando tendências nesta campanha, Serra apareceu pela primeira vez abaixo dos 30 pontos (deu 45 a 29 para Dilma).

Diante dos números destas últimas pesquisas, quem ficou para trás na corrida eleitoral joga todas as suas esperanças nos programas de rádio e televisão que começaram ontem e continuarão no ar nas próximas seis semanas.

A julgar pelo que vimos na estréia, a resposta para o título deste post é negativa. Ao contrário, pode servir até para aumentar a diferença de um candidato para outro. A quase unanimidade das análises feitas dos primeiros programas na internet e nos jornais é muito crítica ao que foi mostrado pela campanha de Serra.  Nem os aliados gostaram. 

Em propaganda, um ingrediente fundamental é a novidade, a surpresa, mostrar imagens originais, procurar envolver o telespectador pela emoção e, no caso do marketing eleitoral, principalmente pela esperança.

Neste quesito, os dois programas do candidato tucano pecaram pela repetição de velhos temas e cenários, como se fosse um video-tape de campanhas passadas.

No programa noturno, nem mesmo funcionou a operação casada em torno da saúde. Por alguma estranha coincidência, o Jornal Nacional tinha acabado de levar ao ar uma ampla reportagem sobre as mazelas nesta área que, segundo o Ibope, é a que mais preocupa os brasileiros. O programa de Serra entrou logo em seguida para falar das soluções e lembrou do que ele fez quando foi ministro da Saúde.

Ficou uma peça monotemática, de estilo mais jornalístico do que publicitário, com Serra falando mais como médico do que candidato a presidente, picotado por depoimentos no velho esquema “povo fala”. Parecia uma reportagem das séries sobre saúde apresentadas no “Fantástico” pelo doutor Drauzio Varella.

Os dois primeiros programas de Dilma, à tarde e à noite, contaram a história da sua trajetória pessoal e política, uma viagem cinematográfica em forma de documentário, passando pelos mais diferentes campos da vida brasileira. Depois da candidata, o principal personagem foi o presidente Lula, claro, seu grande cabo eleitoral.

A continuar nesta toada, a campanha da oposição terá que buscar outras alternativas para virar o placar das pesquisas.  Se depender só da televisão, esquece.

Que resposta dariam os leitores do Balaio à pergunta do título? O que acharam dos primeiros programas?

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
17/08/2010 - 10:46

Na hora da decisão, tudo favorece Dilma

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Durante os últimos dois anos, até outro dia, o candidato da oposição José Serra liderou com folga todas as pesquisas para a sucessão de Lula. Agora, faltando 48 dias para a eleição, Dilma Rousseff, a candidata do governo, que largou com apenas três pontos e nunca disputou uma campanha eleitoral, aparece disparada na frente, com todas as condições de vencer no primeiro turno.

Esta tendência já vinha sendo apontada faz tempo pelos institutos Vox Populi e Sensus, mas nos últimos dias também o Datafolha e o Ibope confirmaram o favoritismo de Dilma. Na noite desta terça-feira, os novos números do Ibope mostraram a candidata do PT 11 pontos à frente de Serra (43 a 32), na véspera do início do horário de propaganda política gratuita no rádio e na TV.

Não há precedente nas eleições presidenciais de mudanças nesta fase decisiva da campanha: desde 1989, venceu quem largou na frente na estréia dos programas eleitorais.   

O que aconteceu? Os analistas políticos poderão dar mil respostas, mas, para mim, apenas uma, muito simples, explica o fenômeno: Dilma foi crescendo e Serra caindo à medida em que os eleitores passaram a identificá-la como candidata do presidente Lula e de um governo que tem os maiores índices de aprovação da história política do país.

Com Lula e Dilma entrando juntos todos os dias na televisão, a partir de hoje, para contar o que fizeram nestes quase oito anos de governo e apresentando comparações com o período anterior, o bom senso leva a crer que as próximas pesquisas mostrarão uma diferença ainda maior entre os candidatos do governo e da oposição.

Pois tudo neste momento favorece Dilma: mais tempo no rádio e na televisão, mais alianças e palanques estaduais, unidade no comando da campanha, o crescimento da economia, o clima de bem estar da população, uma onda favorável na hora da decisão e, principalmente, um cabo eleitoral chamado Lula.

Confesso que, a esta altura do campeonato, com todas as condições de tempo e temperatura, não gostaria de estar na pele dos marqueteiros de José Serra. Eu sei como é difícil acordar todo dia e encontrar ânimo para fazer comícios, dar entrevistas e gravar programas quando o quadro se mostra desfavorável, sem muitas esperanças de uma virada.

Aconteceu o mesmo na campanha de Lula em 1994, depois do lançamento do Plano Real. Líder nas pesquisas até maio, quando chegou a registrar 42% no Datafolha, mais do que o dobro do seu principal adversário, o tucano  Fernando Henrique Cardoso, o candidato do PT viu as pesquisas virarem de cabeça para baixo de uma hora para outra.

A cada nova queda, quando os repórteres lhe perguntavam o que tinha achado da última pesquisa, Lula dava um sorriso sem graça e falava para esperar o início do horário da propaganda eleitoral e a entrada em campo da militância do PT, últimos trunfos em que jogava suas esperanças de uma virada, mas ele mesmo não acreditava nisso,  sabia que não tinha mais jeito.

Já na reta final, com a vitória de FHC praticamente garantida no primeiro turno, despencando mais e mais  nas pesquisas, o candidato chegou a brincar com uma repórter em Curitiba: “O que você quer que eu diga da pesquisa? Que eu estou feliz? Deste jeito, vamos ficar com saldo negativo no Ibope ao final da campanha…”. 

Em nenhum momento, porém, mesmo cometendo o erro fatal de criticar o Plano Real, Lula permitiu que sua campanha passasse a atacar e desqualificar o adversário, partindo para o pau, baixando o nível, como se costuma dizer. Seguiu na mesma toada até o final, mesmo sabendo que a vaca estava caminhando solenemente para o brejo.

Pelo noticiário dos jornais e da internet nesta terça-feira, dá para notar que já bateu o desespero na campanha de José Serra e nos seus aliados na imprensa, que não sabem mais o que escrever para manter acesa a chama.

 A começar pelas declarações do próprio candidato, parece que a nova palavra de ordem agora é bater pesado em Dilma, acenar com o perigo da volta dos radicais do PT, botar medo no eleitor, fazer qualquer coisa para ganhar a guerra _ sempre poupando Lula, é claro, porque ninguém vai querer rasgar voto.  

É um jogo de alto risco. Trata-se, afinal, apenas de mais uma eleição presidencial. Outras virão. Ganhe quem ganhar, a vida continua. Lula perdeu três vezes antes de chegar ao Palácio do Planalto. A cada eleição, no entanto, aumentava seu contingente de eleitores.

A democracia exige paciência, não perdoa os afoitos. Aécio Neves, por exemplo, sabe muito bem disso. Tudo tem a hora certa de acontecer, ou não. Não adianta querer apressar as águas do rio que correm para o mar.

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Vote na Educação

Como um dos fundadores do movimento Todos Pela Educação, é com muita alegria que recebi a mensagem que publico abaixo sobre a nova campanha de utilidade pública lançada esta semana pela agência DM9DDB para ser veículada durante a campanha eleitoral.

 Com a partipação de grandes nomes da imprensa, do cinema e da televisão, o objetivo da campanha é colocar na agenda de todos os candidatos o compromisso por uma educação de qualidade para todos, que é o grande objetivo do movimento para ser alcançado até 2022, no ano do segundo centenário da nossa Independência.

Vale a pena participar desta campanha. 

 Dira Paes, Heródoto Barbeiro e Paulo Goulart participam da campanha que quer colocar na agenda das eleições deste ano a cobrança dos eleitores e o compromisso dos candidatos com a melhoria da qualidade do ensino para as crianças e os jovens do nosso País.

Está no ar a nova campanha do Movimento Eu, Você, Todos pela Educação, que se vale do gancho das eleições deste ano de presidente, governadores, senadores e deputados, para  colocar na agenda dos candidatos o compromisso por uma educação de qualidade.  Fruto de uma parceria com o Grupo ABC e criada pela DM9DDB, a campanha “EU VOTO NA EDUCAÇÃO” tem peças para jornais, revistas e televisões, além de ações na web que foram planejadas e tiveram sua produção e veiculação patrocinadas pela agência.

 “Minha mãe sempre dizia que Educação é a única coisa que ninguém tira da gente” diz Dira Paes no seu comercial, para, em seguida, pedir ao eleitor: “nesta eleição preste atenção nas propostas dos candidatos para melhorar a qualidade da Educação no Brasil.Eu já decidi: Eu Voto na Educação”, conclama.  

Além dos filmes, a campanha idealizada pela DM9DDB tem spots de rádio, jingle, banner para internet, ações nas redes sociais e anúncios em revistas e jornais, com depoimentos dos protagonistas dos filmes e de brasileiros de diversas regiões e profissões.  A DM9, os personagens dos comerciais, a produtora O2 e os veículos que vão veicular a campanha apóiam o movimento voluntariamente.

 “Queremos que a mensagem chegue a todos  em todo País. Precisamos do apoio de todos os meios de comunicação. Este é um momento importante para o Brasil, já que estamos definindo as diretrizes da Educação para os próximos anos, e há muito o que fazer para que seja possível atingir as metas propostas para 2022, diz Priscila Cruz, diretora executiva do Todos pela Educação.

 Eu, Você Todos pela Educação

 O Grupo ABC participa desde a primeira hora do Movimento Todos pela Educação e vários dos seus funcionários são sócios fundadores do Movimento. A DM9 há vários anos cuida voluntariamente da comunicação publicitária do Todos.  

Já foram feitas campanhas para cada um dos segmentos do universo escolar e foi estabelecida pela agência e pelo Movimento uma ampla parceria com 5 mil emissoras de rádio veiculando regularmente informes, conteúdos e programas criados para mobilizar a população, inclusive nas últimas eleições municipais. Este é mais um passo. E só assim, juntos, o tempo todo a educação no Brasil vai mudar.

A estratégia atual de mobilização do Eu, Você, Todos Pela Educação, lançada em novembro de 2009, tem como objetivo sensibilizar todo o País, por meio de ações de articulação político-institucional e de comunicação planejadas para o próximo quadriênio, para a importância da Educação como um direito e promover o engajamento dos brasileiros na conquista de uma Educação Básica de qualidade para todos.

A primeira fase dessa etapa da mobilização visava estimular e ampliar a participação da família na Educação de seus filhos por meio de depoimentos reais que foram veiculados ao longo de sete meses em rede nacional na TV Globo e em diversos canais de TV a cabo. Os atores Thiago Lacerda, Alexandre Borges, Cláudia Abreu, Letícia Spiller, Mariana Ximenes, assim como Milton e Mauricio Gonçalves, a empregada doméstica Cilene Oliveira e a apresentadora Ana Maria Braga foram os protagonistas dos filmes desta primeira fase.  Assista aqui ao filme de Heródoto Barbeiro, Dira Paes e Paulo Goulart 

O que é o movimento

                O Todos Pela Educação é um movimento que conta com a participação da sociedade civil, de gestores públicos de Educação, da iniciativa privada e de especialistas e de profissionais da comunicação. O principal objetivo do movimento é ajudar na garantia do direito de todas as crianças e jovens a uma Educação de qualidade até 2022, ano do bicentenário da Independência do Brasil. Afinal, o País só será, de fato, independente, quando todas as suas crianças e jovens tiverem acesso à Educação de qualidade.  Para isso, foram estabelecidas 5 Metas que o País (estados e municípios) precisa alcançar:

Meta 1 – Toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola.

Meta 2 – Toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos.

Meta 3 – Todo aluno com aprendizado adequado à sua série.

Meta 4 – Todo jovem com o Ensino Médio concluído até os 19 anos.

Meta 5 – Investimento em Educação ampliado e bem gerido.

 

  

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
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