2010 junho | Balaio do Kotscho
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Arquivo de junho, 2010

30/06/2010 - 15:28

O que faz mal à saúde? O anúncio ou o produto?

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Para defender o bem estar da sociedade, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou resolução nesta terça-feira, no Diário Oficial, em que determina aos fabricantes de alimentos industrializados que informem em suas embalagens os ingredientes que podem ser nocivos e quais às consequências à nossa saúde.

Até aí, tudo bem, trata-se de uma medida saudável, tomada dentro da sua área de competência. Fiscalizar a indústria de alimentos e a venda dos seus produtos ao consumidor é uma das tarefas da agência.

Só que a Anvisa, na mesma resolução, resolveu ir além das chinelas, como se dizia antigamente, e decidiu regulamentar também a publicidade dos produtos alimentícios, determinando até os dizeres que eles devem incluir, algo que, segundo a Constituição, não cabe à agência fazer, mas ao Poder Legislativo.

As categorias alimentos e refrigerantes não estão mencionadas no elenco do Artigo 220, Parágrafo 4º, da Constituição Federal, que regulamenta a propaganda comercial de tabaco, bebidas alcoólicas, agrotóxicos, medicamentos e terapias, sujeita a restrições legais, que conterá, sempre que necessário, advertência sobre os malefícios decorrentes do seu consumo.

Em lugar de fiscalizar na produção a qualidade dos alimentos industrializados oferecidos no mercado, a Anvisa quer resolver o problema impondo normas e limites à propaganda. Quer dizer, está mais preocupada com a janela do que com a paisagem. Imagina que, fechando a janela, vai deixar a paisagem mais bonita.

O abuso chega ao ponto de incluir até a marca do produto: “Coca-Cola contém muito açucar e, se consumido em grande quantidade, aumenta o risco de obesidade e de cárie dentária” ou,então, “biscoito tal contém muita gordura saturada e, se consumido em grande quantidade, aumenta o risco de diabetes e de doenças do coração”.

As advertências se aplicam aos anúncios de produtos que contenham quantidade  elevada de sódio, açucar, gordurada saturada e gordura trans, segundo os critérios da Anvisa, mas não informam o que pode ser considerado “grande quantidade” no consumo.

A resolução tem 180 dias para entrar em vigor e, se isso acontecer, vai simplesmente inviabilizar a publicidade de alimentos e refrigerantes no  rádio e na televisão. Quem vai ser maluco de gastar dinheiro com anúncios que ameaçam o próprio consumidor, advertindo que, se você comer ou beber tal produto, poderá morrer mais cedo?

Lembro-me de uma reportagem que publiquei na última página do Estadão, umas três ou quatro décadas atrás, quando ainda não existia a Anvisa, em que relacionei todos os produtos considerados nocivos á saúde, segundo as pesquisas da época. Ao final, cheguei a uma drámatica conclusão: “viver pode dar câncer”, que foi mais ou menos o título da matéria.

Em matéria publicada hoje, o jornal Estado de Minas, escreve que não é a primeira vez que a Anvisa perde o foco de suas verdadeiras atribuições:

“Acredita a Anvisa que ditando regras de publicidade estará coibindo práticas excessivas que levem as pessoas a padrões de consumo incompatíveis com a saúde e o direito à alimentação adequada”.

E lança uma indagação: “Enquanto isso, passa longe de responder a uma questão simples: se aqueles níveis de  açúcares, sódio e gorduras são nocivos à saúde do consumidor, quem autorizou a sua comercialização?”.

Afinal, o que faz mal à saúde: o anúncio ou o produto? Não seria mais lógico combater o mal pela raiz? Ou isso daria muito trabalho?

Casa do Impressor _ A arte que sai da prensa

O mestre impressor Roberto Grassmann, com mais de 40 anos dedicados ao ofício da arte da gravura, está anunciando a aposentadoria, mas a sua obra, formada por um valioso acervo de mais de mil trabalhos, continuará à disposição do público.

Com a criação do blog  www.aartequesaidaprensa.blogspot.com , foi lançado esta semana o projeto para a construção da “Casa do Impressor”, que abrigará este valioso acervo, em exposição permanente aberta ao público. Abrigará também o ateliê de Grassmann, com suas prensas e ferramentas, e uma estrutura para oficinas sobre técnicas de impressão. A casa terá um espaço para exposições de jovens artistas gravadores.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
29/06/2010 - 12:01

Pequena pausa para pensar na vida

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Leitores comentam, com razão, que nestas últimas semanas quase só se tem falado de campanha eleitoral e Copa do Mundo neste Balaio _ como, de resto, em todo lugar, a começar pela imprensa nossa de cada dia. Para falar a verdade, nem eu aguento mais tratar destes assuntos recorrentemente, mas quando troco o disco os mesmos leitores não mostram muito interesse por minhas reportagens, viagens, cenas do cotidiano, etc.

Claro que todo mundo acaba se repetindo e, vez ou outra, me surpreendo lendo em outros espaços as mesmas coisas que escrevi aqui, até com as mesmas palavras e imagens. É o massacre da pauta única, do pensamento único, do debate único, como se não houvesse mais nada para se ocupar na vida.

De quatro em quatro anos é sempre assim, já faz parte do nosso calendário de preocupações dominantes por um certo período. Mas será que tem que ser assim mesmo? Afinal, o que os embates e os resultados das eleições e da seleção vão mudar nas nossas vidas? O que será de nós quando as vuvuzelas pararem de tocar e as urnas forem fechadas?

Se a seleção ganhar, ótimo; se o nosso candidato ou candidata vencer as eleições, melhor ainda. No dia seguinte, porém, a vida continua do mesmo jeito e cada um de nós se vê de volta aos pequenos problemas do cotidiano que um não pode resolver pelo outro e não interessam, mobilizam nem comovem ninguém.

De volta a nós mesmos e ao nosso pequeno mundinho, constatamos que gastamos muita energia e tempo à toa, porque o mundo continua girando, independentemente da nossa vontade ou preferências.

No fundo, podemos perceber que estes intervalos provocados por batalhas coletivas servem apenas para dar uma trégua à nossa agenda própria, adiando providências e tarefas que fazem parte da nossa luta diária pela sobrevivência.

Adiamos consultas médicas e exames, deixamos de arrumar a mesa do escritório, encontramos desculpas para não ir a velórios ou festinhas infantis, os livros vão-se empilhando imaculados no criado mudo. É como se tudo parasse no tempo à espera de uma definição que não depende de nós.

Que diferença nos faz saber quem vai ser o vice do Serra ou como ficará o palanque da Dilma no Paraná? Gostaria muito que o Brasil chegasse à final da Copa porque adoro ver futebol, mas, se cairmos fora antes, como já aconteceu com a França e a Itália, que diferença fará  no nosso destino?

Ganhando ou perdendo no futebol, outros personagens vão ocupar o lugar de Dunga nas manchetes e nos comentários, e todo dia vamos continuar acordando para trabalhar e garantir o pagamento das contas no final do mês. Daqui a duas semanas, a Copa acaba; daqui a três meses, saberemos quem vai presidir o Brasil nos próximos quatro anos. E depois?

Como agora só teremos jogo da seleção na sexta-feira, resolvi aproveitar esta pequena pausa para pensar na vida. Proponho aos leitores que façam o mesmo e me ajudem a encontrar outros assuntos para tratar aqui no Balaio porque a vida não pode ser feita só de política e futebol.

Hoje, por exemplo, resolvi ir à tarde buscar os netos na escola, coisa que não faço há muito tempo. Depois, vou a dois lançamentos de livros de amigos e a uma missa de sétimo dia da mãe de um outro amigo. Vida que segue.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
27/06/2010 - 13:01

Alemanha lembra o Brasil de antigamente

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Sensacional! O futebol mostrado pela Alemanha na goleada por 4 a 1 contra a Inglaterra, no melhor jogo da Copa do Mundo até agora, na manhã deste domingo, fez lembrar os bons momentos da seleção brasileira de antigamente, que encantava as platéias do mundo inteiro até quando perdia o jogo.

O time de Joachim Löw mostrou que é uma bobagem esta conversa de oposição entre futebol arte e futebol de resultados. A Alemanha brilhou e ganhou, confirmando que é uma das grandes favoritas para levar o caneco na África do Sul, onde a maioria das seleções, incluindo o Brasil, adotou a tática pebolim, com os jogadores mantendo suas posições fixas, sem ousadia, sem criatividade, mais preocupados em não perder do que em ganhar.

Desde o começo do jogo, a Alemanha foi para cima da Inglaterra, com um futebol leve e rápido, em que quase todo o time atacava e defendia, com deslocamentos constantes. Difícil apontar um destaque no time alemão, pois o que fez a diferença foi o conjunto, com movimentação, tabelinhas e dribles que deram saudades do futebol brasileiro antes da chamada “Era Dunga” e dos nossos “professores”.

Além de tudo, a Alemanha teve muita sorte, com a ajuda do juiz uruguaio Jorge Larrionda, que cometeu um dos erros mais clamorosos da história dos Mundiais, ao não dar um gol de Lampard, que entrou mais de meio metro. Quando o jogo estava 2 a 1, no primeiro tempo, e os ingleses buscavam o empate, só Larrionda e o bandeirinha não viram o gol que poderia ter mudado a história do jogo.

Foi um belíssimo espetáculo, que acabou premiando o talento e a ousadia, a alegria e a garra, dando esperanças de que as retrancas e o medo de jogar dos burocratas do futebol não vão prevalecer no futuro.  Que o Brasil de Dunga se mire neste exemplo para o jogo de amanhã contra o Chile. Para levantar mais uma taça, é preciso jogar mais do que mostramos até agora, sem medo de ser feliz. Coragem, Dunga!

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
26/06/2010 - 11:00

Vice faz campanha de Serra desandar

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Atualização às 12h20 de 27.6

Até o candidato José Serra entrou no circuito para tentar acalmar os demos, indignados com a indicação do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) para vice na chapa de oposição, mas os líderes do DEM continuam soltando os cachorros, e já ameaçam romper com a aliança na convenção marcada para o dia 30, quarta-feira.

“Vamos esperar ele indicar o nome do DEM. Se não indicar, vamos aprovar o nosso nome”, ameaçou Rodrigo Maia, o presidente dos demos. E se isto acontecer? O principal aliado dos tucanos pode não ter muitos votos, depois da lambança de José Roberto Arruda, no governo de Brasília, o único do partido, mas ainda dispõe de dois minutos na televisão, fundamentais para a campanha de Serra.

Enquanto isso, Álvaro Dias, que na véspera admitiu  abrir mão da indicação para evitar o rompimento com o DEM, ontem voltou atrás e já saiu atirando como candidato a vice no primeiro microfone que encontrou pela frente, em Cuiabá. Bateu pesado em Lula, no governo e no PT, dando sinais de como será a campanha daqui para a frente se o seu nome for confirmado.

No Twitter, a guerra entre tucanos e demos continua. O ex-prefeito Cesar Mmaia, pai do presidente do partido e candidato a senador, mandou ver: “O PT sacrifica seus interesses regionais a favor da candidatura nacional. O PSDB faz exatamente o contrário. Alías, o sotaque do senador Dias vai chegar muito bem ao Nordeste. Argh!!!!!!!!!!!!!!!!!”

***

Os tucanos tiveram mais de seis meses para achar um vice na chapa de José Serra. Desde que Aécio Neves jogou o boné e tirou o time da disputa presidencial, no final do ano passado, e descartou qualquer possibilidade de ser o vice de Serra, esta novela frequentou o noticiário político.

Dezenas de nomes foram cogitados, até o de uma vereadora que é presidente do Flamengo, mas o candidato não se fixou em nenhum deles, deixando a decisão para a última hora.

A quatro dias do prazo fatal para indicar o nome do vice, o país ficou sabendo da indicação do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) pelo Twitter do aliado petebista Roberto Jefferson, bem na hora do jogo do Brasil contra Portugal. Nem os roteiristas do “Zorra Total” ou do Renato Aragão, nem mesmo os marqueteiros dos adversários seriam capazes de montar tamanha sequência de trapalhadas.

A escolha do nome de Álvaro Dias se deu por eliminação, na noite de quinta-feira, numa reunião de José Serra com Sergio Guerra e Jutahy Magalhães,  fiéis escudeiros do candidato. Consultados, os aliados PPS e PTB logo aprovaram a indicação, mas se esqueceram de combinar com o DEM, o principal partido da coligação, que só ficou sabendo da novidade pelo Twitter de Jefferson. Seus principais líderes botaram a boca no mundo e, a partir daí, a coisa desandou de vez.

Dava um filme, uma comédia de pastelão político. A seleção brasileira já estava em campo, quando Jefferson parou sua moto para abastecer no interior de Minas, a caminho de Tiradentes, onde iria participar de um encontro de motoqueiros, quando foi informado pelo celular por Guerra, e imediatamente jogou a notícia no ar.

Em Bragança Paulista, onde assistiria ao jogo do Brasil ao lado de Alckmin e Quércia, a cadeira reservada para Serra ficou vazia até os 12 minutos do segundo tempo, quando o candidato apareceu. Ao final, fez comentários sobre o jogo, mas nada falou sobre a escolha do vice. Jogou o abacaxi para Sergio Guerra.

Depois do jogo, cada um foi para um lado. Serra seguiu de helicóptero para Campinas e, de lá, voou para Parintins, nos confins da Amazonia. Sergio Guerra foi ao Rio para pegar Rodrigo Maia, o indignado presidente do PFL, e seguir com ele para Sergipe, onde iriam tentar resolver mais um problema de palanque estadual. No caminho, procurariam acertar os ponteiros. Pelo jeito, não acertaram.

O indicado Álvaro Dias voou para Cuiabá, onde participaria de uma convenção do PSDB. Ao ser informado sobre o imbroglio com o principal aliado, foi logo avisando: “Se o DEM tiver que sair, antes saio eu”.

No final da noite, sem conseguir acalmar os demos, que só aceitavam Aécio Neves numa chapa puro-sangue, colaboradores de Serra já admitiam a hipótese de um recuo, segundo o noticiário da Folha. Na coluna Painel, a novela virou motivo de chacota: Álvaro já estaria sendo chamado de “vice Porcina”, o que foi sem nunca ter sido.

O estrago causado na campanha de Serra pela escolha de Álvaro Dias e a forma como seu nome foi anunciado na hora do jogo do Brasil, sem que o DEM fosse consultado, ainda levará alguns dias para ser avaliado, mas uma coisa já é certa: a aliança, que já não ia bem das pernas, foi seriamente abalada.

Por que a escolha recaiu exatamente sobre Álvaro Dias, que colocou ele mesmo seu nome na mesa das discussões, quando a questão do vice já caminhava para um impasse?

A razão apresentada pelos tucanos não poderia ser mais frágil e singela: o objetivo principal seria atrair seu irmão, o senador Osmar Dias (PDT-PR), que há semanas balança entre ser candidato à reeleição em aliança com o PSDB ou se candidatar a governsador com o apoio do PT e do PMDB. Estariam em jogo dois milhões de votos.

Na escolha do vice, sempre pesam três fatores: buscar um nome em região onde o candidato a presidente está mais fraco, atender a um partido aliado e somar mais votos para a chapa. No caso de Dias, nenhum dos três foi atendido, já que se partiu para uma chapa puro-sangue, com algúem de uma região (Sul) onde Serra já lidera as pesquisas e de um Estado (Paraná) com colégio eleitoral limitado.

Na nota de apenas três linhas em que oficializou o nome de Álvaro Dias, já no final do dia, em Sergipe, Sergio Guerra o apresentou como “um senador de grande coerência e capacidade”. Já em Partintins, José Serra nada disse: “Estou fora do ar desde que embarquei”.

Antes disso, porém, o noticiário da internet já tinha dado a ficha de Álvaro Dias: expulso do PSDB em 2001, por defender a criação de uma CPI para investigar denúncias de corrupção no governo FHC, no ano seguinte ele foi candidato a governador do Paraná pelo PDT e apoiou Lula no segundo turno.

Em 2003, no começo do governo Lula, reivindicou uma embaixada na Europa e, como não foi atendido, tornou-se um dos mais ferozes opositores no Senado, com grande visibilidade no “Jornal Nacional”, onde aparece quase todo dia com sua voz de locutor de FM. Mas, se este fosse um critério, o da visibilidade na TV, a chapa William Bonner-Fátima Bernardes seria imbatível…

Assim como Dilma Roussef teve problemas na largada da campanha, apontados aqui no Balaio, José Serra chega ao meio da corrida eleitoral em seu pior momento: em queda nas pesquisas (o último Ibope deu 40 a 35 para Dilma, com a rejeição já tendo batido nos 30%), os palanques estaduais ruindo e, agora, com a trapalhada da escolha do vice ameaçando a unidade da coligação que o apóia.

Pior do que tudo isso, foi a baixaria da vereadora tucana Mara Gabrilli, que perguntou esta semana em seu Twitter: “Você confiaria seus filhos para Dilma de babá”? Se estas forem as novas armas empregadas na campanha eleitoral para desqualificar a candidata de Lula, é sinal de que já bateu o desespero no QG tucano.

Esta tática de amedrontar os eleitores, tentando fazer de Dilma uma bruxa malvada, tem tudo para dar errado, como já vimos com Regina Duarte na campanha de 2002.

Na mesma hora em que tucanos e demos se estranhavam sobre a indicação do vice, na tarde de sexta-feira, Dilma Rousseff era recebida na casa do megaempresário Abílio Diniz para um encontro com 38 mulheres representantes da chamada “elite branca” de Cláudio Lembo. Ninguém saiu de lá assustado. Ao contrário: “Foi um espetáculo”, limitaram-se a dizer duas loiras de meia-idade que saíam apressadas em seus carros, segundo a Folha.

Ainda faltam três meses para os brasileiros irem às urnas. Claro que o candidato da oposição ainda pode reverter o quadro que, no momento, lhe é bastante desfavorável. A campanha na televisão ainda nem começou. Resta saber o que José Serra terá a apresentar como novidade, além de Àlvaro Dias, tendo no outro programa Lula ao lado de Dilma.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
25/06/2010 - 09:42

Temos que tirar o chapéu para Dunga

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Apanhou como cachorro magro e reagiu como um pitbull, mas Dunga teve a grandeza de pedir desculpas pelo ataque de fúria que teve após o jogo de domingo. São muito raros os casos de homens que ocupam função pública, qualquer que seja, com capacidade de reconhecer o erro.

“Quero pedir desculpa ao torcedor brasileiro pela minha atitude, a forma como me comportei. O torcedor não tem nada a ver com problemas pessoais meus”, reconheceu o técnico, na antevéspera do jogo.

Por coincidência, escrevi que a torcida não tem nada a ver com esta pendenga entre o técnico e a TV Globo no final do meu texto de terça-feira (ver abaixo), em que comentei como, de uma hora para outra, Dunga tinha virado uma nova Geni da imprensa, dando uma trégua aos políticos nestes tempos de campanha eleitoral e Copa do Mundo:

“Estão atirando pedras para o lado errado e vão acabar acertando na nossa torcida que não tem nada a ver com isso”.

Em lugar de elogiar o gesto de grandeza de Dunga, os coleguinhas que estão na África do Sul o criticaram novamente o técnico por pedir desculpas só à torcida e não à imprensa. E por que ele haveria de pedir desculpas à imprensa num episódio em que os dois lados erraram? Por acaso os jornalistas foram pedir desculpas a Dunga?

O sol bate forte desde cedo, as vuvuzelas e as buzinas já estão ensandecidas, mas ainda faltam duas horas para começar o jogo do Brasil contra Portugal. Escrevo antes da partida para não parecer que estou surfando na onda dos resultados, como é de hábito nos comentários sobre futebol.

Tanto faz o resultado do jogo de hoje, se no final o Brasil vai ou não trazer o caneco mais uma vez, se Dunga voltará como herói ou vilão. Até aqui, ele fez o papel dele de montar um time vencedor, conquistar títulos, classificar o Brasil para a Copa da África do Sul e, antecipadamente, para as oitavas de final.

Assim como ninguém é obrigado a gostar da Globo e do Galvão Bueno, como escrevi na quarta, também ninguém é obrigado a gostar do Dunga, mas não podemos deixar de reconhecer os acertos do seu trabalho até aqui, mesmo com toda torcida contra ele de quase toda a imprensa esportiva, desde o seu primeiro dia na seleção.

Pouco importam seus modos toscos, muitas vezes rudes, sua cara amarrada, a falta de um sorriso ou um agrado de vez em quando, suas roupas esquisitas. Dunga não está nesta função para agradar a ninguém _ a não ser à torcida brasileira, que é a quem ele deve satisfações e foi a quem ele pediu desculpas. Temos que tirar o chapéu para Dunga.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
24/06/2010 - 11:08

Ibope: sobram só 3% de “ruim e péssimo”

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Mais do que Dilma aparecer pela primeira vez na frente de Serra (40 a 35), o que já era esperado por todo mundo no meio político, um outro dado lateral me chamou a atenção na última pesquisa Ibope/CNI divulgada nesta quarta-feira: o índice dos que consideram o governo Lula “ruim ou péssimo” não está mais fincado naqueles 5% de sempre, como em todos os levantamentos anteriores dos diferentes institutos. Caiu para 3%, ou seja, quase pela metade.

Este número ínfimo de insatisfeitos com o governo pode ajudar a explicar os outros índices, à medida em que o eleitorado vai identificando Dilma como a candidata do presidente Lula. O índice de aprovação do presidente mantem-se em 85% e 75% dos eleitores avaliam o governo como “ótimo e bom”, faltando apenas três meses para as eleições.

Diante deste quadro, o que resta à oposição fazer, além desta desgastante busca de um nome de vice para compor a chapa, em que já estão falando até em indicar a presidente do Flamengo? No começo, não deu certo poupar o presidente e o seu governo,  porque a candidata dele continuou subindo. Agora, também não está funcionando a tática de passar a atacar Lula, Dilma e o governo porque Serra está caindo e a rejeição já chega a 30% (Dilma tem 23%).

Não bastassem os números todos desfavoráveis para a oposição no último Ibope, que apontam para uma vitória de Dilma sobre Serra por 45 a 38 no segundo turno, invertendo a curva da pesquisa de março, são os números da economia que vão estreitando o caminho para uma reação de Serra.

Basta pegar a manchete do iG desta quinta-feira: “Brasil está próximo de pleno emprego”. Segundo o professor José Pastore, da USP, pesquisador das relações de trabalho, “com uma taxa de crescimento de 5% chegaremos a um desemprego de 6%, que é o pleno emprego. Isto pode acontecer ainda este ano”.

Com emprego garantido e dinheiro no bolso, o que pode fazer o eleitor brasileiro ainda mudar de idéia até outubro para reverter a tendência pró-Dilma revelada nas últimas pesquisas?

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
23/06/2010 - 14:14

Em defesa do Galvão e da TV Globo

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Sei que muitos leitores vão me xingar só de ver o título acima, sem nem ler o resto do texto. A estes peço apenas um pouco de paciência para deixar claro: o fato do técnico Dunga ter se transformado numa Geni da imprensa após aquele arranca rabo com jornalistas da emissora na noite de domingo, não quer dizer que a TV Globo e seu principal narrador esportivo, Galvão Bueno, devam igualmente ser tratados como inimigos públicos.

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, como já nos ensinava o filósofo Juarez Soares. Nem a Globo, onde já trabalhei, nem o Galvão, que é meu amigo, precisam da defesa deste Balaio. O faturamento e o salário deles independem do que pensam os blogueiros e seus leitores. Basta conferir os índices de audiência que eles alcançam.

Ninguém é obrigado a ouvir o Galvão e ver a Globo. Se eles mantêm a liderança antes, durante e depois desta Copa do Mundo e de todas as anteriores, é porque a maioria da população gosta do trabalho que eles levam ao ar. Claro que tem gente que não gosta, e até os odeia, lançando mundo afora a campanha “Cala boca, Galvão”, mas não se pode, em razão de um episódio, desqualificar o trabalho de centenas de competentes profissionais do jornalismo esportivo da TV Globo.

Dunga, por sua vez, tem toda razão em não aceitar privilégios para emissora alguma e está no seu direito de preservar a privacidade dos seus jogadores, que não podem ser tratados como coadjuvantes de luxo em programas da TV Globo, como vimos em Copas do Mundo anteriores. Nem a Globo precisa disso.

Outra coisa é ter um chilique ao vivo e sair disparando palavrões para o mundo todo ver e ouvir seu descontrole emocional, mesmo após mais uma vitória da seleção brasileira, como se viu na entrevista coletiva de Dunga ao final do jogo contra a Costa do Marfim.  

Tudo isso poderia ter sido evitado, se o chefe de Dunga, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, numa recaída de maus hábitos, não tivesse acertado com a emissora a liberação de três jogadores para participarem do “Fantástico”, sem combinar antes com o treinador.

Num momento em que a seleção brasileira vive um clima de harmonia tanto na concentração como dentro do gramado, tudo o que não precisamos é desta guerra entre o técnico e a imprensa, como já aconteceu outras vezes. As Genis da Copa devem ser os nossos adversários, não o Dunga, nem o Galvão, nem a Globo. Estão atirando pedras (no sentido figurado, obviamente) para o lado errado e vão acabar acertando na nossa torcida, que não tem nada a ver com isso.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
22/06/2010 - 14:37

Dunga vira a Geni, trégua para políticos

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De volta ao frio e à chuva da minha terrinha paulistana, depois de quase dois meses viajando dentro e fora do país, dou uma olhada geral na imprensa e descubro que algo mudou.

Nos últimos dias, o alvo predileto da imprensa passou a ser o Dunga, que virou a nossa nova Geni. Jogam tantas pedras nele que os políticos, o presidente e o governo ganharam uma trégua, como eu já previa aqui antes da Copa do Mundo começar.

O mais curioso da história é que a seleção brasileira, com duas vitórias em dois jogos, foi a primeira a se classificar para a próxima fase do Mundial, não há nenhuma crise na equipe e continuamos sendo um dos favoritos para o título.

Se não está encantando as platéias com um maravilhoso futebol, pelo menos o time de Dunga vai dando conta do recado numa Copa muito equilibrada em que até agora não apareceu nenhum bicho papão.

O maior problema do técnico da seleção não está dentro, mas fora do campo, no seu eterno embate com os coleguinhas da imprensa esportiva. A coisa desandou de vez quando ele comprou uma briga feia com a TV Globo no domingo à noite, após a vitória contra a Costa do Marfim, ao proibir entrevistas exclusivas de jogadores no “Fantástico”.

Já estava tudo acertado com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, mas o marrento Dunga bateu o pé e não liberou ninguém. Ao perceber o que estava acontecendo nos bastidores durante a entrevista coletiva, após o jogo, soltou os cachorros em cima de um dos repórteres da emissora, foi tirar satisfações com outro, dinamitou as pontes e, na mesma noite, o bafafá acabou ganhando mais destaque do que o próprio jogo.

Lembrei-me do que aconteceu comigo, em 2002, logo após o anúncio da vitória de Lula nas eleições presidenciais. Como assessor de imprensa, tinha combinado uma coletiva do candidato eleito num hotel, mas, sem eu saber, o comando da campanha já acertara com a Globo para que ele desse, antes, uma entrevista exclusiva, ao vivo, para o “Fantástico”.

Claro que, nos dias seguintes, quem virou a Geni da imprensa fui eu, obrigado a ouvir desaforos de todos os outros jornalistas que estavam no hotel esperando a coletiva.

Enquanto Serra e Dilma murcham no noticiário, com sabatinas, entrevistas e eventos sem nenhuma repercussão, Dunga virou assunto de todas as manchetes, matérias, colunas, blogs, até de quem sempre achou o futebol um assunto menor, coisa de ignorantes e fanáticos. De uma hora para outra, ele tomou o lugar de Lula como inimigo número um da imprensa livre.

Há, de fato, algo em comum entre os dois polêmicos personagens: mais do que o resultado do trabalho deles, o que se contesta é o seu modo de lidar com a própria imprensa, por não lhe dar a devida importância e a atenção que a instituição julga merecedora.

Não que eles não mereçam críticas, como qualquer figura pública, muito ao contrário, mas o espírito de manada do linchamento dá a impressão de que virou uma gincana para ver quem joga mais pedras no alvo do momento.

E se Dunga perder a próxima partida, o que pode acontecer? Ricardo Teixeira vai defender o seu treinador ou jogá-lo às feras? Pelo retrospecto, eu não tenho muitas dúvidas. Façam suas apostas, senhoras e senhores.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
21/06/2010 - 12:10

Última festa junina da família Lula no Torto

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Começou a contagem regressiva, a longa fase de despedidas do presidente Lula, a seis meses do final do seu segundo mandato.

Neste sábado, Lula e Marisa promoveram a última festa junina na Granja do Torto, uma tradição que mantiveram ao longo destes oito anos de governo.

Apesar do clima de despedida, foi a festa mais animada de todas, com mais gente, todo mundo vestido a caráter, uma noite de alto astral que varou a madrugada.

Marisa e sua nora Marlene capricharam na decoração e na mesa farta de doces e salgados típicos (cada convidado levou um prato), e serviram sopas (canja e caldo verde).

Em geral, costuma acontecer o contrário: na reta final dos governos, a história mostra que as festas do poder começam a se esvaziar e até o café é servido frio nos gabinetes.

Estavam na procissão que saiu antes da festa começar, além da família Silva e dos amigos de sempre, muitos dos atuais ministros e alguns que já deixaram o governo há tempos (Luiz Fernando Furlan e Mares Guia). Também teve muita gente nova no pedaço, como o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes.

Os mais animados, como de costume, eram os anfitriões, que faziam estas festas juninas na chácara deles, a “Los Fubangos”, em São Bernardo do Campo, desde os tempos em que Lula era apenas um candidato a presidente.

O casal Silva passou boa parte da noite tirando fotografias com os convidados, como se fossem noivos de verdade na festa caipira.

Na festa do sábado e ao longo de todo o domingo, no churrasco que antecedeu o jogo da seleção brasileira contra a Costa do Marfim, Lula quase não falou de política, mas dos seus planos para quando deixar o governo, ou melhor da falta de planos.

O presidente até ri quando fala da sua vida pós-governo e do tanto que já se escreveu sobre o que ele vai ser ou fazer. “A única coisa que sei é que vou passar um mes só descansando. Vou ficar no sofá e a Marisa vai toda hora me mandar levantar os pés pra limpar a poeira…”

Lula parece estar vivendo a melhor fase do seu governo. De bem com a vida, brinca com todo mundo o tempo todo. Nas poucas vezes em que falou de política, assunto que evita nos finais de semana, foi só para mostrar uma certeza que ninguém lhe tira. “Vamos ganhar estas eleições no primeiro turno”.

Só ficou sério na hora do jogo do Brasil, sentado entre Marisa e o ministro dos Esportes, Orlando Silva, na primeira fila de cadeiras colocadas em frente a um telão instalado na varanda da Granja do Torto.

Cercado pela família e pelos amigos, umas trinta pessoas, o presidente Lula viveu um final de semana igual ao de milhões de brasileiros, com festa junina, churrasco, chope e futebol.

Do mesmo jeito que costumava brincar comigo quando lhe peguntava como estavam as coisas, nos tempos em que presidia apenas o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, repetiu a velha frase no final do dia: “Se melhorar, estraga…”.



Antes do domingo acabar, porém, ainda com a camisa da seleção,  Lula teve que juntar ânimo para atender a equipe de Franklin Martins que já estava à sua espera para gravar o programa semanal de rádio “Café com o Presidente”. Um dos temas, claro, foi a nova vitória da seleção.

O domingo acabou com uma bela sopa de legumes, servida enquanto os Silva faziam planos para a reabertura do Planácio do Planalto, prevista para o final do mês de julho, quando o casal voltar de mais uma viagem pela África. Depois de visitar vários países africanos, eles vão assistir à final da Copa na África do Sul.

Em breve, o casal estará de volta a São Bernardo do Campo. Vai levar boas lembranças da Granja do Torto e dos seus tempos de Brasília.

Em tempo: leitores me cobram um comentário sobre a vitória do Brasil no domingo contra a Costa do Marfim. Já se falou e escreveu tanto a respeito do jogo que só posso acrescentar que melhoramos muito em relação ao primeiro jogo e, como não há muita lógica nesta Copa da África do Sul,  ao final o Dunga poderá provar que ele estava certo e o mundo todo errado. Faltam apenas cinco jogos para o hexa. Há esperanças, apesar de tudo…

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
17/06/2010 - 10:57

Maradona desponta como estrela da Copa

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Caros leitores,

embarco de novo daqui a pouco, desta vez para Ribeirão Preto, onde participo nesta sexta-feira, ao lado do mestre Zuenir Ventura, de um debate no Salão de Idéias da tradicional Feira do Livro. De lá, vou para Brasília e só volto na segunda-feira à noite. Atualização do blog e moderação de comentários vão ficar um pouco prejudicados. Decidi não levar mais o notebook nas viagens, ainda mais com uma costela quebrada…

Abraços,

Ricardo Kotscho

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Acabei de ver agora o passeio que a Argentina deu na Coréia do Sul, um exemplo de como o time mais forte se impõe ao mais fraco do primeiro ao último minuto do jogo. Terminou 4 a 1, mas poderia ter sido bem mais, tal foi a superioridade do time de Maradona.

Ao final desta primeira semana de Copa, o técnico argentino desponta como a grande estrela na África do Sul. Depois de se classificar com a maior dificuldade, e só no último jogo das eliminatórias, contra o Uruguai, um Maradona agora confiante, cheio de gás e de amor para dar, é a própria encarnação do futebol de garra e talento que coloca a Argentina como uma das seleções favoritas neste Mundial, ao lado da seleção da Alemanha.

De terno cinza e gravata prateada, poderia fazer sucesso como cantor de tango no bairro da Boca, onde fica o lendário estádio que o consagrou para o futebol. Quase o tempo todo em pé junto ao banco de reservas, não para quieto um minuto, abre e fecha os braços, como se tocasse um bandoneon imaginário, grita e gesticula freneticamente, dando o ritmo aos seus atletas, que parecem ter um só objetivo em campo: marcar gol, muitos gols.

Pouco importa quanto está o resultado da partida. A Argentina de Maradona joga seu futebol e deixa o adversário jogar, mais ou menos como o time do Santos de Dorival Júnior tem feito por aqui, encantando as platéias brasileiras.

Onde está escrito que para ser campeão do mundo tem que jogar o anti-futebol, preocupar-se mais em defender do que em atacar, não ousar um drible ou fazer um lançamento em profundidade, como faz o time de Dunga?

A alegria de Maradona ao invadir o campo ao final do jogo para abraçar e beijar cada um dos seus jogadores, e até cumprimentar o trio de arbitratgem, é o melhor retrato do melhor futebol mostrado até agora na África do Sul.

Nem sempre o melhor time chega ao título, sabemos disso, há mil e uma variantes que podem decidir uma Copa do Mundo. Mas dá gosto ver esta Argentina jogar e alegrar os estádios, tocar a bola com carinho, inverter o jogo a toda hora e deixar o adversário zonzo, sem saber a quem marcar.

A diferença é essa: Maradona procurou montar um time de 11 Maradonas, à sua imagem e semelhança, enquanto Dunga escalou uma seleção com 11 Dungas. Se Messi aparece como a reeencarnação do seu técnico e ídolo, na seleção brasileira Gilberto Silva e Felipe Melo são a pobre contrafação do que foi Dunga como jogador. Quem sai ganhando nesta história?

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
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